EUROTRIP: o que fizemos em 1 dia em Budapeste, na Hungria

Quero começar este post dizendo, não fique apenas 1 dia em Budapeste, a capital da Hungria. Se você está planejando a sua viagem para lá e encontrar esta publicação antes, repense. Se você já está com as malas prontas e só reservou um dia para a cidade, fica comigo que vou contar para você o que eu fiz por lá – erros e acertos – para tentar ajudar você a aproveitar o máximo que você conseguir. Esse é nosso objetivo aqui, voyajante, trazer para você mais do que as principais atrações turísticas ou o melhor custo-benefício de cada viagem. É trazer a experiência. A lógica é simples: se eu passei por isso e não foi legal, o desejo é alertar para que não ocorra com mais ninguém. Mas, se foi incrível, inigualável e indescritível, vem comigo que você não vai se arrepender (a palavra mais indesejável do dicionário de um viajante).

Por que apenas 1 dia em Budapeste, Jeanine?

Foi um erro, voyajante. Um erro que me dói admitir e escrever sobre aqui, mas é necessário para seguir adiante na série de posts sobre a Eurotrip. Budapeste foi o nosso penúltimo destino dentro da nossa viagem de 35 dias pela Europa e Marrocos, no norte da África. Como estávamos viajando para fechar com chave de ouro o nosso intercâmbio em Dublin, na Irlanda, nós tínhamos um tempo limitado – leia-se visto de estudante – para fazer as coisas acontecerem. E nosso 1 dia na Hungria equivale já ao 29° da Eurotrip toda. Ou seja, já estávamos na reta final rumo a um dos destinos principais da nossa viagem: Islândia. Ou seja, já sabíamos que seria apertado e que nos arrependeríamos de fazer só essa passagem rápida por Budapeste, mas fomos mesmo assim. Enfim, serviu para deixar aquele gostinho de quero mais e volto em breve!

E se você não está entendendo este parágrafo, permita-me explicar. O Gian e eu fomos um casal de intercambistas que foram para Dublin, na Irlanda, em 2018 para aperfeiçoar o inglês. No nosso último mês na Europa decidimos pegar nossas malinhas de bordo e viajar. Nosso primeiro destino foi a Escócia, onde conhecemos Edimburgo e fizemos uma excursão de 1 dia pelo interior do país. Depois, entramos na Inglaterra onde visitamos Liverpool, Manchester (com direito ao estádio do Manchester United), Chatsworth House, Londres, Bath, Stonehenge e Bristol. E para fechar a Grã Bretanha, conhecemos também Cardiff, no País de Gales. E então, voamos para o Marrocos para conhecer o Deserto do Saara. Aí voltamos para a Europa, começando por Amsterdã, nos Países Baixos. Daí fomos para Bruxelas, na Bélgica, Praga, na República Tcheca, Cracóvia, na Polônia e, finalmente, Budapeste, na Hungria, o tema do post de hoje.

Como chegar em Budapeste?

Eu e o Gian chegamos de ônibus. Saímos da Cracóvia, na Polônia, à noite, por volta das 22h50 e chegamos em Budapeste, na Hungria, às 5h50 da manhã. Sim, madrugamos! E nem preciso dizer que dormi que nem um bebê durante todo o trajeto, né? Hahahaha. Descemos na rodoviária – estranhíssima e deserta neste horário – e pegamos metrô para a nossa primeira atração na cidade (que falaremos mais adiante). É bom ressaltar que é possível chegar na capital da Hungria também de avião (embora não existe voo direto do Brasil para Budapeste), de trem e de barco, tudo vai depender de onde você está neste mundão grande e o que fará sentido para você. Então saiba de todas as suas opções.

Uma breve contextualização histórica

Budapeste nasceu no século XX da união de duas cidades – Buda e Peste – cortadas pelo Rio Danúbio. Mas há indícios que tenha sido fundada muito antes disso, por volta de 895 d.C. por tribos nômades que se fixaram na região onde hoje é conhecida como Baía de Cárpatos. Esses sete povos uniram-se para derrotar os romanos e criaram a Aquincum, que passou a se chamar Obuda no século XII. Mas, infelizmente, os conflitos da Hungria e de Budapeste, não pararam por aí e se estenderam durante centenas de anos. O país, a cidade e, é claro, sua população, foram muito afetados pelas guerras e suas consequências, e essa breve contextualização histórica está aqui para ajudar você a não chegar tão cru por lá quando for turistar. Vamos lá?

O país Hungria nasceu no ano 1000 com a coroação do seu primeiro rei, chamado Estevão I. A cidade de Obuda foi destruída por volta de 1241 durante invasões mongóis, e foi reconstruída no reinado de Bela IV passando a se chamar apenas Buda. Em 1361 ela tornou-se a capital. Em 1526, Peste, do outro lado do rio, foi dominada por turcos e, em 1541, foi a vez de Buda ter o mesmo destino. Em 1686, Buda e Peste foram liberadas por Habsburgo e passaram a ser parte do Império Austríaco, que depois tornou-se o Império Austro-Húngaro, que foi dissolvido somente após o fim da Primeira Guerra Mundial. Ufa! E vale ressaltar que a unificação de Buda e Peste aconteceu em 1873.

Budapeste sofreu também durante a Segunda Guerra Mundial. Dados mostram que cerca de 75% da cidade tenha sido destruída no período por bombardeios dos Aliados. O bom é que ela foi reconstruída no estilo original e hoje podemos vê-la do jeito que sempre foi. Mas, não podemos parar por aí para o entendimento da Hungria e de sua capital. No fim da guerra, os húngaros ficaram sob poder soviético, a famosa Cortina de Ferro do regime comunista. Quando ele caiu, no fim na Guerra Fria no início dos anos 90, muitas imagens de Lenin e Stalin foram retiradas das ruas da cidade.

É válido ressaltar que a língua oficial do país é o húngaro, mas nós conseguimos nos comunicar tranquilamente por lá apenas com o inglês. E mesmo fazendo parte da União Europeia (a Hungria entrou em 2004), a moeda local não é o euro, mas o florim húngaro.

O que fizemos em Budapeste?

De novo: fique mais tempo na capital da Hungria do que eu e o Gian, ela merece. Eu vou colocar aqui o que nós dois conseguimos ver e fazer na cidade, mas achei de bom tom reforçar que deixamos muitos pontos turísticos de fora por termos nos limitado a apenas um dia por lá (e ainda erramos rude na escolha do lugar do almoço que nos fez perder quase duas horas no restaurante). Dito isso, você vai ver que a nossa andança se limitou ao lado Peste do rio.

Gellert Spa

Ouso dizer que madrugamos em Budapeste já que chegamos antes das 6h da manhã na cidade. Mas engana-se quem achar que ficamos tomando um café esperando as coisas abrirem. Nós pegamos nossas malinhas de bordo e visitamos as famosas piscinas termais da capital da Hungria, considerada também a capital mundial das águas termais com, pelo menos, 120 fontes. Escolhemos o Gellert Spa (contei mais sobre a experiência lá dentro neste post aqui) e suas águas que chegam até 40 graus de temperatura e foi bem tranquilo. Uma delícia, para dizer a verdade, após alguns desencontros que você pode ler no outro post. Vi vários relatos de pessoas que pegaram fila ou as piscinas lotadas, mas não foi o nosso caso. Em determinado momento, ficamos apenas eu e o Gian lá dentro da água quentinha, hahahaha. Então vai muito da temporada que você escolhe ir e, é claro, o horário. Então fica a dica: compre os ingressos com antecedência para evitar qualquer perrengue. E relaxe!

Ali do ladinho está localizada a Igreja Rupestre, um templo encravado no Monte Géllert. Nós não entramos para ver, mas ela chama a atenção, como você pode ver na imagem abaixo. Linda, né?

Mercado Central

Já falei em alguns posts aqui no Voyajando que eu amo passear em um mercadão. São neles que ficam evidentes alguns aspectos culturais de onde estamos visitando, principalmente aqueles relacionados à alimentação. E este de Budapeste faz jus ao “ão”. Ele é enorme! Fica localizado em um belíssimo prédio de arquitetura neogótica inaugurado no século XIX. Lá é o lugar ideal se você é do time – como eu! – de levar souvenires para casa. Saímos do Gellert Spa e fomos direto para lá antes de largar nossas malinhas de bordo no hostel da vez. No mezanino do Mercado Central você encontra ainda peças produzidas com as famosas rendas húngaras e, devo dizer, são realmente muito bonitas. Minha alma consumista sofreu de não poder levar nenhuma para casa – afinal, além dos itens necessários, eu já estava carregando um tapete marroquino (para entender, leia este post aqui) dentro da mala de bordo, não é mesmo?

Sobre o prédio é interessante dizer que, mesmo ele sendo de 1897, ele está na ativa desde 1994. Isso porque ele sofreu vários danos durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial e, depois do fim da Guerra Fria, ele foi finalmente declarado em ruínas. Foram três anos de restauração para que ele estivesse a pleno vapor, como hoje.

Váci Utca

É uma das principais vias de Budapeste. É um calçadão cheio de lojas e restaurantes e pessoas. Sim, ela é bem movimentada. Atravessamos a rua de ponta a ponta para chegar até o nosso hostel do dia e também escolhemos um dos restaurantes no final dela para nosso almoço. Foi um arrependimento, como eu disse lá em cima, não porque a comida estava ruim. Mas porque o serviço foi muito demorado. E isso é algo que é válido ressaltar, voyajante. Se você cresceu em cidades como São Paulo, não espere serviços rápidos em outros lugares, incluindo no próprio Brasil. O ritmo é outro, principalmente quando em áreas turísticas.

O Parlamento

Se eu tivesse que definir o parlamento húngaro de uma forma seria: uau! Ou entrão: que lugar! Quanto luxo! Sim, são várias exclamações porque o lugar merece, pelo seu tamanho, sua imponência e, é claro, sua história. Ele começou a ser construído em 1875 em estilo neogótico como parte das comemorações dos mil anos da Hungria e hoje é considerado o cartão-postal da cidade. Ele é o terceiro maior do mundo, atrás apenas do da Romênia e o da Argentina!

A visita ao Parlamento é guiada e possui horários pré-determinados. O Gian e eu compramos os ingressos no dia, mas lembre-se que não estávamos viajando na alta-temporada. Mesmo assim, só conseguimos tickets para o fim da tarde, então ficamos presos também ao lado Peste da cidade por conta disso, para chegarmos a tempo para o passeio. É possível – e mais do que recomendável – adquirir os bilhetes com antecedência pelo site já que existe um número limitado de pessoas por tour. Assim você já deixa o seu roteiro pronto e sem surpresas chatas, só as boas, como ver esse prédio por dentro. É indescritível!

É claro que a visita não cobre as 691 salas do edifício que tem 268 metros de comprimento e 118 metros de largura. o principal destaque, na minha humilde opinião, é claro, é ver a escadaria principal. Ela é de tirar o fôlego de tão espetacular. E peço perdão pela quantidade de adjetivos neste tópico do texto, mas é que as imagens não fazem jus ao lugar.

Basílica de Santo EstevÃo

Construída em estilo neoclássico entre 1851 e 1905, é considerada um dos principais templos católicos de Budapeste, com capacidade para 8.500 pessoas. A igreja é dedicada ao Santo Estevão, o primeiro rei – e padroeiro – da Hungria, e possui sua cúpula com 96 metros de altura. A entrada é gratuita, mas são bem-vindas doações. Se você quiser subir na cúpula ou visitar os tesouros da basílica, aí existem ingressos para serem adquiridos. Entre os destaques está a mão mumificada de Santo Estevão, que reza a lenda é incorruptível.

Bônus: caminhe nas margens do Rio Danúbio à noite

Se eu tiver que definir em uma palavra o sentimento de caminhar nas margens do Rio Danúbio à noite eu diria: espetacular. Isso porque os pontos turísticos dos dois lados do rio – Buda e Peste – ganham uma iluminação especial e ficam “acesos” enquanto todo resto está escuro. Você consegue ver certinho o Parlamento, o Castelo Buda, a Ponte das Correntes (primeira ponte que interligou as duas cidades) e a Cidadela. É um visual impressionante!

Um tanto menos impressionante, mas “faz parte da história” é a instalação com 60 pares de sapatos (Shoes on the Danube Bank) que homenageia os judeus húngaros mortos ali na Segunda Guerra Mundial. Isso porque sapatos eram itens valiosos na época então os prisioneiros eram obrigados a tirarem os seus antes de serem assassinados e atirados no rio. Pesado, né? Enfim, você pode ver, é claro, o monumento pela manhã também. O diferencial da noite são as velas acesas e as flores que as pessoas deixam por ali.

O que não vimos, mas queremos voltar para ver

Basicamente aqui estarão as atrações do lado Buda. E a principal delas é o Castelo de Buda, considerado uma das construções mais emblemáticas da Hungria e que conta hoje com um complexo de atrações. Entre as mais famosas estão a Galeria Húngara Nacional (Hungarian National Gallery) e o Museu de História de Budapeste (Budapest History Museum).

Outra atração que vamos voltar para ver é a Sinagoga da Rua Dohány, considerada a maior da Europa (segunda do mundo!) e uma das mais lindas do mundo. Ela foi construída em 1859 e em seu jardim estão enterrados 2.281 judeus que morreram de inanição ou nas mãos dos nazistas. Estima-se que mais de 540 mil foram mortos pelos alemães no país.

Ainda em Buda, estão Igreja de Matias (Matthias Church) – uma igreja neogótica do século XIV, com um telhado de mosaico, que por foto me lembrou bastante a Igreja de São Marcos em Zagreb, na Croácia – e o Bastião dos Pescadores, um edifício construído no final do século XVII com sete torres que representam as tribos que fundaram a cidade de Budapeste.

Sentiu, né? Como Budapeste é especial e porque você deve ficar mais de 1 dia por lá. Mas, seguimos. Nós saímos da capital da Hungria e voamos para Londres, na Inglaterra, para pegar o avião para o nosso destino final da Eurotrip, a nossa cereja do bolo: a Islândia. Mas essas serão cenas do próximo capítulo e último post desta série. Meu muito obrigada – de coração! – a você que chegou até aqui e vejo você no gran finale.



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