San Gimignano na Toscana: Como visitar a bela cidadezinha que parou no tempo

A sensação de voltar no tempo e andar por um lugar completamente fora da sua época é a mesma que nas outras cidadezinhas históricas da Itália, mas San Gimignano tem algumas cartas a mais na manga. Explico: a cidade fica, antes de tudo, na bela Toscana. Isso já quer dizer que a sua paisagem é maravilhosa e só por esse motivo já ganha muitos pontos. Além disso, a cidade é cheia de história para contar. Acrescente também nessa mistura um outro ingrediente: ela parou no tempo e conservou praticamente intacto o seu centrinho histórico.

Quem já visitou a Itália sabe que isso não é uma grande novidade por aqui. Quase todas as cidadezinhas têm um centrinho histórico charmoso e super antigo. Mas não desista de mim e nem dessa breve introdução: San Gimignano vale, sim, a visita – se você puder, quiser e tiver tempo, claro – porque com certeza somada à essa visita estarão as paisagens únicas da Toscana para chegar lá e o clima de encanto que as ruazinhas movimentadas da cidade que contagiam você.

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História de San Gimignano

Além disso tudo, devo dizer de novo que a história guardada entre as suas muralhas é única. Afinal milhares de anos se passaram desde a sua fundação que, reza a lenda, se deu em 63 a.C. quando dois irmãos romanos fugiram de Roma porque estavam envolvidos em uma conspiração. Refugiaram-se então ali na região que hoje é a Toscana e construíram dois castelos, um deles seria o futuro San Gimignano.

Apesar da lenda, o primeiro documento histórico que atesta a existência – e o nome – da cidade é do ano de 929 (sim, tão antiga que nossos amigos portugueses não tinham nem sonhado com o Brasil além-mar ainda). O nome de San Gimignano pode ser derivado do nome do bispo de Modena, que, segundo a lenda, salvou a cidade de uma ameaça inimiga dos bárbaros aparecendo nas muralhas da fortaleza.

A cidade cresceu bastante durante a época medieval já que tinha uma localização geográfica estratégica. Peregrinos passavam por ali vindos da França em direção à Roma e também sentido o porto de Pisa. Em 1199 ela se declara uma cidade livre, se apoiando também na sua notável produção agrícola do açafrão, do vinho e no comércio da lã. Na primeira metade do século XIV já havia atingido 13 mil habitantes e o tamanho atual do centro histórico da cidade.

O crescimento da cidade foi freado, no entanto, por um problema que assolou a Europa inteira: a peste. Em 1348 a população foi dizimada pela doença que matou dois terços de toda a população. San Gimignano cai perante o poder de Florença e ali permanece por muito tempo para nunca mais voltar a ter o patamar econômico e demográfico que havia conquistado antes daquele ano.

E foi exatamente por causa dessa decadência que o centro histórico da cidade parece intocado. Por séculos não houve nenhuma intervenção no centro histórico, que manteve sua cara medieval sem passar pelas mudanças arquitetônicas dos séculos seguintes.

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San Gimignano hoje

A cidade possui hoje cerca de 8 mil habitantes e vive de agricultura. Existe por ali uma prestigiosa produção de vinho local chamado Vernaccia e também atua, claro, com turismo, já que seu centro histórico foi declarado pela UNESCO um patrimônio mundial da humanidade.

Milhões de turistas de todo o mundo passam pelas suas ruazinhas para admirar suas torres e seu centro histórico intocado. Se esse é o seu interesse, eu recomendo deixar pelo menos um período inteiro (manhã ou tarde) para andar por ali e admirar as suas ruazinhas. Para visitar seus pontos turísticos e fazer a degustação de vinho que contei nesse post aqui e no vídeo no YouTube, talvez você precise de mais tempo.

As torres de San Gimignano

Talvez você já tenha ouvido falar alguma coisa das suas “famosas” torres. Talvez não. Se esse qualquer um desses casos é o seu, vem que eu te explico: Para um centro histórico medieval, ter treze torres dentro de seu centrinho histórico é algo admirável. A cidade já está no alto de uma colina de 334 metros e, além disso, ainda constroem torres? Pois é.

Reza a lenda que em meados de 1300 eram SETENTA E DUAS torres. Pelo menos uma para cada família rica. A ideia era ostentar. Eu tenho dinheiro, eu posso construir uma torre bonitona. E o diferente era que as famílias viviam mesmo ali dentro, em ambientes minúsculos, tipo um metro por dois. As paredes eram espessas (de quase dois metros) para garantir um verão mais fresco e um inverno mais quentinho. E quase todas as torres tinham estrutura feitas de madeira e terra.

Fazer uma torre dessas era bem caro e nada simples. Por isso mesmo as famílias ostentavam, gostavam de mostrar que quem tinha uma torre, tinha o dinheiro para construi-la. Outra curiosidade é que a cozinha ficava nos andares mais altos da torre, tipo no segundo (não usavam toda a torre como habitação). Isso garantia uma fuga caso um incêndio fosse iniciado na cozinha. Daí abaixo dela, no primeiro andar, ficava o quarto e abaixo dele, no térreo o comércio da família.

As pessoas foram perdendo os limites e, em 1255, diz-se que foi promulgada uma lei que impedia que as famílias construíssem uma torre mais alta a Torre Rognosa, que era a torre da prefeitura de 51 metros – e já era a mais alta naquele tempo. Claro que a galera não ligou muito para esse regulamento hahahahha.

A degradação da cidade – sobre a qual já falamos ali em cima – contribuiu para que todas essas torres não sobrevivessem à ação do tempo. Mas ainda restam 13 de pé e algumas delas são possíveis de serem visitadas. E essa visita que eu proporia para você fazer se tiver tempo. Ou, você pode fazer que nem nós: que preferimos não visitar os pontos turísticos por dentro e andar pelas ruazinhas, almoçar por ali, de repente tomar um bello gelato e curtir o clima da Toscana. Ah, e também fizemos a degustação que já contamos nesse post aqui (vai lá ler se ainda não leu).

O que fazer em San Gimignano?

Piazza della Cisterna

A Piazza dellla Cisterna é praticamente a principal praça da cidade – junto com a Piazza Duomo. Aqui podemos ver várias casas e as torres medievais que citamos ali em cima. No centro da praça tem uma cisterna, ou seja, como um poço, que foi construída no século 13. Bares, restaurantes e lojas também estão por ali fazendo a sua parte para o turismo da cidade.

Gelato
É aqui na Piazza della Cisterna que você vai encontrar também a Gelateria Dondoli, que venceu como melhor sorvete do mundo duas vezes. A fila estava gigante no dia que fomos andar por ali e acabamos não experimentando – depois de um almoço bem servido não estávamos com vontade de gelato.

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Piazza del Duomo

Bom, já introduzi ela ali atrás e o nome Piazza del Duomo é autoexplicativo – essa é a praça onde está a catedral da cidade. Bonitona, em tons avermelhados por fora, vale a visita para conhecer. Ali também tem mais um conjunto de torres (Torre Grossa e Salvucci Maggiore) e também os Musei Civici – no Palazzo del Popolo, que podem ser visitados.

Fortaleza de Montestaffoli

Ah, esse lugar foi muito legal de visitar. Ainda mais porque subimos para a Fortaleza Montestaffoli no fim do dia, então a luz estava linda! Da fortaleza você pode ver todo o vale e também consegue ver a cidade por cima, suas torres e todo o seu encanto. Como fomos no finzinho da primavera e quase início do verão, tinha bastante gente na cidade e tivemos que fazer uma filinha para subir na torre da fortaleza, mas reitero que vale passar uns minutinhos ali em cima.

E ela não é só um “restinhos” de fortaleza não, também tem um pouco de história: a fortaleza era usada por Florença para se defender de sua inimiga Siena. E hoje ela fica por ali abrigando não só os turistas mas também eventos culturais e festivais.

No dia que a visitamos, inclusive, tinham alguns artistas de rua recitando A Divina Comédia, de Dante Alighieri por ali – o que conferiu um ar ainda mais encantador à cidadezinha.


E foi assim o nosso passeio pela Toscana. Rapidinho, um fim de semana apenas, mas muito bom para descansar, comer e beber bem e aproveitar essa região que, particularmente, a gente ama. Se você está planejando um roteiro pela Itália, ou mesmo pela Europa, não deixe de explorar os textos que já escrevemos aqui para o Voyajando, tenho certeza que você vai gostar e vai se inspirar ainda mais em conhecer o velho continente. Até a próxima!


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