O Palácio Nacional de Mafra é um dos monumentos mais impressionantes de Portugal e fica a apenas 40 km de Lisboa. Erguido no século XVIII por ordem de D. João V, o edifício não é apenas um palácio real: é também convento, basílica, biblioteca e jardim, reunindo num único conjunto a grandiosidade do barroco português. Em 2019, recebeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO, reforçando a sua importância histórica e cultural. E a gente é claro que foi visitar durante a nossa Road Trip por Portugal – que você encontra mais detalhes aqui.
Breve contextualização histórica
A construção do Palácio Nacional de Mafra começou em 1717 muito por conta de uma promessa feita pelo D. João V. Ele jurou-juradinho que ergueria um convento franciscano se tivesse um herdeiro com a sua rainha. Os céus atenderam o pedido e logo eles celebraram o nascimento da primeira filha, Maria Bárbara. E aí, foguete não tem ré, como diria a minha mãe. O que seria um convento modesto foi rapidamente se transformando em algo monumental… Muito por conta das riquezas provenientes do ouro encontrado no Brasil na época.
Sim, voyajante. Sabe aquela história de cadê o ouro do Brasil, Portugal? Pois bem… Uma parte financiou o Palácio de Mafra. Embora o país tivesse perdido parte da sua influência política no cenário europeu no século XVIII (as Grandes Navegações já tinham acabado, não é mesmo?), Portugal ainda sustentava parte da sua grandeza com recursos das colônias. Talvez tenha sido sim uma tentativa de ostentação por parte da Coroa. A suntuosidade do lugar é inegável.
A visita ao Palácio Nacional de Mafra
O Palácio de Mafra foi o primeiro destino da nossa road trip por Portugal (que você pode conferir o geral do que fizemos em cada um dos dias neste link aqui) – e como tomaríamos café em Lisboa para encontrar nossa amiga que mora na cidade, não compramos o nosso ticket com a antecedência que sempre recomendamos por aqui. Não tínhamos muita certeza que horas sairíamos do cafe, então ficamos com medo de precisarmos rearranjar a rota e perder o valor investido. Se a sua visita é certeira – poupe-se de possíveis filas.
Chegamos perto do horário do almoço e não pegamos nenhuma fila para comprar o ingresso. Por fora já dava para ver que estava passando por renovações, e acabamos entrando sem querer (enquanto procurávamos a bilheteria) na igreja improvisada. Bem no meio da missa. Então fica aqui a dica, voyajante, a entrada é pela esquerda (quando você olha de frente para o prédio monumental) da catedral, que fica bem no meio.

O convento
AA visita começou já no claustro do que antes era o convento franciscano – motivo de ser do Palácio Nacional de Mafra, como já explicado lá em cima. E já foi interessante o contraste da área comparado com o exterior suntuoso do Palácio – mas eu ainda não sabia de nada. Vamos com calma.
Construído para acolher até 300 monges, o espaço retrata a vida da ordem – prática e simples. Os dormitórios são pequenos e todos de madeira, bem austeros. No refeitório tem tipo uma ambientação de como ele “pareceria” na época dos monges. A cereja do bolo por ali é a enfermaria conventual, o único espaço lá dentro que conserva a mobília original. A gente não pode entrar-entrar, mas lá da porta a gente consegue ver a organização do lugar – que é bastante interessante: as camas dos doentes ficavam dentro de umas tendas (que davam privacidade) e viradas para o altar, para eles poderem acompanhar a missa. Legal, né?


Apartamentos reais (o Palácio Nacional de Mafra)
E aí andamos sentido o palácio, a parte do complexo onde a realeza morava. Outro contraste gritante – já que começaram a aparecer todos os detalhes dignos da monarquia portuguesa da época. Os tapetes, os quadros, os adornos, os penduricalhos… Visitamos a sala de trono, galerias e o um impressionante corredor de 232 metros que ligava os quartos do rei e da rainha.






Além de D. João V, D. João VI e D. Carlota Joaquina também moraram no Palácio Nacional de Mafra – assim como toda a corte, sendo ali a última residência real antes de fugirem para o Brasil. Fugirem. Não “se retirarem” como a plaquinha explicativa dizia lá em Mafra. Eles embarcaram para o Brasil para escaparem nas tropas napoleônicas, deixando o povo português para se defender por si sós, e mudaram a sede do Império para o Novo Mundo.
Legal mencionar que durante as Invasões Francesas, o Palácio de Mafra foi ocupado pelas tropas de Napoleão Bonaparte e utilizado como quartel. Obviamente, sofreu pilhagens e destruições – assim como diversos outros monumentos portugueses. Muitas das mobílias e decorações acabaram trocando de espaço… Então é ter em mente esse contexto histórico e não achar que a monarquia vivia daquela forma, com tudo disposto daquele jeitinho.
Em 1834, com a extinção das ordens religiosas, o convento deixou de existir e o Palácio de Mafra ficou apenas como o Palácio de Mafra mesmo.
Basílica
A basílica, sagrada em 1730, foi inspirada nas grandes igrejas italianas e guarda um dos maiores tesouros musicais do mundo: um conjunto de seis órgãos históricos construídos para tocar em conjunto – além de 98 sinos repartidos nas duas torres, que formam o maior carrilhão ainda em funcionamento. Eu só conseguir ter um vislumbre através de uma janela, um mezanino de onde a familia real assistia às celebrações. Já que a catedral estava fechada para revitalização, como já mencionei.
E assim, mesmo com alguns andaimes lá no meio, deu para ver o quão bela ela é.


Biblioteca
Além do convento franciscano, outro grande destaque do Palácio de Mafra para esta que vos escreve é a sua biblioteca. Considerada uma das mais belas da Europa, possui acervo com mais de 36 mil volumes raros dos séculos XVI a XIX. Entre enciclopédias iluministas, tratados científicos e obras religiosas, você encontra por ali edições da Enciclopédia de Diderot D’Alambert, tratados de Copérnico, Newton e Galileu. Tem também obras clássicas como Ilíada e Odisseia, exemplares de Gil Vicente e textos de Camões.
Mas, sinceramente, a biblioteca não é famosa nem por isso, mas pela forma como ela é protegida: morcegos. Os pequenos animais vivem no espaço e ajudam a preservar os livros, alimentando-se de insetos que poderiam danificar o acervo. Curioso, né? Em alguns lugares durante a pesquisa, vi que a administração deixa as janelas abertas de noite, e que os morcegos não vivem ali dentro. Seja lá qual é a versão correta… Os morcegos realmente fazem o trabalho.



Este convento é fruto de uma promessa e de um destino, e não há pedra que nele se levante que não custe sangue e suor de homens
E já que estamos falando de livros, por que não dizer que o Palácio Nacional de Mafra, mais especificamente o seu convento, serviu de inspiração literária? Em Memorial do Convento, José Saramago eternizou a construção com o olhar crítico e poético que lhe valeu o Nobel de Literatura. Numa das passagens, escreve: “Este convento é fruto de uma promessa e de um destino, e não há pedra que nele se levante que não custe sangue e suor de homens”. A frase resume bem a dimensão humana e política de uma construção que chegou a mobilizar mais de 45 mil trabalhadores.
Informações úteis para a visita
O bilhete custa €15 para adultos (preços de 2025), com descontos para jovens e seniores, e residentes em Portugal. O espaço abre de terça a domingo, das 9h30 às 17h30, e há estacionamento gratuito nas imediações. A gente não teve qualquer problema em estacionar em pleno sábado.
De carro a partir de Lisboa (caso você esteja planejando uma viagem, tem roteiro aqui também), o trajeto demorou cerca de 40 minutos pela autoestrada A8 e depois pela A21, ambas com pedágios (prepare o Via Verde ou dinheiro/tarjeta para pagamento – os custos totais de pedagio de gasolina da nossa road trip em Portugal você encontra nesta matéria aqui). Reza a lenda que é também é possível chegar de transporte público: com ônibus direto saindo do terminal do Campo Grande, em Lisboa.
- Bate e volta do Porto: visitando Guimarães e Braga, Portugal
- Roteiro Budapeste: o que fazer em quatro dias na cidade?
- Portugal: roteiro de 2 dias em Porto (com Vila Nova de Gaia)
- Castelo de Santa Maria da Feira: um bate e volta medieval a partir do Porto
- Como passear e viajar com pets? Confira dicas e roteiro em São Paulo









0 comentários