EUROTRIP: Dicas do que fazer na Cracóvia, na Polônia

Considerada a segunda maior cidade da Polônia e a capital cultural do país, a Cracóvia foi escolhida como nosso ponto de parada para conhecermos Auschwitz-Birkenau. Mas, ao pesquisar mais sobre o local, vimos que seriam necessários pelos menos três dias para fazermos tudo o que queríamos ali e nas redondezas. E não nos arrependemos. A Cracóvia é linda, cheia de histórias e merece entrar no seu próximo roteiro de viagem. No primeiro dia, fomos às Minas de Sal de Wieliczka; no segundo, andamos pelo centro histórico da cidade e, por fim, visitamos os campos de concentração nazistas.

Esses três dias correspondem, respectivamente, aos dias 26, 27 e 28 da nossa Eurotrip, viagem de 35 dias que eu e o Gian fizemos pela Europa e Marrocos, no norte da África, em 2018, para celebrar o término do nosso intercâmbio de estudo e trabalho em Dublin, na Irlanda. Começamos o nosso roteiro pelo Reino Unido, mais especificamente pela Escócia, onde visitamos Edimburgo e fizemos uma excursão pelo interior do país. Depois, entramos na Inglaterra de trem e paramos em Liverpool, Manchester (com direito à visita no estádio do Manchester United), Chatsworth House, Londres, Bath, Stonehenge e Bristol. Demos uma passadinha também em Cardiff, no País de Gales. Depois, fomos para o Marrocos conhecer o Deserto do Saara. Voltamos para a Europa por Amsterdã, nos Países Baixos, depois seguimos para Bruxelas, na Bélgica, e enfim Praga, na República Tcheca. Agora, cá estamos, no post da Cracóvia, na Polônia. Tá acabando!

Como chegar na Cracóvia?

Nós saímos de trem da estação de Praga, na República Tcheca, por volta das 8h10 da manhã, e chegamos na Cracóvia, na Polônia, às 11h55. Viajamos com a empresa Leo Express e pagamos 17,90 euro por pessoa para este trecho (que contou com uma troca de trens em Bohumin. A estação polonesa é anexada à rodoviária e a um shopping, então ficamos ali até dar o horário de fazer o check-in no Airbnb que alugamos para o período que ficaríamos na cidade. Ao mesmo tempo, a acomodação era bem perto do centro turístico. Com isso, resolvemos todos os problemas de locomoção por lá, já que em dois dias precisaríamos pegar transporte para chegar nas atrações (campos de concentração e minas de sal) e em todos fomos passear pelo centrinho que, por sinal, é super tranquilo de ser feito a pé.

Vale ressaltar aqui que a Cracóvia está localizada no sul da Polônia e não é a capital do país. Ela é considerada a “capital cultural”, mas a administrativa é Varsóvia. Tá bem, então tá bem? Outra coisa que é importante dizer é que lá a moeda é o zloti polaco e a língua é o polonês. Em alguns lugares recorremos à mímicas para nos comunicarmos, mas geralmente quando isso acontecia é porque havíamos saído do roteiro turistão (como pegar ônibus de linha para sair das minas de sal). Nada que um Google Tradutor e anjos não resolvam, hahahaha.

E uma curiosidade é que Karol Wojtyla, que você provavelmente conhece como Papa João Paulo II, foi arcebispo da Cracóvia durante muitos anos antes de assumir o seu posto no Vaticano. Ele não foi só um papa memorável como também foi considerado um dos homens mais influentes do século XX, graças ao seu papel fundamental na queda do comunismo. Hoje ele é motivo de orgulho polonês. Por isso você vai encontrar muitas imagens dele espalhadas pela cidade, nas atrações turísticas e nas lojinhas de souvenires.

O que fizemos na Cracóvia?

Como já comentei lá em cima, foram ao todo três dias de passeios na Polônia tendo a cidade de Cracóvia como base. Por isso, para facilitar a compreensão do nosso roteiro e este post, vou colocar o que fizemos em cada um dos dias. E dentro deles os detalhes dos pontos turísticos como você já está acostumado a ver aqui no Voyajando, voyajante. Vamos lá?

“Dia 1”

Na primeira noite, que foi o dia da nossa chegada. Deixamos as malas do Airbnb e fomos perambular pelo centro histórico, que está na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Como já era final de tarde, algumas atrações como o Castelo de Wawel já estavam fechadas, mas tudo bem, já que teríamos um dia pela cidade mais para frente. Ficamos perto da praça onde estão localizados a Basílica de Santa Maria e o Mercado Principal. Então já aproveitamos para conhecer melhor esses dois símbolos da Cracóvia.

Basílica de Santa Maria

Localizada na Praça Central da Cracóvia, a Kosciól Mariacki foi reconstruída no século XIV após a destruição do templo original pelos povos tártaros no século anterior. Até hoje é possível vivenciar um pouquinho dessa história. A cada hora cheia é feita uma homenagem a um trompetista que usou a sua música para alertar a população das invasões que estavam acontecendo. Na janela da torre mais alta, um músico começa a tocar um trompete. A praça inteira para para ouvir. Mas ele não termina a música. As notas são interrompidas abruptamente para relembrar como foi pela primeira vez. Reza a lenda que o homem que tocava teve sua garganta atravessada pela flecha de um arqueiro.

De estilo gótico, a Basílica de Santa Maria tem outra história relacionada a suas torres, que explica o motivo de serem assimétricas. Dois irmãos arquitetos foram contratados para construir as torres da Igreja. Cada um ficou responsável por uma. Logo, surgiu uma rivalidade entre eles, de quem construiria a torre mais alta. Existem diferentes versões da lenda. Em algumas, o irmão mais novo mata o mais velho, e em outras, o mais velho assassina o mais novo. Essa é a razão pelo qual um lado é mais baixo que o outro.

Mercado Principal

Do outro lado da praça está o Mercado Principal, o melhor lugar para encontrar as lembrancinhas da viagem (pela quantidade, não pelo preço). São diversas lojinhas que vendem de tudo! Na porta principal tem também uma faca pendurada e, novamente, existem duas lendas que explicam o motivo de tal exposição. A primeira é que esta seja a arma do crime utilizada por um dos irmãos para matar o outro. A segunda é que trata-se de um aviso para aqueles que forem pegos roubando ou praticando comércio abusivo.

Dia 1, visitando os campos de concentração nAzistas

A 70 quilômetros da Cracóvia estão localizados os campos nazistas de concentração de Auschwitz e de extermínio de Birkenau. Muita gente me perguntou: “por que visitar um lugar assim?”. Por que, como disse George Santayana, “um povo que não conhece sua História está fadada a repeti-la”. Não existem palavras que descrevam a sensação de visitar os campos. E nenhuma frase pode definir as monstruosidades praticadas por lá. É frio, é cruel e em cada exibição a pergunta que fica na cabeça é “como pode?”. Durante toda a visita, o silêncio no local é palpável, o coração ficou apertado e os olhos querendo desviar. Estima-se que mais de um milhão de homens, mulheres e crianças perderam suas vidas em Auschwitz-Birkenau. Vou repetir. Um milhão de homens, mulheres e crianças perderam suas vidas ali.

Existem diferentes mostras e exibições espalhadas por Auschwitz que conta como era a vida nos campos antes do extermínio, como era feita a divisão entre os prisioneiros e como eram os discursos de ódio em voga naquele período. E para acessar Birkenau, o próprio museu disponibiliza um ônibus shuttle (vai e volta) entre os campos. Lá estão as câmaras de gás construídas para exterminação. É recomendável separar um dia inteiro do seu roteiro para Auschwitz-Birkenau. No site, o museu aconselha reservar pelo menos três horas e meia. Mas, sinceramente, a energia é tão pesada que, pelo menos eu, não tive pique para fazer qualquer outra coisa depois.

A visita aos campos de Auschwitz-Birkenau é de graça, mas as entradas devem ser adquiridas com antecedência pela internet porque o acesso é limitado. É possível contratar visitadas guiadas também, com diferentes períodos de duração. A gente se virou bem com as placas explicativas, mas é claro que um guia junto deve tornar a experiência muito mais completa. Para chegar lá partindo de Cracóvia, existem ônibus e trem disponíveis, bem como um estacionamento para quem estiver de carro. Mas, por conta do horário dos nossos tickets (às 8h), a gente contratou um traslado da Discover Cracow para ir e voltar.

DIA 2 – as Minas de Sal de Wieliczka

O segundo dia foi mais leve. Consideradas Patrimônio Mundial da UNESCO, as Minas de Sal de Wieliczka começaram a ser exploradas no século XIII e são hoje uma das principais atrações turísticas da Polônia. Alguns as chamam de labirinto. Outros, de cidade subterrânea. Não é à toa que elas tenham tomado tal proporção. Embora seja extremamente acessível nos dias de hoje, o sal já foi – séculos atrás – sinônimo de riqueza, inclusive considerado o “ouro branco”. A palavra “salário” deriva daí. Outro exemplo seria a expressão “preço salgado”.

Marido e eu na Kinga’s Chapel, dentro na Mina de Sal

Existem dois tours disponíveis nas Minas de Sal de Wieliczka: a Rota Turistas e a Rota Mineiros. Fizemos a primeira, que tem duração de 3 horas. Atingimos 135 metros de profundidade e percorremos o equivalente a 3,5 km no subterrâneo. Vale ressaltar que a mina, em si, tem cerca de 245 km. Nós só visitamos 2% de sua totalidade. Loucura, né? Enfim, entre os destaques estão as câmaras, espaços que ficaram “vazios” após a extração do sal. Em algumas delas, foram construídas estátuas de sal de figuras importantes da cultura polaca, como reis e santos. Em especial, a St. Kinga’s Chapel. Todas elas, cheias de histórias e lendas, é claro. Nas fotos, é possível entender melhor a dimensão de cada uma.

Localizadas a cerca de 15 quilômetros da Cracóvia, é possível achegar às Minas de Sal de Wieliczka de transporte público (ônibus e trem). Em alguns fóruns da internet, vi pessoas comentando que a Uber lá é bem em conta. No nosso caso, meu marido e eu fomos de trem e voltamos de ônibus de linha. Vale ressaltar que a entrada muda de acordo com o tour que você vai fazer. Para as localizações exatas, nossa recomendação é acessar o site da atração. Aí não tem erro!

Lá embaixo, na mina, a temperatura gira em torno de 17ºC e 18ºC. Ou seja, para nós, brasileiros, é bem fresquinho. Mas, é preciso levar em consideração que tem muitas escadas envolvidas. Só na Rota Turistas são cerca de 800 degraus. A recomendação da atração (e a nossa!) é: vá com roupas confortáveis. Outro ponto a destacar é que eles possuem banheiros e uma lanchonete dentro da mina. Então, sem sufocos e sem perrengues neste passeio que eu não poderia recomentar o suficiente. Só vá!

Dia 3, a Cracóvia

Durante séculos, o Castelo de Wawel foi residência de reis da Polônia e símbolo do poder da Coroa. Há evidências que o monte onde está localizado – o Wawel Hill – tenha sido escolhido como residência oficial por Mieszko I (960-992), o primeiro líder e fundador do Estado Polaco. A Era de Ouro de Wawel aconteceu entre os séculos XIV e XVI, sob a dinastia Jagiellon. Neste período, o castelo tornou-se de pequeno e medieval para um dos mais sofisticados da Europa Central, com obras de artistas italianos do Renascentismo. Quando o rei Sigismund III Vasa (1587-1632) mudou a corte para Varsóvia, Wawel começou a declinar. Daí em diante, foi saqueado e até virou, em 1796, quartel das forças austríacas.

Foi lá que ficamos no nosso terceiro dia na Cracóvia.

Assim como todo castelo, o de Warwel é um complexo que engloba diversas construções – ou atrações, como preferir – como Castelo Real, a Catedral e a Caverna do Dragão. O acesso a cada uma delas é pago e você pode combinar apenas as do seu interesse. Vale lembrar que circular pelo pátio do castelo é livre e gratuito. Por questões de tempo (e porque a gente queria chegar perto do Rio Vístula, que está lá embaixo) nós fomos apenas a Caverna do Dragão.

Dragons’s Den (Caverna do Dragão ou Gruta Smok)

Sua entrada está localizada na zona oeste do Wawel Hill e fica nos jardins. Reza a lenda que um dragão cruel, que aterrorizava os cidadãos da Cracóvia, vivia em uma caverna ali. Para resolver o problema, o rei ofereceu a mão de sua filha para aquele que derrotasse o monstro e salvasse a cidade. Um esperto sapateiro foi o vencedor. Ele criou uma armadilha para o dragão ao rechear um “cordeiro” com enxofre. Assim que comeu, o monstro explodiu.

Ao sair da caverna, existe uma representação do Dragão Wawel que expele fogo de tempo em tempo. Isso mesmo, ela solta fogo! Criada pelo escultor polonês Bronislaw Chromy, a estátua é feita de bronze e conta com 6 metros de altura. É muito legal!

E assim terminou nossa primeira visita à Polônia, destino que queremos, com certeza, voltar mais vezes! Os três dias no país corresponderam aos dias 26, 27 e 28 da nossa Eurotrip. O próximo destino? Budapeste, na Hungria. Já estou esperando por você no próximo post!


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