Dez passeios gratuitos para fazer em Milão

A gente já contou para você aqui no blog o que fazer em Milão quando você tem pouco tempo na cidade (clica para ler). Agora, se o que tá faltando por aí não é o tempo mas sim o dinheiro – afinal às vezes a conversão real X euro é cruel – hoje vamos trazer para você que apesar de ser conhecida como uma cidade cara, Milão oferece sim muita coisa gratuita para você desfrutar. Bora conhecer?

1) Galleria Vittorio Emanuele II

Claro que já falamos dela aqui, é a belíssima Galleria Vittorio Emanuele II que fica coladinha com a Praça do Duomo de Milão. Esse combo de belezuras faz parte do roteiro básico de Milão e, adivinha? É gratuito! A entrada no Duomo para turismo e a subida ao terraço da igreja não são de graça, mas só de admirá-la ali de fora, a igreja já mostra todo seu esplendor. Na sequência, vire à esquerda (se estiver olhando para a frente do Duomo) e entre na Galleria Vittorio Emanuele II.

É aqui que estão algumas lojas como Prada, Gucci e Louis Vuitton – todas com seus nomes padronizados no dourado com preto. Também tem restaurantes e cafés que são a cara da riqueza, onde você pode sentar e admirar a vida milanesa e a decoração da galeria, enquanto aproveita um bello café, aperitivo ou almoço.

Mas se você chegou aqui por conta do “gratuitos” ali do título, talvez fazer umas comprinhas nessa loja não seja seu objetivo principal. Então vamos até a parte central da galeria, onde todos os corredores se encontram, e vamos primeiro para o chão. É ali que está o grande mosaico. A primeira coisa que talvez chame a sua atenção é um touro (ou um amontoado de gente em volta de um touro, depende da época do ano que você vem à Milão). Esse touro, no escudo dos Savoia – família importante por aqui – ganhou uma tradição: pisar com o seu calcanhar direito no touro e dar três voltas completas no seu próprio eixo te dará sorte.

Agora sim, você pode olhar para cima e admirar a sua decoração principal no octógono. As belas pinturas ali em cima fazem referência aos diferentes continentes, sendo eles a Europa, a América, a Ásia e a África.

E para não passar por ela sem um pouquinho de conhecimento geral, lá vai: a Galleria foi construída entre os anos de 1865 e 1877. Formada com ferro e vidro, foi construída pela ideia de ligar a Praça do Duomo com a Praça do Teatro alla Scala. É considerada por muitos um dos primeiros – se não o primeiro – shopping center do mundo.

2) Castelo Sforzesco

Castelo Sforzesco tem pátios internos lindos que
podem ser visitados, adivinha, de graça!

Deu o check principal ali na Galleria Vittorio Emanuelle II e na Praça do Duomo de Milão? Ótimo! A partir de agora você já pode dizer que conhece Milão, como muita gente faz hahahaha. Mas se você quer ir além, convido você a seguir em direção ao nosso castelo no meio da cidade.

A entrada aos museus dentro do Castelo Sforzesco não é gratuita, mas isso não quer dizer que você não possa andar por todo o pátio dele. Foi o que fizemos nas nossas primeiras vezes por ali e é muito legal porque as muralhas estão todas de pé e o castelo, que começou a ser construído em meados de 1300, é super bem conservado.

Desde o início da sua construção, muitos sucessores foram mudando tudo por ali. Foi ganhando mais muralhas, o fosso, mais detalhes e mais torres com o passar dos anos. Francesco Sfoza foi quem renovou completamente o castelo para embelezá-lo – e embelezar a cidade – e um dos seus filhos, que assume depois de uma conspiração, Ludovico Maria (o Moro) traz a corte para o castelo e inclusive nosso famoso Leonardo da Vinci, que foi chamado por Moro para usar seus dotes de artista, engenheiro e tudo o mais pela cidade.

A curiosidade aqui é que antes os milaneses não gostavam do castelo e tentaram até destruir ele. Achavam que ele era símbolo da tirania e domínio estrangeiro.

3) Parco Sempione e Arco della Pace

Se você tiver tempo e animar – e se o clima estiver bacana – pode cruzar os pátios internos do Castelo Sforzesco que falamos ali em cima e sair no Parco Sempione, um enorme parque urbano localizado no centro de Milão. Construído entre 1890 e 1893, é quase uma “praia” para os milaneses no verão, já que suas árvores fazem sombras perfeitas para um belo piquenique nos finais de semana.

Foi criado nos moldes de jardins ingleses e além do super espaço verde, os 47 hectares têm também um lago artificial e algumas construções como o Aquário Cívico (criado em 1906), a Arena Cívica (inaugurada em 1806 com a presença de Napoleão) e o Arco della Pace, que teve sua construção iniciada em 1807 – e que, além de muito bonito, pode ser visitado gratuitamente, por isso está no título desse subtópico.

4) Cemitério Monumental

Tem mais tempo ainda em Milão? Então eu tenho ainda mais coisas para você visitar. Esse é um pouquinho mais longe das atrações que comentamos até aqui. O Cemitério Monumental pode ser acessado com o metrô da linha lilás (M5) e é mais um rolê gratuito que Milão oferece.

E sim, estou sugerindo que você visite um cemitério. Explico: o Cemitério Monumental de Milão é um museu a céu aberto, que às vezes é deixado – injustamente – de lado.

Digno de uma agradável visita pelas suas alamedas em uma manhã ou tarde, o cemitério nasceu em 1866 como um local para descanso dos milaneses de todas as formas e fortunas. Isso não quer dizer que, ainda hoje, os nascidos em Milão podem ser enterrados lá. Com o passar dos anos, seu status foi mudando, e hoje se tornou um museu a céu aberto de mais de 250 mil metros quadrados cheio de esculturas e lápides que são verdadeiras obras de arte.

Logo na entrada, inclusive, você já pode dar uma passeadinha pelo hall da fama. A gente usou boa parte do tempo ali e você vai entender por quê. É realmente muito bonito e impressionante entrar no cemitério por esse hall que foi construído inicialmente para ser uma capela católica. Anos mais tarde, se transformou em um local para homenagear milaneses (nascidos aqui e também que vieram depois) que contribuíram de alguma forma para engrandecer Milão e a Itália.

Quanto ao percurso no cemitério mesmo, nós andamos tranquilamente por ali e fomos conhecendo as alamedas e túmulos e passando, claro, pelos mais suntuosos. Para um planejamento mais acurado da sua visita, o Descubra Milão tem um post super completo com dois percursos (um mais curto e um mais longo).

5) Igrejas de Milão

Sobre essas a @jeaninecarpani já falou nesse post completíssimo (clica aqui para ler). E sim, muitas igrejas por aqui são gratuitas. O Duomo, devo dizer, não é. Mas existem outras opções igualmente impactantes e bonitas que você pode visitar quando estiver em Milão, a gente recomenda várias. Já falei, passa ali no post para fazer sua programação!

Tem muita igreja bonita – e gratuita – para se visitar aqui viu?

6) Museus gratuitos em Milão

Pois sim, também temos museus gratuitos por aqui para você incluir na sua programação. Começando pelos que são sempre gratuitos, temos por exemplo o Museo del Risorgimento e a Fondazione Pirelli Hangar-Bicocca. O primeiro nós já visitamos e é uma visita bem agradável, mais focada na história da Itália, claro, então se você se interessa em saber um pouco mais sobre como foi o “Risorgimento” italiano, esse é o lugar. O museu faz recortes da história da Itália, falando sobre o domínio estrangeiro (francês e austríaco por exemplo) e contando também um pouco sobre o processo que os diversos reinos passaram para tornar a Itália um país único e unido.

O Museo del Risorgimento é um dos museus com entrada gratuita em Milão

Já a Fondazione Pirelli Hangar-Bicocca é uma fundação de arte contemporânea. Para quem gosta do tema, é lá que você pode ir. A lista de motivos é grande: o local era uma antiga fábrica para construção de locomotivas. Uma verdadeira planta industrial com 15 mil metros quadrados composto por três unidades repletos de obras com artistas internacionais e italianos.

Mas e os principais museus de Milão, não oferecem gratuidade? Sim, oferecem. Mas aí vai exigir um planejamento a mais. Pinacoteca di brera, Museu do Castelo Sforzesco, o museu arqueológico e até o de história natural têm dias específicos que têm entrada no mês. Veja se é possível aproveitar uma dessas oportunidades para visitá-los.

7) China Town de Milão

Sim, Milão também tem uma China Town. E se você gosta de produtos e gastronomia oriental, talvez esse seja o lugar para você fazer um passeio gratuito por aqui. O bairro chinês milanês fica pertinho do Cemitério Monumental que vimos ali em cima e as principais lojas e restaurantes estão localizados na Via Paolo Sarpi.

Então é para lá que você pode se dirigir quando estiver procurando no mapa a China Town. A comunidade chinesa começou a se reunir por ali nos anos 20 e as atividades eram principalmente voltadas à moda, com trabalhos relacionados principalmente à seda. No fim dos anos 90 houve a explosão da imigração chinesa na cidade, foi ali que começaram a surgir por ali centenas de estabelecimentos voltados a atender essa demanda crescente chinesa na cidade. Hoje estimam-se que em Milão vivem 27 mil chineses – e claro que hoje nem todos vivem na região da China Town.

Só de passear por ali já vai ser divertido mas dá para acrescentar um tempero na sua visita: se você estiver passeando em fevereiro pela cidade, lembre-se que pode ser que você tenha a oportunidade de conhecer um pouco do Ano Novo Chinês com a região toda enfeitada e colorida pela festa. Se não vem em fevereiro, pode por na sua lista visitar o Oriental Mall, um shopping de cinco andares com várias especiarias e produtos de origem típica oriental.

8) Piazza Gau Aulenti

Você tá vendo que tem muita coisa gratuita para fazer em Milão né? A gente promete e entrega hahaha. Aqui vamos falar das duas áreas da cidade que eu particurlamente, gosto. Porque se você está em uma viagem pela Itália, ou mesmo pela Europa, já deve ter visto muita coisa antiga (arquitetura, ruas, monumentos). E agora vou lhe apresentar duas das áreas modernas de Milão.

A Piazza Gau Aulenti é um ponto de encontro entre o centro histórico (pertinho da Porta Garibaldi e da Corso Como) e uma das partes financeiras da cidade. Ela está seis metros acima do nível da rua, construída em forma circular com algumas opções de restaurantes e lojas. Por ali está também o prédio mais alto da Itália, o Unicredit Tower. Outro prédio impressionante por ali é o famoso Bosque Vertical, com duas torres com 2 mil espécies vegetais. E se eu já ocupei todo o seu dia, saiba que à noite também vale a visita. Ela fica toda lindamente iluminada.

9) City Life

City Life é um outro bairro que faz parte do projeto de reestruturação urbana na Europa. Uma zona bem antiga foi transformada em um dos locais mais icônicos da cidade. City Life fica relativamente perto do centro e seu projeto nasceu da ideia de modernidade e sustentabilidade. O bairro comercial é repleto de lojas que ficam próximas a apartamentos (mega cobiçados e, claro, caros). Há uma área verde grande, playgrounds dedicados às crianças e espaços abertos que, no verão, servem até para tomar sol (com direito a espreguiçadeiras e tudo).

Também chamado de bairro das Três Torres – graças aos três prédios comerciais gigantescos que existem por ali – o projeto nasceu

10) Região do Navigli

Também já falamos sobre essa região por aqui em um tour que fizemos (clica para ler). Naviglio quer dizer canal, e Navigli é o plural em italiano, canais. Os canais milaneses ficam concentrados em uma região ao sul da cidade super badalada, cheia de barzinhos e restaurantes para fazer um aperitivo ao fim de tarde. A gente super recomenda esse passeio e, mesmo que você não esteja afim de um aperitivo, pode passear pelos canais e conhecer um pouquinho mais da história da cidade.

A história, claro, a gente resume aqui para você. A região dos Navigli é composta por um sistema de canais artificiais e navegáveis. Foram construídos entre os séculos XII e XVI para defesa de Milão e para o transporte de mercadorias e fornecimento de água ao centro da cidade. Os canais eram ligados aos lagos do norte do país, como o Lago Maggiore e Como. A engenhosidade foi tanta que em apenas 36 anos, de 1439 a 1475, Milão chegou a ter 90 km de canais!

Leonardo da Vinci também deu sua contribuição para os canais de Milão. Ele foi contratado pelo Moro (falamos dele ali em cima no tópico do Castelo Sforzesco) para ajudar a melhorar o sistema de navegação entre os canais dentro da cidade, superando o problema da diferença de altura. Foi aí que o artista/engenheiro/faz-tudo aperfeiçoou o sistema de barragens ajustáveis, para que os barcos passassem canal acima ou canal abaixo.

Mas foi só quando Napoleão estava por aqui – lembra que falei do domínio dos franceses no tópico do museu? – que os canais alcançaram sua máxima potência. Depois, lá pelos anos 80, o desenvolvimento de outros tipos de transporte fizeram o uso dos canais declinar. No período fascista, os canais foram completamente cobertos e hoje só três dos canais são visíveis, dois deles são conectados pelo Darsena, que é exatamente essa região que estou dizendo para você, se quiser, vistar quando vier a Milão. =)


E esses são os dez passeios gratuitos que a gente gostaria de sugerir se você tiver por Milão e quiser algo mais low budget. Claro que a cidade oferece muito mais e em breve a gente vai trazendo por aqui todos os outros passeios e potenciais que a cidade pode te oferecer. Por isso mesmo, convido você a continuar com a gente por aqui, pelo nosso canal no YouTube e também no Instagram.


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VIAGENS POR ESCRITO

A ideia desse post surgiu da blogagem coletiva que participamos periodicamente por aqui. O Viagens por Escrito reúne blogs que escrevem sobre um tema em comum, e os posts desse mês falam sobre Passeios Gratuitos. Não deixe então de conferir aqui embaixo os posts dos outros blogs para saber como economizar um pouco mais nas suas viagens. E para conferir todos os posts aqui do Voyajando que já escrevemos para o Viagens por Escrito, clica aqui!


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