Planejamento de viagem para o Japão: o que fazer no país em 15 dias?

O Japão era uma das viagens que eu mais queria fazer. Sou parte dos milhões de turistas que invadiram o país assim que o visto para brasileiros caiu para turismo e hoje, finalmente, vamos falar um pouco sobre o planejamento de viagem para o Japão que tivemos antes de partir para a terra do sol nascente.

Esse roteiro já está no rascunho há algum tempinho, eu já fui e já voltei, mas eu ainda acho válido trazê-lo aqui. A partir de agora, vamos contar ponto a ponto o que fizemos por lá em cada uma das cidades – e bate-voltas. Já adianto dizendo que foi, mesmo, uma viagem inesquecível. E eu espero, com essa série de matérias, inspirar você a fechar a mala, ou colocar a mochila nas costas, e ficar pronto para embarcar para uma das melhores viagens que fiz até hoje.

Juro que não é exagero dizer que foi uma das melhores viagens – e nem acho que, necessariamente, vai ser uma das melhores viagens para você. Talvez sim. Mas para mim foi uma mistura de choque cultural, interesse na cultura E o fator família que foi super importante também. Para quem não sabe, eu e a @jeaninecarpani temos o sobrenome Kobayashi porque além da parte italiana, temos uma metade japonesa por aqui. E visitar o Japão foi “ver” meu pai nos trejeitos, no modo de falar e de sorrir em várias interações que tive por ali. Foi especial, sim, e espero que você tenha uma vivência tão especial quanto a que eu tive.

Como planejar uma viagem ao Japão?

Quando a gente vai para outro país – e especialmente quando esse país tem uma cultura completamente diferente da nossa – é importante nos prepararmos ao máximo para todo e qualquer tipo de necessidade. Na nossa opinião, esse tipo de planejamento ajuda não só a evitar os perrengues (e aqui já contamos vários) como também deixa espaço para você aproveitar melhor a viagem, tendo já resolvido qualquer questão antes de chegar ao destino.

No caso do Japão, o planejamento também é válido – e nos assustou no início – porque eram muitos detalhes. Como se deslocar internamente? Como comprar internet? Metrô? Hospedagem no Japão, onde ficar? e assim por diante. E esse post aqui tem a missão de ajudar você a, pelo menos, esclarecer alguns desses pontos a partir da nossa experiência. Tudo para você aproveitar ao máximo sua viagem quando chegar lá!

Então bora para um check-list rápido com algumas das nossas dicas – outras exploramos melhor ao longo do texto:

Escolha a melhor época

  • Primavera (março-maio): Época das cerejeiras em flor (sakura). Muito popular e cara.
  • Verão (junho-agosto): Quente e úmido, mas com festivais tradicionais.
  • Outono (setembro-novembro): Folhagem avermelhada (momiji). Clima agradável e belas paisagens.
  • Inverno (dezembro-fevereiro): Ideal para esportes de neve e menos turistas. Mas dizem que é BEM frio.

Hospedagem

  • Hotéis: Variam de cápsulas a hotéis tradicionais
  • Ryokans: Pousadas tradicionais japonesas com tatame e onsen (¥10.000-30.000/noite)
  • Airbnb: Boa opção para famílias ou grupos

Reserve com antecedência, especialmente na alta temporada.

Internet e comunicação

  • Alugue um pocket Wi-Fi no aeroporto ou compre um chip de dados
  • Baixe aplicativos essenciais: Google Maps, Google Translate
  • Nós compramos um chip para cada um no Get Your Guide, deu super certo e durou os 15 dias com tranquilidade (não abusamos e muitos lugares têm wi-fi).

Dinheiro

O Japão ainda é uma sociedade que usa muito dinheiro em espécie, mas não foi difícil usar o cartão por lá, não. Sempre que possível, trocávamos dinheiro em caixas eletrônicos de conveniência (7-Eleven, Family Mart) que aceitam cartões internacionais. Nessa viagem, nós usamos principalmente os cartões internacionais Wise e Revolut – além do nosso cartão da N26, da Itália. Todos foram bem aceitos – quando não rolava com um, rolava com o outro.


Como chegar ao Japão?

O Japão possui diversos aeroportos internacionais que recebem voos de todo o mundo. As principais portas de entrada são:

Tóquio:

  • Aeroporto de Narita (NRT): Localizado a cerca de 60 km do centro de Tóquio, é o principal aeroporto internacional da região. Oferece conexões via Narita Express (trem) ou ônibus até o centro.
  • Aeroporto de Haneda (HND): Mais próximo do centro (cerca de 20 km), tem se tornado cada vez mais popular para voos internacionais. O acesso é mais rápido e conveniente.

Osaka:

  • Aeroporto Internacional de Kansai (KIX): Principal aeroporto da região de Kansai, atende Osaka, Kyoto e Kobe. Localizado em uma ilha artificial, o acesso ao centro de Osaka leva cerca de 50 minutos de trem. Foi por ele que chegamos.

Saindo do Brasil: Não há voos diretos do Brasil para o Japão. As conexões mais comuns são:

  • Via Estados Unidos (Los Angeles, Houston, Dallas) – mas lembre-se que precisa de visto americano.
  • Via Europa (Paris, Frankfurt, Londres)
  • Via Oriente Médio (Dubai, Doha) – acaba sendo a rota mais normalmente usada para quem sai do BR.

E claro que, quanto mais escalas, mais barato fica a saga para chegar na terra do sol nascente. No meu caso, apenas como exemplo, sai de Milão e fui para Amsterdam. Lá passei seis horas aguardando o voo para a Shangai, na China. Depois de mais duas horas de escala, finalmente peguei o voo rumo a Osaka. A volta foi também com duas paradas: em Shangai e em Paris para, só aí e finalmente, chegar em Milão.

Outra dica legal é, ao pesquisar voos, comparar os preços de ida e volta pelo mesmo aeroporto versus voos multi-trechos (chegando por uma cidade e saindo por outra). Muitas vezes, comprar ida e volta pelo mesmo destino sai mais barato, mesmo considerando o custo do deslocamento interno de trem-bala.

Quantos dias ficar no Japão?

O tempo ideal depende do seu estilo de viagem e quantas cidades pretende conhecer. Na nossa opinião pessoal por aqui: o maior tempo possível/disponível nas suas férias. Os argumentos são: é do outro lado do mundo, é uma viagem de difícil acesso para nós, o fuso horário joga contra, é demorado para chegar e para ir embora, tem muita coisa para ver em um país inteiro com uma cultura milenar, e etc..

Mas se essa resposta não ajuda em nada, rs, aqui estão algumas sugestões que encontramos na internê:

  • 7 a 10 dias: Suficiente para conhecer 2-3 cidades principais (Tóquio e Kyoto, por exemplo), mas será uma viagem mais corrida.
  • 15 dias: Tempo mínimo ideal para explorar o Pacote Turístico mais ‘tradicional’ (Osaka, Kyoto, Nara, Hiroshima e Tóquio) com mais tranquilidade, permitindo passeios secundários e dias mais relaxados.
  • 21 dias ou mais: Permite incluir destinos menos visitados como os Alpes Japoneses, ilha de Hokkaido, região de Tohoku ou explorar o sul (Kyushu e Okinawa).

Nosso caso: Não foi bem uma escolha, mas acabamos tendo apenas cerca de 15 dias para rodar as cidades que escolhemos. Foi o que deu para encaixar nas nossas férias e não nos arrependemos. Mas ficamos com aquela sensação de que se tivéssemos mais dias, talvez tivéssemos dedicado mais tempo para cidades que mereciam mais de nós, como Kyoto, por exemplo.

Deslocamento interno: trem-bala

Se a vida é trem-bala parceiro, eu não sei. Só sei que o trem-bala do Japão é sim um ótimo parceiro de viagem graças à sua rapidez, precisão de horário, e quantidade de opções e trechos que nos faz viajar com muito mais facilidade e conforto – principalmente se você tem pouco tempo no país.

A grande dúvida na etapa de planejamento, geralmente, é se vale ou não investir no JR Pass, um bilhete único que possibilita viajar nos trens da empresa pagando apenas uma só tarifa. Após um considerável aumento de preços, muita gente achou que não valia tanto a pena assim. E a resposta, no entanto, é uma só: depende.

Faça as contas e considere todos os deslocamentos que você vai fazer e as cidades que você vai visitar. O próprio site disponibiliza o JR Pass Calculator, e ali você consegue ter uma noção melhor se valerá ou não a pena para você.

No nosso caso, o passe de 7 dias que dá acesso a todo o país não compensou. Por outro lado, o passe regional de 5 dias, sim. E foi esse que adquirimos para viajar pela região de Osaka, Hiroshima e Kyoto, incluindo as viagens que fizemos entre o aeroporto de Osaka e a cidade e também para ir ao parque da Universal. Para termos uma ideia, só o valor de ida e volta de Osaka para Hiroshima já seria mais caro do que o passe; ou seja compensou demais.

Já os demais trechos, no nosso caso, não compensava tanto assim o investimento. Como passamos a maior parte da viagem em Tóquio, acabamos arcando com a ida e com a volta para a cidade comprando bilhetes individuais, passando por Hakone na ida.

A minha sugestão é você também usar o JR Calculator e entender bem como seriam os seus trechos de viagem. Se você conseguir otimizar o uso do passe conseguindo economizar, compensa e você pode economizar alguns bons dinheirinhos. Mas lembre-se que ele precisa ser adquirido antes de chegar ao Japão, pois é vendido para turistas.


A viagem começa antes: como começar a se preparar?

Cada um faz de um jeito a preparação para uma grande viagem, né? No meu caso, eu amo me informar mais sobre a história, os costumes, a gastronomia; e faço isso não só através de blogs como o Voyajando, mas também por meio dos vídeos no YouTube, informações nas redes sociais e, dessa vez, rolou até um guia impresso que comprei na Itália antes de ir. Além disso, também usamos os podcasts para nos informarmos mais sobre a história e costumes (veja abaixo alguns dos nossos preferidos).

Depois de assimilar o tanto de coisa que poderíamos fazer lá, nós passamos a priorizar quais eram as nossas preferências. E não pense você que essa foi uma tarefa fácil. Afinal, é um país né? Mesmo assim conseguimos optar por fazer um ‘pacote turístico básico’, ao nosso ver, que ainda nos possibilitaria de encaixar algumas coisas que gostaríamos de fazer como conhecer os parques da Universal e da Disney.

Claro que também nesse planejamento primário existe também toda a busca por passagens, uma olhadinha nas hospedagens, deslocamentos e passeios. Vale levar tudo isso em consideração para ter um panorama geral de quanto sairia essa brincadeira aí.

Podcast História em Meia Hora

A gente já falou dele aqui. O podcast História em Meia Hora nos trouxe uma série de informações sobre história da terra do sol nascente. O tema Japão é recorrente e todos os episódios, como o próprio nome diz, nos explicam em apenas meia hora fatos e momentos importantes da história do país.

Foi lá que aprendi sobre, por exemplo, a mitologia japonesa, a Revolução Meiji e outros significativos períodos que contribuíram para o Japão ser o que ele é hoje. É ótimo para aprender e otimizar o tempo enquanto dirige, está no transporte público, lava louça e etc.


Canal Nostalgia

Aqui também aprendi muito sobre a história do Japão. Falo, especificamente, desse vídeo aqui embaixo que nos ajudou a aprender mais sobre passado do país, reforçando o que já havíamos escutado no História em Meia Hora.



Japan House

Para quem é de São Paulo, uma outra forma de ‘começar‘ a viagem pelo Japão sem nem ter comprado a passagem ainda é visitar alguns locais que reúnem e homenageiam essa cultura oriental. Uma delas é a Japan House São Paulo, um espaço inaugurado em abril de 2017 na Avenida Paulista que tem como finalidade ampliar o conhecimento sobre a cultura japonesa.

O local prove exposições e eventos em áreas como arquitetura, tecnologia, gastronomia, moda e arte, e já recebeu mais de 2 milhões de visitantes desde que abriu as suas portas.

São Paulo foi uma das três localidades escolhidas, juntamente com Londres, na Inglaterra, e Los Angeles, nos Estados Unidos, para receber a Japan House. Como estávamos em Milão antes de ir para o Japão, não conhecemos o lugar mas já ficou na nossa lista.

Além dos eventos, outra iniciativa muito bacana – e essa eu pude aproveitar – é o Podcast da Japan House. Com quatro temporadas até agora (2024), através dos seus capítulos pude aprender mais sobre o design, a gastronomia, a literatura e o cinema japonês. Vale muito! Principalmente para quem conhece ou se interessa por um desses temas; no meu caso, os mais especiais para mim foram o design e a gastronomia.


Meu roteiro pelo Japão: o que fizemos em 15 dias?

O nosso roteiro foi montado considerando que o voo chegava e saia de Osaka. Durante a nossa pesquisa por voos, a ideia inicial era chegar por Osaka e sair por Tóquio ou vice-versa, considerando que o custo do trem de alta velocidade não é tão barato assim e o custo da compra multi-trecho poderia acabar compensando – até porque economizaríamos deslocamentos e tempo de viagem.

Mas infelizmente não foi o caso. A diferença estava muito grande e, no fim, acabamos comprando ida e volta por Osaka, e tudo bem.

A maioria das pessoas que vão ao Japão saindo do Brasil acabam chegando por Tóquio, que tem dois aeroportos internacionais. Se for o seu caso, basta considerar os dias que passamos em cada cidade para definir o seu planejamento e, claro, considerar que seria praticamente um roteiro ‘inverso’, saindo de Tóquio em direção à Osaka, e voltando para Tóquio depois.

A tabela aqui embaixo vai ajudá-lo a entender melhor os nossos dias e deslocamentos nessa viagem. É um belo resumo, mas já ajuda a situar quantos dias escolhemos para cada destino e como fizemos. Todos os deslocamentos foram feitos de trem entre as cidades, e dentro delas de transporte público (metrô principalmente).

Dia 1Saída Milão
Dia 2Chegada em Osaka à noite
Dia 3Osaka
Dia 4Osaka – Bate-Volta em Hiroshima
Dia 5Osaka – Parque da Universal
Dia 6Deslocamento de Osaka para Kyoto
Dia 7Kyoto
Dia 8Kyoto
Dia 9Deslocamento de Kyoto para Hakone
Dia 10Deslocamento de Hakone para Tóquio
Dia 11Tóquio – Parque da Disney
Dia 12Tóquio – Parque da Disney
Dia 13Tóquio – mudança de Hotel – Shinjunku
Dia 14Tóquio
Dia 15Tóquio
Dia 16Tóquio
Dia 17Deslocamento de Tóquio para Osaka
Dia 18Saída de Osaka pela manhã
terça-feira, 8 de outubro de 2024Chegada em Milão à noite


O que mais fazer no Japão?

Ixi, tem tanta coisa. Acredito que na nossa viagem a gente cobriu a maioria dos pontos ‘básicos’ para uma primeira viagem para o país, mas ainda faltou muito! Se você tiver mais tempo que nós, pode incluir alguns destinos na sua viagem. Além disso, existe também a sazonalidade que pode deixar a sua visita ainda mais especial se estiver por lá no frio ou no calor.

Minha lista aqui embaixo está longe de considerar realmente todas as possibilidades; afinal é um país e é impossível conhecer tudo. Mas vou deixar aqui alguns lugares que cogitamos ir e outros que talvez faríamos em uma próxima visita.

Nara

Nara faz parte do ‘roteiro básico’ do Japão. Mas tendo apenas aproximadamente 15 dias e escolhendo conhecer três parques de diversão, acabamos optando por não visitar a cidade dos cervos dessa vez. Vai ficar para uma próxima até porque eu gostaria muito de conhecer o templo que existe na cidade e, claro, ter a experiência de alimentar os bichinhos.

Você pode visitar Nara saindo de Osaka ou de Kyoto e, geralmente, um bate-volta resolve.

Ilha de Miyajima

Em uma próxima vez, eu gostaria de pernoitar uma noite em Hiroshima ou na própria Ilha de Miyajima. A ilha está localizada a apenas 10 minutos de balsa do continente – e a uma hora da estação de trem de Hiroshima – e é uma das áreas mais visitadas da província. Com apenas 2 mil pessoas morando ali, a ilha possui monumentos que são Patrimônios da Humanidade da UNESCO como o portal flutuante e o Santuário Xintoísta Itsukushima. Além disso, é possível observar os cervos fofinhos andando por ali como se não houvesse um amanhã, visitar outros santuários e templos e usar um teleférico para subir até o Monte Misen e apreciar toda a vista da região.

Museus de Tóquio

“Todos esses dias em Tóquio não são ainda o suficiente?”, você deve estar se perguntando. E eu respondo com tranquilidade: não, não são. Acabamos por não priorizar a visita aos museus que, para mim, seriam super interessantes. Eles contam a história do país e reúnem um acervo de arte oriental que não estamos habituados a ver – já que moramos do lado de cá do planeta.

E como a gente aqui é chegado em um museu, sim, gostaria de conhecê-los e vai ficar para uma próxima. No entanto, deixo aqui para você considerar alguns que achei interessante (tem muito mais) e, se puder/quiser visitar:

  • Museu Nacional de Tóquio – o maior e mais antigo museu de todo Japão. É formado por 5 edifícios onde são exibidas peças asiáticas.
  • Museu Edo-Tokyo – relembra a história de Tóquio desde o final do século XVI até sua revolução industrial.
  • Museu Shitamachi – museu com reconstruções de casas e negócios da época de Meiji.


E é CLARO que vamos ter posts individuais de cada um dos destinos por onde passamos nessa nossa viagem pelo Japão. Não dá para não ter, né? Então fique ligado aqui e nas nossas redes sociais que aos poucos vamos escrevendo e publicando matérias sobre essa que, até hoje, foi uma das melhores viagens das nossas vidas (falando no plural porque o marido Bruno concorda).

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