Visitando Tomar, 1 dia na cidade templária de Portugal

O roteiro da nossa viagem de carro por Portugal foi um pequeno desafio. Não pela falta de opções no país para se ver, mas por tudo que eu queria abraçar em 10 dias pela terra dos colonizadores. Todas as paradas da ida entre Lisboa e Porto foram um tanto quanto naturais – estão em 10 dos 10 roteiros de road trips por Portugal. Mas, a volta de Lisboa para Porto – que teria que ser mais rápida, fiquei com dúvidas. Eis que o Ed veio com as suas sugestões certeiras: Tomar e Leiria. Já ouviu falar delas? 

Neste post você encontra o que fizemos em 1 dia na cidade templária de Portugal: Tomar (Leiria fica para próxima, porque o seu castelo merece um texto só dele). E, olha, mesmo montando o roteiro da cidade e pesquisando o que fazer previamente, que surpresa que foi!

Tomar é um daqueles lugares que a história não está confinada aos museus: ela moldou o traçado urbano e definiu a paisagem. Foi fundada no século XII, pela Ordem dos Templários, que teve ali um de seus centros mais importantes na Península Ibérica, quiça Europa. Visita-la fui um mergulho no simbolismo religioso e nas transições políticas que ajudaram a construir Portugal.

Templários? Quê?

Não foi lá ler a minha contextualização histórica, né? Tudo bem, eu vou te dar uma colher de chá porque eu sei que eu escrevo demais e o Voyajando tá aqui para facilitar. A gente vem falando isso há mais de quatro anos. 

Tomar foi construída pela Ordem dos Templários – um grupo de nobres cavaleiros que se uniram (financiados pelos reis católicos e, posteriormente, pela própria igreja) para proteger todos os fiéis que participaram das chamadas Cruzadas. Parte desse pagamento pelos reis católicos eram terras… E D. Gualdim Pais, o primeiro Grão-Mestre da Ordem do Templo as utilizou para fundar Tomar em 1160 – seu castelo e o Convento de Cristo, apenas a maior área monumental de Portugal, com mais de 54 mil metros quadrados.

Centro histórico de Tomar

Assim como em Guimarães, começamos o nosso dia em Tomar pelo centrinho histórico, mais especificamente tomando café por lá. Portugal é um país que acorda cedo se comparado com a Irlanda, por exemplo, com padarias e cafeterias abertas desde 8h. Começamos pela Ponte Velha que, reza a lenda, foi erguida pelos templários em cima de uma estrutura já existente deixada pelos romanos. 

De lá, andamos até a Praça de República que, além da estátua do Grão-Mestre Gualdim Pais, conta com a Igreja de São Baptista (não entramos, era horário de missa) e o antigo Paço do Concelho – que hoje é a Câmera Municipal de Tomar. 

Após visitamos algumas lojinhas de souvenir, pegamos o carro e seguimos sentido o Castelo de Tomar e o Convento de Cristo – só para voltar para trás e precisar colocar o carro em um estacionamento pago. Era um domingo, voyajante, e a cidade estava tomada por turistas no horário próximo do almoço. Lascamo-nos, mas seguimos hahaha.

Mata Nacional dos Sete Montes

Eu juro que nem estava no roteiro original – mas acabou que passamos por ele. Você pode passar por ele para chegar até o castelo mas, por algum motivo que desconheço (eu culpo o sol excessivo), a gente se embananou e subimos uma senhora subida até o castelo. E daí, andando por lá, acabamos nos embananando e estávamos dentro do parque. 

Pois sim, a Mata Nacional dos Sete Montes é um espaço verde que – reza a lenda – era utilizado pelos cavaleiros da Ordem do Templo para rituais de iniciação. Um dos locais que todos os sites e blogs visitados por esta que vos escreve cita é a Charolinha (que é uma Charola pequenininha). Que que é charola? Já falaremos sobre isso. Ela fica mais entendível depois que entramos no Convento de Cristo, então repare bem na imagem abaixo. Ah, bom dizer que o próprio site oficial também confirma o rolê da iniciação, então talvez tenha um fundinho de verdade nisso aí. Eu sou muito ver para crer e acho o rolê dos templários muito doido. 

Andamos quase 1 hora dentro do parque em busca da Charolinha. Descobrimos que pegamos a volta cênica (a maior) e passamos por todas as atrações do parque, incluindo a Cadeira do Rei, que é um balanço com vista para o Convento de Cristo. Fazia tanto tempo que eu não balançava que nossa senhorinha, foi super legal hahahaha – e eu recomendo, as fotos dali com o Convento no fundo ficaram incríveis.

Aí a paciência se esgotou porque tava muito calor e a fome bateu. Na saída do castelo, fomos direto para uma cafeteria que tem na frente (e só tem ela e uma dentro do Convento de Cristo, então fica a dica) para comer. Depois de banheiro, água, um sandes e sorvete, a alma voltou para o corpo e seguimos, para uma das minhas atrações preferidas da road trip em Portugal, Tá preparado?

Castelo de Tomar

Mas, antes, vamos falar sobre o Castelo de Tomar. De novo, ele foi construído a partir de 1160 e tinha uma função clara: proteger o território recém-reconquistado dos mouros e consolidar o avanço cristão. A fortaleza tinha uma infraestrutura considerada avançada para a época, militarmente falando. As muralhas, as torres e a posição estratégica no alto permitiam uma visão privilegiada do vale do rio Nabão, essencial para antecipar ataques. 

Mais do que uma simples fortificação, o castelo era também um centro administrativo e espiritual (na Ordem do Templo, a religião e o poderio militar andavam juntos). Então além de simbolizar a força militar dos Templários, o castelo também trazia à tona sua missão religiosa. É difícil imaginar pelas “ruínas” o que era o castelo antigamente. Mas, depois no convento, a gente conseguiu ter um vislumbre. Pelo menos eu acho. Vamos lá?

A visitação ao Castelo de Tomar é gratuita, assim como da Mata Nacional dos Sete Montes

Convento de Cristo

O Convento dos Cavaleiros de Cristo de Tomar (ou Convento de Cristo), considerado um Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1983, é diferente de todas as fortalezas (e lugares) que visitamos até hoje. Exatamente pelo simbolismo do lugar – por quem foi construído e com qual finalidade. A construção é dividida em vários claustros, e em todos eles encontram-se referências aos templários, em estilos Românico, Gótico, Manuelino, Renascentista, Maneirista e Barroco. Essa colcha de retalhos é um indício claro de que o lugar passou por diversas reformas e revitalizações no decorrer dos anos. E eu sei que chamei a Sé de Braga de colcha de retalhos, mas é porque eu ainda não tinha visitado o Convento de Cristo, voyajante. Sabia de nada! 

Entre as principais atrações do lugar, que é enorme, está a janela manuelina, um dos exemplos mais emblemáticos do estilo artístico tipicamente português, e pela Charola, uma espécie de capela, ou oratório templário de planta circular. É uma das coisas mais diferentes que eu já vi – e, de novo, eu sou versada na arte de visitar igrejas. Se a Sé de Braga me surpreendeu, nem sei o que falar da Charola – que reza a lenda, era circular para os cavaleiros poderem entrar com seus cavalos.

Dizem que a Charola é inspirada no Santo Sepulcro de Jerusalém. Então, se você alguma vez esteve por lá, coloca aí nos comentários e me conta se você realmente achou parecido? Porque se sim, não vejo a hora de conhecer com meus próprios olhos – quer dizer, quando a guerra na região finalmente terminar. É sonhar demais?

Vale dizer, caso você não tenha ido ler a contextualização histórica na matéria da road trip, que a Ordem dos Templários foi extinta por decreto papal no início do século XIV. Mas, Portugal seguiu um caminho diferente do resto da Europa. Em vez de perseguir seus membros, D. Dinis criou a Ordem de Cristo, que herdou os bens, os cavaleiros e as estruturas templárias. Aquele jeitinho, né? Tomar tornou-se, então, a sede dessa nova ordem. Por isso, Convento de Cristo

Séculos depois, já no período dos Descobrimentos, a Ordem de Cristo ganhou um novo protagonismo sob o comando do Infante Dom Henrique, o Navegador. É nessa fase que surge um dos elementos mais famosos do convento: a Janela do Capítulo, um dos maiores símbolos do estilo manuelino. Repleta de detalhes náuticos, cordas, esferas armilares e referências ao mar, ela representa a ligação direta entre Tomar, a Ordem de Cristo e a expansão marítima portuguesa.

O Convento de Cristo é um verdadeiro mosaico arquitetônico. Ao longo do tempo, foram acrescentados claustros renascentistas, espaços góticos, elementos manuelinos e reformas barrocas. Cada ala conta uma parte diferente da história de Portugal, desde a espiritualidade templária até o auge do império ultramarino. É um rolê de quase dia inteiro, viu? Ele é gigantesco! Eu fiquei MUITO impressionada – até pelo acesso que nos dão a ele. 

Ingressos

Antes de trazer o valor pago, deixa eu dar umas informações práticas sobre a visita ao Convento de Cristo. Como expliquei, tivemos um probleminha com a falta de vaga para estacionar o carro – e olha que tem bastante vaga na cidade e perto das atrações. Só estava muito cheio mesmo por talvez ser um final de semana e começo de verão, então eu recomendaria você dar uma olhadinha no horário de funcionamento e ir no primeiro horário. 

Ou, fazer como nós fizemos. O estacionamento pago acabou sendo uma boa opção porque consegui utilizar sua infraestrutura (aka banheiro) antes de seguirmos viagem. E não foi caro. Seria mais ou menos 1 horinha até chegar no hotel do próximo destino: Leiria. Mas falaremos dele no próximo post. Esse aqui já tá um tanto quanto grandinho, hahaha

Eu comprei o meu ingresso com o parceiro GetYourGuide e não paguei nada a mais por isso. Foi simplesmente mostrar o QR Code na bilheteria e entrei rapidinho. O Ed e o Gian visitaram de graça pelos mesmos motivos que entraram na faixa no Paço dos Duques e no Castelo de Guimarães, já explicado no post anterior. Mas, basicamente, um mora em Portugal e o outro tem a cidadania portuguesa. 

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PS Ermida de Nossa Senhora da Conceição

Vale dizer que ali do lado tem a Ermida de Nossa Senhora da Conceição, construída a mando de D. João III para ser a sua morada final – ou, como eles gostam de chamar: Panteão. A construção é considerada uma das principais referências do Renascimento português. E não, D. João III acabou não ficando por ali, mas lá no Mosteiro dos Jerónimos em Lisboa, que você pode conhecer nesse link aqui. A gente não visitou, estava fechada já pelo horário.

VISITA AO COLISEU

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