Roteiro Reino Unido: visitando o Old Trafford, a casa do Manchester United

Como já adiantei no Roteiro Reino Unido: Visitando Manchester, um dos motores da Revolução Industrial, hoje teremos um post especial sobre futebol. Então, amantes do esporte, uni-vos! Principalmente porque o quinto dia da minha Eurotrip foi visitando o Old Trafford, o estádio dos Diabos Vermelhos. Quer dizer, do Manchester United. E, quer saber? Foi interessantíssimo. E só para convencer você a ficar até o final do texto – caso não seja um fã de futebol -, alerta spoiler: a história do time tem, bom, história. Tragédia de avião, bombardeio em guerra, violência (já ouviu falar dos Hooligans?) e tem, é claro, vitórias e muita paixão. E a cor vermelha. Vamos lá?

E se você chegou até aqui agora, deixa eu explicar o que está acontecendo. Em 2018, fiz um intercâmbio junto com o Gian em Dublin, na Irlanda, de estudo e trabalho. Economizamos durante os primeiros sete meses para podemos fazer uma viagem bem legal no final do nosso visto. O oitavo mês, quer dizer, os últimos 35 dias da nossa experiência foi rodando diferentes cidades, países e culturas.

Como chegar no Old Trafford?

Eu escrevi e reescrevi – e até pensei em deixar esse parágrafo de fora do post por vergonha – as formas como você pode chegar até o estádio do Manchester United. Mas, você, caro leitxr, merece a minha verdade. Então, aqui vai: eu ANDEI até o Old Trafford por 1 hora. Mas não existe uma estação perto do lugar? Existe sim, a uma distância de 5 minutos. Tem também táxi, Uber, ônibus e ônibus turístico que vai para lá. Então por que diabos vocês caminharam até lá? Não sei responder. Do fundo do meu coração. O Gian e eu sempre gostamos de andar para “descobrir” novos lugares, mas não há nada turístico neste caminho além de uma longa rodovia, garoa e mau-humor.

Mas, agora, falando muito sério. O estádio do Manchester United está em Old Trafford, em uma região conhecida como Grande Manchester – ou seja, fora da área central. Por isso que é mais afastado. Não foi impossível chegar andando, mas eu não recomendo. É perda de tempo e ganho de cansaço desnecessário. Batemos mais de 20 km neste dia e, depois do estádio, seguiríamos a nossa Eurotrip e pernoitaríamos na cidade de Sheffield. Então, nem preciso dizer que desmaiei depois que cheguei no nosso novo Airbnb, né?

Nossa visita ao estádio do Manchester United

Assim como fizemos em Liverpool, deixamos nossas malinhas-companheiras em um left luggage (um “lugar confiável” para guardar malas) da Stasher, perto de Manchester Piccadilly, a estação de trem de onde partiríamos à noite. E seguimos. Escolhemos para visitar o Old Trafford em um dia sem partidas, assim poderíamos fazer o tour pelo estádio e pelo museu que fica lá dentro. Já tive a oportunidade de conhecer alguns estádios, como o La Bombonera (Argentina), o Centenário (Uruguai), o Maracanã (Rio de Janeiro) e o Allianz Parque (São Paulo). E, assumo para você, caro leitxr, que esse não é o meu tipo de rolê preferido em viagem. Mas, sou uma ótima (e humilde) companheira e sempre acompanho o Gian por eles.

Todas essas visitas me fizeram muito experiente quando o assunto é tour em estádio (contém ironia). Então digo com propriedade (contém mais ironia) que a casa dos diabos vermelhos está na lista dos mais legais até o momento (aqui é verdade mesmo). É claro que tem toda aquela mesmice de visitar o vestiário, as arquibancadas, os camarotes e a sala de imprensa, não necessariamente nesta ordem, mas o diferencial para mim é que no Old Trafford a gente começou pelo museu – o que me deu uma bela ambientada sobre o time – e, depois de olhar tudo, fomos para o tour que era guiado.

Enfim, voltando. Os ingressos para o estádio podem ser comprados com antecedência pela internet, mas nós deixamos para fazer isso na bilheteria mesmo. Arriscamos porque era baixa temporada, viu? Garanta o seu antes! Cada ticket custou na época (lembre-se que a Eurotrip aconteceu em 2018) 14 libras e deu direito tanto ao museu quanto ao tour. Além dessas duas atrações, lá dentro tem uma Megastore (mega mesmo, porque nunca vi tanto acessório e souvenir de time na minha vida) e uma cafeteria chamada Red Café.

Mas, por que Manchester United? E o City?

Você já deve ter percebido até aqui que eu JAMAIS saberia responder isso. Então, tive que pedir reforços. Com vocês as palavras do Gian: “Desde que comecei a jogar Winning Eleven, no Playstation 1, eu escolhia o Manchester United. Não me lembro muito bem como comecei a gostar desse time, talvez porque Cristiano Ronaldo já estava lá. A partir daí sempre escolhi os Red Devils [diabos vermelhos] em qualquer partida, em qualquer console. Todo apaixonado por futebol tem seu time de coração no país (Vai, Corinthians!) e gosta de outros de fora (normalmente pela Europa). Ter ido ao Old Trafford foi a realização de um sonho pré-adolescente rs”. Ah, e quando perguntado “E o City”, a resposta dele foi: “a ascensão do Manchester City foi bem depois. É mais modinha”.

E pensa em uma pessoa feliz? Gian até deixou separada na mala a camiseta do Corinthians para este passeio em específico. Ele nem ficou – tão – abalado quando a mulher lá no estádio não fazia ideia do que era o Corinthians. Mas não é por nada não, o Palmeiras ela conhecia. Hahahahaha. Mas eu juro que eu só falei disso para você saber que é muito comum as pessoas perguntarem, depois que descobrem que você é brasileiro, para qual time você torce (quando você está em passeios relacionados a futebol, é claro). Juro, só por isso. Longe de mim entrar em discussão de futebol.

O Museu dos Red Devils

O museu do Old Trafford conta por meio de vídeos, fotos e objetos a história de um dos times mais tradicionais – e vitorioso – da Inglaterra. Gostei que serviu para mim como uma ambientação para o que estava por vir. Até porque eu não sabia muita coisa sobre o clube. A gente ficou perambulando pelo museu até dar a hora da visita ao estádio que é acompanhada por um guia. Sim, o tour tem horário marcado. Por isso, faça o que eu não fiz e compre seu bilhete com antecedência para tudo fluir do jeito que você imaginou e não ter nenhuma surpresa.

Além dos itens “comuns” existente em um museu de futebol, como bolas, camisas e troféus, existem atrações mais tecnológicas dentro do Old Trafford, o que deixa tudo mais divertido. Tem holograma, câmeras para fotos estilizadas e até eu saí de lá com um certificado em mãos pela minha experiência pelo estádio. Para mim, um dos destaques do museu foi a sala que homenageia os jogadores que morreram no desastre aéreo de 1958, que aconteceu em Munique, na Alemanha. Tem uma seção que fala também sobre os danos sofridos pelo estádio durante a Segunda Guerra Mundial – lembrando que ele foi fundado em 1910 – e um espaço para falar dos hooligans, grupos de torcedores que fazem uso da força e da violência.

E para falar de coisa boa, no estádio a gente vê o respeito e o orgulho dos Diabos Vermelhos com a chamada Era Ferguson. Alex Ferguson foi – ou é – o técnico mais famoso da história do Manchester United. Ele ganhou 38 títulos pelo clube entre 1986 e 2013. Sim, ele dirigiu o time por 27 anos. A temporada mais aclamada foi a 1998-1999, quando o Manchester United ganhou o “treble”, ou seja, venceu a Premier League, a FA Cup e a UEFA Champions League. Bichão, né?

O estádio

A “concentração” para o início do tour guiado é uma espécie de lounge com bancos e mesas para jogar pebolim. Uma espécie de sala de espera com coisas para se fazer. Legal, né? Então, no horário combinado, o guia se aproxima, confere os crachás e segue o baile. Começamos com as arquibancadas, depois fomos para a sala de imprensa, visitamos os vestiários do time da casa, entramos no campo pelo mesmo túnel por onde os jogadores passam em dia de jogo (isso é muito legal, mas não vou dar spoiler!) sentamos no banco dos reservas e voilà. Terminamos dentro da Megastore.

E da mesma forma que o La Bombonera é uma explosão de azul e amarelo para qualquer lugar que você olha, o estádio do Manchester United é todinho vermelho. Mas achei de bom gosto, hahahaha, nada muito cafona (esse é o tipo de análise que eu sou capaz de fazer de um estádio). Brincadeiras à parte, o estádio dos Diabos Vermelhos comporta mais de 75 mil pessoas e é considerado o segundo maior da Inglaterra.

Ao redor do Old Trafford

Na frente do estádio você encontra a estátua The United Trinity (ou, a Trindade do United), uma homenagem a três jogadores que marcaram a história do time ao ajudarem os Diabos Vermelhos a serem o primeiro time inglês a vencer uma Copa da Europa, em 1968: George Best, Danis Law e Sir Bobby Charlton. Você também encontra uma abelha da intervenção Bee In The City que mostrei no último post sobre o nosso roteiro de 1 dia na cidade de Manchester.

Ao invés de comer no Red Café, eu e o Gian decidimos procurar um lugar na região para almoçar. E eis que encontramos um lugarzinho muito peculiar típico de entorno de estádio. Era coberto com fotos, brasão e, é claro, as cores do Manchester United. Tinham dois senhorzinhos lá dentro batendo o maior papo sobre futebol. Pedimos um clássico fish and chips (peixe e batatinhas fritas) e eles começaram a puxar assunto quando falamos que somos brasileiros. Na verdade, tentaram. Porque foram direto para o Pelé. E aí, caro leitor, não deu não. Mas eles perceberam logo que quando nascemos o Rei do Futebol já havia se aposentado há mais de 30 anos. Hahahahaha fofinhos.

Depois, voltamos para Manchester – a pé, de novo! – para pegarmos o trem para a nossa próxima aventura na Terra da Rainha. O destino? Sheffield. Na verdade, usamos a cidade só para pernoitar esta noite, já que o objetivo ali era outro. No próximo post, minha visita a Chatsworth House, ou Pemberley, a residência de Mr. Darcy em Orgulho e Preconceito, obra da minha escritora favorita de todos os tempos, Jane Austen. Já tem post sobre o lugar para o #TuristandoNaQuarentena. Viu como eu não sou tão boazinha? A minha Eurotrip foi um equilíbrio entre os gostos do Gian e os meus. Aguardem as cenas dos próximos capítulos.

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