Veja o que comer em uma viagem pela Itália: Conheça os pratos típicos italianos

Quando peguei a missão de pensar quais são os pratos típicos italianos para trazer aqui para o blog e inspirar você na sua viagem pela Itália para você saber o que comer na terra da bota, não tinha ideia de onde estava me metendo hahahaha. Aliás, eu tinha ideia, sim né? Veja só, sendo nascida e criada na região metropolitana de São Paulo, filha de descendentes de italianos, japoneses e portugueses, tive uma criação com sabores bem misturados e, lá em casa, sempre comemos de tudo. Mas as comidas típicas italianas sempre estiveram presentes no nosso dia a dia. A menos para quem cresce em São Paulo, acho que tem a mesma percepção que eu. A ponto de nem se “lembrar” mais que refeições de dia a dia, como a pizza na sexta à noite, são de origem italiana.

Vai, pensa comigo, só de cabeça a gente já consegue citar: a pizza, a polenta, a lasanha, o risoto, o café e o gelatto – ou sorvete. Tá bom ou quer mais? Pois tem mais, muito mais. E nesse post vamos ver só alguns dos principais e mais tradicionais pratos típicos que a gente pode encontrar de norte a sul do país – até porque se torna quase uma missão impossível poder falar sobre todos os pratos típicos daqui. Então, segura a fome aí e vem ver o que espera por você na gastronomia daqui.

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Entendendo o menu italiano – o que é “primi, secondi, contorni?”

Esse tópico antes dos pratos típicos era necessário. Chegando aqui na Itália você vai ver nos restaurantes mais tradicionais o menu dividido em partes – geralmente cinco. E para você não chegar perdido, a gente já logo explica o que são cada uma delas. A refeição na Itália é dividida em três partes, ou duas. Depende da sua fome ou vontade de comer. Os antipasti são as entradas, aqui você vai ver desde burrata, passando por bruschetta e até os típicos queijos e salames super comuns por aqui. Já os primmi são os primeiros pratos que, basicamente, são as pastas (macarrão, massas em geral) e os risotos – e para termos de classificação aqui embaixo, também coloquei as pizzas. Depois vêm a parte dos secondi e dos contorni, que são os chamados segundos pratos principais e os acompanhamentos, geralmente carnes, peixes e acompanhamentos como legumes grelhados e saladas. Depois, mas não menos importante, a parte das bevande – bebidas – e dos dolci – os doces e sobremesas.

Antipasto

Geralmente estará escrito “antipasti”, é a primeira seção do menu, e ali que estarão os salames, os queijos, as verduras fritas e outras opções que veremos aqui embaixo. É o que chamamos de entradinhas, ou seja, alguma coisinha para você beliscar enquanto espera os pratos principais.

SALUMI E FORMAGGI

Esse aqui não tem muito o que explicar, né? É um dos antipasti mais comuns aqui na Itália. Em boa parte das vezes tem os salames e queijos como opções de entrada e eles servem uma tábua mesmo de queijos e frios, acompanhados de espécies de biscoitinhos que têm vários nomes. Dois deles estão aqui, logo embaixo para você saber.

A gente ama comprar queijos e salames no mercado e comer em casa, você pode fazer isso na sua hospedagem ou pedir no restaurante que estiver

Tarallo ou tarallini e Grissini

Aii me desculpe quem ama, mas eu não amo não! Hahahaha. Esses biscoitinhos são meio sem gosto, para o meu paladar, e sempre servem durante os aperitivos que fazemos pela Itália afora. O Tarallo ou Tarallini são do sul da Itália – onde fomos, na Puglia tinha um monte – e são esses que são redondinhos. São feitos de acordo com a região, mas geralmente seus ingredientes-base são farinha, água ou vinho branco, óleo e sal. Já os Grissini são os compridinhos, mais famosos, tem como ingrediente a farinha, a água, o fermento e o sal. Ou seja, os mesmos ingredientes do pão, mas foi criado para ser mais digestível que um pão normal, à pedido médico na corte do rei Antonio Brunero.

Na minha opinião, que ninguém pediu então vou deixar riscada, são aqueles tipos de entradas que você come, come e come, e não sabe porquê comeu, já que nem é tão saboroso, hahahahaha.

Burrata

Aii, queria dizer que a gente AMA burrata aqui em casa. Quem acompanhou a gente pela viagem pela Puglia viu o Bruno declarando ao vivo – nos stories – todo o nosso amor hahahaha. Aliás, esse é um prato tipicamente pugliese – se lê “pulhiese” – e é encontrado, claro, em todo o país. É um tipo de queijo fresco que, no início, vai lembrar você a clássica mussarela de búfala, mas não é não. Porque além da casquinha de fora, tem um queijo super cremoso lá dentro e é daí que poderia ter vindo o seu nome: burrata de burro – que é manteiga em italiano. Mas na verdade tem mais a ver com o jeito que seu criador teve a ideia de fazê-la, imitando o procedimento para se fazer a manteiga.

Sua origem é da Puglia – ou Apúlia em português – já falei, mas claro que há uma região mais específica, chamada Andria. Segundo a história conta, o criador da burrata pegou uma tempestade de neve e, para preservar o leite e não deixá-lo estragar, foi envolvendo o leite em uma fina camada de nata que saía do próprio leite, para tentar preservar o leite fresco dentro desse invólucro. Eis que surge os primeiros processos de produção da burrata que, até hoje, são cheios de procedimentos e rigorosos passo a passo.

Olive All’ascolana

A Olive all’Ascolana a gente experimentou quando fomos dar a primeira passadinha para conhecer Ascoli Piceno, cidade onde nasceu Paolo Carpani (já leu sobre a nossa tour gigante da Cidadania Italiana? Contei tudo aqui no blog). Típica da região do Marche, são azeitonas recheadas com carne, empanadas e fritas! São deliciosas, a gente amou, e esse prato remonta aos anos 1800, quando os cozinheiros das famílias nobres da região resolveram rechear as azeitonas para consumo, para não desperdiçar a grande quantidade de carne que eles tinham à disposição.

O nome é porque a sua cidade de origem é de Ascoli Piceno mesmo. Por lá, a gente pagou cerca de 5€ a porção com 10 bolinhas, e comemos como aperitivo mesmo. Conforme o tempo foi passando, a receita original – com carne – foi sendo modificada e hoje é possível encontrá-la com carne de porco, com peru e frango, e há também opções vegetarianas, com recheio de verduras e legumes.

Arancine ou ARANCINI

Se você vai para o sul do país, mais precisamente para a Sicília, o prato típico por ali são os Arancini ou as Arancinesim, a letra final faz diferença porque se refere ao ‘gênero’ da palavra hahaha. Em simples palavras: se trata de uma bolota de arroz frita, recheada de molho, ervilha e/ou queijo.

A disputa do nome se dá porque uma parte da Sicília, ali perto de Palermo, chama os bolinhos de arancine, feminino, e seu formato lembra uma bola, ou uma laranja. Já na região da Catania. tem formato de uma gota – lembra a nossa coxinha – e ali eles chamam de arancini, no masculino.

Feminino ou masculino, eu recomendo que você coma – se puder os dois formatos hahahaha – porque é muito bom! E digo mais: é possível encontrar em todo o lugar aqui na Itália, não precisa ir para a Sicília para experimentar.

Bruschetta

A gente simplesmente ama bruschetta e sua origem é bem interessante. Para evitar jogar fora a comida, já que naquele tempo de fome muita gente passava dificuldade, os agricultores encontraram uma maneira de usar o pão velho, acrescentando os temperos como azeite, manjericão e alho – o tomate vem mais tarde. Tudo isso veio para o território que hoje é a Itália quando o Império Romano cruzou o mediterrâneo em navios mercantes, trazendo o melhor dos produtos locais. Só depois, bem depois, é que as brusquetas começam a ganhar novos sabores e formatos.

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Primeiro prato

Os pratos principais estão divididos também em primeiros pratos ou segundos pratos – isso na tradução literal, né. Os primmi que você verá agora, são geralmente os carboidratos e os secondi, que estão ali embaixo, são as proteínas. E aqui vai uma dica: nunca, jamais na sua vida, misture carboidratos e proteínas em um mesmo prato, a menos que você queira ver um italiano se contorcer de agonia, hahahahahaha e não, não estou brincando.

Claro que nesse texto a gente destacou os principais pratos típicos da Itália – segundo nós mesmos hahahaha. Mas só para você saber, os primmi são geralmente as massas, os risotos e as sopas.

Pizza

Já temos post dela sobre aqui né (clica para ler)? A pizza – que é diferente da brasileira, amigos, então sem comparações – nasceu aqui na Itália. Mais precisamente – segundo diz a lenda – em Nápoles. O símbolo, ou a mais tradicional das tradicionais, é a margherita, chamada assim porque foi preparada em 1889 para a rainha Margherita di Savoia.

A ideia da margherita era que a pizza tivesse as três cores da bandeira da Itália: o verde do manjeiricão, o branco da mussarela e o vermelho do tomate, tudo feito no forno à lenha.

E se o seu roteiro não passar por Nápoles, não tem problema. Em qualquer lugar aqui da Itália você pode comer uma boa pizza e, se quiser ser mais específico, você pode inclusive procurar por uma pizzaria napolitana na cidade que estiver visitando. É quase certo!

Lasanha à bolonhesa

A lasanha é uma unanimidade por aqui. A gente ama. E claro que ela é típica da Itália mas – Itália sendo Itália – tem uma cidade que é mãe da iguaria. O próprio nome já diz da onde ela vem, né? “À bolonhesa” significa a moda de Bolonha, uma cidade conhecidíssima pela sua boa gastronomia.

Bom o molho bolonhesa que estamos acostumados no Brasil é chamado aqui – com algumas diferenças nos ingredientes e modo de preparo – de ragù. E sabe como faz o ragù….? Com cenoura! Pelo menos lá em casa a gente sempre achou que era com tomate mas eis que aqui descobrimos que o tradicional molho à bolonhesa é feito com salsão, cebola e cenoura! Aí você adiciona uma carne bem moída e também molho de tomate concentrado. Monta a lasanha – a tradicional ainda tem molho bechamel junto -, tudo para o forno e… prontinho!

O bom desse post é que, se tratando de pratos típicos presentes em todo o país, você não necessariamente precisa ir para Bolonha para comer uma bela lasanha à bolonhesa – até porque Bolonha tem muitos outros pratos típicos super famosos. Aproveite as inúmeras trattorias e osterias que têm por aqui para escolher uma bem tradicional e se deliciar em um belo prato de lasanha. Eu, particularmente, amo e uma das melhores que já comi – até hoje – foi em um restaurante no bairro de Trastevere, em Roma.

Polenta

Quando si mangia la bella polenta, la bella polenta“. Conhecem essa música? Hahahaha, quando estava na pré-escola, no auge dos meus cinco anos, meus amiguinhos apresentaram uma dança com essa música – em uma escolinha japonesa. Aaaah, a loucura da miscigenação brasileira! Hahahaha. Divagações à parte, a polenta é sim um prato típico da Itália mas, nesse caso, a preparação é feita praticamente em toda a Itália, e as diferenças entre as regiões podem ser no acompanhamento – uma carne ou um peixe – ou no acréscimo de verduras e queijos.

A polenta antes era símbolo de pobreza, porque, com uma preparação simples (água, fubá e sal.. e fim! Dizem as receitas por aqui), alimentou muita gente em toda a Europa. A farinha de milho só chegou depois de meados de 1600, quando a América foi descoberta, mas antes disso já existem registros do preparo por aqui.

Como é um prato mega difundido, você vai encontrá-la em vários lugares. Em especial no outono e no inverno, com o prato bem quentinho chegando à sua mesa. Algumas regiões fazem pratos específicos, como na Lombardia, perto do Lago di Como, em que é possível encontrar o Missoltini e Polenta, em que a polenta é servida com missoltini, um peixe encontrado no lago.

Já a Polenta Concia é típica do Valle d’Aosta e é bonitona (clica aqui para ver). Eu nunca experimentei, mas já ficamos animados para quando chegar o inverno irmos atrás da nossa. É um prato que nasceu da união de dois produtos típicos dessa região: a polenta e o fontina, um tipo de queijo. Os dois ingredientes juntos se transformam na união perfeita – e saborosa – para enfrentar o frio.

RIsotto

O risotto é mesmo um primeiro prato, típico aqui da Itália. A gente ama e faz direto em casa – é prático de fazer e super gostoso e dá para variar nos sabores então é ótimo. Aqui em Milão, mais precisamente, o Risotto alla Milanese é super típico. Ele tem uma cor amarela por causa da cúrcuma e tem uma origem bem interessante.

Reza a lenda que em 1500 um assistente de um pintor, que amava a cor da cúrcuma, resolveu inovar durante o casamento da filha do seu chefe. Ele fez um acordo com o cozinheiro para adicionar cúrcuma no prato do risoto com manteiga, para servir durante o banquete. A reação dos convidados foi muito boa e daí surgiu o prato tipicamente milanês!

Diz-se que a sua origem vêm do Vêneto, região no Norte da Itália, e depois acaba se disseminando por todo o território. Hoje, é claro, você pode encontra risoto pela Itália inteira. E, digo mais, são inúmeras receitas e jeitos diferentes de servir. Comparada a outras receitas, é um prato relativamente novo, então por aqui rolam vários jeitos diferentes de fazer. Uns preferem, por exemplo, ir colocando a água aos poucos e ir mexendo – eu faço assim – e outros já preferem colocar toda a água de uma vez e ir controlando.

Macarrão – PastaS

Vish, aqui mereceria um post só para elas né? As pastas! Se você já comeu a macarronada de domingo, sabe do que eu estou falando. A origem italiana no Brasil – em alguns lugares do nosso País – é tão forte, que até esse costume a gente pegou né? Com relação às massas, a lista é enorme e infinita – deve ter fim, mas eu não cheguei lá ainda hahaha, todo dia conheço um tipo de pasta novo.

O Tortellini, por exemplo, é típico da Emilia Romagna. É uma pasta recheada de presunto, cogumelo ou carne e geralmente é servido com molho à bolonhesa (para nós chamado assim, né). A lenda diz que por volta dos anos 1200, uma jovem e linda moça chegou em uma pousada e o proprietário da pousada a levou até o seu quarto. Profundamente atraído por sua beleza, ficou por ali espiando ela pela fechadura da porta – achei bizarra essa história, mas ok, lenda é lenda hahahaha. E aí a única parte que ele conseguia ver era o seu UMBIGO. HAHAHAHA. E aí ele resolveu fazer para a janta uma massa com um formato que lembraria um umbigo e aí recheou com carne: nascem ali os tortellini – eu falei que era bizarro hahahaha.

Já o Carbonaraque eu AMO e já demos dicas de como fazer lá no Instagram, segue a gente lá – é típica da região do Lazio, região onde está localizada Roma, por exemplo. Os ingredientes base são ovo e guanciale, que é a bochecha do porco, mas a gente usa muito o bacon mesmo, que é mais fácil de achar. Acrescente aí queijo ralado – pecorino geralmente – e um pouco de pimenta. E chega! Nada de cebola, alho, manteiga – e atenção: você corre o risco de matar um italilano do coração se colocar creme de leite.

E quem acompanhou a nossa ida à Puglia lá pelo Instagram? Vai ter uma série de posts completos por aqui também logo, logo. De antemão já digo que no sul da Itália se come muito bem – aliás no país todo, mas as comidas típicas do sul são bem amadas por aqui – e a Puglia não fica atrás não. Além de váááários pratos com peixes e frutos do mar, uma das coisas que vimos muito por lá foi o Orecchiette. Sinceramente eu não amo, mas é um tipo de massa feita a mão, no formado de uma pequena orelha (daí o nome porque orecchia é orelha em italiano). Sua origem remonta a meados de 1500 e era considerado um dote de casamento para as meninas da época. O molho mais comum para acompanhar o orecchiete é o rape, feito de um tipo de verdura.

Segundo prato

Os segundos pratos na tradução literal, ou secondi em italiano, são as carnes e os peixes que, geralmente, estão acompanhados por contorni – ou acompanhamentos – como legumes grelhados, batatas ao forno e saladas.

Bisteca Fiorentina

Essa é conhecida mais por aqui, aliás, mais por ali: na região da Toscana e, claro, mais precisamente em Florença. A bisteca fiorentina é um prato típico obtido do corte do lombo de um novilho da região de Chianti. Além da idade específica do boi, há também o corte específico , o peso da carne específico e o jeito de preparo específico, com um tempo de grelha de cada lado, adivinha? Sim, também específico. Sim, na Itália há regras muito sérias relacionadas à gastronomia, hahahaha.

Se você gosta de uma carne mal passada, a bisteca florentina é a sua pedida para quando estiver visitando Florença, ou mesmo dando um giro ali pelos arredores da nossa amada e linda Toscana. Diferente dos outros pratos aqui citados, esse é mais específico. É possível, sim, achar em outros lugares do país, mas é mais difícil.

Quando estiver em Florença, você vai ver vários lugares que fazem esse prato típico, então não terá dificuldades em encontrá-lo por ali. Mas caso você queira algo mais específico, ou acertar na escolha, recomendamos um aplicativo que a gente usa sempre: o The Fork. Pelo nosso link, você ganha um desconto no registro.

Cotoletta alla Milanese

Junto com o Risoto (que está aqui nesse post) e o Panetone (sim, o panetone é típico daqui), aqui em Milão existe também a tradicional Cotoletta alla Milanese. E como muitos pratos que já falamos aqui, também há controvérsias à respeito da origem, que é uma carne com osso, empanada e frita. Um dos registros mostra que em 1134, os monges da Basílica de Sant’Ambrogio, em Milão, foram servidos com um prato que – pela descrição dos arquivos – se assemelha muito à Cotolette que conhecemos hoje.

A ideia de empanar com farinha de pão e ovo tem origem, ao que tudo indica, no período medieval. Na época, os nobres colocavam ouro na comida e os mais pobres, para ter a ideia de cor de ouro no prato, criaram o empanado que, frito no óleo, ficava dourado e lembrava a cor de ouro. Nessa época, o nome do prato era outro: lombolos cum panitio, e só mudou para cotoletta depois, a partir de 1800, pela influência da língua francesa no dialeto milanês.

A Cotoletta alla Milanese se tornou então um prato típico de Milão. Há quem também tenha ‘encontrado’ esse prato na cozinha austríaca, em Viena, onde também se come um corte de carne empanado, mas dizem por aqui que um conde austríaco jantou em Milão e enviou uma carta contando sobre “um extraordinário prato a base de carne de vitelo empanado no ovo e frito na manteiga” e, dali, exportaram a ideia para Viena.

Cotoletta Petroniana

Mais costeleta? Pois sim. Claro que Bolonha, uma das referências em gastronomia italiana, não poderia ficar de fora dos segundos pratos típicos. A Cotoletta Petroniana é, claro, menos conhecida que a milanesa, mas – dizem – que é igualmente boa – ou até melhor. Nessa costeleta a carne, também de vitelo, vem frita na banha e depois misturada com caldo de carne. Eles adicionam depois uma fatia de presunto de parma, queijo parmegiano e molho. A ideia lembra a carne à parmegiana do Brasil e, se você ver as fotos, até que parece. Mas dizem que é bem melhor – nós ainda não provamos -, então fica também a sugestão de um prato à provar caso esteja rodando pela Itália.

Arrosticini

Típicos da região do Abruzzo, os Arrosticini são a base de carne de ovelha. A carne é cortada em pequenos pedaços e depois assada – lembra um espetinho de carne. Segundo a tradição, esse prato foi inventado em 1930, quando dois pastores tinham uma ovelha velha e sua carne era um pouco dura e difícil de comer. Foi então que decidiram cortar em pequenos pedaços, para comer em pequenos pedaços.

SALSICCIA – ou Linguiças Italianas

Pensa que só na Alemanha tem linguiças? Pois não. Aqui na Itália também tem, várias! Com frio rigoroso e períodos de fome, elas nasceram das técnicas de conservação para os diversos tipos de carne, passando por carne de boi, porco, frango, javali e até cavalo. A mais famosa, claro, é a carne de porco, porque não se joga fora nada e com a gordura do porco ainda é possível fazer sabão natural. Hoje, as linguiças são consumidas de diversas maneiras, inseridas nos molhos dos primeiros pratos, ou mesmo servindo como um segundo prato, acompanhadas de batatas.

São muitos – muitos mesmo – os tipos de linguiças presentes na Itália – e que diferem por região, por cidade. Sugiro que você procure no cardápio da cidade que estiver visitando se tem alguma que interesse você experimentar. Uma que vale destacar é o exemplo da região da Umbria, que é montanhosa e, por isso, por muitos anos os moradores dali se dedicaram à profissões de criação de ovelhas. Para evitar o desperdício, passaram a aprender técnicas de conservação da carne. Daí, nasceu a famosa linguiça, chamada Salsiccia di Norcia.

Bebidas

Vinhos típicos italianos

Esse capítulo aqui eu não conseguiria finalizar nunca, se não fizesse um resumo. A quantidade de vinhos típicos italianos é enorme. Só para começar a entender do que estou falando, vamos pensar que existem 545 VARIEDADES de uvas para vinhos!! E para falar dos vinhos mais especificamente, uma pesquisa rápida no oráculo Google me trouxe que são 331 vinhos. Mas uma pesquisa mais aprofundada me mostraram 78 vinhos de Origem Controlada e Garantida, que é uma certificação que garante aos consumidores o respeito dos requisitos de produção – essas regras de produção são bem rígidas e controladas.

Dito tudo isso, não conseguirei colocar todos os vinhos aqui, claro. Trouxe uma imagem para vocês do site Calice di Vino que consegue dar uma ideia de quais são os vinhos, com denominação e origem controlada e garantida, típicos por cada região da Itália. No site deles têm mais informações, clica para ler depois.

Aqui na Itália os vinhos são bem acessíveis, por exemplo a partir de 2€ já dá para comprar vinho no supermercado. Claro que existem valores muito maiores e depende do seu grau de sommelier dentro de você para entender melhor qual escolher – a gente aqui, infelizmente, ainda não entende nada de vinhos. Uma pesquisa rápida na internet, dentro do supermercado mesmo, vai te ajudar a escolher. Nos restaurantes também não tem muito erro, a carta de vinhos geralmente é bem grande e você pode sempre optar por uma taça só ou pegar a garrafa, há também muitos restaurantes tradicionais que oferecem o vinho da casa, em uma jarra.

E claro que estou falando a nível de Itália mesmo. É praticamente a bebida nacional – não se empolgue muito em beber cerveja por aqui, não é esse o lugar ideal hahahaha – então é muito fácil de encontrar em todos os lugares.

APEROL SPRITZ

Esse drink é o símbolo do aperitivo italiano! Na maioria dos lugares – acho que em todos que eu já fui até hoje – se você parar para beber um aperitivo no fim de tarde, o Aperol Spritz estará lá, ou nas mesas ao redor, ou na sua mesmo hahahaha. Eu, particularmente, amo. Ele é colorido, fresco e não muito alcoólico. Mas sua origem remonta aos anos 1800, no Vêneto, e era um pouco diferente do que conhecemos hoje.

O drink nasce durante a dominação austríaca na Lombardia e no Vêneto, entre 1700 e 1800. Diz a história que os austríacos foram conhecer os vinhos do Vêneto e acharam muito forte para o paladar mal acostumado deles. E o que fizerem? Pois então, acharam por bem acrescentar água com gás, para dar uma “alongada” no sabor e assim conseguirem tomar (fico imaginando a cara dos italianos da época hahahaha).

Parece que em alguns lugares, se você ainda pede um Spritz, é isso aí em cima que vem: vinho branco + água com gás. Essa é a receita ‘original’, e o nome vem de spritzen, que significa “borrifar” em alemão. A evolução para o drink que conhecemos hoje veio só em meados de 1920, quando decidiram trazer um pouco de amargo para a mistura.

O drink se espalha como é hoje à partir de 1970. A maternidade é discutida entre Pádua – que colocou Aperol na mistura – e Veneza – com Select – um outro tipo de bebida avermelhada. O drink do Aperol fez mais sucesso, se espalhou pelo norte da Itália e foi até incluída na Lista Internacional de Bartenders. Mas, ainda hoje, o que rende é a criatividade. Algumas cidades fazem o drink com espumante branco, outros usam o Prosecco, há também que opte por vinho branco. Além disso, as variações existem também na bebida amarga, uns optando pelo Campari ao invés do Aperol, e outros por Cynar, por exemplo.

Negroni

O Negroni é mais uma das criações da bella Firenze, ou Florença, em português. Nascido em 1919 na cidade berço do renascimento, o nome vem do seu “criador”, Camillo Negroni. Esse Camillo era um nobre, que passo um tempo viajando por lugares como Londres e Nova Iorque. Foi lá na cidade estadunidense que ele conheceu um drink que eles chamavam de Americano: que tinha vermute vermelho, Campari e refrigerante soda. Chegando na Itália, ele quis reforçar o teor alcoólico da bebida, sem alterar a sua cor, e sugeriu acrescentar gin à mistura. Nascia ali o Negroni, bebida que virou um dos símbolos do made in Italy.

Café

Ah, o café italiano! Uma das bebidas preferidas dos italianos é o café e você pode notar a preferência reparando nas inúmeras cafeterias espalhadas por qualquer cidade que você visitar por aqui. E até ele tem algumas regras, viu? Nada de pedir um cappuccino após o horário do almoço – a não ser que você queira ver o atendente olhando você com uma cara estranha, hahahaha. Para eles, é impensável beber um cappuccino depois do horário do almoço, mas os expressos são pedidos a qualquer hora – até à noite! Aah e quando eles falam “caffè“, eles se referem especificamente ao que conhecemos como expresso. É aquele forte mesmo, com um golinho bem pequeno.

Tudo começa em 1901, quando Luigi Bezerra, de Milão, inventa uma máquina para café que permite preparar o café em pouco tempo. Daí nasce o nome “expresso”, que se refere à velocidade feita na preparação do café na máquina. Logo, o café se torna um dos símbolos da Itália e entra na vida diária de todos os italianos.

Uma curiosidade é que, se você for nas cafeterias mais tradicionais de manhã, vai ver uma galera tomando café de pé, no balcão. Esse costume tem dois motivos: um, a pressa, e dois, se você sentar, paga mais caro. Pois então, se quiser ser servido nas mesas, eles vão te cobrar a mais por isso. Veja se compensa para você.

E além do expresso, existem váriooos tipos de cafés por aqui. O macchiato (com pouco leite), o lungo (com a xícara quase cheia de café, e um sabor mais leve), o ristretto (menos água e o sabor mais forte que o expresso), o freddo (frio, na tradução livre, com gelo), e o corretto (que é um café com um pouco de licor). Outro famoso é o cappuccino, que é feito com expresso e espuma de leite. Além disso, os italianos, em casa, tomam o caffelatte, que é o nosso bom e velho café com leite.

LImoncello

Esse nem sempre está no cardápio mas, muitas vezes, vêm como um “presente” da casa no final, quando você pedir a conta. É uma bebida digestiva, como um licor, e doce. O Limoncello é feito, claro, de limão, mas há também as variações de melão (que é ótimo), de banana e por aí vai.

Como vários produtos típicos aqui listados, o Limoncello também tem origem, ou maternidade, disputada por alguns lugares da Itália. Remonta a meados dos anos 1900 e uma das suas histórias é que era feito em uma pequena pousada de Capri, chamada e conhecida como Isola Azzurraou ilha azul em tradução literal. Na ilha, uma senhora cuidava de um jardim cheio de limões e laranjas. O neto dessa senhora, logo após a guerra, abre um restaurante e, ali, apresentava como especialidade da casa um licor de limão feito a partir de uma antiga receita de sua avó. Seu filho então, cria uma pequena produção artesanal do Limoncello, registrando a marca. E hoje esse tipo de licor se tornou o rei das bebidas digestivas por aqui.

Quem também briga pelo posto de inventor do Limoncello é Sorrento e Amalfi. Ambas com histórias e lendas que surgiram mais ou menos na mesma época, em 1900. Segundo a história, as grandes famílias sorrentinas não deixavam nunca faltar aos hóspedes uma experimentação do limoncello. Já na cidade de Amalfi, há inclusive quem sustenta que a origem da bebida é ainda mais antiga e que a bebida era usada por pescadores e agricultores para combater o frio da manhã.

Lendas e mitos ou não, a verdade é que o limoncello é mesmo relacionado à região da Campânia e faz parte da cultura italiana. Para protegerem-se de imitações, trouxeram a certificação de Indicação Geográfica Protegida e consideram verdadeiro o produzido em território sorrentino e em algumas outras partes da Campânia.

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SobremesasDOLCI

Essa parte do menu dispensa apresentações né? Os doces – dolci em italiano – são o gran finale dessa parte da cultura italiana tão importante: a gastronomia do país. Os doces aqui são um pouco menos doces que os brasileiros, isso a gente já pode afirmar. Não que eu não goste de brigadeiro, mas aqui eles prezam pelos processos, modo de fazer, e reduzem a quantidade de açúcar. Ainda assim, acho os gelatos super consistentes porque vão cheeeios de leite, e bem saborosos. Se você ama um docinho à tarde, ou no pós-almoço, veja alguns dos principais que separamos por aqui.

Gelato

Esse aqui não tem erro. Até na cidadezinha no Piemonte onde fizemos o reconhecimento da cidadania italiana tinha uma gelateria. Há quem diga que não há gelato como os da Itália e nisso a gente concorda 100%. Então mesmo se você vier no inverno, recomendo experimentar essa iguaria ao menos uma vez.

Sua história pode ter começado lááá atrás, nos tempos bíblicos, quando há relatos da mistura do leite de cabra misturado com neve. Já outras pessoas atribuem aos antigos romanos, que tinham uma sobremesa fria. No entanto, quem reivindica a paternidade do gelato é também Florença. Ao menos do gelato “moderno” – estamos falando de meados de 1500 hahahaha -, com leite, creme e ovo. Mas a história do gelato começa mesmo quando o italiano Filippo Lenzi, no fim do século XVIII, abre a primeira gelateria em terra americana, foi lá que ele ganha popularidade e estimula a criação de uma nova invenção: a sorveteira a manivela, do século XIX.

Por aqui, nossos sabores favoritos são o de Pistache e ultimamente tenho amado o de Yogurt. Se você for à Bergamo, por lá tem também a gelateria que inventou o sorvete de flocos, que a gente amou experimentar.

Tiramisù

Já tem post do Tiramisù aqui também, inclusive ensinando você a fazer essa maravilhosidade hahaha, clica aqui para ler. Até mesmo porque já há um post mais completinho no blog, não vou me estender muito. Mas saiba que você deveria experimentar ao menos uma vez aqui na Itália o Tiramisù.

Como falamos no post, ninguém sabe de onde ele vêm, então você está liberado para comer de qualquer lugar quando estiver em terras italianas. Mas se você quer ser mais específico, você pode experimentar um na região do Vêneto e outro em Friuli-Veneza Giulia, que são as duas regiões que reivindicam a maternidade da sobremesa. Por aqui, a gente come em qualquer lugar mesmo hahaha.

Então aproveite sua estadia na Itália para provar o doce que é a junção das palavras “me puxe” e “acima” em italiano: tirami + sù. Ou seja, um doce digno de um “levante-me” pela união do energizante café e do estimulante chocolate que, junto com o queijo – ou creme de – mascarpone, formam a santíssima trindade da sobremesa.

Panacota

Estamos arrasani nas indicações de sobremesa do Voyajando Gastronomia hein? Também já postamos aqui no blog matéria sobre a receita e a origem da Panacota! Esse doce, que eu adoro, é uma típica sobremesa italiana, de origem no Piemonte. Em tradução literal, panna cotta, em italiano, significa “creme cozido”, ou seja, um creme de leite ou a nata cozida. Se refere não só à tonalidade da sobremesa mas também ao seu principal ingrediente, o creme de leite, com açúcar e baunilha.

Queria dizer que, para mim, o que deixa a sobremesa ainda mais gostosa é a calda de frutas vermelhas que acompanha a receita. Inclusive, estou lembrando agora, que comi pouca panna cotta aqui na Itália, deveria me dedicar mais à essa sobremesa. Já vou procurar uma hoje mesmo, enquanto escrevo esse post, hahahaha.

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VIAGENS POR ESCRITO

Gostou deste post? Ele fez parte do grupo de blogagem coletiva chamado Viagens Por Escrito, que reúne blogs super bacanas que escrevem, mensalmente, sobre um tema em comum. Agora, em agosto, escolhemos falar de comidas típicas. E se você não dispensa uma boa gastronomia por onde passa, aconselho dar uma espiadinha nos blogs parceiros aqui embaixo. E aproveite e clique aqui para ler todos os posts aqui do Voyajando que já escrevemos para o Viagens por Escrito, só tem conteúdo legal, garanto!


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