O que fazer em Coimbra: 1 dia entre histórias, novos e velhos

Coimbra, em Portugal, é muito mais do que sua universidade.

Pronto, esse é o post. É isso que eu vim dizer.

Brincadeirinha – mas não muito, viu?

Isso porque a universidade é hoje a principal atração da cidade – e lotada de turistas na mesma proporção da sua fama. Nesse roteiro de 1 dia na cidade você vai ver, porque o destino quis assim, o que fazer em Coimbra quando passar por esta cidade portuguesa. Seja de bate e volta, ou como ponto de parada de uma road trip pela Terra de Camões, como nós fizemos (e que você pode ler o geral aqui). 

Por que o destino quis assim, Jeanine? Sim. Tudo o que eu queria conhecer dentro da Universidade de Coimbra não estava disponível durante o meu dia na cidade. Eu, que sempre compro todos os meus tickets com antecedência, não o fiz em alguns destinos da nossa viagem de carro por Portugal porque o tempo de deslocamento tem que ser levado em conta, e também porque ninguém quer passar correndo pelas atrações turísticas, né? A gente quer conhecer com calma. Até aqui, tudo certo, grande parte dos ingressos eram por dia, não por horário. Em Coimbra, pertenciam à segunda categoria. Então quando fui comprar, ou já estava esgotado para o dia ou o lugar estava fechado para turismo por conta de ocasiões solenes.

A chegada a Coimbra

Se você não chegou nessa matéria seguindo os nossos destinos da road trip, deixa eu clarificar então que a gente chegou em Coimbra a partir das nossas visitas de Alcobaça e Batalha. A viagem durou um pouco mais de uma hora, e os ares de cidade grande foram dando as caras. Não é cidade grande igual São Paulo, veja bem. Mas depois de Óbidos, teve sim um choque inicial, hahaha.

Você pode chegar em Coimbra a partir de Lisboa ou de Porto. A cidade fica a cerca de duas horas de viagem de carro da primeira e uma hora da segunda – o que possibilita sim, embora eu particularmente não recomende, bate e volta para Coimbra a partir das duas cidades.

  • De Lisboa, é possível chegar de transporte público, mais especificamente de trem (ou comboio, em pt-pt) a partir das estações Lisboa-Oriente e Santa Apolónia. Já de ônibus (ou autocarro), o percurso dura cerca de duas horas e meia.
  • Do Porto, a viagem de trem liga a estação Porto-Campanhã a Coimbra em cerca de 1 hora, e uns vinte minutos a mais que isso de autocarro.

O que fazer em Coimbra?

Você sabia que Coimbra é conhecida como a capital do conhecimento? Pois bem, antigamente a cidade era também, de fato, a capital de Portugal! E há quem diga que ainda é, já que isso nunca foi alterado na constituição. Por isso, entre os séculos XII e XIII, era na cidade que vivia a corte portuguesa, e ela viu nascer reis. 

Essa herança real deixou marcas profundas na arquitetura e na identidade local, visíveis até hoje nas igrejas, mosteiros e muralhas medievais. Lembra que eu falei sobre não ter visto as principais atrações da Universidade de Coimbra? Pois é, e sinceramente, claro que eu gostaria de ter visitado a biblioteca do lugar. No entanto, alternativas à universidade não faltaram. Tem muito o que se fazer por lá.

Até porque a Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo, foi criada apenas em 1290 por D. Dinis. Foi somente a partir daí que a cidade passou a girar em torno da vida acadêmica. Antes disso, muita água rolou embaixo dessa ponte. Sinceramente, aí está o charme de Coimbra. A junção da cidade super antiga com o “sangue novo” dos jovens e estudiosos que iam para a cidade em busca de conhecimento. Até os dias de hoje.

Universidade de Coimbra

E já que já comecei a falar da universidade, vamos fazer isso direito – posso não ter entrado nas suas atrações (ainda!), mas visitei o Paço das Escolas. Foi, na real, o primeiro lugar que fomos logo depois de deixar as nossas malas e o carro na acomodação da vez. Era um sol para cada um de nós – e ficar tanto tempo à céu aberto deixou a gente um tanto quando à flor da pele. Acabei guardando os pontos turísticos do segundo dia com muito mais carinho. Então já tenha isso em mente ao ler este texto, hahaha.

Declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2013, a Universidade de Coimbra parece uma colcha de retalhos, com diferentes prédios – alguns que podem e alguns que não podem ser visitados com finalidade turística. Muitos foram sendo anexados ao complexo no decorrer dos anos. O Paço das Escolas, por exemplo, trata-se da antiga residência real transformada em espaço acadêmico no século XVI.

A Biblioteca Joanina, construída entre 1717 e 1728, e que eu fiquei MUITO triste de não ter conseguido visitar, teve patrocínio de D. João V. O interior, em talha dourada e madeira exótica, é considerado um espetáculo. Ali estão mais de 60 mil volumes do século XVI ao XVIII – incluindo obras raras de direito, filosofia, medicina e teologia. E, como curiosidade, assim como no Palácio de Mafra, pequenos morcegos moram na biblioteca, alimentando-se de insetos e ajudando a preservar os livros antigos.

Quando vi que não conseguiria entrar na Biblioteca Joanina porque ela fecharia no período da tarde para uma cerimônia da universidade, fui ver se conseguiria então visitar a Capela de São Miguel. Mas, também não rolou. Acabei pagando para entrar em tantas igrejas nessa road trip por Portugal que eu nem fiquei tão triste assim de não ter conseguido visitar esta para ser bem sincera. Mas, enfim, se você tiver a oportunidade, o pequeno templo fazia parte da antiga residência real (que já mencionei) e servia como um oratório privado. Foi remodelada diversas vezes ao longo da história de acordo com o estilo arquitetônico vigente na época, como manuelino (século XVI) e barroco (século XVIII).

Sé Nova de Coimbra

A partir de agora, é bom dizer que o roteiro não seguiu uma ordem que faça sentido historicamente. A gente tinha um roteiro, mas acabamos seguindo o que nos era mais conveniente no mapa mesmo – procurando sombra, principalmente. O sol estava acabando com a gente, voyajante, e eu tenho que ser literal assim mesmo para fazer você que me lê entender que qualquer sombra era um alívio instantâneo. Por isso, saímos do Paço das Escolas e fomos conhecer a Sé Nova de Coimbra.

Ela foi construída pelos jesuítas durante o século XVI onde antes era um colégio da Companhia de Jesus. Era ali que preparavam os missionários que seguiam para outras partes do reino, como o Brasil. Um dos nomes de destaque é o Padre Antônio Vieira, que você muito provavelmente estudou nas suas aulas de Português. 

Sé Velha de Coimbra

E se tem Sé Nova, é porque tem ou teve uma Sé Velha, não é mesmo? E, ainda bem que ainda tem! A igreja é um exemplos do estilo românico português e foi construída logo após a conquista cristã da cidade (Reconquista, lembra?), em meados do século XII. Não é à toa que a catedral parece mais uma fortaleza que uma igreja – reflexo dos tempos em que fé e a necessidade de defesa caminhavam lado a lado. Por mais que estranho que isso deve soar. Ou melhor, talvez isso devesse soar mais estranho do que soa. 

A gente chegou nos momentos finais da visita turística, já que no momento da missa, não é permitido entrar para fotos e a visitação ao claustro. Este último você precisa subir uma escadinha, e parece que você é teletransportado para um outro lugar. O claustro é aberto no meio, então é claro, iluminado. A igreja é toda fechada, escura… Interessante o contraste. Mas, obviamente, depois das visitas aos Mosteiros de Alcobaça e Batalha, esse (que é muito mais antigo, é fato) fica no chinelo. O interior e exterior da igreja em si que são, realmente, a cereja do bolo aqui. Afinal, é a única catedral românica portuguesa cuja estrutura se manteve maioritariamente intacta até os dias atuais. Tá bom para você, @?

Perdemo-nos pelas ruazinhas de Coimbra até chegarmos à Igreja de Santa Cruz, onde está enterrado o D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal. Entramos no templo, mas visitar o túmulo seria um bilhete a parte e, sinceramente, tava tudo bem. Em qualquer outro cenário, eu o faria – mas na road trip por Portugal, o que gastamos em bilhetes de atrações turísticas não está calculado. Não quis fazer a conta (mas dei o valor de cada coisa que entramos, então você tem a informação – só não tão mastigada, hahaha). 

O que comemos em Coimbra?

A gente bebeu uns babadinhos antes da janta. Coimbra é uma cidade universitária, então é bem boêmia. Tem muitos barzinhos e restaurantes com preços bem interessantes, viu? Para o jantar, porém, decidimos seguir a indicação do nosso anfitrião do apartamento que alugamos – o seu Antônio. Eu deixei minha avaliação no Booking e na matéria completa da road trip, caso você queira ler. E devo dizer que gostamos muito do restaurante. Não é no centrinho, é mais local do apê mesmo. Chegamos e acabamos pegando uma das últimas mesas disponíveis. 

O restaurante se chama Cantinho dos Reis, e é bem familiar – bom, pelo menos, tinham várias famílias jantando por ali nas mesas ao redor das nossas. Os pratos são super generosos, uma especie de prato feito, sabe? No meu caso, a carne ao molho de vinho veio separada. E o vinho da casa foi uma delicia – e bem servido também. Valeu bastante. 

Já vou aproveitar e incluir aqui a Cafeteria Belo Horizonte, que fomos assim que chegamos em Coimbra, após o check-in. Sim, é uma lanchonete brasileira – foram até buscar cana de açúcar para o Gian e para o Ed porque ficaram ambos emocionados. Eu e minha pressão, infelizmente, tivemos que passar vontade e ficar no açaí.

O café da manhã no dia seguinte foi em uma das muitas padarias ali de Coimbra. Você vai passar super bem. E olha, não teve erro durante toda a viagem, viu? As padarias portuguesas lembram muitos as brasileiras, então a gente foi muito feliz. O que por um lado foi muito bom, mas pelo outro, um problema. Já que não sentíamos fome para o almoço, hahaha

O almoço foi bem simples e rápido em um restaurante próximo do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha. Não deu tempo para foto – mas foi uma salada. Nós três estávamos sentindo saudade de verdinhos e, convenhamos, o calor estava inibindo um pouco o apetite. Ou melhor, trouxe uma certa predileção por pratos frios. 

Mosteiro de Santa Clara-a-Nova

Nossa primeira parada no dia seguinte foi o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, erguido no século XVII para substituir o antigo mosteiro das Clarissas, que sofria com as inundações do rio Mondego. Ou, Mosteiro de Santa Clara-a-Velha – que visitamos mais tarde no mesmo dia. Situado no alto de uma colina, fomos já com o carro para evitar a fadiga (quase escalamos umas escadas indo para a Universidade no dia anterior). O novo convento foi projetado pelo arquiteto João Turriano e abriga até hoje o túmulo da Rainha Santa Isabel, padroeira de Coimbra e símbolo da caridade portuguesa.

O mosteiro é um exemplo do barroco português, com o claustro de grandes proporções e uma igreja de nave única coberta por abóbadas de pedra. A visita não é cara, cerca de €2 por adulto, mas a gente não fez. Simplesmente por questão de tempo mesmo, voyajante, porque eu queria entrar em dois lugares em Coimbra ainda e depois, à tarde, estaríamos já em Aveiro, o próximo destino da nossa viagem de carro por Portugal

E, sinceramente, eu tinha lido que a vista do terraço era o tem-que-ver, já que é considerada uma das mais bonitas da cidade. E a vista do estacionamento é realmente muito bonita. O prédio em si, por fora, estava bem tristonho, mas não posso falar dos interiores.

Depois das votinhos (e um café espresso) ali em cima, pegamos o carro e descemos para as nossas últimas atrações de Coimbra. Ambas bem pertinho uma da outra, então estacionamos na rua mesmo e começamos a andar.

Quinta das Lágrimas

Fiquei com bastante dúvida se iria entrar ou não no lugar. Mas, depois de visitar os túmulos no Mosteiro de Alcobaça, apenas fez sentido. Eu tive que ir. Túmulos, Jeanine? Sim, voyajante. Foi ali que, segundo a lenda, nasceu e terminou o amor entre D. Pedro I e Inês de Castro. Eu contei a história na matéria da road trip, vai lá ver se estiver com curiosidade. É considerada o Romeu e Julieta de Portugal (e real!). O romance proibido terminou com o assassinato de Inês a mando do rei D. Afonso IV, em 1355. Dizem que, das lágrimas derramadas por ela, nasceu a Fonte das Lágrimas – que visitamos dentro da quinta. Há quem diga que ali tinham flores vermelhas que nasceram de seu sangue. Mas esse boato eu não confirmo não porque não tinha flor nenhuma quando chegamos lá.

Hoje, a Quinta é um hotel, mas os jardins (com um campo de golfe) fica aberto para visitas. Tem que comprar ingresso, obviamente. Foi €2,50. E, sinceramente, o lugar é bem bonito – eu não me arrependi de ter entrado não. A caminhada pelo bosque foi também um alívio para o calor.

Mosteiro de Santa Clara-a-Velha

Às margens do Mondego, fica o Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, fundado em 1314 por D. Isabel de Aragão, a mesma Rainha Santa Isabel que seria mais tarde sepultada no convento novo – e que já comentamos na “visita” da manhã. Construído em estilo gótico, o mosteiro passou séculos lutando contra as cheias do rio, até ser totalmente abandonado em 1677. Ver fotos das cheias é muito impressionante – porque mesmo andando pelas ruínas, vê-se a grandeza do lugar. O nível da água era realmente muito alto. 

Hoje, após trabalhos de escavação e revitalização, podemos visitar as as ruínas e compreender (ou tentar) a vida conventual das freiras clarissas na Idade Média. A entrada custou €6 – e, eu amei cada segundo. Bem fotogênico o lugar. E o oposto do fervo do Paço das Escolas, o lugar era só nosso. 


E foi assim que terminamos o nosso passeio pela universitária Coimbra – com votos de um voltar em breve. E quem sabe a próxima matéria aqui do site vai ser, na real, um “não deixe de incluir a Universidade no seu roteiro”, de encontro com tudo o que eu escrevi aqui, hahaha

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