1 dia em Nice na França: o que fazer na Riviera Francesa?

Nice is nice. A camiseta com frase de gosto duvidoso que vimos vendendo em Nice, no sul da França, quando a visitamos, não mente: Nice is really nice. E a gente amou conhecer essa cidade grande, com ares de interior – pelo menos o centro histórico – no sul da França. Referência e porta de entrada e saída para a famosa Costa Azul, ou Riviera Francesa, Nice é a quinta maior cidade da França e hoje vamos contar para você o que fazer em 1 dia por lá.

Mas só um dia? Eu explico. Na real foram mais dias dormindo lá, já que a cidade foi a nossa base pelos quatro dias que passamos na Riviera Francesa (texto com o roteiro completo aqui), mas para conhecer mesmo a cidade infelizmente só tivemos um dia. Deu? Deu. Mas também dava para aproveitar mais se tivéssemos mais tempo – um clássico dos roteiros de viagem né? Hahaha.


História de Nice

Bora começar do começo. E esse começo remonta há milhares de anos, mas será resumido – juro. A região onde hoje é Nice tem vestígios da ocupação humana desde a Idade da Pedra e durante a antiguidade, um monte de gente já passou por ali. Desde gregos, romanos e mais tarde, italianos, a cidade passou por inúmeras transformações mas sempre explorando o seu potencial portuário e também sua localização super estratégica no meio de onde hoje é a Itália e a França.

No século XIX Nice se desenvolveu bastante, e acabou se tornando destino turístico de ingleses e franceses, atraindo escritores, artistas e membros da alta sociedade que viam a cidade até mesmo como um destino de inverno. Mas foi só em 1860 que Nice foi anexada à França, em um plebiscito cheio de controvérsias – há quem diga que a população na real não queria a anexação à França, já que se identificava mais com a Itália e falava italiano.


Como chegar à Nice na Riviera Francesa?

Nós chegamos de carro, mas Nice é democrática. Afinal, é ali que está o principal aeroporto da região, o Nice-Côte d’Azur, porta de entrada para a Riviera Francesa, que recebe voos diretos de várias cidades de toda a Europa.

Já se quiser fazer como nós e quiser dirigir até Nice, há uma boa rede de rodovias que interligam o sul da França ao resto do país e também a outros estados, como a Itália, de onde viemos. A principal autoestrada que liga Nice se chama A8 – conhecida como La Provençale.

Além disso é possível também chegar de trem. Sua estação ferroviária principal, a Gare de Nice-Ville, é conectada a outras cidades francesas e também europeias. Ali é parada inclusive de trens de alta velocidade que chegam ali vindo de Paris e de outras cidades importantes como Lyon.

E por fim, outra opção é chegar à cidade de ônibus, um modo econômico – mas não tão rápido – de viajar pelas cidades europeias ou mesmo dentro da França. Há algumas empresas que fazem a rota e passam ou vão para Nice, e você pode optar por esse tipo de viagem se quiser economizar.


Onde se hospedar em Nice?

Deixa eu te contar uma coisinha: a gente não ficou super bem localizado, para os padrões, em Nice. Ficamos em um hotel do lado do aeroporto – confortável e atendeu muito bem as nossas necessidades, mas não era uma localização boa para visitar Nice.

Por outro lado, foi muito fácil chegar à cidade. Eles têm uma espécie de tram/metrô de superfície que nos levou rapidamente para o centro de Nice. E além disso, o hotel tinha estacionamento – estávamos de carro, lembra? – E também era ótimo para entrar e sair com facilidade da cidade sem pegar trânsito, e com isso pudemos explorar facilmente as cidadezinhas da Riviera Francesa que visitamos nessa viagem.

Resumo nada resumido: o hotel deve atender a sua viagem e as suas necessidades. Parece óbvio, mas não é. Muitas vezes as pessoas criam expectativas de estarem bem localizadas no centro da cidade, o que para nós não seria viável já que muitos centros históricos europeus impedem, ou dificultam, a circulação de carros. Sem contar o trânsito. Ou seja, o que pode ser uma boa localização para você, não necessariamente é para a minha viagem, e assim por diante.

Além de levar em conta considerações como custo, necessidades especiais, preferências de conforto, e muito mais. Dito tudo isso, claro que temos algumas sugestões de locais que você pode concentrar a sua busca por hospedagem, levando em consideração o que já comentamos aqui sobre.

Você pode procurar os seguintes locais para se hospedar em Nice:

  • Vieux Nice – Cidade Velha – claro que ia estar aqui. Nada como ficar bem localizado e no centrinho histórico vivendo a atmosfera da cidade cheia de turistas e locais. Além de, claro, ter tudo muito perto e acessível a pé.
  • Promenade des Anglais – falaremos dela aqui embaixo, mas é uma avenida bem famosa e beira-mar. Perfeita para os dias de verão – e até de inverno, dependendo de quando você visitar Nice. Tem fácil acesso tanto à praia quanto ao centro histórico.
  • Carre d’Or – fica perto da Promenade des Anglais e pode ser uma opção. Os hotéis aqui são mais refinados, é ótimo para quem busca uma estadia mais exclusiva.
  • Estação Central de Nice – aqui para quem chega com malas grandes e vem de trem pode ser uma ótima ideia. Geralmente os hotéis mais econômicos ficam próximo às estações de trem. Pode ser uma boa opção também caso você vá usar o transporte público para visitar outras cidades da região.
  • Port Lympia – área do porto de Nice. Outra possibilidade mais pertinho do mar para você desfrutar de belas vistas e relativamente perto do centro da cidade.

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Roteiro de 1 dia em Nice

Vamos então, e finalmente, começar a falar do nosso roteiro. Como contei para você ali em cima, ficamos quatro dias na região mas tínhamos apenas um período para Nice já que nos outros visitaríamos as cidades da região.

Saímos de Milão bem cedo e chegamos em Nice no finzinho da manhã. Deixamos as coisas no hotel e pegamos um tram até o centro da cidade. Foi relativamente fácil essa parte já que havia uma máquina para a compra dos bilhetes na parada do tram. Como a ideia era otimizar o nosso tempo, fomos direto para a:

Vieux Nice

E a Vieux Nice é, em outras palavras, o bairro antigo da cidade. E a primeira impressão – e segunda, e terceira… – é que tínhamos chegado em uma vila na Itália. Se ninguém abrisse a boca e de lá saísse francês, oui, a impressão se manteria porque a arquitetura lembra demais os centrinhos históricos de algumas cidades que visitamos na terra da bota.

E essa impressão faz todo o sentido já que como contamos ali em cima, Nice tem uma relação histórica importante com a Itália e seu centro histórico remonta, principalmente, à época medieval. Então se prepare para encontrar fachadas coloridas, varandas de ferro forjada, vielas charmosas de paralelepípedos e uma atmosfera animada e charmosa.

Também em Vieux Nice que você vai encontrar uma boa variedade de lojas, cafés e restaurantes. E foi na busca dessa última categoria que nós chegamos ao centrinho. Para não perdermos muito tempo, nos arriscamos em uns quitutes locais e experimentamos a Socca que é uma das especialidades culinárias por ali. É feita com farinha de grão de bico e vale experimentar.

Daí seguimos caminhando pela centrinho da cidade e conhecemos o mercado de alimentos chamado Cours Saleya, repleto de frutas, legumes, flores e especiarias.

De lá, nossa próxima parada foi a Catedral de Nice, chamada de Catedral de Sainte-Réparate. É uma igreja barroca do século XVII e vale muito passar para vê-la também por dentro, repleta de afrescos.

E como já havíamos “almoçado”, e sempre sobra espaço para um docinho, no calor de julho optamos por um bello gelato italiano. Pois sim. Já contei para você que a cidade tem um passado italiano, então fomos direto para a Azzurro, uma gelateria na Praça Rossetti que foi bem recomendada nos roteiros que lemos. A gente não achou nada demais, mas fica a dica caso você também queira experimentar um gelato italiano.

Colina do Castelo

Nos dirigimos, então, para a Colina do Castelo e ali pudemos ter uma das melhores vistas de Nice. Admirada do alto, a cidade é ainda mais bonita, com o mar azul turquesa ao fundo e com panoramas de tirar o fôlego. Em resumo, a Colina do Castelo é quase um tem-que-ir na nossa opinião, principalmente se você estiver em um dia claro e com o céu limpído.

Bom, se chama Colina do Castelo porque, claro, houve um castelo usado para fins militares por ali. Hoje em dia são só ruínas, mas podemos visitá-las de qualquer maneira em uma espécie de parque aberto ao público e gratuito.

O local foi erguido em cima de uma colina, então você pode caminhar por ali e ter uma vista muito bonita tanto do porto de Nice quanto da cidade. Muita gente prefere ir para lá na hora do por do sol, e deve mesmo ser lindo – mas lembre-se que o por do sol, no verão, pode acontecer lá para as 21h ou até depois hahahah, então também lembre-se de conferir o horário de fechamento do parque para não sair de lá frustrado, ok?

Para subir, você pode fazer como nós e optar pelo elevador – fica pertinho da baía, no fim da Promenade, ou pela escadaria. Ambos levam ao mesmo lugar e depende unicamente da sua escolha – e do seu físico hahaha. A gente subiu de elevador e desceu de escada, e não nos arrependemos.

E o que fazer lá em cima? Bom, além da vista, você pode também dar uma olhadinha nas antigas ruínas do castelo – existem placas informativas que mostram como era tudo ali – e também conhecer uma cachoeira bem bonita que pode ser vista tanto de cima quanto debaixo.

Promenade des Anglais

Um dos checks que demos por ali foi visitar a Promenade des Anglais, uma orla do mar chamada dessa forma porque antigamente a cidade era “invadida” por ingleses nos meses de inverno. São sete quilômetros de extensão e a ideia é passear por ali com calma mesmo. Ela liga o aeroporto de Nice ao nosso próximo ponto turístico aqui embaixo, então se você seguir direto por ela (com o mar à sua direita), chegará à Colina do Castelo (La colline du Château).

Os pontos de atenção na Promenade des Anglais são o famosíssimo Hotel Negresco, que fica na altura da cidade velha, e também o Jardin Albert 1er, um dos mais antigos parques de Nice.

Catedral Ortodoxa Russa de Nice

Dos problemas da falta de tempo em uma viagem tem esse aqui também: quando chegamos para conhecer a belíssima Catedral Ortodoxa Russa de NIce, a mesma já estava fechada. Aliás, conseguimos acessar os seus jardins mas acabamos não conseguindo conhecer a igreja por dentro. Uma pena, mas também, um motivo para voltar, né?

Bom, o local é também conhecido como Catedral Saint-Nicolas e já por fora deu para ver que é linda. Tem uma arquitetura ortodoxa russa, com suas cúpulas em forma de bulbo e detalhes decorativos ornamentados. Ela começou a ser construída em 1903 e quem conseguir entrar, hahaha, vai ver afrescos, vitrais e mosaicos únicos. A principal homenagem da catedral é o São Nicolau, padroeiro da igreja.

Place Massena

Chegamos à Place Massena, um dos principais pontos turísticos de Nice, quase a noitinha – como dá para ver nas fotos. Fomos jantar antes, e quando chegamos já estava escurecendo. Ainda assim, fizemos questão de ir até a referência do centro da cidade, cheio de lojas, restaurantes, bares e cafés.

A praça é mega movimentada e, reparamos, não só pelos turistas. Afinal, é também nessa praça que acontecem eventos importantes para Nice, como o Carnaval que é super famoso por ali.

Depois de você se impressionar com o tamanho da praça, é enorme, a primeira coisa para ver ali são os prédios que rodeiam a praça. Pintados de vermelho, com as janelinhas azuis. Repare também na arquitetura que mistura o neoclássico com o barroco e o art déco, com suas varandas de ferro forjado e cores vibrantes. O projeto é do século XIX, do arquiteto italiano Joseph Vernier.

Caminhando por ali também é impossível não notar a fonte no meio da praça, de Apolo e suas nove musas. Foi especial visitar a praça a noite porque existe toda uma iluminação que vai mudando de cor.

Por fim, a Place Massena é um ponto de encontro de importantes avenidas da cidade. Pode ser um ponto de partida – ou de finalização, como foi o nosso caso – da exploração do centrinho histórico de Nice. Dali você também pode acessar facilmente outras praças como a Place du Palais de Justice e a Place Garibaldi.

Nice na Riviera Francesa
Nice na Riviera Francesa


O que mais temos para fazer em Nice?

Tem mais tempo em Nice? Então já sabe. A gente dá também algumas alternativas para você explorar mais a cidade e aproveitar os seus dias em uma das principais cidades da Côte d’Azur

Museus: Matisse e Museu de Arte Moderna e Contemporânea

São dois museus presentes no centro histórico de Nice: o Matisse, que é dedicado à sobras do pintor Henri Matisse, e o Museu de Arte Moderna e Contemporânea (MAMAC), com uma variedade de exposições de arte moderna e contemporânea, incluindo artistas como Andy Warhol e Yves Klein.

Mercado das Flores

O Mercado de Flores é também uma bela opção de passeio em Nice. Por ali você vai encontrar uma variedade de flores e plantas, mas não só. Frutas, legumes, queijos, azeitonas. Tudo para que você possa se sentir no clima de uma cidade francesa e aproveitar da variedade e qualidade dos produtos locais.

Aproveitar a gastronomia local

Além da Socca, que citamos ali em cima, não tivemos muito tempo de explorar a gastronomia local. Sendo uma cidade antiga, Nice tem uma cultura e gastronomia que merecem ser conhecidas. Se você tem mais tempo que nós, deixo aqui como sugestão alguns outros quitutes que você pode explorar.

A dica é buscar nomes no cardápio “niçois” ou variações disso. Por exemplo: “Farcis Niçois” são vegetais recheados, e também os Daube Niçoise, são ensopados de carne. A “salade niçoise” é uma mistura de vários ingredientes que passam por azeitonas, ovos, atum, tomate e hortaliças e vegetais. Existe também uma variação da Socca, que é o Panisse, feito com farinha de grão de bico, mas frita.


Bônus: restaurante all you can eat de mariscos em Nice

Essa dica é tão boa que eu estou sentindo até um ciúmes em compartilhar hahahaha. Mentira, mas com um fundinho de verdade. A real é que esse restaurante é para quem gosta de mariscos, frutos do mar. Se você não gosta, infelizmente esse tópico não é para você.

Estávamos um belo dia voltando para o hotel depois de passear por algumas cidadezinhas da Riviera Francesa, e eis que me deparo com esse restaurante, chamado – atenção – Le Festival de la Moule. Pedi para o Bruno parar o carro e nos dirigimos imediatamente ali. Pegamos fila, sim fila, e quando entramos, era isso mesmo: um all you can eat – tudo que você puder comer – de mariscos por 16€ na época (!!!).

A única consideração que eu preciso fazer é que quase ninguém ali nos atendeu em inglês já que era, claramente, um restaurante bem frequentado e principalmente por locais. Mas um garçom salvou a nossa vida e foi paciente em nos explicar que poderíamos escolher qualquer sabor de molho, um por vez, e conforme íamos acabando o sabor escolhido, ele vinha perguntar qual era o próximo que gostaríamos.

Os mariscos são servidos em panelinhas super fofas, e você vai jogando fora a casca. O nosso garçom-amigo nos indicou inclusive um sabor feito com queijos e um outro só de molho vermelho, de tomate. Foi incrível. A gente sonha em voltar a Nice – também e não só – para ir novamente a esse restaurante hahahah.


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