Perrengues de viagem: 9 dicas de como evitá-los (baseado em fatos reais)

Vamos ser bem sinceros? Ninguém quer saber de perrengues de viagem. É isso. Perrengues são definidos como situações complicadas e de difícil solução. E quem, pelo amor de Dadá, quer passar por isso depois de tanto planejamento e de tanto investimento e de tanta expectativa? Eu sei e você sabe: um total de zero pessoas. Aliás, fugir dos perrengues foi um dos grandes motivos de ser do Voyajando Blog. Afinal, embora eles às vezes possam ser engraçados, eles não precisam ser necessários, não é mesmo?

Logo, a lógica é simples: se eu passei por isso e não foi legal, o desejo é alertar para que não ocorra com mais ninguém. Mas, se foi incrível, inigualável e indescritível, vem comigo que você não vai se arrepender.

Por isso, neste post, você vai – é claro! – encontrar histórias de perrengues. Mas, também, como evitá-los. Você vai rir, mas vai aprender. Só não ri muito alto não porque alguns dos causos abaixo ainda não são engraçados para euzinha que vos fala e para @jenifercarpani, colaboradora deste post. Sim, unimos nossas forças contra os perrengues. Abaixo o perrengue! Mas não o perrengue chique, esse a gente se diverte! Hahahahaha

E queremos já deixar claro, desde já, que esse é o primeiro e o último post sobre perrengues que escrevemos por aqui. Porque a sensação a cada parágrafo é de que é um eterno muro das lamentações. E uma lamentação puxa a outra e, quando piscamos, só passamos por perrengue nas viagens. E viajar não é sobre isso, não é mesmo?

Perrengues de viagem na Croácia

É, voyajante, perrengues no plural. A Croácia é um país incrível e a gente não poderia recomendar mais a sua visita ao país. Você encontra nosso roteiro completo por lá nesta matéria aqui. Mas, verdade seja dita: ela não foi muito gentil comigo e com a @jenifercarpani. Tanto a entrada quanto a saída do país foram intensas e desses perrengues aqui a gente não ri ainda não. Então, sim, vamos começar com a artilharia pesada.

Imigração conturbada

A @jenifercarpani já escreveu sobre nossos problemas com a imigração da Croácia neste post aqui, então não vou me estender muito neste parágrafo porque ainda tenho calafrios. Mas, resumindo: mesmo com todos os documentos em mãos, o agente da imigração cismou com duas mulheres viajando sozinhas. Ele implicou desde a quantidade de dinheiro que estávamos levando até pílulas anticoncepcionais que ele encontrou na minha mala.

O querido oficial insinuou – na verdade disse com todas as palavras – que poderíamos estar entrando no país com o objetivo de nos prostituirmos. No final, todos os agentes de imigração possível estavam na salinha falando “está tudo certo com elas” e só o bonito continuava a implicar.

Como evitar

Não se evita imigração – só se você nunca sair do seu país de origem. E em qualquer imigração do mundo você deve estar provido dos documentos necessários e papéis que comprovem o que você está indo fazer no país que está entrando. Vai estudar? Vai trabalhar? Vai turistar? Comprove. Pesquise se você precisa de um visto prévio ou uma vacina específica. O agente da imigração pode pedir ou não para ver esses papéis, mas melhor estar precavido do que ter sua entrada rejeitada e perder todo o seu investimento, né? Ninguém quer ser deportado. E, nunca (jamais!) minta para a imigração, voyajante. Jamais.

Seguindo o GPS

Em algumas cidades, dirigir com o GPS não é um problema. Mas, em algumas outras, pode ser um desafio. E Zadar, na Croácia, se encaixa mais na segunda categoria. Locais mais antigos possuem ruazinhas mais estreitas ou, podemos dizer, menos estruturadas. E o problema é quando o GPS não sabe exatamente o tamanho do carro que você está. E nem a sua copilota. Resultado? Quase entalamos o carro em uma viela e foram pelo menos três passantes tentando ajudar em croata a gente a tirar o carro.

Outro problema é quando você está viajando sem sinal de celular, então você apenas faz o download do mapa do país para usar offline e vai seguindo. Dessa vez, corta para Zagreb e a gente procurando um mercado. Viramos em uma das principais avenidas da capital croata que, por sua vez, é “fechada” apenas para a circulação de bondes elétricos.

Como evitar

Siga os seus instintos, mais do que o GPS, mais do que seu copiloto (ou copilota, principalmente se ela for eu). Quando a gente está em uma cidade estranha já é complicado se localizar. Imagina em um país onde as placas de trânsito estão em outra língua. A Jenifer sabia que o carro não ia passar ali porque ela tem noção de espaço. Eu falei: mas GPS está mandando seguir. Quase travamos o carro, quase tivemos que pagar uma bela grana para a locadora, caso houvesse danos…

Mas, Jenifer-Barrichello deu um jeito junto com a velhinha e saímos de lá direto para um McDonald’s. Comfort food que fala, né? A Jenifer também viu que estava entrando na linha do bonde elétrico enquanto eu dava as direções do mapa sentido mercado. Enquanto eu segurava na mão de Deus, ela dava um belo gato no meio da avenida para saírmos de lá. Tudo certo no final, mas com emoção, definitivamente.

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Operação ventania

No Brasil é comum operações especiais nas estradas quando o fluxo de pessoas indo em uma direção é grande (festas de final de ano, por exemplo), quando existe neblina ou chuva forte. Mas viajando pelo Sudeste e Sul, e Nordeste, a gente nunca se deparou com ventos fortes. Mas, é claro que a Croácia nos apresentaria mais essa. Estávamos saindo de Split, de onde fizemos um bate e volta a partir de Zadar, quando percebemos reduções drásticas de velocidade na rodovia.

A via que permitia 130 km/h, do nada, estava sinalizando 20 km/h. Achamos estranho e, obviamente, pensamos que havia um acidente ou obras mais para frente. Mas, não. A @jenifercarpani começou a sentir o carro puxando e, então vimos, as birutas dispostas na beirada da estrada super agitadas. Era vento.

Como evitar

Nós, seres humanos, mesmo capazes de coisas inacreditáveis, ainda somos muito pequenininhos diante da mãe natureza. E eu sei que eu falo muito isso. Mas, é tão verdade. Quando que eu achei que enfrentaríamos ventos tão fortes capazes de abalarem a estabilidade de um carro? Nunca! Só se eu estivesse em um filme da Sessão da Tarde fugindo de um furacão.

E, para sermos bem realistas, nem isso, hahahahaha. Ou dirigindo, sei lá, um carro da fórmula 1. Então, voltando ao tema, não, não tem como evitar. Vento é fora de controle (do nosso, pelo menos). O que você pode fazer é ficar de olho na previsão do tempo – principalmente se você sabe que na região existe coisa do tipo – e, se for imprescindível viajar durante a ventania, respeite a sinalização de trânsito. Não seja os doidos que passaram literalmente “voando” pela gente.

Perrengue no Marrocos

Minha relação com o país ainda é de amor e ódio, embora a viagem tenha acontecido em 2018. Mas, aqui, você já pode rir comigo. Já aceitei que tive que passar a noite no aeroporto em Londres para ir para o Marrocos e cheguei lá quebradíssima; já aceitei que fiquei muito (muito!) muito tempo dentro de um carro apertada com outras 6 pessoas para chegar no Deserto do Saara; e já “aceitei” que cai no conto do vigário e que hoje sou dona e proprietária de um belíssimo tapete marroquino. É, gente, cai em golpe no Marrocos. Aprendi a ser mais esperta. Ou menos ingênua. Talvez. Sei lá.

Quer entender essa história completa? Vem para este post aqui que nele eu escrevi tim-tim por tim-tim tudo o que me aconteceu por lá, mais especificamente no perrengue-mor que foi na Medina, uma espécie de mercado gigantesco, em Marrakech (Marrakesh ou Marraquexe).

Como evitar

Aqui vão ser mais palpites, até porque o golpe continua por lá e mesmo todo precavido – e não querendo, óbvio! – você pode cair nele. Foi o meu caso. Li tanto sobre as mulheres que fazem tatuagem de henna em você; sobre os homens que colocam macacos no seu ombro para fotografia; do assédio de mulheres, homens e crianças pedindo dinheiro nas ruas; e assim por diante. E, mesmo assim, lá estávamos eu e o Gian: caindo como dois patos na conversa dos caras no meio da rua. Total do rombo lá na Medina: 60€. Isso porque negociamos horrores no tapete porque, se dependesse do vendedor-amigão que ficou pistola em minutos de diferença, o mesmíssimo teria sido 200€. Risos, né?

E não foi só o desfalque monetário. Eu fiquei com uma impressão super chata do país e, depois da aquisição do tapete, voltei para o hotel e não sai mais de lá até o transfer nos buscar no dia seguinte pra voltarmos para o aeroporto. Então, a minha principal dica, ou palpite, seria: desconfie. Sabe aquele radar brasileiro que vem embutido na gente lá de nascença e às vezes desligamos quando entramos de férias? Deixe ele bem ligado. A gente NUNCA teria caído nesse golpe no Brasil.

Crescemos passeando pela 25 de Março (como você já viu no nosso Guia de Compras) e pelo Brás e nunca nada nos aconteceu. Ainda bem, é claro. Eu comentei isso com o Gian na época: a gente abaixa a guarda, principalmente quando estamos viajando por países europeus. Então depois de um Roteiro Reino Unido, estavámos na alegria ao chegar no Marrocos.

Outra dica que eu daria em relação a Marraquexe: contrate um guia. Ande com um local. É definitivamente isso que eu farei na minha próxima visita ao Marrocos porque, sim, eu vou voltar. Vou lá buscar outro tapete para combinar com o primeiro, hahahahahaha.

Na primeira vez, estávamos com o mapa baixado no nosso celular, mas era tanta gente andando pelas vielas – um caos de pessoas, animais, veículos, carroças – que nós não estávamos confortáveis para andar com o aparelho na mão. Por isso ficamos mais sucetíveis ao golpe – que caso você não tenha ido até a outra matéria para ver como foi, deixa eu dizer: tudo começou quando um rapaz super solícito “salvar” a gente de ser atropelado. Fofo ele, né?

Perrengue no trem sentido York

Esse foi o perrengue mais recente. Fomos comemorar o aniversário do Gian na Inglaterra e ele decidiu que queria conhecer a cidade de York, no nordeste do país. Depois de passarmos quase duas semanas viajando pelo Reino Unido em 2018 – durante nossa Eurotrip – eu tinha uma fé inabalável na pontualidade britânica e na eficiência de sua malha ferroriária. Afinal, até greve a gente pegou da primeira vez e foi suave. Suave em um nível que nem parecia que algo estava acontecendo. Voyajante, se você não sabe, somos todos paulistas aqui no blog.

Então se tem uma coisa que a gente entende bem – infelizmente, devo dizer – é de transporte público, horários de pico… Enfim, tudo aquilo que está ligado a essas duas palavrinhas que ainda me dão calafrios: lotação, trem-vazio, estação da Luz, estação República, baldeação…

Mas, o perrengue é de viagem, não de dia-a-dia, então voltemos. Descemos em Manchester e iríamos para York no dia seguinte – um sábado, é bom dizer. Na sexta-feira recebemos uma mensagem dizendo que o nosso trem estava cancelado e que poderíamos pegar qualquer trem sentido York do dia sem problemas. Brasileiros que somos não acreditamos nessa facilidade toda: chegamos com antecedência e fomos no guichê tirar essa história a limpo. A moça nos assegurou: qualquer um. Ótimo. Então está bem. Ficamos em uma cafeteria tomando nossos abençoados cafés em libras aguardando a nossa composição.

Mas sabe quando algo não está certo? Pois bem. A plataforma estava lotada. Falei: impossível todo mundo estar indo para York, né? Que que tem em York, meu senhor? Ruínas romanas, história viking, construções normandas, prédios medievais, vielas que inspiraram a criação do Beco Diagonal de Harry Potter (que a gente ama por aqui, como você sabe). Por que diabos tem tanta gente nessa plataforma, Gian?

Os dois inocentes ainda foram perguntar para o guardinha se tinha problema a gente sentar em qualquer lugar, já que nosso trem tinha sido cancelado, não é mesmo? E ele: acho que não. Ah, e falta eu escrever sobre um detalhe interessante – e importante: a plataforma estava cheia de gente na estica. E se você não sabe o que “na estica” significa, eu vou te explicar.

“Na estica” significa arrumados, elegantes, bem apessoados. Os homens vestidos com trajes completos (até colete, viu?). As mulheres maquiadas, cabelos perfeitos e muitas usando chapéus. Eu tava me sentindo a mal-vestida do trem, a plebe. Pessoal tava rindo, feliz, alegre. Até elogiei: que consciente (insira aqui um emoji de palhaça), eles devem estar indo para um casamento de transporte público. Vai beber, né? Bom assim. Ficam em segurança. Mas, assim, estávamos em Manchester.

Achei que desceriam na primeira estação, segunda no máximo. Porém, não foi bem assim. A cada estação, mais gente arrumada entrava. E apertava. E dava o “passinho para o lado”. Detalhe: nós pagamos em cada passagem 40€. Cada. Passagem. E nós dois com a cara grudada no vidro e segurando a respiração para a porta fechar. Porque sim, estávamos de pé e na porta.

E fomos assim por uma hora e meia até a nossa querida York. Não era casamento que movia aquele povo todo. Era Corrida de Cavalos. Sim, aparentemente é um evento grande no Reino Unido – na Irlanda também, como descobri depois. E uma das corridas era bem no sábado que a gente escolheu ir para a cidade, por isso o lugar estava um fervo. E, na ida foi ruim, imagina na volta? A galera na estica já estava toda final de festa. E bêbada. E, de novo, mais um trem cancelado. Tentamos deixar York por volta das 19h. Chegamos em Manchester era quase meia-noite e morrendo de fome. Ainda tivemos que chamar comida no hotel porque os restaurantes ao redor já tinham fechado.

Como evitar

Existem coisas que fogem da nossa alçada, não é mesmo? Um cancelamento de trem é uma delas. Na minha inocência eu até achei que eles tinham cancelado o nosso horário porque não compensava eles soltarem uma composição para York vazia. Mas, enfim, descobrimos a duras penas que não foi esse o caso. Mas, existem, formas de se precaver. Além dos sites e blogs de viagem que a gente usa para traçar o nosso roteiro, por que não abrir rapidinho um site de notícias local para saber se tá tudo bem? Aqui em Dublin, por exemplo, eu já aprendi a evitar os entornos do Croke Park (estádio), que fica mais ou menos perto de mim, quando eu sei que vai ter jogo. E assim vai.

Mas, sinceramente, neste caso eu nem tenho muito como dar dicas para se safar. Até porque é muito cultural, não é mesmo? E específico. Em São Paulo, embora exista o Jockey Club, corrida de cavalos é algo tão fora da minha realidade que eu não sei nem procurar notícias sobre isso. Se bem que eu duvido bastante que na capital paulista as pessoas vão de transporte público para ver cavalos correndo, hahahaha. Mas, uma coisa é certa: nós reclamamos. E eles devolveram o dinheiro investido nas passagens.

Perrengues de viagem em Paris

Oui, oui voyajante. Não é porque você está em Paris que você não tem perrengue para passar. Se você não tomar cuidado, vai rolar, sim! E como a ideia aqui é deixar você avisado e prevenido, bora falar um pouco sobre a minha primeira viagem à Parise os perrengues que passei por lá.

Vos apresento: a grande responsável pelo meu sofrimento

Bolhas nos pés

Claro que a cidade-luz, nesse caso, foi só um cenário para o perrengue – que pode acontecer em qualquer outro lugar do mundo. O panorama geral era esse: uma viagem de três dias em Paris para comemorar meu aniversário em maio desse ano. Devido às regras de bagagem das low-cost (e o preço abusivo para despachar uma mala a mais), viajamos só com uma mochila cada.

E foi aí que começou o problema. Pensei no que levaria – e caberia – na mochila e exatamente que roupa usaria em cada dia graças à um planejamento que uniu: previsão metereológica e planilha de planejamento de viagem. Até aí tudo bem, deu tudo certo. Mas o problema foi o sapato: levei apenas uma bota – que devo pontuar aqui que foi minha companheira de todo o inverno e nunquinha falhou comigo, e que me parecia uma ótima escolha do combo look bonitinho + confortável para meus dias em Paris.

Ledo engano. O que antes era um relacionamento saudável se transformou em abusivo e nem o casamento feliz e duradouro entre meus pés e a tal botinha sobreviveu aos quilômetros e quilômetros que percorremos a pé na cidade e nos museus. O pesadelo começou no segundo dia já, quando senti as bolhas nos pés dando o ar de sua graça. Tentei ignorar quanto pude, mas no fim do dia já corri para um mercado local para tentar remediar o que não tinha remédio.

No dia seguinte – último dia nosso por ali – não tive escolha: fui à primeira Zara que abriu, próxima ao nosso primeiro ponto turístico, a bela Ópera Garnier, e comprei uma sandália que me parecia confortável para um dos dias mais quentes que pegamos durante a viagem e que – eu já sabia – também andaria muito pois à tarde percorreríamos todo o bairro de Montmartre.

Adiantou? Médio. Primeiro porque perdemos um tempinho procurando sapato – que não estava no meu orçamento e nem sabia se caberia na minha mochila na volta. E segundo porque, sendo também um sapato novo, também maltratou meus pés que já estavam pedindo peloamordeDeus para sentarmos. E foi assim meu último dia em Paris: a cada dez minutos, procurava um lugar para sentar.

Como evitar

Escolhendo sapatos confortáveis, claro, e levando se possível, no mínimo, mais um par de calçados. Eu acho que apesar da botinha ser super confortável, ela não foi suficiente para meus pés aguentarem as mudanças de temperatura na primavera (friozinho de manhã e à noite e calorão no meio do dia) e os quilômetros e quilômetros que uma primeira viagem ao lugar demanda.

Nós aqui, geralmente, já vamos com a ideia de que se der ruim vamos ter que comprar por lá. Seja band-aid, seja um remédio de dor de cabeça, seja um sapato ou uma roupa a mais ou a menos. O frustrante nesse caso foi a falta de tempo – e vontade – para ficar procurando o novo item (queria escolher bem para que o prejuízo físico dos pés não se tornasse também um prejuízo financeiro e sustentável, comprando algo que não usaria nunca mais depois).

Sendo assim, o melhor modo de evitar, na minha opinião, é planejar bem sua viagem, sua mala, seus dias. Veja a temperatura, veja o roteiro, o que pretende fazer. Considere levar um par de sapatos a mais, se puder, e nunca leve sapatos novos e roupas que você não tem o costume de usar para uma viagem (os meus não eram, mas vale a dica também).

O seu eu do futuro vai agradecer muito seu eu de agora se você separar um tempinho para planejar o seu próprio conforto e se prevenir desse tipo de de perrengue.

Saída e chegada no Aeroporto de Paris

Já falei ali no “capítulo” anterior que a gente foi e voltou de Low Cost né? Pois bem. Existem alguns desafios que a gente que mora aqui na Orópa passa para poder aproveitar os preços baixos das Low Costs. Um deles é alinhar os horários dos voos aos melhores preços e aos nossos horários de trabalho e de dia a dia; já pensando na antecedência para chegar ao aeroporto e também nos possíveis atrasos e regras doidas de check-in que as companhias aéreas mais baratas têm.

Toda essa introdução para dizer que nessa viagem de Paris o voo atrasou. A ida foi na sexta-feira à noite, pelo Aeroporto de Linate, em Milão, e quando chegamos ali vimos que já teríamos que esperar um pouquinho mais. O que não consideramos é que esse pequeno atraso (cerca de uma hora mais ou menos) influenciaria diretamenteóbvio – na hora de chegada à Paris no Aeroporto Charles de Gaulle.

E foi quando chegamos lá e tentamos pegar o trem que leva ao centro da cidade, que recebemos a notícia de que não tinha mais trens aquele dia. Percorremos tooodoooo o caminho de volta dentro do aeroporto e procuramos o ponto do ônibus que também leva ao centro de Paris. Não foi difícil de achar porque já tinha uma galera lá esperando. E eis que depois de esperar com eles todos por quase meia hora, o ônibus passa. Lo-ta-do. E aí nem parou. E aí ficamos lá.. nós e a galera.

A solução que encontramos para não arriscar esperar mais meia hora e passar outro ônibus lotado foi: chamar um Uber. Não sei se já te falaram mas eu vou falar: Uber aqui na Europa é caro, bem caro. E a gente já sabia disso, mas não teve jeito. O horário de chegada no hotel poderia comprometer o nosso dia seguinte inteiro, e aí o prejuízo financeiro poderia ser bem maior já que havíamos agendado museus e coisas para fazer logo cedo.

Foi então que chamamos o Uber mesmo assim e a solução não foi tão ruim: conseguimos chegar no hotel mais cedo do que chegaríamos, descansamos bem, e no outro dia já estávamos preparados para andar bastante (e para destruir meu pé, como contei ali em cima hahahaah).

Como evitar

Não sei. Acho que esse é o tipo de coisa que você pode prever e saber que pode acontecer e não se sentir frustrado com os possíveis gastos a mais que uma viagem pode trazer. Um modo de prevenção seria já saber/estudar de antemão como sair e como chegar ao aeroporto (ou a estação de trem, ou sei lá como você vai chegar ao destino). Mas no nosso caso, com o voo atrasado, não tivemos muita escolha.

Saber os preços e modos de sair do aeroporto é importante também para você não sentir que faliu: no fim, o preço para o ônibus que ia até o centro de Paris sairia aproximadamente uns 30€ para nós dois. Além disso, deveríamos de lá pegar um metro para ir até o hotel – que ficava afastado do centro da cidade, no norte – e ali seriam mais uns 4€ mais ou menos. No Uber, pagamos 39€ tudo e chegamos com no mínimo uma hora de antecedência – em comparação ao tempo que levaríamos indo de ônibus e metrô. Ou seja: perrengamos, mas compensou.

Outra estratégia que para mim faz muito sentido é cogitar um transfer particular (aqui você usa nosso link para dar uma olhada em alguns). Dependendo do horário de chegada e partida do seu voo, da sua disposição, da quantidade de malas que você estiver, e da localização do seu hotel, pode fazer sentido para você. Não deixei de levar tudo em consideração – se você puder – porque, como aconteceu com a gente, o barato pode/poderia sair mais caro. A gente aqui no blog gosta muito de considerar também o preço da paz nas nossas decisões hahahahah.



Perrengue no Magic Kingdom, em Orlando

Esse aqui é o tipo de perrengue que a gente já quase acostumou. As duas vezes que fomos para Orlando, nos EUA – já contamos tudo aqui no blog – foi um perrengue do grande para ir embora do Magic Kingdom. Para quem não sabe, o Magic Kingdom é o parque que tem o castelo da Cinderella, sabe? O mais famoso e símbolo da Disney dos EUA, quando pensamos em Disney.

E um dos motivos da fama é o show de fogos de artifício no castelo, no fim do dia. Esses shows tem dias e horários para acontecer – faz parte da sua programação se informar antes quais são os dias que eles acontecem, para não perder-los – e, claro, todo mundo fica no parque até tarde (22h, 23h) esperando pelo show. E, claro também, todo mundo vai embora NA MESMA HORA. Ou seja: nem mesmo os três meios de transporte disponíveis que possibilitam ir embora do parque dão conta da quantidade de pessoas que vão embora na mesma hora. É lotado gente. Não há barco, ônibus ou monorail (monotrilho da Disney) que dê conta de desafogar a hora do rush da Disney.

O perrengue aqui é: ir embora, demora horas para conseguirmos sair de lá. E comer. A gente passou fome tanto em 2014 (primeira vez que fomos) quanto em 2019 – o que foi muito mais irritante já que já sabíamos disso e cometemos o mesmo erro. Isso porque depois do show os restaurantes começam a fechar (pelo menos isso aconteceu nas duas vezes) e além disso, você passou mil horas de pé e andando embaixo do sol o dia todo, você só quer ir para a hospedagem dormir.

E aí começa o embate sono versus fome e se você tiver em grupo como estávamos, a dificuldade ainda é aumentada pelo fator: vontades diferentes. Há quem precise sanar a fome e há quem só quer dormir, e geralmente essas pessoas estão sempre juntas em uma viagem. Haja paciência e jogo de cintura, né?

Como evitar

Acredito que quem tem a possibilidade de ficar hospedado em um dos hotéis Disney não passa por esse perrengue. Então se você tiver essa sorte e privilégio, aproveite. Não tenho certeza, mas acho que é muito mais tranquilo ir embora quando está dentro do complexo.

Se você não está hospedado em um hotel da Disney, não sei se é a melhor estratégia mas é como eu tentarei fazer da próxima vez: ver antecipadamente o horário do show, ver o horário de fechamento do parque, me programar para comer antes do show de fogos. E enrolar um pouco mais no parque se possível para sair depois. Com a fome resolvida, a minha paciência melhora muito hahaha – e aqui entra na dica uma boa dose de autoconhecimento. Mas com fome + sono e cansaço + lotação máxima para ir embora: não havia empolgação de estar em Orlando que desse conta do mau humor que tomou conta de todo o grupo tarde da noite.

Perrengue em Orlando
Depois dessa foto aqui, nem tem outras porque estávamos ocupados passando perrengue hahahaha


Viagens Por Escrito

Esse texto faz parte do Viagens Por Escrito, um grupo de blogs de viagem que se reúnem mensalmente para falar de algum tema em específico. Esse mês você já reparou: estamos falando dos nossos perrengues mundo afora. E se você já riu (chorou ou se chocou) com a gente, que tal dar uma passadinha nos outros sites e ver o que mais fazer ou não fazer nas suas próximas férias:

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SOBRE NÓS

O Voyajando surgiu do sonho de criar um espaço para trocar dicas de passeios, restaurantes, hotéis e tudo o mais que envolve os pequenos períodos maravilhosos da vida que chamamos de viagens. São elas que nos proporcionam a possibilidade de descobrir novos universos, ter contato com outras culturas e outros jeitos de ver a vida. O Brasil e o mundo estão cheios de lugares incríveis. Vamos conhecê-los juntos?

PASSEIOS EM ROMA

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8 Comentários

  1. eliza

    Uau, eu acho muito importante saber sobre perrengues de viagem, para evitá-los. Suas dicas são fundamentais. Obrigada por compartilhar. Beijinhos

    Responder
  2. luciana Calvo Mardegan

    Meninas, quantos perrengues! O bom é que a gente esquece a maioria ou, como vocês falaram, damos risadas depois. Sempre acho imigração tensa, mesmo tendo todos os documentos… mas, uma boa dica talvez seja não levar nunca mais o anticoncepcional e evitar confusões quanto ao objetivo da viagem rsrsrs

    Responder
    • jenifercarpani

      Acho que o da imigração foi o mais traumático hahahaa. Toda imigração que vamos passar agora, nos vem aquela lembrança incômoda, esperamos que em breve isso fique mais tranquilo. O problema maior foi a xenofobia mesmo, mas paciência né?

      Responder
  3. Fê Moro

    É cada uma que a gente passa nas viagens… Agora, nessa da imigração eu suei frio só de ler. Que sufoco, ein? Mas que bom que no final deu tudo certo!
    Obrigada pelas dicas, meninas!

    Responder
    • jenifercarpani

      Essa da imigração foi tensa msemo Fê, mas o bom foi pensar que deu tudo certo. Hoje achamos ainda mais importante ter todos os documentos certinhos para passar por esse momento, porque nunca se sabe né?

      Responder
  4. Izabela

    Menina, nunca fui em Marrocos, mas vc não é a primeira a falar que lá os golpes são elaborados. Obrigado por compartilhar a sua experiência 😉

    Responder
  5. Patrícia

    Obrigada por compartilhar connosco os perrengues pelos quais passou e como evitá-los. Partilhar experiência é de facto um dos melhores objectivos de quem tem blogs de viagem pois pode ajudar outros viajantes.

    Responder
    • jenifercarpani

      Siiim! A gente também acredita muito nisso Patrícia, no poder da informação e no quanto experiências pessoais podem nos ajudar a aprender e agir diferente quando estivermos passando por uma situação ou estivermos em um destino parecido. Muito obrigada pelo seu comentário!

      Responder

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