Como é fazer um intercâmbio em Dublin, na Irlanda?

Um intercâmbio pode ser definido como o “ato de viajar para outro país e residir nele durante um tempo previamente determinado, com a finalidade de estudar, trabalhar ou adquirir conhecimentos relativamente à cultura local“. Mas, se você chegou até aqui, provavelmente já tem essa noção. E sabe também que existem diversos tipos de intercâmbio – apenas estudo, só trabalho ou uma combinação de estudo e trabalho – com diferentes durações e destinos. Aliás, mostramos neste post aqui quais os países mais procurados para a experiência segundo dados da Associação Brasileira de Agências de Intercâmbio do Brasil (Belta).

E para ajudar todos aqueles que estão em dúvida se vale ou não fazer um, preparamos a #serieintercambio, com posts semanais com o objetivo de mostrar – pela perspectiva dos próprios – como é a vida de um intercambista. Aquela visão que você só tem se um amigo seu foi e te contou como que é. Por que um intercâmbio? Como foi o curso? Quais os maiores desafios? Faria de novo? É claro que cada um tem a sua própria vivência dessa experiência. Mas, a insegurança – aquele friozinho na barriga – de se jogar em um país que não é o seu é fator comum entre todos os viajantes.

Jeanine, prazer!

E não poderia começar a série de outra forma. Aqui é a Jeanine e vou começar a #serieintercambio com a minha própria história. Em 2018, quando tinha 24 anos, tive a oportunidade de fazer um intercâmbio de estudo e trabalho na Irlanda. Na época, eu e o Gian – hoje meu marido, namorado na época – optamos por um intercâmbio de estudo e trabalho com duração de oito meses na Ilha Esmeralda e fomos juntos viver essa experiência.

Oi, prazer!

Mas, por que esse tipo de intercâmbio?

Confesso que não foi a minha primeira opção. Pelo custo-benefício dos programas de Au Pair, estava muito inclinada a optar por este tipo de experiência – onde você estuda, mas trabalha como babá na casa de uma família – e ir para os Estados Unidos ao invés da Europa. Mas, após ler mais a respeito e participar de palestras sobre o tema, vi que não era para mim. Não sou a pessoa com mais jeito com crianças. E, é claro, é preciso comprovar tempo de experiência no trato com os pequenos para se candidatar a esse tipo de intercâmbio. E eu não tinha como.

Dito isso, passei para a segunda opção que era um intercâmbio de estudo. Neste caso o Gian se animou para ir junto. Com a desvalorização do real frente às outras moedas, vimos que seria necessário trabalhar para nos mantermos por lá. E com o objetivo de aperfeiçoar o nosso inglês ficamos entre a Austrália e a Irlanda.

Neste link aqui tem todas as publicações da Irlanda até o momento. Essa aqui é a Ha’penny Bridge que eu tive a oportunidade de cruzar todos os dias

Por que a Irlanda?

Gian e eu tivemos motivos diferentes para escolher a Terra dos Leprechauns como nosso destino. E como quem vos fala sou eu, eis as minhas razões. Primeiro, sempre fui fascinada pela Inglaterra, sua cultura e seu sotaque charmoso (eu sei que muitos de vocês estão revirando os olhos neste momento, mas eu gosto mesmo, hahaha). Logo, a Irlanda se tornou minha favorita, principalmente diante de sua proximidade com o país de Jane Austen, minha escritora favorita de todos os tempos.

Aliás, sua proximidade não só com a Inglaterra fez nossos olhos brilharem. Como está localizada na Europa, a Irlanda acaba sendo próxima de diversos países do próprio continente e do norte da África. Uma das melhores viagens que fiz lá foi exatamente para o Marrocos, onde vimos um pedacinho da imensidão que é o Deserto do Saara.

Outro forte motivo é a questão do visto. Para ir para a Austrália você solicita o seu visto no Brasil. Na Irlanda, não. Você solicita quando já está por lá apresentando os documentos obrigatórios e o dinheiro em conta na imigração. Os trâmites burocráticos não são o foco neste post, mas a minha dica do coração é: faça seu agendamento para o visto antes de chegar lá.

Mais uma dica do coração: invista em uma capa de chuva. Ela será sua melhor amiga em Dublin ❤

O planejamento

Fechamos o intercâmbio com uma agência brasileira que nem existe mais. Mas, vale ressaltar aqui que você pode fechar seu intercâmbio diretamente com as escolas de inglês, SEM PASSAR POR UMA AGÊNCIA. Se eu fizesse o intercâmbio hoje, é assim que eu faria. Tivemos muita sorte porque tudo deu certo conosco. Mas, quando estávamos lá, a nossa agência foi exposta nos grupos de brasileiros porque deu golpes em estudantes não pagando suas escolas (e as cartas das instituições de ensino são determinantes para a obtenção dos vistos). Viraram até alvo de reportagem da Record TV.

Mas, voltando. Visitamos diferentes empresas de São Paulo e fizemos vários orçamentos. E os preços variavam muito. Procuramos também por avaliações de clientes tanto em grupos no Facebook (e recomendo que você entre em todos eles, foram de grande importância para mim) quanto em portais como o Reclame Aqui. Estava tudo certo até então. Além do curso, fechamos junto as passagens aéreas, seguro-viagem, duas semanas de acomodação e transfer na chegada do aeroporto.

Os primeiros meses

Lar doce lar

Na minha opinião, os primeiros meses são os mais desafiadores. Eu já morava sozinha no Brasil, mas não com o Gian, então além do intercâmbio em si começamos um novo capítulo no nosso relacionamento. Mas podemos falar disso mais adiante. Contarei tudo e não esconderei nada – hahaha. Brincadeiras à parte, ser um casal influenciou bastante na nossa experiência logo de cara, quando fomos em busca de uma casa para chamar de nossa. Muitos lugares, e eu entendo, não aceitam casais. E a nossa busca era por um quarto só nosso em um período que muitas pessoas estão chegando em Dublin (fomos em fevereiro, já no final do inverno europeu). Logo, demanda maior que oferta.

As acomodações para estudantes, geralmente, não são feitas com imobiliárias mas com pessoas físicas que alugam quartos ou camas. Por isso, cuidado com – infelizmente, mais frequentes – golpes. E não pense que por dividir casas ou quartos, o aluguel na Ilha Esmeralda é barato. Não é. E é importante você saber disso antes de chegar lá. Até porque é muito comum cobrarem caução (esse valor retorna para você quando sai da casa, caso não quebre ou estrague nada) e o primeiro aluguel antecipados. Por isso, logo nas primeiras semanas, você vê a sua conta bancária reduzir bastante.

A saga pelo seu lar-doce-lar pode ser um desafio, mas dá certo no final. Existem alguns sites como o Daft.ie, MyHome.ie e Rent.ie para fazer buscas online. Os grupos de Facebook também ajudam muito. Foi onde eu e o Gian conseguimos o nosso quarto. Vale também olhar os murais das escolas e divulgar para os colegas na sala de aula. A não ser que a pessoa tenha saído do Brasil com os oito meses de acomodação garantidos, todo mundo já passou por isso e sabe como é.

Durante sete meses, moramos em um quarto em Blanchardstown, em D15. Se você já foi ou já morou em Dublin deve ter nos achado doidos. E para você que ainda não foi, vou explicar o porquê. É longe do centro da cidade (D1 e D2) onde ficam todas as escolas e a maioria dos empregos. Mas, nós gostamos muito. Morávamos em uma casa nova e espaçosa com aquecimento eficiente e privacidade.

Teve lado ruim? Com certeza. Se você mora hoje em uma cidade grande como São Paulo, que era o meu caso, vai sentir falta de um transporte público eficiente. Calma, pequeno gafanhoto. Como assim o transporte de São Paulo é eficiente? Ele é. Ele é cheio, mas funciona. Você tem linhas de ônibus e metrô que cobrem grande parte da cidade. Sem contar as que rodam na madrugada. Em Dublin a minha opção era uma linha que, fora do horário de pico, passava de trinta em trinta minutos. E aos domingos, começava a funcionar às 9h. Por isso, compramos bicicletas.

Eu e o Gian indo até o shopping de Blanchardstown, perto de casa, em D15

Busca pelo emprego

Depois de ter uma casa e ter o visto, é hora de procurar o tão sonhado emprego para começar a ganhar em Euro. Fiz meu currículo e comecei a dispará-lo em sites de vagas de trabalho. Existem vários. Também ficava de olho – novamente – nos grupos de Facebook. E foi por lá que consegui o meu. Graças a uma brasileira (Bruna, sua linda!) que postou que o hotel em que ela trabalhava estava procurando por camareiras. A gerente me ligou marcando a entrevista. Fui e comecei o treinamento. Fiquei lá durante todo o período do intercâmbio e conheci pessoas e histórias incríveis. Sem contar que dobro toalhas hoje como ninguém (hahaha!).

No último dia (que não é esse), tinha tirado fotos do meu último quarto. Mas perdi porque troquei de celular e não tinha subido ainda para a nuvem

Intercâmbio de casal

Como prometido, vamos falar sobre ir em um intercâmbio como um casal. Mas isso merece um tópico, Jeanine? Sim, merece. E se você chegou até aqui sabe que vou explicar porquê. Na minha primeira semana na escola, aconteceu aquela apresentação coletiva, sabe? Momento constrangedor – mas necessário – em toda sala de aula. E comentei que estava lá com meu namorado. E escutei um dos alunos lá do fundo falando que “jamais iria para um intercâmbio com o alguém porque ‘estragaria’ a experiência”. E você, concorda?

Bom, eu não. Em 2018, eu e o Gian já estávamos juntos há muito tempo. Ele é a pessoa das datas, não eu. De qualquer forma, eu gostei muito de ter companhia e alguém para me apoiar durante o intercâmbio. Alguém para dividir os perrengues, sabe? Foi ele que me acalmou quando eu afundei o meu pé no gelo na nossa primeira semana em Dublin. Sim, para o nosso desespero, nevou na Irlanda (não costumava nevar até 2018, mas desde então tem ocorrido com frequência. Aquecimento global, né?). Foi ele que foi até a Garda (a polícia irlandesa) comigo quando roubaram os dados do meu cartão e fizeram compras de mais de 800 euros. Também estava lá quando a atendente negou o meu PPS (tipo o CPF irlandês, necessário para poder trabalhar) porque achou que o meu contrato de trabalho não era uma prova válida de emprego (hahaha!).

Recém-chegados na Irlanda: com nada apropriado para neve

A evolução do nosso inglês ficou comprometida? Talvez. Nós não morávamos com brasileiros mas, entre nós, conversávamos em português. O que acaba acontecendo com grande parte das pessoas que vão para Dublin: conversar em sua língua nativa. E eu não escrevo isso para desencorajar você. Mas, a comunidade brasileira é bem forte, presente e, na real, não fuja dela.

Não fuja dos brasileiros!

E eu realmente quero dizer isso. Os grupos de Facebook de brasileiros me ajudaram muito. Não só para conseguir arrumar emprego. No hotel, aliás, conheci pessoas incríveis que deixaram o exaustivo trabalho de camareira muito mais leve. Existia um espírito de ajuda, sabe? Coisa que você não vai – ou vai, mas de forma mais rara – encontrar em outras nacionalidades. É cultural, sabe? É claro que somos reconhecidos também pelo “jeitinho brasileiro” e muitos não fazem por onde. Mas acredito do fundo do meu coração que os bons são a maioria. Porque conheci mais deles.

O que trouxemos de volta vão além dessas malas

Recomendo um intercâmbio?

Sim. Não há maneira mais simples de dizer isso. A pessoa que pisa no aeroporto na chegada não é a mesma que vai embora. E eu não falo isso apenas por causa do aperfeiçoamento da língua, no meu caso, o inglês. O crescimento pessoal é gigantesco, independente de quanto tempo você fica no intercâmbio. Deixo aqui o meu post emocionado da minha despedida, que fiz no dia do meu embarque de volta (e ainda não estava escrevendo para o Voyajando). Acredito que resume bem o sentimento – até hoje – da experiência:

ps. A Guinness no Brasil não é ruim. Slàinte!

E se você fez algum intercâmbio, compartilhe conosco a sua história pelos contatos aqui do site, comentários ou lá pelo Instagram do @voyajandoblog. Seu relato pode ajudar outras pessoas e vamos AMAR ouvir sua história.

Pensando em fazer um intercâmbio ou tem alguma dúvida? Manda para a gente!

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