Excursão de 1 dia na Irlanda do Norte

Já contei para vocês por aqui que tive a oportunidade de fazer em 2018 um intercâmbio em Dublin, na Irlanda. E também já falei sobre as principais atrações da capital irlandesa e os símbolos da Terra do Leprechaun. Hoje é vez de falar sobre sua vizinha-irmã, a Irlanda do Norte e o passeio de 1 dia – esquema bate-e-volta com excursão a partir de Dublin – que fiz por lá.

Dito isso, vamos ao que interessa? Quais as principais atrações da Irlanda do Norte?

Primeiro, uma contextualização histórica

É comum associar a Irlanda do Norte a conflitos religiosos entre católicos e protestantes. E não é à toa, já que muitos desses embates são recentes. Um deles virou até música da banda U2, Em Sunday Blood Sunday (ou Domingo Sangrento) o grupo irlandês fala sobre o protesto de 1972 onde o governo inglês agiu de forma violenta contra uma manifestação pacífica que acontecia na cidade de Derry. Foram 13 mortos e 14 feridos.

Embora o protesto tivesse cunho político e pedisse que o governo britânico parasse de prender sem julgamento suspeitos de fazerem parte do IRA (Exército Republicano Irlandês, grupo terrorista católico que luta pela independência da Irlanda do Norte), as tensões religiosas existentes desde sempre acabaram aflorando. E, veja bem, isto aqui é um resumo do resumo do resumo apenas para contextualizar a história irlandesa. Muita água correu embaixo dessa ponte.

Desde sempre? Sim, a rixa é antiga. Em seus primórdios, a ilha da Irlanda era ocupada pelo povo celta. Foi invadida pelos ingleses no século XII. Quando a Coroa rompeu com a Igreja Católica e tornou-se anglicana, já no século XVI, houveram protestos. Porque a maioria da população irlandesa era católica (e continua sendo!). Logo, de um lado, o governo que impõe uma religião. Do outro, a população e sua fé.

Hoje, é importante ressaltar que a Irlanda e a Irlanda do Norte são países diferentes que dividem a mesma ilha. A República da Irlanda conquistou sua independência no século XX e a Irlanda do Norte permaneceu no Reino Unido.

O IRA e o governo britânico assinaram um acordo de paz em 1998.

as principais atrações da Irlanda do Norte

Agora sim, vamos fazer o que se propõe um blog de viagens: falar sobre turismo! Fechamos uma excursão por 35 euros por pessoa. O ônibus deixava Dublin por volta das 8h e voltava às 20h30. Recomendo fazer o passeio que incluía Rope Bridge, Giant’s Causeway e Belfast City? Depende de vários fatores. E vamos discorrer sobre eles ao longo do post. Então, fica comigo e venha se encantar pelo norte irlandês.

Carrick-a-Rede Rope Bridge

Em tradução livre: ponte de corda. E é isso! É isso que você vai encontrar na Rope Bridge. Mas, por que diabos isso é uma atração turística? O principal motivo é que ela ambientou uma cena importante do seriado Game of Thrones, então acabou entrando na rota turística por conta dos fãs. Mas, mesmo se você nunca assistiu à série, vale visitar essa ponte suspensa a 30 metros acima do Oceano Atlântico.

A ponte foi construída por pescadores de salmão em 1755 para ligar o continente a ilha de Carrick-a-Rede, reduzindo assim a necessidade de se usar barcos. O nome vem do gaélico Carraig-a-Rade, que significa “pedra no caminho”, já que a ilha era uma espécie de obstáculo para a migração dos peixes e sua reprodução nos rios.

Giant’s Causaway

A Calçada dos Gigantes é o ponto alto do passeio pela Irlanda do Norte. Não é à toa que o lugar é considerado um Patrimônio Mundial da UNESCO. Se você acha que essa formação rochosa seja o resultado de um vulcão em erupção que formou 40 mil colunas de basalto hexagonais há cerca de 60 milhões de anos… você está certo. Embora essa versão científica – ou seria arqueológica? – não tenha nenhuma graça. Mesmo que impressionante.

Reza a lenda que Giant’s Causeway foi um caminho construído por um gigante da Irlanda do Norte chamado Finn MacColl que tinha como objetivo ir até a Escócia matar seu desafeto, o gigante Benandonner. Quando chegou lá, viu que seu inimigo era maior e mais forte, e voltou correndo para casa. No entanto, ele foi perseguido pelo escocês. A esposa de Finn, para remediar a situação, vestiu o marido de bebê. Quando Benadonner viu o tamanho do “filho” ao chegar, não pensou duas vezes, e fugiu com medo de qual seria o suposto tamanho do pai, destruindo o caminho durante sua retirada. Muito melhor, né?

Dunluce Castle

Essa foi uma “parada para foto” da excursão pela Irlanda do Norte. Neste ponto da viagem, eu já estava com frio e um tanto quanto menos animada do que nas atrações anteriores. Então não entendi direito porque descemos para ver e tirar foto deste castelo medieval em ruínas. Mas, caro leitor, não é qualquer castelo medieval em ruínas. Ele foi construído pela família MacQuillan por volta de 1500. Aí, foi tomado pelo clã MacDonnell. No século XVII, foi residência dos condes de Antrim. No século XXI, já em ruínas, foi filmado – e editado, claro! – como o castelo dos Greyjoy de Game of Thrones, nas Ilhas de Ferro da ficção.

E como ele ficou em ruínas? Reza a lenda que, em uma noite, o mar estava agitado e uma tempestade se formou levando consigo a encosta e a cozinha da fortificação. O único sobrevivente foi um garotinho que conseguiu se segurar em um parapeito.

The Dark Hedges

Você já deve ter percebido, até aqui, que muitas das atrações da Irlanda do Norte tornaram-se atrações após o sucesso de Game of Thrones. E esta aqui não é diferente. As árvores que compõem a atração chamada The Dark Hedges foram plantadas no século XVIII por uma família que vivia no final da estrada, a Bregagh Road. A ideia era impressionar os visitantes que estavam a caminho da sua mansão (Gracehill House). E se você fizer um esforço, porque as árvores foram podadas perto da nossa visita, vai ver que o local serviu de locação para o seriado das Crônicas de Gelo e de Fogo. Na ficção, recebe o nome de Estrada do Rei (ou Kingsroad) e é a principal rota terrestre dos Sete Reinos, que liga o Sul ao Norte.

Mas, ao parar para as fotos, tome cuidado. Por mais turístico que seja, é uma via e passam carros ali.

Museu do Titanic

Até aqui, eu estava amando a tour pela Irlanda do Norte de ônibus de excursão. Mas, chegando em Belfast, a capital do país, as coisas começaram a ficar mais corridas. Principalmente por conta de atrasos dos outros viajantes, que acabavam demorando para voltar para o veículo e atrasavam o prosseguimento da viagem.

O Museu do Titanic não estava incluído na excursão e eu sabia disso. Mas, como eu queria ter entrado! Fica aqui o meu lembrete público de que voltarei em breve para Belfast para entrar nesta atração. Só o seu exterior já chama atenção, e não é sem motivo: ele foi projetado para parecer um navio. Com 38 metros de altura, mesmo tamanho que o Titanic original, fica exatamente onde era o estaleiro Harland & Wolff, local onde a embarcação original foi construída. Simbólico, né?

A mostra expõe de maneira cronológica os principais fatos e detalhes sobre a “vida” do Titanic. Da sua construção até seu derradeiro acidente, após colidir com um iceberg em 1912, eternizado por Jack e Rose em Hollywood.

Centro de Belfast

Aí, com todo o atraso acumulado de todas as “descidas”, acabamos perdendo todo o centro de Belfast aberto. A excursão foi em um domingo, dia que as lojas, cafés e afins encerram suas atividades mais cedo. Foi bem frustrante, então corremos pela cidade para poder dar uma olhadinha nos principais prédios, pelo menos. Mas, pelas imagens, dá para ver que estava um deserto que só!

Os muros da paz

Nossa última parada em Belfast foi em um dos chamados “muro da paz”. Lembra da contextualização histórica que eu coloquei lá em cima, aqui ela é ainda mais importante. Eles “dividem” protestantes (legalistas) e católicos (republicanos) pela cidade. Também chamados de “Peace Walls”, foram construídos a partir de 1969 como “apaziguadores” para manter a paz entre os dois lados, que vivem em tensão há centenas de anos. Hoje, eles são cobertos de grafite e o número e a intensidade dos conflitos diminuíram. Mas ainda existem bairros, escolas e comércios separados para cada grupo.

Ao todo, são cerca de 23 km de muros. A ideia do governo é destruí-los até 2023, mas o medo de novos Bloody Sunday ou Bloody Friday pode atrasar esse plano.


Além do atraso do pessoal que não voltava para o ônibus, o veículo deu ruim em determinado momento e ficamos parados na rodovia esperando um outro vir buscar a gente para nos levar de volta para Dublin. E tá tudo bem, imprevistos e coisas acontecem. Recomendo um passeio de excursão? Sim, se você – assim como a gente – estava mais interessado nas atrações fora da capital, que seriam mais complicadas de serem acessadas de um transporte público, por exemplo. Em Belfast tem estação de trem e é provavelmente a forma como a visitarei da próxima vez. Ou talvez alugue um carro, se já tiver confiança com a mão inglesa.

Aproveito o finalzinnho do post – e gratidão se você chegou até aqui! – para lembrar você que fizemos essa viagem em 2018. Ou seja, antes do Brexit. Nessa época, não havia indicação de fronteira e o acesso – embora fossem países diferentes – era livre. Até o final deste post não haviam informações de como ficaria o trânsito na ilha Irlanda.


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