Roteiro de Igrejas: o que fazer em Milão em uma segunda-feira?

Este post não tem como objetivo falar mal das segundas-feiras. Afinal, o bendito dia da semana já não possui uma boa fama na correria do dia-a-dia, na rotina, logo não é um desejo meu que ele acabe se tornando um tanto quanto ingrato também durante as férias. Mas, verdade seja dita: muitos museus escolhem exatamente – e obviamente – este dia em específico para darem folga aos seus funcionários e/ou fazer suas devidas manutenções. Ou seja, eles fecham nas queridas segundas-feiras. Por isso, sempre dê uma olhadinha no site da atração que você quer ir.

Mas, se você estiver em Milão, na Itália, isto não é um problema. Existem diversas igrejas – riquíssimas em detalhes e história – para você visitar em uma segunda-feira. Só se atente aos horários de almoço de cada um dos templos. Porque sim, eles fecham. E são tantas igrejas por lá que você não vai ter dificuldade nenhuma de passar o seu tempo. E, outro benefício, é que a maioria delas possuem visitação gratuita. E, é claro, doações são sempre bem-vindas!

Adendo importante: voyajante, se você for visitar igrejas no verão, tome cuidado com a sua vestimenta. Muitas delas não aceitam shorts e nem regatas, va bene?

#1 Santa Maria delle Grazie

Essa igreja está no roteiro de provavelmente todo viajante que vai até Milão. Mas, não por causa dela em si, mas de seu refeitório. É lá que está A Santa Ceia (Cenacolo Vinciano), uma das principais obras de Leonardo Da Vinci – quiçá do mundo. E se quiser saber mais como visitá-la, tem post aqui no blog. Mas, adivinha? A entrada para o afresco também não acontece às segundas-feiras. De qualquer forma, foi lá que eu comecei o meu tour de igrejas, a partir das 9h, vale ressaltar. O primeiro motivo é que a @jenifercarpani trabalha ali perto, então fui com ela até lá e já comecei a por ali mesmo – e você vai ver que eu também terminei o meu rolê no mesmo lugar. Segundo, porque muitas pessoas não entram na igreja em si quando vão até lá. Então ver ver porquê a Santa Maria delle Grazie merece a sua atenção.

Ela foi construída em 1463 por ordem do Duque de Milão Francisco Sforza como parte de um convento dominicano. Entre 1492 e 1493, a mando de Ludovico “il Moro” Sforza, foi transformado em um mausoléu para sua família, começando em 1497 pela sua esposa, Beatriz, que faleceu durante o parto de seu terceiro filho. Mas, ele não chegou a ver a “sua” construção pronta, uma vez que foi preso pelas forças napoleônicas e morreu na prisão. De estilo renascentista, conta com afrescos de Gaudenzio Ferrari.

Embora informações sobre a igreja acabem ficando esquecidas por conta da grandiosidade de A Santa Ceia, foi possível encontrar algumas informações sobre a Santa Maria delle Grazie, como por exemplo, ela foi um alvo durante a Segunda Guerra Mundial. O mural de Leonardo Da Vinci só saiu “ileso” porque foi protegido por sacos de areia.

#2 Duomo di Milano (Catedral de Milão)

Saindo da Santa Maria delle Grazie, fui caminhando até o Duomo de Milão. Mas, antes de seguirmos, uma rápida explicação: duomo vem do latim “domus” que significa “casa”. É como se chamam as principais igrejas dos centros urbanos. E a Catedral de Milão é uma enorme construção gótica localizada no coração da capital da moda italiana. Ela é majestosa com seus 11.700 metros quadrados que levou mais de 400 anos para ser construída e possui em sua fachada 3.400 estátuas, 135 gárgulas e 700 gravuras. Está pouco? Foi o local escolhido pelo próprio Napoleão Bonaparte para sua coroação como Rei da Itália. Se por fora ela já impressiona, vem comigo para dentro.

Existem três tipos de passeio possíveis por ali: o telhado, a catedral e o museu. O telhado eu fui em outra ocasião. E o museu estava fechado (alô, segunda-feira!). Por isso, neste post, fica apenas a entrada na catedral mesmo – lembrando que o telhado estava aberto, então se você ainda não fez o passeio, recomendo MUITO que utilize este dia para fazê-lo e, é claro, faça-o. Os valores você encontra aqui, no site da atração.

A catedral

O Duomo começou a ser construído por volta de 1386 e foi considerado concluído apenas no ano de 1965. Ele foi erguido no mesmo lugar de uma igreja dedicada à Santa Tecla que existia ali desde o século V. E, sim, foram mais de 500 anos para terminá-lo. Parece loucura, né? Mas quando você para para analisar o templo de perto parece até que foi rápido. A quantidade de detalhes e o nível de cada uma delas é impressionante. O ponto alto para mim foram os vitrais absidais. Além de mudarem a coloração da luz solar para um mix de cores, cada um deles conta uma história. O central, por exemplo, é dedicado ao Apocalipse. O da esqueda é sobre o Antigo Testamento. E o da direita fala do Novo Testamento. Vale lembrar que, lá atrás, saber ler – e latim – era quase que uma exclusividade dos nobres, então a população mais pobre “lia” ou “escutava” a palavra de Deus por meio de figuras.

E, obviamente, existem outras atrações dentro do Duomo de Milão. Afinal, um lugar como aquele – onde tinha até competição de artesãos para ver quais eram qualificados a participar da produção das estátuas que compõem o templo – não teria somente vitrais interessantes, não é mesmo? Isso sem falar no seu tamanho. Cabem até 40 mil pessoas ali dentro! Para fins de comparação, a Catedral da Sé, por exemplo, comporta 8 mil pessoas.

Um exemplo é a escultura de São Bartolomeu Esfolado, assinada por Marco d’Agrate e feita em 1562. O nível de detalhes talhados no mármore é impressionante. Também se destaca dentro da Catedral de Milão um dos pregos usados na crucificação de Cristo. Mas, essa última relíquia, infelizmente, não fica aberta para visitação durante todo o ano, apenas em datas específicas. O Duomo é ainda lar do maior órgão da Itália. O instrumento musical, que está localizado atrás do altar principal, tem 15.800 tubos.

Outra recomendação: o Duomo tem um aplicativo de celular que vem com um audioguia para você visitar o telhado, a catedral e o museu com muito mais informação. E é bacana utilizá-lo durante a visita porque aí você consegue ver aquilo que o “guia” vai mostrando. É uma outra experiência, não é mesmo? E, de graça!

Área Arqueológica

Embaixo do Duomo existem ruínas que pertenceram à Milão Romana, mais especificamente o Batistério de S. Giovanni alle Fonti, à Basílica de Santa Maria Maggiore e à Igreja Santa Tecla, que existiram ali. O batistério foi construído, muito provavelmente, é da metade do século VI, quando Milão era uma das capitais do Império Romano. E destruído em algum momento do século XIV para dar espaço ao Duomo di Milano. Depois, foi esquecido e redescoberto em 1961, durante obras para construção da linha 1 do metrô.

Reza a lenda que este tenha sido o primeiro batistério de oito lados do Cristianismo. Há boatos ainda que Santo Ambrósio batizou Santo Agostinho neste local. Ali embaixo você encontra ainda objetos da época que foram encontrados junto com as escavações e pinturas. É uma viagem no tempo.



#3 Igreja de San Bernardino alle Ossa & Basílica di Santo Stefano Maggiore

Saindo do Duomo di Milano, fui sentido à Igreja de San Bernardino alle Ossa, famosa pelo seu ossário, uma capela totalmente decorada com esqueletos humanos. Sim, é mórbido. Mas fui do mesmo jeito. É legal ressaltar que esse templo fica em uma praça – Piazza Santo Stefano – e nela há duas igrejas, uma do lado da outra. Uma com bastante cara de igreja, por sinal, e outra que não parece uma igreja. A Igreja de San Bernardino alle Ossa é a que não se parece uma igreja. Hahahahaha. A que se parece uma igreja é a Basilica di Santo Stefano Maggiore. Entrei nas duas. Mas a mais impressionante é obviamente a que possui a capela de ossos.

Desculpe se ficou confuso.

E, sim, essa é a única foto que infelizmente eu tirei na praça. Então ignore a minha cara e veja que lá atrás, à esquerda, é onde está a Igreja de San Bernardino alle Ossa. À direita, a Basílica di Santo Stefano Maggiore

Igreja de San Bernardino alle Ossa

A capela de ossos surgiu porque o cemitério da igreja – hoje basílica – de Santo Stefano Maggiore ficou cheio e eles não tinham mais onde enterrar os mortos (que vinham de um hospital da localizado na região). Ela veio primeiro e, depois, em 1269, foi contruída a Igreja de San Bernardino alle Ossa. O templo é bastante simples, principalmente se você vai logo depois de se encantar pela Duomo di Milano. O ossário fica logo que você entra à direita, no final de um corredor escuro. Posso falar a verdade? Achei a energia do lugar bem pesada. É uma daquelas experiências de uma vez e está bom, na minha opinião.

Basílica di Santo Stefano Maggiore

Como ela não está na rota turística, existem poucas informações sobre ela. O templo teve seu início no século V e era dedicado a Santo Zacarias, tornando-se de São Estevão em meados do século X. Por ser tão antiga, passou por inúmeras obras de reconstrução, reparo, renovação e expansão. De novo: se você acaba de sair de uma Duomo di Milano para visitá-la, o contraste é brutal. O que chega a ser triste, já que a primeira versão de uma igreja por ali data de 417. A necessidade de restauração é visível. Hoje a basílica é utilizada para cultos da comunidade filipina e sul-americana.

#4 Basílica de San Lorenzo Maggiore

Agora sim é momento de visitar a igreja mais antiga de Milão. Erguida no século IX, ela teve de ser reconstruídas algumas vezes no decorrer dos anos – principalmente nos séculos XI e XII devido a incêndios e – é interessante tanto pela sua fachada quando pelo seu interior, bem como arredores. Isso mesmo. Ali na sua frente você encontra colunas romanas datadas do século III. Quando cheguei neste templo em específico, fiquei surpresa com uma coisa: o horário de almoço. De segunda a quinta-feira, ela fecha entre 12h30 e 15h. Aos sábados e domingos, das 13h às 15h. Fiquei uma hora lendo um livro na praça para poder entrar lá. Hahahaha.

Infelizmente, no dia da minha visita, a igreja estava passando por obras. Então seu interior estava quase que coberto por andaimes, o que dificultou a visualização dela como um todo. Mas, faz parte, né? O importante é saber que a história está sendo preservada por ali. Uma coisa que eu achei MUITO legal é que por fora você já consegue ver como a basílica foi construída no decorrer dos anos. Ela parece uma união de diferentes estilos e de diferentes projetos. E, mesmo assim, ela não se tornou um Frankstein ou uma colcha de retalhos. Fez sentido, sabe? E deve ser isso que a deixou também tão bonita – aos meus olhos, é claro. Ah, para completar o conjunto da obra, em frente você encontra uma estátua do imperador Constantino.


O texto também já está no formato vídeo. Já segue o Voyajando Blog no Youtube?

#5 Basilica di Sant’Ambrosio

De estilo único, chamado de românico lombardo, essa igreja é diferente de tudo que eu já tinha visitado. E eu digo isso por causa, principalmente, da sua parte externa. Ela possui uma espécie de pátio que, por si só, já chama atenção. No passado existia um mercado ali e hoje estão espalhados artefatos arqueológicos. Sem contar a construção toda de tijolinhos vermelhos e pedras. Reza a lenda que a Basílica de San Ambrosio – ou Sant’Ambrogio – está para os milaneses assim como a Abadia de Westminster está para os londrinos em importância. Então, não tem como deixar de visitar, né?

A basílica é dedicada a Santo Ambrósio que foi, lá em meados de 374 d.C., bispo de Milão. Atualmente ele é o patrono da cidade. Tornou-se santo pois é considerado um dos pais do cristianismo. De lá para cá, a basílica consagrada por ele passou por inúmeras modificações. Até acréscimos barrocos durante o século XIX. Mas a maioria delas foram desfeitas a mando do arquiduque Maximiliano. E não tá errado, né?

Um dos destaques, na minha opinião, são as pesadas portas de madeira totalmente decoradas com cenas da vida de David e Saul de cima até embaixo. Elas são datadas dos séculos IV e VII. Ali no templo você também encontra afresco de Giambattista Tiepolo. Há ainda uma área paga chamada de Tesouros de Santo Ambrósio, onde você visita os restos mortais do santo. Eu não visitei, mas a @jenifercarpani o fez e disse que é bem bacana. Logo, fica aí da sua disponibilidade. Depois dali eu já iria sentido Santa Maria delle Grazie novamente encontrar a big sis para um belo Aperol Spritz e um encerramento digno dessa segunda-feira cheia de igrejas, afrescos e história, muita história.

E muita Jeanine! Isso mesmo, voyajante, foi a primeira vez que turistei por mim mesma em algum lugar. E ter apenas a minha companhia como companhia foi, no mínimo, interessante. Recomendo! Mas, se você quiser conhecer as igrejas com ajuda de um guia, vale lembrar que o Get Your Guide tem inúmeras opções neste link aqui!



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