Santuário do Caraça: um patrimônio e uma maravilha em Minas Gerais

Entre os municípios de Catas Altas e Santa Bárbara, em Minas Gerais, está o Santuário do Caraça, um Patrimônio Cultural do Brasil e uma das 7 Maravilhas da Estrada Real. Já ouviu falar dele? Trata-se de um complexo de riquíssima diversidade de fauna e flora com mais de 12.500 hectares de Mata Atlântica, Campos Rupestres e Cerrado. Além de ser um centro de espiritualidade e de missão, já que pertence à Província Brasileira da Congregação da Missão, uma instituição católica, ele é também um empreendimento turístico com pousada, restaurante, lanchonete e loja. Isso sem contar seu propósito educacional, cultural e de preservação ambiental. Não è a toa que o lugar recebe uma média de 70 mil visitantes por ano.

Santuário do Caraça (PBCM/Divulgação)

Existem duas hipóteses para o nome do santuário e as duas são relacionadas à Serra do Espinhaço. Na primeira delas, Caraça (“cara grande”) seria o formato de um rosto humano em uma das rochas. A outra seria um desfiladeiro que tem por ali. Caraça, em tupi-guarani, significa exatamente isso: desfiladeiro ou bocaina.

História e o núcleo histórico

A história do Santuário do Caraça se inicia em 1770, quando o Irmão Lourenço de Nossa Senhora iniciou a construção de uma hospedaria para acolher peregrinos e uma capela de estilo barroco dedicada à Nossa Senhora Mãe dos Homens. Com o passar dos anos, o lugar transformou-se em colégio e seminário. Hoje é possível visitar vestígios no Núcleo Histórico do lugar, que é composto pelas suas ruínas; pela primeira igreja neogótica do Brasil – construída sem mão de obra escrava e com materiais da região como pedra-sabão, mármore e quartzito; e pelo Museu (do Colégio, Sacro e Pinacoteca), Biblioteca e Arquivo. Vale ressaltar ainda – porque é sempre bom saber! – que o santuário conta com um Centro de Convenções para Eventos também.

Diversidade ambiental

Em seus 12.500 hectares, o Santuário do Caraça conta com 386 espécies de aves, 42 espécies de répteis, 12 espécies de peixes e 76 espécies de mamíferos. Isso porque faz parte de duas importantes reservas ecológicas, as Reservas da Biosfera da Serra do Espinhaço Sul e a da Mata Atlântica. Em suas serras há nascentes, ribeirões e lagos que possuem águas de coloração escura, que carreiam material orgânico em suspensão. Vale ressaltar ainda que seu solo é rico em minérios, que foram explorados nos séculos anteriores, e com grande concentração de quartzito ou rocha metamórfica. Desde 2011, passou a ser preservado contra exploração comercial.

Mas, o que mais fazer no Santuário do Caraça?

Além do Núcleo Histórico do Santuário do Caraça, existem atrativos naturais espalhadas pela propriedade, como rios, cachoeiras e piscinas naturais. Algumas dessas atrações estão a uma trilha e caminha de distância, outras exigem acompanhamento de guias experientes. Tudo vai depender do ânimo e disponibilidade de cada viajante.



A hora do lobo

É uma das principais atrações do Santuário do Caraça. A Hora do Lobo é uma tradição – que acontece desde 1982 – de aguardar a visita dos animais todos os dias à noite. Reza a lenda que em maio daquele ano algumas lixeiras começaram a aparecer derrubadas e reviradas. Em um primeiro momento pensou-se que poderiam ser cachorros. Mas, na verdade, eram lobos-guarás que, em tupi-guarani, significa “vermelho”.

Desde então, começaram a colocar bandejas de carne nos dois portões da frente da casa e aos poucos os lobos-guarás se aproximaram. Hoje, o alimento é deixado no adro da igreja. E além deles, já apareceram para comer cachorros-do-mato e uma anta. Vale ressaltar que a prática de alimentar esses animais ali na Casa só persiste até os dias atuais porque o seu hábito de caça não foi comprometido. Por este motivo o lobo-guará não tem hora de aparecer. O tempo de espera da aparição do animal é conhecido como “hora do lobo”, a partir das 18h30. Enquanto ele não vem, o Santuário do Caraça proporciona aos hóspedes um tempo da informação e educação ambiental.

rios, cachoeiras e piscinas naturais

Procurando um lugar para se refrescar? Ou lavar a alma? Existem opções para todos os tipos de viajantes no santuário. A Cascatinha, por exemplo, é formada por quatro quedas d’água e quatro piscinas naturais, das quais duas são permitidas para banho. Localiza-se a 2 km do Santuário do Caraça, por uma trilha de fácil acesso. Medindo 40m, suas águas puras nascem acima das quedas, de onde vêm saltando pela encosta e pelas pedras. Já a Cascatona é para quem se anima a percorrer distâncias maiores. Ela está localizada a 6 km, por uma trilha consideravelmente fechada pelas árvores, íngreme e acidentada. Além do banho de água gelada, é possível ter lá uma visão panorâmica da região no mirante chamado Oratório.

A Piscina do Caraça está num pequeno descampado, localizado a menos de 2 km do Centro Histórico. É rústica, sem ladrilhos e com água corrente. E a Prainha, como o próprio nome já diz, é uma pequena praia em que o Ribeirão Caraça passa tranquilamente, com suas margens embelezadas por finíssima areia. Já o Banho do Imperador era o local onde, no tempo do Colégio, os meninos tomavam seu banho semanal. Há relatos que Sua Majestade Dom Pedro II, o próprio Imperador, também tomou banho ali. Daí o nome.

Vale lembrar que algumas dessas atrações podem ser fechadas em períodos chuvosos por questões de segurança. E todas os atrativos naturais podem ser encontrados no site.

Gastronomia

Não se pode falar de Minas Gerais e esquecer da Gastronomia, não é? E no Santuário do Caraça, não poderia ser diferente. Além da experiência de comer no refeitório histórico, com toda a simplicidade e variedade de sabores da comida mineira, há uma adega no local onde dá para ver o processo de produção do vinho tinto, do hidromel e dos fermentados de laranja, jabuticaba e morango. Há também a padaria, que fabrica pães, bolos e biscoitos, e a doçaria, para doces, geleias e compotas. O queijo minas artesanal, cujo processo de fabricação existe há mais de 200 anos, é uma das delícias mais procuradas no Santuário e é matéria prima de vários pratos da região em concursos e festivais gastronômicos.


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