EUROTRIP: O que fazer em Praga, a capital da República Tcheca?

Também conhecida como a Cidade Dourada ou Cidade das Cem Cúpulas, Praga é um dos principais destinos turísticos da Europa, principalmente no verão, quando suas ruas e vielas ficam bastante movimentadas. Estima-se que ela recebe cerca de sete milhões de turistas todo ano, o que a coloca na lista das 10 mais visitadas do continente. Seu centro histórico é considerado um Patrimônio Cultural pela UNESCO e parada obrigatória quando se está na capital da República Tcheca. Aliás, vale ressaltar que as principais áreas turísticas de Praga ficam localizadas bem próximas uma das outras, então é possível fazer tudo a pé.

Eurotrip? Sim! Praga foi mais um destino da viagem que eu e o Gian fizemos em 2018 para celebrar o final do nosso intercâmbio em Dublin, na Irlanda. Começamos nossa tour na Escócia, onde visitamos Edimburgo e fizemos uma excursão pelo interior do país. Depois, entramos na Inglaterra de trem e paramos em Liverpool, Manchester (com direito à visita ao estádio do Manchester United), Chatsworth House, Londres, Bath, Stonehenge e Bristol. Depois, ainda no Reino Unido, conhecemos Cardiff, no País de Gales. Então fomos para o Marrocos conhecer o Deserto do Saara, no norte da África. Daí voltamos para a Europa e paramos em Amsterdã, nos Países Baixos. Depois fomos até Bruxelas, na Bélgica e finalmente chegamos à Praga, na República Tcheca. Ufa! E ainda tem chão. Ao todo, foram 35 dias por esse mundão.

Como chegar em Praga?

Nós fomos de avião. Saímos de Bruxelas, na Bélgica, de manhã e depois de aproximadamente 1 horas e meia de viagem, estávamos em Praga, a capital da República Tcheca. Era um sábado, um dos grandes possíveis motivos da cidade estar tão cheia (acabamos chegando junto com os viajantes de finais de semana, que é super possível na Europa pela distância entre os países, né?). Enfim. Do aeroporto existem algumas formas de se chegar ao centro: Airport Express Prague, o ônibus shuttle que tem o percursos de aproximadamente 30 minutos e saídas a cada 30 minutos; ônibus de linha, táxis e transfers. Nós escolhemos a primeira opção, como sempre.

Depois, andamos por cerca de 15 minutos até chegarmos no nosso hostel da vez. Mas ele não será indicado por motivos de: não foi uma experiência muito boa não. Não chegou a ser Bristol, da Inglaterra, mas também ficou muito aquém do de Amsterdã, nos Países Baixos. Eram poucos banheiros e eu tinha que ficar usando o do andar de baixo porque o do meu andar estava sempre ocupado. Fora que o quarto também era compartilhado, então tivemos problemas com roncos alheios durante à noite. Em uma delas, o barulho estava tão alto que eu, o Gian e o “amigo” do cara que estava roncando acordamos durante a madrugada. O Gian levantou e pegou fones de ouvido para mim e para ele. O “amigo” deu um chute no estrado do cara que estava roncando que tremeu todas as nossas beliches, que eram – claro! – interligadas. Resultado: o cara virou de lado e nos deu sossego. Ponto positivo? Sim, a localização! Foi muito boa! Fora que eles deixaram a gente deixar a mala por lá antes do check-in e depois do check-out.

Uma breve contextualização histórica

Praga tem mais de mil anos de história. Nem que eu tentasse eu conseguiria sintetizar tudo isso em um parágrafo, mas achei de bom tom trazer uma contextualização aqui porque eu fiquei bastante perdida quando estava visitando as atrações da cidade, principalmente o Castelo de Praga. As escolas – ou pelo menos as instituições por onde eu passei – tinham como enfoque a história ocidental, com exceção dos países orientais que se envolviam nos grandes conflitos mundiais.

Há indícios que mostram que a capital da República Tcheca tem origem céltica e que tornou-se uma cidade por volta do século IX. E é bom ter em mente que a cidade de Praga já foi uma das mais importantes do mundo entre os anos de 1355 e 1378 – atrás apenas de Roma e Constantinopla – quando o imperador Charles IV (em português, Carlos), descendente de Carlos Magno, governou de lá todo o Sacro Império Romano.

Carlos IV era ainda neto de Wenceslau II (Venceslau, em português) e pertencente à dinastia Přemysl. Ele foi coroado Rei da Boêmia em 1347 e foi durante o seu reinado que grandes mudanças foram feitas em Praga, como a construção da Cidade Nova (Nové Město), da Ponte Carlos, da Universidade Carolina de Praga e da Catedral de São Vito, localizada dentro do castelo.

Depois de sua morte, a cidade passou por um período tumultuado de conflitos como as Guerras Hussitas (1419) e a Guerra dos Trinta Anos (1610). No final o Sacro Império Romano enfraqueceu e após quase dois séculos o reino da Boêmia passou a fazer parte do Império Austríaco. E com o fim do Império Austro-Húngaro, em 1918, a Boêmia se juntou à Eslováquia, que, neste mesmo período, estava se separando da Hungria, formando a Tchecoslováquia.

E aí foi só agitação, babado e gritaria. Praga foi ocupada pelos nazistas em 1939 e, com isso, teve sua população judia enviada para os campos de concentração, Na guerra, foi bombardeada pelos Estados Unidos e tomada pela União Soviética. Somente em 1989, com a Revolução de Veludo que o país dá fim ao comunismo. Em 1993 a Tchecoslováquia dividiu-se e tornou-se duas: República Tcheca e Eslováquia,

Importante ressaltar que a República Tcheca faz parte da União Europeia, mas não aderiu ao euro. A moeda local é a coroa tcheca. E o idioma oficial é o tcheco, embora a gente tenha se virado bem com o inglês por lá (já que circulamos apenas nos lugares turísticos).

O que fizemos em Praga?

Ficamos dois dias em Praga e não fizemos tudo que a cidade tem a oferecer. Abaixo, compilamos as atrações que visitamos com as principais informações que você “tem-que-ter” para cada um desses pontos turísticos. Uma dica? Se puder, fique mais! A cidade é o que chamamos de “grata surpresa” porque foi muito mais linda e interessante do que achávamos que seria. Ficamos apaixonados e com certeza voltaremos para conhecer o restante e revisitar o que já vimos.

Dica dois: experimente o Trdelík (em inglês, eles chamam de Chimney Cake, que na tradução literal fica “bolo chaminé”). É uma massa enrolada e assada na brasa coberta com açúcar. O cheiro é delicioso e, é claro, já existem diversas variações do doce típico pelas ruas da cidade. Além da tradicional, que vai muito bem com um café, por sinal, têm opções com sorvete, chocolate… Café e vinho quente! Nos mesmos estabelecimentos da iguaria, eles também comercializam vinho quente. Mas não espere nada parecido com as bebidas servidas em quermesses e festas juninas. Não é doce. É vinho quente mesmo, literalmente.

E já que estou falando de bebida, fica aqui uma curiosidade para você. voyajante. A República Tcheca é o país com o maior consumo de cerveja per capita do mundo. Chega a ser mais barato consumir álcool do que água por lá. E eu achava que na Irlanda as pessoas bebiam bem… Sabia de nada, inocente! Hahahaha. E para completar o meu parágrafo gastronômico, tenho mais uma dica de comida. Perto do hostel onde estávamos hospedados, que era em um calçadão, tinha uma “barraca” de lanches rápidos, que é basicamente um pão com linguiça com chucrute. O negócio era bom, hein?

Praça da Cidade Antiga

Na Praça da Cidade Antiga (ou Cidade Velha) estão localizadas duas atrações que valem a visita: o Relógio Astronômico, que fica na parede externa da prefeitura, instalada em um prédio de 1364; e a Igreja de Nossa Senhora de Tyn. Outro ponto positivo da praça são os restaurantes, bares e lojinhas, cheias de souvenires de viagens.

Relógio Astronômico

Datado de 1410, é considerado um dos mais antigos da Europa. Além das horas, o relógio registra a data do dia, a posição do sol, ciclos astronômicos, fases da lua e, até mesmo, feriados do calendário cristão. Lembre-se de visitá-lo perto das horas cheias. Nesses horários, o relógio proporciona um miniespetáculo e os seus elementos se mexem. Os 12 apóstolos de Jesus fazem uma espécie de “procissão”.

Ponte Carlos (Charles Bridge)

Como já mencionado no post #TuristandoNaQuarentena – Homem-Aranha: Longe de Casa, a Ponte Carlos (Karluv most ou Charles Bridge) é a mais antiga da cidade e cheia de histórias para contar. De estilo gótico, ela começou a ser construída em 1347 sobre o Rio Moldava e liga a cidade velha à cidade pequena. Com mais de 500 metros de comprimento e 10 de largura, recebe o nome de seu criador, Rei Carlos IV, e conta com 30 estátuas barrocas do século XVIII adornando suas bordas ao longo da construção. Na verdade, réplicas das estátuas barrocas do século XVIII. As verdadeiras estão protegidas no Museu de Praga.

A estátua mais famosa é, sem dúvida nenhuma, a de São João Nepomuceno. Conhecido como “Mártir da Confissão”, reza a lenda que o vigário foi jogado no rio porque não quis abrir para o Rei Venceslau IV – tido na História como um mau-caráter – as confissões de sua rainha. É fácil localizar a representação do santo na Ponte Carlos. Há sempre uma fila de turistas esperando para esfregar a placa abaixo da estátua para pegar um pouquinho de sorte para si. Supersticioso ou não, simplesmente vá! Mas, se precisar do direcionamento para encontrá-lo, é o oitavo monumento à direita.

Independente da quantidade de dias que você ficar em Praga, é bem provável que você atravesse a Ponte Carlos diversas vezes.

Vale ressaltar que é possível visitar a Torre da Pólvora que fica em uma das extremidades da ponte. Durante a Idade Média eram comuns as chamadas “cidades fortificadas” e essas torres serviam como pontos de observação das muralhas que circundavam as cidades. Lá de cima é possível ver os principais pontos turísticos de Praga como a Cidade Velha e o Castelo de Praga, que vem a seguir.

Castelo de Praga (Prague Castle)

É, sem dúvida nenhuma, a principal atração de Praga. Dentro de seus muros estão o Antigo Palácio Real, a Catedral de São Vito, a Rua do Ouro e muito mais. Isso tudo sem contar a vista panorâmica da Cidade das Cem Cúpulas. Dentro deste “complexo” gigantesco que é o Castelo de Praga existem áreas de visitação gratuitas e pagas (divididas na bilheteria por Circuitos), e elas possuem horários de funcionamento diferentes. Então, programe-se!

O Castelo de Praga detém ainda o título de “maior castelo do mundo” no Guinness Book, o famoso livro de recordes. Então, dependendo dos seus interesses, vale separar um dia inteiro de visita por lá.

Antigo Palácio Real

O Antigo Palácio Real era a morada da família – é claro! – real. Lá viveram reis da Boêmia, imperadores romanos e, mais atualmente, presidentes da Tchecoslosváquia e República Tcheca. A visita começa em um grande salão, onde reis e rainhas davam bailes e jantares. Depois, você fica livre para andar pela construção.

Catedral de São Vito

De estilo gótico, é uma das catedrais mais importantes da cidade, principalmente porque os antigos reis eram coroados lá. Ela começou a ser construída durante o reinado de Carlos IX, em 1344. No entanto só foi finalizada e aberta ao público em 1929, quase 600 anos depois.

É lá que estão guardadas as joias da Coroa.

Rua Dourada

É uma rua estreita com várias casinhas dentro do Castelo de Praga. Antigamente, abrigava os artistas que produziam para a realeza. Entre seus moradores mais ilustres está o escritor Franz Kafka, nome por trás do icônico A Metamorfose. Hoje, as casas coloridas são ou lojinhas ou exposições de como eram decoradas na Idade Média.

Na Rua Dourada você consegue acessar ainda as muralhas do castelo e andar lá por cima. Lá dentro ficam expostas armas e armaduras utilizadas na Idade Média.

Muro John Lennon

Isso mesmo, existe um muro em homenagem ao ex-integrante do Beatles. Cheio de grafites coloridos, imagens e mensagens de paz e amor, a atração é uma das mais instagramáveis da cidade e um contraste aos prédios antigos que formam Praga. O muro recebeu este nome porque começou ser pintado após o assassinato de John Lennon, em 1980. Nesta época, o país ainda vivia sob regime comunista e os grafites foram vistos como vandalismo e apagados. Mas, a arte resistiu e, a cada “apagada”, os desenhos voltavam. Tornou-se um símbolo de liberdade.

Pedalinho no Rio Moldava

Quer uma perspectiva diferente dos principais monumentos de Praga? Faça um passeio pelo Rio Moldava, ou Vltava, em tcheco. O destaque é a visão que se tem da Ponte Carlos, que liga a Cidade Baixa, onde fica o Castelo de Praga, e a Cidade Antiga. Além do pedalinho, que foi o que fizemos, existem empresas que oferecem rotas de barcos e cruzeiros. Alguns contam até com restaurantes e bares a bordo. O melhor horário? Na nossa opinião, o pôr-do-sol.

Mas, fique atento. O rio possui desníveis – pequenas barragens que controlam o fluxo de água – como se fossem degraus, então não é possível pedalar por uma grande extensão. Mas é o suficiente. E como quem dirige é você, é preciso tomar cuidado também com as outras embarcações que navegam por ali.

Informações de última hora

Se você chegou até aqui já deve ter percebido, pelas fotos, que Praga é uma cidade cheia, principalmente no verão (isso que nós fomos no outono). Ter um tempo só seu perto do ponto turístico é quase impossível, mesmo acordando cedo. De qualquer forma, não poderíamos recomendar mais! E outra coisa que é válido ressaltar é que dois dias na cidade não foram o suficiente para fazermos tudo o que ela oferece! Muitas atrações ficaram para a nossa próxima visita, como visitar o antigo bairro judeu, entrar nos museus e no Teatro Nacional, fora todas as igrejas existentes na cidade. Mas, espero que este post tenha dado pelo menos um vislumbre e ajude você no planejamento da sua ida à capital da República Tcheca.

Teatro Nacional

E foi essa a nossa passagem por Praga! A capital da República Tcheca correspondeu aos dias 24 e 25 da nossa Eurotrip. Saímos de lá de trem pela Leo Express. Foram aproximadamente quatro horas de viagem até a Cracóvia, na Polônia. Além da cidade, visitamos por lá os campos de concentração de AuschwitzBirkenau e as Minas de Sal Wieliczka. Espero você por lá!


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