Dicas e Roteiro de Split e do Palácio de Diocleciano, na Croácia

Contamos lá no primeiro post da Croácia que a nossa ideia inicial era ir até os Lagos Plitvice, depois para Zadar e já voltar para Zagreb. Já que o foco da viagem foi passar 15 dias no País antes de ir para Itália fazer o processo de reconhecimento da cidadania italiana e nosso ônibus sairia de Zagreb, não quisemos nos afastar muito da capital. Mas quando soubemos que em Split, há cerca de uma hora e meia de Zadar, havia um dos mais bem conservados palácios romanos, não tivemos dúvidas: pelo menos um bate-volta essa cidade merecia.

E deu no que deu, nos programamos com a previsão do tempo para um dia de sol e levantamos cedinho para pegar a estrada rumo a Split. Em cerca de duas horas chegamos na cidade velha, deixamos o carro em um estacionamento público, e andamos o dia tooooooodo para, no fim da tarde, pegarmos a estrada de volta e, em uma hora e meia, chegar em Zadar para dormirmos. O relato dessa aventura de um dia, os pontos turísticos que visitamos e algumas curiosidades você vê aqui embaixo.

Como chegar em Split

Split pode ser acessada de carro, como nós fizemos, e também de trem, ônibus, avião e barco. Inclusive se você for direto para a cidade de avião, há vários voos diretos de outros países da Europa. Já estrada entre Zadar e Split foi bem tranquila na ida e na volta, pagamos o equivalente a 56 kunas, ou pouco menos de 8 euros.

História de Split

Com 17 séculos de história, Split surge quando o imperador romano Diocleciano decide construir um palácio nessa região, desejando passar ali seus últimos anos de vida. Ao andar pela cidade murada você se sente entrando em um túnel do tempo e voltando exatamente para essa época. O palácio é surpreendentemente muito bem conservado e foi construído por Diocleciano ao longo de dez anos.

Os séculos seguintes a sua construção foram mais turbulentos, transformando essa vila em uma cidade – que cresceu ao longo do palácio, se tornando o que hoje é a segunda maior cidade do País. Split passou pela administração húngara, veneziana, de governantes franceses e da monarquia austro-húngara. Na chamada idade moderna, a cidade – pertencente ao reino da Iugoslávia – foi ocupada por italianos durante a Segunda Guerra Mundial, se tornando o centro da resistência antifacista.

A preservação do Palácio Diocleciano é impressionante

Em 1979, o Palácio de Diocleciano e todo o núcleo histórico de Split entram para a lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. Núcleo esse que vibra como uma cidade grande em cada vielinha que percorremos de Split, com seus restaurantes, casas, lojas de souvenirs e bares, ao desbravarmos e conhecermos rapidamente essa cidade única.

Um dia em Split

O nosso dia foi corrido, passou muito rápido, mas mesmo assim já deu para sentir um pouco de como é o centro histórico desse lugar e conhecer muita coisa (veja abaixo). Assim como em qualquer lugar que visitamos na Croácia, os cafés têm seu espaço reservado na vida dos locais, que sentam na Riva (beira-mar) e admiram o vai e vem enquanto conversam sobre a vida.

Bem que gostaríamos de ter mais tempo para aproveitar esses cafés únicos mas, como só tínhamos um dia e estava corrido, o jeito foi deixar esse café para o finzinho da tarde, antes de pegar estrada para voltar para Zadar.

Dizem que por lá os moradores por lá têm um ditado, algo como: “não há lugar como Split“. E pensando bem, eu concordo. Quer saber porquê? Então vamos ver as atrações da cidade abaixo.

Roteiro: O que fazer em Split

Acredito que para quem tinha apenas um dia, demos conta de visitarmos muitas atrações de Split. Lembrando que a cidade estava bem vazia no dia que fomos, em um outono (que também já é mais vazio), portanto não pegamos nenhuma fila para visitar os lugares. Também não fizemos os passeios para as ilhas da Croácia, que devem ser incríveis – mas estávamos no outono, hahaha. Então essa parte da visita ficará para outra viagem à Croácia.

As informações abaixo foram retiradas do site Visit Split (confira tudo aqui).

Palácio de Diocleciano

Começando, claro, por ele. Entrando na área da cidade antiga, já estamos dentro dele, então não há como não achá-lo, hahahaha. E também não há como passar despercebida o nível de preservação daquele lugar.

Um dos monumentos da arquitetura romana mais bem preservados do mundo, o Palácio de Diocleciano foi construído pelo imperador para ser uma vila e um acampamento militar romano, divididos em quatro partes com duas ruas principais. O palácio é um edifício retangular com quatro torres nos cantos e quatro portas, em cada um dos lados. A parte sul do palácio era o apartamento de Diocleciano, destinado às cerimônias religiosas. Enquanto a parte norte era para a guarda imperial.

Muita coisa mudou desde então e os edifícios internos foram sendo adaptados de acordo com as necessidades dos moradores de Split. Mas boa parte da estrutura e aparência original dos contornos do palácio ainda são visíveis.

Peristilo

Uma das partes mais impressionante para nós foi o pátio em frente à Catedral de São Domnius, também chamado de Peristilo. Por sorte, ao entrarmos despretenciosamente pelo Silver Gate, demos de cara com esse lugar mara.

Por ali, você pode comprar os ingressos para acessar a catedral, a cripta, o Templo de Júpiter e o museu; encontrar a entrada de cada um desses lugares, e também acessar o Vestíbulo, que fica logo atrás.

É também nesse local que está localizado o café Luxor, onde o pessoal é servido sentado nas “beiradas” desse pátio, enquanto ficam observando o movimento e fazendo valer a tradição croata de um belo café.

Catedral de São Domnius

Quando nós pesquisamos sobre Split, a ouvimos falar muito dessa catedral e do que ela representa. Conhecido por perseguir cristãos, Diocleciano construiu um mausoléu para ser enterrado nesse prédio, em 205. É uma das estruturas mais antigas da Europa, que passou a ser utilizada mais tarde, no século 7, – veja só vocês – pela igreja católica, se transformando em uma catedral cristã – parece que o jogo virou, não é mesmo?

Construída no formato de um octógono, o mausoléo é formado por 24 colunas. No meio dela ficava o sarcófago de Diocleciano, que foi destruído mais tarde. Máscaras, cabeças humanas, medalhões e outros adereços se destacam na decoração da catedral. Arqueólogos reconheceram em dois deles os retratos do imperador Diocleciano e sua esposa Prisca que, de alguma forma, continuaram por ali.

A visita à catedral é rápida mas é muito interessante. Ela está localizada próxima a um dos portões da cidade – coincidentemente o portão pelo qual nós entramos. Foi legal ver também como ela, até hoje, é utilizada pois, no mesmo dia, presenciamos dois casamentos diferentes que ocorreram por ali (um de manhãzinha e o outro no fim da tarde).

Torre do sino da catedral

São 57 metros que nos separam da entrada da catedral, lá embaixo, até o topo da torre do sino da catedral. Para quem gosta de vistas panorâmicas, essa subida é uma boa pedida. Os primeiros degraus são os mais desafiadores, por serem muito altos e feitos em pedra. Mas depois a subida fica mais tranquila, com uma estrutura de ferro que, apesar de alto, me pareceu mais segura e menos cansativa, hahahaha.

Chegando lá em cima a gente consegue ver boa parte da cidade murada, além da vista para o mar, que é linda. Minha sugestão é tirar um tempo para – descansar da subida – apreciar a vista de todos os seus ângulos. A torre do sino da catedral é considerada a arquitetura medieval mais original da Dalmácia, construída no século XIII. Já no século XX, ela foi totalmente reconstruída.

Cripta e Templo de Júpiter

Com o mesmo ingresso, visitamos a catedral, a cripta e o Templo de Júpiter, ou o batistério, e um museu (que tem muitos objetos encontrados por Split ao longo dos anos). Localizada abaixo da catedral, a cripta possui o mesmo formato da igreja acima, com uma temperatura mais amena e uma fonte. Não se sabe ao certo para que era utilizada.

Já o Templo de Júpiter não tem nada lá dentro, kkkkk. Vale a visita rápida para ver a arquitetura. Guardado por uma esfinge e com uma entrada bem decorada, por dentro ele recebeu o nome de batistério de João Batista (só na idade média). O teto é bem preservado e há uma estátua de São João – trabalho do artista croata Ivan Meštrović, que também fez a estátua de Gregório de Nin (falo dela depois aqui embaixo).

Vestíbulo

Em formato circular ao fundo, e do lado de fora retangular, é ali que a corte imperial se reunia. É uma área de acesso gratuito, quase ao lado da catedral, que rende fotos bem legais. O Vestíbulo era usado para entrar na parte residencial do palácio romano, Manuscritos do século 16 contam que essa área possuía uma grande cúpula com mosaico cintilante colorido e as paredes redondas eram brancas.

Silver Gate

Começando a falar dos portões da cidade murada por ele, o Silver Gate, porque foi o primeiro portão que visitamos, já chegando no centro histórico de Split. Estacionamos o carro e antes de chegar à Riva, viramos à direita e seguimos pela muralha por fora, até entrar pela Porta orientalis (seu nome romano) ou Silver Gate.

Foi uma boa escolha porque ali já conseguimos acessar o Perestilo e toda a estrutura da catedral. Era por ali que, na época do império, as pessoas entravam no palácio do leste sentido oeste, pela rua principal chamada decumanus, até chegar à Pjaca, praça central da cidade.

O Silver Gate, ou Portão de Prata, é mais simples do que o de Ouro. Ele foi fechado na época da Idade Média, até 1952, quando foi reconstruído. Mas o legal é imaginar que o pavimento, por exemplo, é o mesmo desde a época que os súditos de Diocleciano entravam por ali.

Iron Gate

O lado contrário do orientalis é a Porta Occidentalis, ou Iron Gate. E nesses 17 séculos de história de Split, esse portão foi um dos que mais testemunhou as principais mudanças pelas quais Split passou.

Os sinos do relógio renascentista ainda estão por lá, mas aos poucos ele foi ganhando mudanças, como no século XI, em que uma pequena igreja de Nossa Senhora do Campanário foi construída acima da porta. É aqui também que está o relógio da cidade, que ao invés de 12 dígitos, possui 24.

Pjaca – Praça do Povo

Essa foi a primeira parte habitada por fora do Palácio Diocleciano, encostada na parte oeste. Foi citada pela primeira vez no século 13 e desde então, por muito tempo, foi um palco central da vida na cidade. Passamos por ali várias vezes durante o dia e pelo que pudemos perceber, muita gente aproveita para sentar e observar o ir e vir da galera enquanto degusta um bom café em um dos estabelecimentos que existem nessa região.

Ah, e foi por ali também que aproveitamos para comer – após a viagem de Zadar, estávamos com fome – então fizemos uma mini-pausa para comer a lá os croatas, que é pegar e sair andando, hahahaha.

Brass Gate

A porta meridionalis, no nome romano, é a porta ‘mais do povo’, tanto que é a de latão, hahahaha. É mais simples que os demais e sua função também era diferente, garantia a possibilidade de fuga pelo mar caso houvesse um ataque ao palácio pelo continente. Além disso, são quase dois milênios de resistência a água que deixaram as portas como elas são (apenas com um restauro parcial).

Hoje é a principal porta dos turistas que querem entrar na cidade murada pela Riva (e que não fazem o caminho que nós fizemos, para entrar pelo Silver Gate). É também a porta mais próxima da entrada dos subterrâneos do Palácio de Diocleciano.

Riva

Já se você está chegando pela orla do mar, você provavelmente está na Riva da cidade antiga. Assim como em Zadar, é por aqui que os barcos chegam e têm sua primeira vista da cidade histórica de Split.

Quase uma ‘sala de estar’ da cidade, é por aqui que os turistas são recepcionados, se tornando o lugar público mais popular e importante de Split. É aqui que estão os cafés que mencionei lá em cima e por ela você pode acessar a fachada sul do Palácio de Diocleciano, e entrar pela porta de latão (Brass Gate), acessando os subterrâneos do palácio.

O local ganhou a aparência atual a cerca de dois séculos atrás, quando estava sob o domínio dos franceses de Napoleão. Hoje virou quase que um calçadão a beira-mar, cheio de eventos culturais – inclusive no dia que fomos estava rolando um.

O letreiro de Split está na Riva

(Ah e aqui também tem sinal Wi-Fi caso você esteja procurando uma conexão com o mundo! Aproveita e já segue a gente no Instagram do Voyajando em agradecimento por essa dica extra, hahahaha).

Golden Gate

Para mim, a mais bonita de todas as portas da cidade. É chamada de porta septemtrionalis (em seu nome romano). Construída em formato retangular, com portas duplas, a fachada foi decorada com nichos com esculturas. Ao entrar por elas, você poderia seguir diretamente a Salona, como capital da província romana da Dalmácia. Elas só podiam ser usadas pelo imperador e pela sua família.

No século 16, sob influência Veneziana, os portões tiveram seu nome alterado para Porta Aurea, ou Golden Gate; nome que permanece até hoje.

Para encontrá-la, saiba que ela está localizada próxima ao bispo Gregório de Nin (Grgur Ninski) – falei dele aqui mais para baixo – um dos principais pontos turísticos de Split.

Estátua Gregório de Nin

Pertinho da porta Ouro (Porta Aurea) essa estátua é uma daquelas atrações turísticas que vale dar uma passada. Ao norte do palácio Diocleciano, está a enorme e imponente estátua de Gregório de Nin, feita pelo famoso escultor croata Ivan Meštrović. É um dos símbolos de Split e reza a lenda que para voltar à cidade e ter sorte, você deve esfregar o dedão do pé esquerdo da estátua gigante.

Subterrâneos do Palácio de Diocleciano

Entrando pelo Portão de Latão (aquele da Riva) e virando à esquerda – antes das lojinhas de souvenirs que existem por ali – você chega na bilheteria para acessar os Subterrâneos do Palácio Diocleciano. Também podem ser acessadas descendo as escadas do Peristilo. Comecei falando isso porque, acredite ou não, nós demoramos para achar essa entrada kkkkkkk.

Na bilheteria você compra o ingresso (pagamos cerca de 45 kunas) para acessar os subterrâneos dos dois lados. É muito legal porque são gigaaaantes e mega antigos, mas muito bem preservados, que levavam o imperador ao andar de cima – pelas lojinhas você acessa o Peristilo. Segundo os estudiosos, as câmaras eram réplicas idênticas às câmaras que existiam em cima – ou seja, os aposentos do imperador – e só por elas já dá pra perceber que a parte privada do palácio não era nada mal, hahahaa.

Já na época da idade média, algumas famílias se mudaram e passaram a utilizar o palácio como residência transformando esses subterrâneos em valas de lixo que só foram escavados em meados do século 19. Tirando todo aquele lixo de lá, descobriram por meio da escavação todas essas câmaras, que foram abertas ao público para visitação só em 1995.

As subestruturas do Palácio de Diocleciano foram incluídas em 1979 na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Ele, o Diocleciano!

E esse foi o nosso dia por Split. Depois de visitar as subestruturas, já estávamos no meio para o fim da tarde, então aproveitamos para tomar um café na Riva e pegar estrada novamente para Zadar. Aproximadamente uma hora e meia depois de estrada, já estávamos no Airbnb de volta.

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