Berlim em 3 dias: roteiro completo com história e curiosidades (e frio!)

Eu sabia que ia gostar de Berlim. Só não sabia o quanto. Não é à toa que eu demorei quase que cinco anos (desde que me mudei para a Irlanda) para ir conhecê-la. Ela não foi parte da Eurotrip também, e é uma cidade que eu não recomendaria para um bate e volta de final de semana. Berlim merece, no mínimo, três dias para ver e absorver a história com calma. Ela expõe, preserva e faz questão de lembrar. Não como saudosismo, mas como aprendizado. E, olha, ficou muita coisa de fora desse nosso roteiro de 3 dias por lá. Um pouco pelo inverno alemão, outro tanto pelo tempo.

Como sair do aeroporto de Berlim (BER)?

Chegar em Berlim é fácil. E sair do aeroporto também. Quer dizer, eu e o Gian pastamos um pouco, mas porque eu sou uma grande medrosa. Permita-me explicar:

Do Aeroporto de Berlim (BER), o jeito mais simples de chegar ao centro é de trem. As linhas de trem FEX, RE7 e RB14 ligam o aeroporto com as estações centrais. Não tem erro. É rápido, eficiente e (deveria ser) sem complicação. Então, qual foi meu problema? Desconfiança. 

Após algumas vezes em Paris, onde o preço do trem saindo do aeroporto custa cerca de €13, achei que pagar €5 não parecia correto. Esse era o valor para andar dentro do centro da cidade na minha pesquisa. Não é? Não deveria ser? A grande maioria das cidades europeias compram ticket de transporte público baseado em distância. Então, se andar mais, paga mais (e por isso às vezes isso tem que entrar na sua conta quando estiver escolhendo a localização do seu hotel).

Nossa, Jeanine, mas é caro então, né? O transporte público em Berlim? Para sair do aeroporto, não é. Mas para se locomover dentro do centro, eu achei. Vale colocar então no seu planejamento o quanto você vai usar de transporte público, voyajante. Porque Berlim tem alguns passes que acabam compensando se você for usar bastante ônibus, tram ou metrô. A Jenifer e o Bruno utilizaram quando estiveram por lá (e já tem matéria no blog da visita deles)

Eu e o Gian andamos bastante a pé porque nosso hotel estava bem pertinho de várias atrações – mas acabamos pegando também um de 24 horas de zonas A-C porque aproveitaríamos o mesmo bilhete para visitar o bunker no terceiro dia e ir para o aeroporto no último dia. E economizamos dessa forma. Para fins de comparação, um ticket A-B unitário custa €4… O A-C foi €5 cada.

A última coisa que falarei sobre o transporte público é a necessidade de validação dos tickets. Não tem catraca – então você mesmo precisa “carimbar” a sua passagem antes de começar a viajar. Você faz isso em umas maquininhas amarelas localizadas perto das plataformas. Não esquece – a fiscalização vem. A minha deu um berro porque eu não estava entendendo o que ela estava falando em alemão, e mandei logo um “sorry“. E ela ficou brava.

No fim, a desconfiança sobre o valor da passagem foi, na real, o medo da multa. Ela é um tanto quanto alta para quem anda de transporte público sem um ticket ou sem um ticket válido. Até explicar para o fiscal que você é um turista perdido em outra língua, a multa já chegou. No fim, um moço trabalhando na estação ajudou a gente, e pegamos felizes o nosso FEX por €5 até a Alexanderplatz, bem no centrinho de Berlim, e que também era bem perto do nosso hotel da vez.

E onde se hospedar em Berlim?

Sinceramente, eu recomendo o ibis Berlin Mitte, onde ficamos hospedados por três noites. A localização bem próxima à Alexanderplatz facilitou demais as nossas vidas já que a praça não é apenas uma atração turística – como falaremos mais a seguir – como também um hub de transportes berlinenses.

Com o hotel localizado no bairro de Mitte, a gente conseguiu fazer muitas das atrações a pé – mas quando precisamos do transporte, foi bem tranquilo também. Fora a grande oferta de restaurantes e bares por ali.

Pagamos €218.49 para as três noites no hotel – e não tinha café da manhã incluso, embora houvesse a opção de adicioná-lo. Em pleno fevereiro (inverno), também importante ressaltar que o hotel era bem quentinho.

Dia 1 – chegamos, e já fomos turistar

Descemos na Alexanderplatz no caminho para o hotel e nem por isso já cruzamos a atração da nossa lista do que fazer em Berlim. A praça é gigantesca e só conseguimos ver (e tirar fotos) das suas principais atrações depois do nosso check-in. Além da praça em si, por ali estão a Torre do Relógio, a Torre de TV, a Fonte Netuno e a igreja de Santa Maria de Berlim.

No mesmo dia, passamos pela Berliner Dom e a Ilha de Museus, a Bebelplatz e, de lá, andamos para o famoso Checkpoint Charlie Vou entrar no detalhe de cada atração mais para frente – aqui vai um resumão se você não está muito afim de ler os pormenores de cada atração (e meus devaneios sobre cada um deles). Ali perto, está a Topografia ao Terror, que eu SUPER recomendo. Passamos pelo Fuhrenbunker e pelo Denkmal Für Die Ermordeten Juden Europas, antes de finalizar o nosso dia em frente ao Brandenburger Tor. E jantar, claro.

Alexanderplatz

É a maior praça da cidade e uma das mais importantes. Além de ser um ponto de interesse para o turismo, é também um ponto de encontro dos locais, recebe eventos e é um hub de transporte, com linhas de metrô, ônibus e tram que cruzam por ali. A Jenifer a comparou com a Pizza San Marco de Veneza lá no roteiro dela de 3 dias em Berlim. Mas, pera, Jeanine, já tem roteiro de 3 dias na cidade aqui no Voyajando e você tá escrevendo outro? Sim. O Voyajando é sobre isso, voyajante. A vivência de um destino pode ser completamente diferente para cada um. A gente tem bagagens, gostos e personalidades diferentes sobre cada coisa. Já tive a oportunidade de visitar Paris algumas vezes e nenhuma viagem foi igual a outra. Então eu recomendo fortemente que você também dê uma olhadinha na matéria dela. Ela é muito mais detalhista em informações úteis do que eu hahahaha. E só peço perdão por isso. 

Mas, voltemos. Falaremos agora da praça do Alexandre. Lembra do meu intensivo de alemão na matéria de Munique? Pois bem. Platz é praça e a praça do Alexandre recebeu esse nome em homenagem à visita do Kaiser (o rei russo) que visitou o local em 1805. Mas não é só por conta da visita ilustre que ela entrou no roteiro, mas por duas de suas atrações: a Torre do Relógio, que nada mais é que relógio () enorme dividido em 24 secções e com os fusos horários de todo o mundo, construído na década de 1960; e a Berliner Fernsehturm (conhecida em português como “Torre de TV”, uma torre de 368 metros, inaugurada em 1969; ambos monumentos foram inaugurados quando a praça estava sob domínio dos soviéticos – vale dizer. Logo, além das funcionalidades de serem relógio e torre de TV, estavam ali como uma forma de demonstração de poder. Muito mais a torre, né, pela sua altura. É ainda a construção mais alta de toda a Alemanha. Afinal, do outro lado do muro – que passava ali perto, estava literalmente o mundo capitalista. Hoje, você pode subir lá para visitar ou para comer, já que tem um restaurante giratório a aproximadamente 207 metros de altura. 

E tem uma curiosidade aqui – na verdade, é mas uma ironia. Pelas manhãs, quando há sol (importante dizer, já não era no nosso caso), é possível ver uma cruz refletida nos vidros da Torre da TV, no centro da sua esfera. E por que isso é irônico? Porque a Alemanha Oriental não era católica. E um dos maiores símbolos do cristianismo estampado ali na esfera foi chamado de “vingança do Papa”, por mais irônico, de novo, que isso possa soar. Boatos que os comunistas até cogitaram derrubar a torre por conta desse detalhe. 

Powered by GetYourGuide

A praça é bem grande, viu? Ali no meio encontramos ainda a Fonte Netuno, com representação do deus romano da água e quatro mulheres, cada uma simbolizando os quatro principais rios da Prússia;  e a Igreja de Santa Maria de Berlim (St. Marienkirche) de estilo gótico construída na segunda metade do século XIII. Desde a reforma luterana, trata-se de uma igreja protestante e, lá dentro, tem como destaque a Dança Macabra) ou Dança da Morte em uma tradução literal). É um afresco com esqueletos dançando com representantes de todas as classes sociais, como um lembrete sobre a inevitabilidade e a universalidade da morte. Contexto de Idade Média, né? Morrer estava logo ali, ainda mais com a Peste Negra virando à esquina.  

Berliner Dom

Ainda na temática de igrejas, fomos visitar por fora a Berliner Dom, a catedral de Berlim. Que começou a ser construída em 1895 e possui um estilo neobarroco bem imponente. Sua localização à beira do rio Spree ajuda bastante no encantamento – e olha que a minha visita foi no inverno. Você pode entrar na igreja (compre o seu ticket antecipado aqui) e subir na cúpula para uma vista panorâmica da cidade. Nós não entramos – e olha que eu raramente deixo passar uma igreja, como você já viu na nossa road trip por Portugal e meu rolê de igrejas em Milão. Porém, voyajante, já era de tarde e, em Berlim, o meu foco (e prioridade) era a História mesmo. Então, não tinha tempo para perder. 

Berliner Dom é uma das construções mais imponentes de Berlim. Inaugurada em 1905, durante o período imperial alemão, ela foi pensada como uma catedral protestante grandiosa, refletindo o poder da época. Sofreu danos significativos na Segunda Guerra Mundial e passou por um longo processo de restauração. E pelas fotos, você pode ver que está passando por outra, hahaha. Viajar no inverno aqui na Europa dá dessas – é o período que eles acabam utilizando para as obras, já que as cidades não tendem a serem tão cheias quanto no verão.

A Berliner Dom é ainda a porta de entrada para a Ilha dos Museus, que falaremos mais para frente. Na ideia, estaria no nosso roteiro no segundo dia – mas fica aqui a marcação e a referência para você, caso faça mais sentido você incluir no seu roteiro nesse momento. Estaria, Jeanine? Sim, voyajante. Depois eu explico o rolê direitinho mas acabou que nós não visitamos nenhum museu desta vez em Berlim… Viu porque eu disse que 3 dias é o mínimo para Berlim? Ficaram muitas cosias para trás.

O que comer em Berlim: currywurst

Reza a lenda que o currywurst foi criado no pós-guerra, em uma Berlim destruída, usando ingredientes que os alemães tinham acesso na época (e o ketchup trazido pelos aliados). A combinação de salsicha com ketchup e curry virou um dos pratos mais populares da cidade até hoje. 

Simples, rápida e encontrada em praticamente qualquer esquina & geralmente e acompanhada de batata frita. Eu ia experimentar? Não ia. Salsicha, curry e ketchup são três coisas que, individualmente, já não me apetecem. Imagina tudo junto?

Pois, já dizia o ditado… Se está na chuva, é para se molhar. Ali, do ladinho da Berliner Dom vimos uma plaquinha de combo e fomos. Aproveitamos a impermeabilidade dos nossos casacos e sentamos na madeira molhada mesmo – e, que gostoso! Sinceramente, para a surpresa de muitos (e de mim mesma) recomendo hahahaha

Com o refri e batatinha, a gente pagou €10,80 Foi ótimo porque já havíamos comigo um lanchinho no aeroporto e não estávamos com muita fome. E não impediria a gente de jantar depois… Aqui no Voyajando, levamos a comida (e seus horários a sério). 

Bebelplatz

Então chegamos à Bebelplatz ou, como já te ensinei, a praça da Bebel. Hahahaha, mentira. Bebel aqui era o sobrenome de um alemão que fundou o Partido Social Democrata da Alemanha. Tipo, deve ser muito importante para eles lá, mas não faz nem sentido eu trazer isso para cá. Já peço desculpas de novo pela minha gracinha. 

Tá, Jeanine, que que tem na Bebelplatz? Ela fica na frente da Humboldt-Universität Zu Berlin que é exatamente o que você está pensando, a Universidade de Berlim (também tem a Ópera de Berlim e a Catedral de Santa Edwiges, a igreja católica romana mais antiga da cidade). 

Na época do regime nazista, a praça se chamava Opernplatz e serviu de palco para um dos eventos (dos tantos, né?) mais marcantes da Segunda Guerra Mundial e do nazismo em si: foi a queima de mais de 12 mil livros não-alemães ali na praça publica. E quando eu digo não-alemão, eu digo qualquer coisa que os nazistas entendiam como degenerados ou que criticavam o regime. Isso aconteceu em 10 de maio de 1933. Você consegue imaginar? 

Estranhamente, eu não. Mas o monumento que colocaram ali na praça como memória me ajudou um pouco. Ele chama Bibliothek que significa Biblioteca Vazia. E é bem isso – através de vidros no chão, você vê várias prateleiras vazias, que poderiam acomodar todos aqueles livros perdidos apenas naquela noite. 

É impossível não se lembrar do livro A Menina que Roubava Livros. Já leu ou assistiu? Tem uma placa explicativa por ali que diz “Onde se queimam livros, no fim se queimam pessoas”. 

Checkpoint Charlie

Aí seguimos para uma das atrações turísticas mais famosas de Berlim, o Checkpoint Charlie. Vale explicar logo de cara que Charlie não era uma pessoa, como você pode estar pensando. Falar Checkpoint Charlie era simplesmente se referir ao terceiro checkpoint, ou seja, a terceira cabine de controle de acesso entre uma Alemanha e outra. A cabine C. C de Charlie. Pegou? Charlie é por conta do alfabético fonético militar. Sabe quando você precisa soletrar alguma coisa? Pois bem. Ao invés de falar C de Coração, era Charlie. 

E o Checkpoint Charlie real não ficava ali onde está o turístico (o da memória). O verdadeiro ficava a alguns metros dali. Independente disso, o monumento está ali hoje não apenas para fotos. Serve como um lembrete de que, até muito recentemente, grandes potências mundiais ocuparam um país e o dividiram a partir de sua capital, dividiram uma cidade (famílias, amigos, conhecidos…) por um muro – sem se importar com qualquer tipo de consequência a curto, médio ou longo prazo. Para cruzar a sua cidade, você tinha que pedir por permissão. Parece surreal, né? Como eu queria que dias malucos assim tivessem ficado nos livros de história.

Dica amiga: se você é do time da corrida (como o Gian) ou do madrugar, você consegue todos os pontos turísticos que vimos até aqui somente para vocês. Eu viajei em Fevereiro de 2026 para Berlim, quase que o auge do inverno, e mesmo assim a cidade estava bastante cheia. Então fica aqui a sugestão – apesar de demorar para clarear o dia, apesar do frio, se você quiser umas fotinhos que nem as do Gian aqui embaixo, é o famoso Deus ajuda quem cedo madruga.

Topografia do Terror

Para continuar alimentando a minha descrença na humanidade, chegamos ao Topografia do Terror, ou Dokumentationszentrum Topographie des Terrors, um museu instalado dentro da antiga sede da Gestapo, a polícia nazista, e que documenta de graça os horrores do regime de Hitler. Ali, colado a uma das partes preservadas do muro de Berlim, conta-se a história da ascensão do movimento na Alemanha por meio de textos, capas de revistas e jornais da época, áudios de rádio e TV. Ele é gigante. Foi interessante ver ali o que era publicado na Alemanha em contraponto da vida no campo de concentração quando visitamos Auschwitz-Birkenau. Parece clichê dizer o quanto é preciso “aprender” com o passado para não reproduzir no presente e preservar o futuro. Mas acho que quem precisa não visita lugares assim…

Sinceramente, é um dos lugares mais direto-e-reto da cidade para entender como o regime nazista funcionava. Eles não suavizam nada. A entrada é gratuita e, quando estávamos por lá, acabamos fazendo parte de um tour guiado com um dos historiadores que trabalham no acervo do lugar. E, nossa, a cabeça foi a milhão! Porque foi no detalhe, sabe? Histórias de militares de alta patente e de presos políticos, da máquina de propaganda, das ocupações em outros territórios. Tudo isso com (querendo ou não) uma perspectiva alemã.

E por conta do tour guiado, não tiramos muitas fotos não. Mas, tomamos um café e comemos um pedaço de bolo lá dentro – uma forma de dar aquela esquentada no coração e uma descansada nas pernas, já que estávamos andando bastante e o frio castiga. Também recomendo usar o banheiro por ali, já que todas as atrações visitadas até aqui foram no exterior.

Führerbunker

Saímos do museu e continuamos na pegada da Segunda Guerra Mundial indo diretamente para o Führerbunker, simplesmente o bunker (aqueles abrigos subterrâneos) onde Hitler foi encontrado morto – reza a lenda, ele se suicidou antes de ser capturado pelo exército soviético em 1945 e pediu para um de seus seguidores atear fogo em seu corpo para que nada sobrasse aos seus “inimigos”. Nada para ser usado como um troféu ou peça de propaganda. 

Hoje, o Führerbunker é  um grande estacionamento circundado por prédios residenciais. E ao mesmo tempo que seria super interessante visitar o lugar onde um dos maiores monstros da humanidade viveu seus últimos dias, é bom que nada tenha sobrado já que hoje em dia tem doido para tudo. E a Alemanha, já escaldada, teve como preocupação não deixar um local de peregrinação para aqueles que por algum motivo que sou incapaz de compreender possuem algum tipo de simpatia pelo ex-líder nazista. De memória restou apenas uma placa explicativa que mostra o quão grande era a construção.

Denkmal Für Die Ermordeten Juden Europas

E para finalizar a questão Segunda Guerra Mundial no primeiro dia, fomos direto para o Denkmal Für Die Ermordeten Juden Europas, que é um monumento criado como um memorial a todos os judeus mortos pelo nazismo. Estima-se que das 55 milhões de pessoas que perderam as suas vidas, 6 eram de judeus. A obra possui mais de 2 mil blocos de concreto de diferentes tamanhos e formatos – e você pode andar por entre eles.

A curiosidade aqui é que, reza a lenda, a comunidade judaica não reconhece essa homenagem porque uma das empresas envolvidas (das tintas antivandalismo, para ser mais especifica) teve algum tipo de vínculo com holocausto, já que na época fabricava o gás utilizado nas câmeras de extermínio. Tem mais detalhes de toda crueldade (mas não muitos, não consegui) na matéria que escrevi quando visitei a Cracóvia, na Polônia, e passei meio período em Auschwitz-Birkenau. 

Portão de Brandemburgo

Berlim é uma cidade tão doida historicamente falando que é um mix de épocas e períodos históricos. A cabeça que lute para acompanhar – e você também que me lê. Saímos da Segunda Guerra Mundial (conhecido como Terceiro Reich – Terceiro Reino) para o Primeiro Reich, quando a Alemanha não era um país – era formado por vários pequenos territórios, incluindo o poderoso Reino da Prússia. Foi nessa época que o Brandenburger Tor foi construído, quando a cidade era murada. Trata-se de um portal adornado por uma bela estátua da deusa Iris, da paz, puxada por quatro cavalos. Boatos que o destaque do monumento foi roubado por Napoleão Bonaparte quando ele estava metendo o louco (leia-se em Guerra, conquistando a Europa quase toda) e levada para Paris, para o nosso querido Louvre. Os alemães trouxeram de volta depois.

Mas, assim, Berlim perdeu 80% de seus monumentos por conta das guerras. Então ela é um mix de estilos arquitetônicos, com prédios antigos, novos, reformados… E pensar que ela foi a cidade escolhida pelos nazistas, que investiram bastante, em transformá-la na capital do mundo, do império. Sofreu muito com o cerco militar  que finalizou a guerra – com aviões dos Estados Unidos e Reino Unido no aéreo, e o exército vermelho (da URSS) no chão. 

O monumento é um dos cartões-postais de Berlim e sua existência até os dias de hoje está muito relacionada a ter ficado em território neutro durante a Guerra Fria. Pois é, voyajante, ficou em uma zona cinza entre muros – e, claro, passou por uma bela revitalização no século XX. O tanto que de coisa que esse portal viu em termos de História, hein? E aqui vale a dica do madrugar: o Gian passou também por lá na sua corridinha matinal – e depois passamos de noite, na neve. Tem foto no portal de todos os jeitos.

Acho que podemos encerrar por hoje, né não? Hora de comer! 

O que comer em Berlim: Hofbräu Wirtshaus Berlin

Tá, já vou logo esclarecer que a cervejaria Hofbräu Wirtshaus é original em Munique – e nós fomos lá quando estivemos pela capital da Baviera. Mas, a unidade de Berlim era tão pertinha do nosso hotel da vez que não teve como passarmos direto. A experiência em Munique foi tão legal que a gente quis repetir – embora ali na capital alemã a gente tenha decidido provar o típico schnitzel. Trata-se de um corte de carne bem fininho e macio, empanado e frito, servido geralmente com uma salada de batatas ou batatas fritas. O Gian experimentou o original com carne de vitela (€28.90), e eu peguei um de porco (€19,90). Os dois pratos eram super generosos e as cervejas monstruosas, como sempre.

Foi muito gostoso – apesar de bem turístico e cheio.

Dia 2 – dos muros de Berlim ao subsolo

O segundo dia foi tão intenso quanto o primeiro – já que começou super cedinho com a gente tomando café da manhã na estação do metrô e pegando transporte público (€4 cada) até a Oberbaumbrücke, que fica do ladinho da East Side Gallery. Depois caminhamos por Berlim aproveitando o dia ensolarado, mas frio, sentido o centrinho. No caminho, passamos pelo Hackescher Markt, até chegarmos na Alexanderplatz novamente e almoçarmos ali na região. Vale dizer que era um domingo, dia em que TODAS as lojas estão fechadas. E sim, os alemães levam isso muito a sério. Ai, imagina que uma cidade como Berlim vai parar… Pára, minha gente. Não tinha lojinha (salvo algumas de souvenir, e olhe lá) aberta para a gente fuçar não. Apenas, cafés e restaurantes.

Depois, pegamos o metrô para a cereja do bolo do dia: o passeio pelo bunker da Segunda Guerra Mundial. Então fica comigo que vamos entrar no detalhe.

Oberbaumbrücke

Considerada uma das mais beles da cidade, a Oberbaumbrücke, como quase tudo em Berlim, também possui uma bela carga histórica. E nem é tanto por ter sido construída no fim do século XIX em estilo neogótico, ou por conectar dois bairros (Friedrichshain e Kreuzberg) considerados “cool”. Ela nasceu como ponte de madeira no século XVIII, usada como parte do sistema de controle da cidade.

À noite, um tronco com pregos era colocado para bloquear o rio e impedir contrabando, daí o nome “Oberbaum”. A versão atual em tijolo vermelho abriu em 1896, já pensada para carros, pedestres e metrô juntos. Tanto que você pode cruza-la a pé ou de U-Bahn. 

E, durante a Guerra Fria, a ponte virou um ponto de fronteira entre Berlim Oriental e Ocidental. Assim como o Portão de Brandemburgo que vimos no primeiro dia, ela ficou inacessível por décadas, integrada ao sistema do Muro de Berlim e altamente controlada.

Depois da reunificação, a Oberbaumbrücke foi restaurada e voltou a cumprir sua função original: conectar os dois lados do Rio Spree – para carros, pedestres e metrô (U-Bahn). 

Fora que a bichinha e fotogênica, né não? A gente foo cedinho para lá, sendo a primeira atração do nosso segundo dia em Berlim. As fotos ficaram contra a luz… Mas, deu bom. Até porque conseguimos pegar a próxima atração mais tranquila pela manhã.

A segunda atração do dia foi a East Side Gallery, local onde ainda se preserva a maior parte do muro de Berlim. Hoje, trata-se de uma espécie de galeria a céu aberto – que me lembrou muito os muros da paz que ainda dividem a cidade de Belfast, na Irlanda do Norte. Por ali são cerca de 1,3 quilômetros de muro ainda de pé, mas coberto de grafites de artistas convidados de todo mundo (são cerca de 128 nomes de 21 países diferentes). Uma das obras mais famosas por lá, O Beijo, está por lá. Você vai achar fácil – é onde todos os turistas estão aglomerando (inclusive a gente, hahaha). 

O Muro de Berlim

E já que já passamos por diversos trechos do muro durante essa viagem, é momento de nos aprofundarmos um pouquinho mais nos motivos. Afinal, por que o Muro de Berlim foi construído? E como ele caiu? E antes de entrar nos pormenores já vou fazer o mea culpa de praxe e pedir desculpas pela falta de aprofundamento no assunto. Aqui não é o espaço para você entender a complexidade do maior símbolo da Guerra Fria, que separou não apenas Berlim, mas a Alemanha e o mundo (ou mundos, no plural) em capitalista e comunista. 

Eu entrei um pouco mais no detalhe na contextualização histórica que eu escrevi no final deste texto – para você que não quer ficar tão perdido quando visitar Berlim e seus pontos turísticos. Mas eu sei que você entende que isso aqui é um blog de viagens e eu não sou ninguém na fila do pão para explicar a História, com letra maiúscula. Aliás, bom ressaltar já que todas as minhas tentativas de contextualizações históricas presentes nos textos que eu escrevo (oi, Jeanine aqui, prazer!) existem porque eu me dedico a estudar cada destino que vou conhecer – e me fascina estar preparada para absorver a importância de cada monumento, obra ou construção. O peso de cada uma para a humanidade, sabe? Então ela é mais um apoio para mim mesma que eu acabo incluindo no final de cada roteiro aqui do Voyajando

Eu realmente recomendo que você se baseie em fontes confiáveis (assim como eu tento fazer). Eu sou uma delas? Eu espero que sim – apesar de tentar deixar bem claro que tudo que eu escrevo aqui passou pelo meu filtro (as minhas perspectivas, visões de mundo e um tico do que eu lembro da época escolar) e é apenas uma brevíssima contextualização, que deixa de fora muita, muita coisa. Combinado? E se você ver algo de errado por aqui, já comenta aí que é bom que todo mundo fica na mesma página. 

Logo, continuemos. Para entender a construção do muro de Berlim, é preciso entender o que estava acontecendo na Alemanha na época em que ele foi erguido. E tudo o que ocorria era consequência direta do fim da Segunda Guerra Mundial – quando os Aliados venceram a Alemanha de Hitler e dividiram o país pelas quatro potências vencedoras: os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a União Soviética. Mas, além de dividirem o país, eles decidiram usar os mesmos moldes para também dividir Berlim, que era a principal cidade de Alemanha. Daí a explicação de porque existia um pedaço da Alemanha Ocidental (capitalista) em meio ao território que ficou com os soviéticos na partilha, ou Alemanha Oriental. E porque o muro não era uma reta apensar na cidade, mas uma espécie de circulo ao redor da Alemanha capitalista. 

Na briga de influência para se provar o que era melhor, capitalismo ou comunismo, tudo valia. E eu escrevo isso tentando não fazer nenhum juízo de valor – só relatando tudo o que eu aprendi na escola, podcasts e documentários que andei vendo antes de viajar para Berlim. E os Estados Unidos chegou grandão na Europa com seu Plano Marshall de reconstrução pós-guerra. Injetou dinheiro nos países que ainda catavam seus caquinhos e foi aumentando o seu poder, sua força. Ao impulsionar o consumo e o American Way of Life, a sensação era de que tudo no lado Ocidental era melhor – comprava-se mais, tinha mais emprego… E assim por diante. Logo, o fluxo de habitantes da Alemanha Oriental migrando para o lado capitalista era grande, e isso deixou o governo soviético desgostoso. Por isso, do dia para a noite, eles decidiram erguer um muro. Um muro que dividiu famílias, amigos, parentes… Teve gente que foi dormir fora de casa em uma noite, e não pode voltar mais. 

Powered by GetYourGuide

Rápido assim? Sim, rápido assim.

Primeiro eram cerquinhas de arame farpado, depois de pedra… Já haviam postos de controle, segurança armada 24 horas por dia. Os muros altos de concreto chegaram por último. Eram quilômetros e quilômetros de muros, que partiam de Berlim para o restante da Alemanha, cruzando rios e bosques, e bloqueando linhas de trem, metrô e qualquer outros meios de transporte ou comunicação que antigamente ligavam os territórios. É uma loucura, né? Gente, o muro de Berlim foi erguido em 1961 e derrubado somente quase 30 anos depois (em novembro de 1989). Muita gente ainda viva hoje que viu tudo isso acontecer. Em alguns pontos, fica o questionamento: nossa, mas nem é tão alto assim. O problema não era somente a altura, a extensão ou a simbologia do muro, mas a zona da morte, uma extensão de terra pós-muro onde estavam as guaritas e os militares, prontos para agir caso alguém ousasse tentar a sorte. E tentaram, viu? Estimam-se centenas de morte.

Por que o muro caiu? A combinação de vários fatores. A insatisfação popular foi uma delas – e é bom dizer que não somente a alemã, mas de vários países que formavam o bloco socialista – como a Polônia, Hungria e Tchecolosváquia (hoje, República Tcheca e Eslovaquia) e a ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev na União Soviética (em 1985) foi outra, já que ele ficou reconhecido por suas concessões e suas politicas de abertura (Glasnost) e reconstrução (Perestroika). Ele até ganhou um Prêmio Nobel da Paz, sabia dessa, voyajante? Por ter dado fim à Guerra Fria de forma pacífica… Não que ele quisesse dissolver a União Soviética. Mas, quem sabe eu entro nessa espiral quando visitar a Rússia

Tá, Jeanine, e em que momento o muro caiu? Opa, vamos lá, porque eu achei bem curioso e se me contaram isso durante as minhas aulas de História da escola, eu não lembrava. Na época, o porta-voz da Alemanha Oriental chamava-se Gunter Schabowski. E em uma bela noite, durante uma coletiva de imprensa, o homem tirou um papel do bolso e, com duas palavras, derrubou o muro de Berlim. Eu explico:

Ele explicava que vistos para ir para a Alemanha Ocidental começariam a ser distribuídos de forma gratuita para a população e um jornalista italiano perguntou quando. E ele respondeu que “a partir de agora, imediatamente“. Milhares de berlinenses que assistiam à coletiva de imprensa, de ambos os lados, foram para os postos de controle. Sem saber o que fazer com as multidões, os guardas começaram a abrir os portões. E aí virou festa. Subiram no muro, reencontraram as pessoas do outro lado do muro. As imagens e vídeos do dia são emocionantes de assistir – recomendo.

Powered by GetYourGuide

Holzmarkt 25, Hackescher Markt, e Haus Schwarzenberg

Andamos sentido de volta para a Alexanderplatz e fomos passando por diversas areas super cool e famosas de Berlim. O primeiro foi o Holzmarkt 25, mais perto do East Side Wall. Mas bom mencionar aqui também a existência do Hackescher Mark e Haus Schwarzenberg, ambos mais próximos da Alexanderplatz que também são boas paradas para fotos, comer ou beber algo. A gente passou por todos só para fotinhos mesmo.

Aqui eu devo dizer que os mercados da cidade e os parques são muito bonitos e bombam demais no verão – que não é o caso da nossa visita. Estivemos por lá em Fevereiro de 2026 – ou seja, quase que o ápice do inverno. Então não ficamos curtindo os parques e os mercados, que em sua maioria, são bem abertos. A cultura do biergarten é bem forte da Alemanha (e na Europa) – então vale sim aproveitar se você estiver na estação correta. 

Eu só queria explicar a ausência dos parques e porque não ficamos tanto tempo nos mercados como a maioria dos outros blogs de viagem. Mas, como dizia a minha mãe, eu não sou todo mundo mesmo, hahaha. 

Onde comer em Berlim: Burgermeister

Falam que é o melhor hambúrguer de Berlim e, bom, tivemos que ir testar. O bom é que trata-se de uma rede de restaurantes – então dá para você dar uma pesquisada e ver qual é o melhor restaurante para o seu roteiro. A locação mais famosa é a sua primeira, instalada dentro de um banheiro público. Reza a lenda que o fundador da Burgermeister, chamado Cebrail Karabelli, passou pelo local e ficou intrigado com aquele edifício histórico completamente esquecido. Depois de muita insistência junto à prefeitura e aos órgãos de preservação do patrimônio, conseguiu autorização para restaurá-lo e transformá-lo em uma lanchonete. Obviamente, é a unidade mais cheia. Então ou vá cedo, ou vá preparado para pegar fila. Há consenso de que vale a pena a espera.

A gente não foi na loja original. E o nosso veredito? Gostamos. Não é um daqueles lugares com milhões de opções que te deixam até triste porque você tá com fome mas não sabe o que escolher. Os pedidos foram feitos naqueles quiosques de auto-atendimento – você não fala com ninguém. Além dos dois lanches, pegamos também para dividir uma porção de batatinhas. Foi rápido e fácil. Não poderia não recomendar.

Berlin Unterwelten

Lembra que em Edimburgo, na Escócia, e em Nápoles, na Itália, a gente fez rolês no subterrâneo da cidade? Pois bem, por que não colocar nossa (não) claustrofobia em jogo e ir ver de perto os bunkers (acho que em português seriam abrigos antiaéreos) construídos pelos nazistas mais para o final da Segunda Guerra Mundial

A gente visitou um bunker durante a nossa Eurotrip (uma viagem low cost de 35 dias pela Europa em 2018 – que você lê na íntegra aqui no blog) em Cardiff, no País de Gales. Mas não foi igual. O abrigo britânico era dentro de muralhas de origem romana – aqui em Berlim, a gente desceu. E confesso que foi esquisito. 

Os tickets

E apesar de terem sido “construídos” para proteger a população de Berlim contra os ataques dos aliados na Segunda Guerra Mundial, os abrigos foram melhorados durante a Guerra Fria. Não por medo de ataques nucleares, até porque Berlim era uma cidade dividida entre todos os ganhadores – a proximidade territorial com o inimigo faria com que qualquer ataque mais “vigoroso” fosse quase que literalmente um tiro no pé.

Mas o subterrâneo berlinense serviu como uma malha logística mesmo, afinal, são quilômetros de caminhos ligando diferentes pontos da cidade. Tanto que é impossível fisicamente você visitar os mais de três mil bunkers listados apenas na capital alemã. Por isso, você vai ter que fazer uma escolha (e que difícil que foi!) já que existem alguns tours possíveis. Nós escolhemos a empresa Berliner Unterwelten – que é uma associação de pessoas que se unem nesses tours para arrecadar dinheiro, se pagarem, e preservarem esses pedacinhos de história mundial. Como o nosso próprio guia falou – é bastante caro manter as grandes empresas longes, ainda mais em capitais europeias onde o metro quadrado é tão caro.

Eu fiquei em dúvida entre dois passeios: um com foco na Segunda Guerra Mundial (que foi o que fizemos), um chamado Mundo em Trevas, que aborda a Guerra Fria… E não, não é o mesmo bunker com tours focados em um períodos diferentes. Dependendo do que você escolher, é um endereço completamente diferente.

A visita 

Como nem eu nem o Gian falamos alemão, fizemos uma filtragem apenas por tour em inglês. E na data que gostaríamos de visitar, o passeio começava às 15h – o que para a gente aqui do Voyajando é tarde. Gostamos de coisas na manhã – mas comi bola e perdi o horário das 11h. Mas, tá valendo. Porque eu queria de domingo mesmo já que, como expliquei ali em cima, é o dia da semana que as lojas estão fechadas.

A entrada do bunker é meio longinho do centro, então por conta do frio, a gente pegou um metrô até lá. Ficamos um pouco perdidos com a entrada (o ponto de encontro) para o passeio, mas se você ler com atenção às instruções que enviam para você no e-mail, não tem erro não. Até porque eles tem uma bilheteria física por lá. É fácil de achar.

Pagamos €18 cada no ingresso para o bunker e, como mencionado, compramos com antecedência pelo site deles. E fica aqui a dica – porque o horário que eu queria mesmo, eu perdi. No GetYourGuide (link afiliado) você encontra uma experiência parecida de bunker que é na realidade um museu. A gente decidiu fazer o Berliner Unterwelten como um apoio ao grupo de voluntários que trabalham ali sem fins lucrativos. É barato? Não é. Mas é uma aula de história.

Powered by GetYourGuide

O tour que escolhemos durou cerca de 1h30. E como não são permitidas fotos ou vídeos, são realmente 90 minutos de muita informação e bateção de perna pelo subterrâneo. E, sinceramente, foi muito, muito bom. O nosso guia acabou que era um historiador americano que vive na Alemanha há mais de 10 anos. Então se na visita à Topografia ao Terror a gente escutou de alemão, ali a gente acabava vendo o outro lado.

A entrada para o bunker era dentro do metrô mesmo – aquele que a gente usou para chegar até a atração. O metrô já existia muito antes da guerra, é bom dizer, mas foi convertido em abrigo anti-aéreo na parte final da Segunda Guerra Mundial, quando a Alemanha começou a ser bombardeada pelos Aliados. Segundo o guia, as cidades alemãs eram alvo de dia e de noite – então acabou se tornando parte da rotina dos cidadãos irem para o abrigo assim que escutavam as sirenes. Bom lembrar que as famílias mais abastadas possuíam abrigos dentro de suas próprias residências – e o metrô, que lotava, acabava servindo ao restante da sociedade.

Uma das coisas que me surpreenderam, talvez porque eu nunca tenha parado para pensar nisso, é que os bunkers eram abrigos temporários e serviam apenas para os momentos em que a cidade estava sob ataque. A partir do momento que havia uma pausa, todo mundo voltava para a vida no exterior, para os seus afazeres. Então por mais que o bunker contasse com banheiro e bancos, não tinha ali embaixo uma estrutura de moradia – como cozinha, por exemplo. Até porque era bastante apertado.

Outra coisa que me chamou bastante a atenção é que além de converterem os metrôs em abrigos antiaéreos, os alemães também construíram estruturas para tal finalidade – e uma delas estava bem na nossa frente, no meio do parque do outro lado da rua do metrô. Então, obviamente, eu e o Gian fomos lá dar uma olhadinha quando o tour acabou. Chama-se Flakturm Humboldthain se você quiser colocar no seu mapa. Quando a Segunda Guerra terminou, os aliados tentaram destruir essas construções de guerra – mas o abrigo era tão fortificado, que eles não conseguiram. Após algumas tentativas, deixaram por lá. E dá para visitar nos meses de verão (no inverno, aparentemente, é dominado por morcegos).

Bernauer Str.

A ideia era pegar o metrô de volta para o centro da cidade, mas o dia estava bonito e decidimos caminhar. Ainda na temática dos muros de Berlim, que acabou querendo ou não delineando todo o nosso dia, chegamos até a Bernauer Straße, um dos lugares mais fortes para entender o que foi a divisão da capital alemã. Deu para ver na hoje colorida East Side Wall? Sim, deu. Mas ali na Bernauer Straße a gente vê que o muro passava literalmente entre prédios e ruas. Por ali, as pessoas “podiam” pular as janelas da sua casa em uma zona e cair na outra. É surreal de ver, e imaginar viver em uma realidade assim.

Onde comer em Berlim: Gasthaus Mutter Hoppe

Fechamos o nosso dia do Gasthaus Mutter Hoppe, bem pertinho da Alexanderplatz. Como fizemos reservas pelo site do lugar, a gente enrolou um pouco para dar o horário “tomando uma”, como diria o Gian, em um bar na esquina do restaurante. Foi bom para esquentar depois de termos andado desde o bunker até o centro.

Reza a lenda que foi inspirado em uma estalajadeira que vivia por ali, uma senhora chamada Mutter Hoppe (em tradução seria algo como “Mãe Hoppe”). Em alguns ambientes, a decoração do restaurante traz elementos que remetem ao espírito das antigas tabernas berlinenses. É bem legal!

Os pratos foram super bem servidos – o Gian pegou um joelho de porco e eu fui de uma salada de cogumelos gigantes recheados. Estava tudo muito gostoso.

Dia 3 – Berlim na neve e o Parlamento

Eu errei bastante no roteiro de Berlim, voyajante, e é aqui no terceiro dia que eu preciso admitir. Errei porque o dia 3 era uma segunda-feira e, assim como em Milão (onde eu tinha a informação e montei um roteiro de igrejas para fazer no dia), muitas das atrações berlinenses fecham neste dia da semana.

E por que eu não tinha a informação? Por falta de pesquisa – puramente. Eu poderia elencar aqui todas as minhas desculpas por ter montado o meu roteiro de Berlim nas coxas. Como por exemplo, viajamos em Fevereiro de 2026 – ano E mês que eu e o Gian também decidimos mudar de apartamento aqui em Dublin, onde moramos há alguns anos. Então entre montar meu roteirinho e embalar minhas coisinhas, a segunda opção infelizmente teve que ser uma prioridade.

Kurfürstendamm

Começamos o dia na Kurfürstendamm. Se a Alexanderplatz representava o lado oriental, a Kurfürstendamm era o centro da Berlim Ocidental. E se é consequência ou coincidência, eu não sei, mas é um centrinho comercial com muitas lojas para dar uma olhadinha.

Aliás, a história da Kurfürstendamm é mais antiga a Guerra Fria – refletida na (ainda lá) Igreja Memorial Kaiser Wilhelm. Igreja memorial? Sim. Ela foi severamente danificada durante bombardeio dos Aliados na Segunda Guerra Mundial e o governo alemão decidiu não restaurar o monumento. Falta de verba, Jeanine? Não. Como memória – um lembrete a todos sobre os males dos conflitos.

Charlottenburg Palace

Da Kurfürstendamm, a ideia era ir para o Charlottenburg Palace. Mas não deu certo porque, né, segunda-feira e o lugar não abriria. O palácio foi construído entre os anos de 1695 e 1699 para ser a residência de verão da Rainha Charlotte, segunda esposa de Frederico III. Ela faleceu em 1705 sem ver as obras concluídas, e durante um período o lugar foi chamado de Lietzenburg

O palácio, que é aberto para visitações pela bagatela de €12 por pessoa (Fevereiro 2026), foi fortemente bombardeado durante a Segunda Guerra Mundial – e assim como vimos em Munique, muito se perdeu no sentido de não poder ter sido restaurado, principalmente na segundo andar. Viajar em baixa-temporada abre a possibilidade de comprar ingresso na bilheteria – e aí foi meu erro, foi como não percebi de antemão que o lugar não abre às segundas.

Powered by GetYourGuide

Ainda conservam-se lá dentro móveis e objetos originais da época – lembrando que a Prússia foi um dos principais reinos germânicos e uma das responsáveis pela unificação da Alemanha. Eles eram bastante poderosos e causavam bastante na Europa durante sua existência – tanto que o Primeiro Reich, que Hitler queria tanto recriar, foi assinado pelos prussianos. 

Tiegarden

Da Kurfürstendamm, já que não passaríamos mais pelo palácio, passamos em uma cafeteria pegarmos umas bebidas quentinhas e seguirmos andando. Segurando nossos cafés em nossas mãos enluvadas, entramos no Tiegarden, um dos parques da cidade. Parque, Jeanine, no inverno? Foi só para dar uma olhadinha na sua principal atração, a Siegessäule: uma coluna dourada de 67 metros de altura erguida em comemoração à vitória da Prússia sobre a Dinamarca na guerra Prússia-Dinamarca de 1864. No topo, destaca-se a estátua de bronze da deusa romanaVitória com 8,3 metros de altura e cerca de 35 toneladas.

Me arrependi de ter visitado o Tiegarden no inverno? Um pouco. Se tivéssemos ido para lá nos outros dois dias, não seria um problema. Mas estava nevando no dia 3 – e aí foi um problema. Não estava só frio como escorregadio. As fotos, porém, ficaram muito boas.

E uma vez dentro do parque, fica desafiador sair de ladinho para pegar um transporte.

Acabamos fazendo outra parada para fotos – agora na neve – no Portão de Brandemburgo. A ideia era ir diretamente para a Ilha dos Museus – que já citei no nosso primeiro dia, aquele complexo reúne cinco museus e é Patrimônio Mundial da UNESCO. Mas, o destino tinha outros planos para a gente. E, como eu sou legal, vou mesmo assim trazer a info da atração para cá. Se você conseguir visitar um deles, conta para a gente aí nos comentários ou lá no nosso Instagram. Vamos amar receber a sua mensagem.

Ilha dos Museus

Chamada em alemão de Museumsinsel, é como o nome já diz: uma ilha de museus. Ao todo, são cinco grandes construções por ali e cada uma abriga uma temática diferente. São eles: o Museu Pergamon, o Museu Antigo, o Museu Novo, a Antiga Galeria Nacional e o Museu Bode

De novo, é considerado um Patrimônio da Humanidade da UNESCO, e pode ser explorada em conjunto (com 1 ticket que vale para todos eles) ou individualmente (comprando apenas para aqueles em que as temáticas interessarem).

Infelizmente, como mencionei lá em cima, o museu que mais me encantou – Museu Pergamon – estava fechado para reformas durante a nossa viagem (Fevereiro 2026). Então optei por não entrar em nenhum museu ali da Ilha durante essa viagem. Mentira, quando vi que o palácio estaria fechado, corri para o site do Museu Novo para comprar um ingresso. Mas ele também não funciona. No fim, optamos por salvar uns euros e ir passear em outros lugares. Mas, se você se interessar, a Jenifer teve acesso a ele quando esteve por lá e você consegue ler mais sobre essa experiência aqui.

  • Museu Pergamon – E considerado o mais importante da ilha e o mais visitado de Berlim – não por mim, hahaha, porque ele estava fechado para reforma. Foi inaugurado em 1930 e contem uma mostra importante com pecas da Antiguidade, do Oriente e de Arte Islâmica. A obra mais famosa é a que dá nome ao muse: O Altar de Pergamon, construído há mais de 2 mil anos e trazido da Grécia ali para dentro das instalações do museu. Também destaca-se a Porta do Mercado Romano de Mileto de 1209 e cerca de 17 metros de altura. 
  • Museu Novo – É ali que está o busto de Nefertiti datado e 1352 ANTES de Cristo. Nem coloquei o a.C. que é para você se atentar na informação. O mais incrível é que ela está preservada em perfeitas condições. Junto com ele, outros mais de 2,5 mil artefatos do Egito e de outros povos pré-históricos.
  • Antiga Galeria Nacional – Ali você encontra pinturas e esculturas realistas do século XIX. Um dos principais destaque são as obras do pintor berlinense Adolph Menzel. A cereja do bolo é mais o edifício em si, de estrutura neoclássica datado de 1876. 
  • Museu Bode – Apesar do nome ser engraçado em português, as obras ali localizadas são seríssimas. É uma das maiores coleções de esculturas, de Arte Bizantina e de moedas do mundo. Na última categoria são mais de 4 mil com algumas datadas do século VI a. C. 
  • Museu Antigo de Berlim – Aqui estão as obras da Antiguidade, com temáticas que retratam os deuses e as tragédias gregas e romanas. 

De qualquer forma, eu recomendo passear lá pelo meio para ver a grandiosidade da Ilha dos Museus. Suas fachadas já chamam muito a atenção – imagina o acervo?

Onde comer em Berlim: TAT

Tá, esqueci de comentar que para irmos para o Kurfürstendamm de manhã, a gente comprou um ticket de metrô de 24h. E o motivo é que usaríamos o mesmo bilhete para irmos para o aeroporto no dia seguinte. Sim, foi tudo friamente calculado. E, já que estávamos com o benefício do transporte ilimitado, o céu era o nosso limite.

Depois, é bom também lembra-lo, voyajante, que o roteiro do terceiro dia estava todo torto por conta das atrações fechadas – o que liberou um tempo significativo no nosso dia. Fizemos uma pesquisa no nosso amigo The Fork, aplicativo de reserva de restaurantes que a gente já CANSOU de sugerir para vocês aqui e no canal do blog (e que dá muitos descontos) e encontramos um restaurante asiático localizado perto de um metrô – mas bem mais afastado do centro, e que estava muito bem avaliado E com desconto. Não poderíamos dizer não. E fomos para lá. E que bom que o fizemos.

Sem mistérios agora: é um restaurante asiático chamado TAT. Eu fui de poke, o Gian pediu um prato quente e, nossa, como fomos felizes. O atendimento foi muito bom e, de quebra, experimentamos o café vietnamita e uma sobremesa que foi sugestão do moço que nos atendeu. Sério, se tiverem com tempo e afim de uma culinária oriental – a gente recomenda.

Parlamento Alemão

Construído entre 1884 e 1894, era a antiga sede do Império Alemão e depois da República de Weimar – tem contextualização histórica lá embaixo, vai ver. Um dos eventos históricos famosos envolvendo o prédio foi um grande incêndio (em 1933) que foi utilizado posteriormente por Hitler como forma de incriminar os comunistas e, assim, aprovar a lei que dava à ele plenos poderes de governo. A famosa “ameaça comunista” que nós, brasileiros, também conhecemos bem. 

E esses plenos poderes custaram caro, já que ele aboliu a maioria dos direitos fundamentais da Constituição de 1919 da República de Weimar. 

O Reichstag foi praticamente destruído durante a Segunda Guerra e reconstruído depois dela. Ficava do lado ocidental do muro de Berlim – praticamente do lado dele, bem perto da fronteira. Sua famosa – e linda – cúpula de vidro só foi construída depois da queda do muro, em meados dos anos 90, e tem espelhos que refletem a luz solar e proporciona a iluminação natural dentro do prédio. A gente visitou no inverno, e em um dia de neve. Logo, fecharam a bendita por conta das “condições climáticas”. Falaram que se abrissem no dia seguinte, a gente poderia voltar que eles deixavam a gente entrar – mas nós já estávamos indo de volta para Dublin.

Os tickets

Se você quiser visitar o parlamento alemão, saiba que você pode optar pelo tour guiado e cúpula ou apenas a cúpula. Já que estávamos com tempo na cidade, escolhi o tour guiado com a cúpula, lembrando que a visitação é gratuita. Então, por que não? O único adendo é que os seus bilhetes precisam ser reservados com antecedência, de até 1 mês, por esse link aqui. Você primeiro registra seu interesse, já escolhendo a língua que você prefere. Depois, tem que confirmar os dados de quem vai e, por fim, espera. Eles vão confirmar se você conseguiu por e-mail. 

Caso eu pudesse escolher, não seria no dia 16 de fevereiro, às 17h. Mas, foi o que deu para fazer – e foi bem legal! Além da dica para reservar os seus bilhetes com antecedência, vale também dizer que o lugar é grandão e tem alguns pontos de segurança. Então, tem que chegar mais cedo.

A visita

Ela dura cerca de 90 minutos, começando pelo tour no prédio (com o ponto alto sendo a sala onde os parlamentares se encontram para decide os assuntos pertinentes ao povo alemão) e depois seria a visita à cúpula. Tanto o prédio quanto a cúpula foram redesenhados e desenhados pelo arquiteto Norman Foster – e a última tem um simbolismo interessante:

Foi construída em cima do prédio, com vista para as sessões políticas que acontecem no térreo. Um lembrete que o povo está acima das decisões que são feitas ali, no centro da democracia alemã. o vidro remete à claridade e à transparência que se espera dos políticos ali sentados (aliás, no mesmo site que a gente fez a reserva do tour turístico, também se pode registrar interesse para ser espectador quando o parlamento está em sessão). 

O bom de incluir o Reichstag no seu roteiro não é apenas a possibilidade de visitar o prédio – mas seu amplo horário de funcionamento também. E é tão interessante. A guia foi mostrando as curiosidades do prédio – como assinaturas preservadas dos soldados do exército vermelho do período em que ocuparam o prédio, e a escolha da cor dos assentos no salão principal.

Então fica aqui a dica e programe-se com antecedência, para não ficar sem o seu bilhete (até porque, vai para a análise, e para a gente demorou uns três dias para sair a aprovação). 


Contextualização histórica

Olha, eu nem ia tentar contextualizar você historicamente nesse texto porque eu não me sentia capaz. Aliás, no presente. Ainda sinto que não sou. Mas achei importante trazer algumas coisas mais como curiosidade do que na tentativa de ensinar algo — que definitivamente não é meu papel e está completamente fora do meu escopo.

Para grau de comparação, Portugal se tornou um país (um reino primeiro, mas a ideia de identificação nacional) no começo do século XII. A Alemanha como país não viu a Revolução Francesa, não viu Napoleão Bonaparte… Existia uma identidade germânica, mas não um país (ou reino). Isso aconteceu em 1871.

Mas, é fato que Berlim respira história e viu de tudo, e viu muito. Então ao passar por cada uma das atrações turísticas, alguns períodos históricos acabaram citados. Daí a necessidade dessa brevíssima contextualização histórica. Os Reich, por exemplo, foram bastante citados no texto: o primeiro foi o Sacro Império Romano Germânico (800–1806), o segundo foi o Império Alemão (nasceu em 1871), e o terceiro, de Adolf Hitler e do seu nazismo (de 1933–1945).

Mas, vamos voltar mais um pouco?

O território que hoje compreende a Alemanha era formado por diversos povos germânicos — povos que compartilhavam entre si alguns aspectos culturais, língua e etc. Mais de 40, viu? Ou seja, eram diferentes entre si, mas com algumas semelhanças. Então, germânicos. Eles estavam dessa região europeia desde sempre — coexistindo no mundo junto com os romanos e com os celtas. Estou sendo bem simplista, viu? Professores de história e entusiastas, não me matem. E corrijam-me aqui nos comentários hahaha.

Exemplos desses grupos germânicos são: alamanos (de onde veio o nome Alemanha bem mais tarde), francos, catos, saxões, frísios e turíngeos. E foi Carlos Martel — não um rei, mas o poderoso líder dos francos — quem consolidou o poder sobre esses povos e abriu caminho para o que viria a seguir. Seu filho, Pepino, o Breve, assumiu o trono em 751 e fundou oficialmente a Dinastia Carolíngia. E foi o filho desse Pepino, Carlos Magno, quem foi responsável por expandir esse território e chegou a fundar o Império Carolíngio. Que, mais tarde, com o apoio da Igreja Católica e o Papa da época, tornou-se o Sacro Império Romano Germânico. Ufa!

O Sacro Império Romano Germânico existia, mas cada estado dentro dele era um tanto quanto autônomo, bom dizer. Muita água rolou embaixo dessa ponte e, o que você precisa saber, é que foi mais ou menos nesse período aí que Martinho Lutero traduziu a Bíblia para o alemão, e a popularização da “palavra de Deus” fez eclodir as conhecidas reformas protestantes — uma afronta para a Igreja Católica e o Papa.

Outro fator de destaque que impulsionou a fragmentação do império foi a vitória de Napoleão Bonaparte na Batalha de Austerlitz — e o imperador do Sacro Império Romano Germânico na época abdicou do trono. Na verdade, ele continuou imperador apenas da Áustria, que era um estado de todo o império. O restante continuou lutando contra os franceses.

O início da unificação alemã

Após a derrota de Napoleão, criou-se a Confederação Germânica (1815) — que era o grupo dos estados que faziam parte do Sacro Império Romano Germânico. Para você ter uma ideia, quem fazia parte dessa coligação eram: o Império da Áustria, reinos da Prússia, Baviera, Württemberg, Saxônia, Hannover… Então sim, voyajante, era um mix de império, reinos, ducados, principados, cidades-livres. Um caldeirão, né não?

Alguns anos mais tarde, liderados pela Prússia (e tirando a Áustria da jogada), os estados germânicos criaram uma espécie de bloco econômico, que facilitou, simplificou e fortaleceu as trocas comerciais entre eles. Com esse impulso da economia local, foram feitos investimentos no transporte e na indústria interna. Ou seja, a Alemanha, quando finalmente nasceu, nasceu com infraestrutura.

Os ventos da Primavera dos Povos (derrubada dos regimes absolutistas pela Europa) sopraram pelos estados germânicos e o rei da Prússia, Guilherme I, incumbiu seu Ministro-Presidente, Otto von Bismarck, a unificar de vez o território germânico — ou melhor, a enfim criar a Alemanha.

E o que ele fez? Foi conquistar terras. Primeiro, fez uma aliança com os austríacos por dois territórios ocupados pelos dinamarqueses. Ganharam e dividiram. A divisão não saiu como queriam, então a Prússia e a Áustria entraram em guerra. Mas, ao mesmo tempo que haviam confrontos no norte do país contra os prussianos, os austríacos também lutavam no sul contra os italianos. Um acabou ajudando o outro, e nisso a Prússia foi lá e conquistou não só os territórios que ganharam contra a Dinamarca, mas todos os estados germânicos que apoiavam a Áustria.

E aí, a guerra foi contra a França — já que os bonitos não queriam a independência dos estados germânicos. A Prússia venceu, pegou mais territórios e, em 18 de janeiro de 1871, Guilherme I da Prússia foi proclamado Imperador da Alemanha — em uma cerimônia realizada no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, na França, para deixar bem claro quem havia vencido. Nascia o país e o segundo Reich.

Primeira Guerra Mundial

Jeanine do céu, só agora chegamos na Primeira Grande Guerra? Sim, voyajante, e eu tô resumindo o máximo que eu consigo para não ficar uma contextualização sem sentido. Eu juro! A derrota da França para a Prússia, agora Alemanha, deixou no ar um revanchismo, uma tensão. Com a ascensão de movimentos nacionalistas, não demorou muito para os países começarem a unir forças, fazerem acordos. Em breve, a última gota de água faria tudo transbordar.

A Alemanha juntou-se com a Itália e o Império Austro-Húngaro. A França, a Inglaterra e a Rússia fecharam também seus acordos militares. O assassinato do Arquiduque Francisco Fernando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, em Sarajevo, em 1914, foi a última gota. A Primeira Guerra Mundial havia começado.

A derrota alemã em 1918 foi devastadora — e não apenas militarmente. O Tratado de Versalhes, assinado em 1919, impôs à Alemanha condições humilhantes: perda de territórios, restrições militares severas e o pagamento de reparações de guerra gigantescas. A cláusula que responsabilizava a Alemanha pela guerra foi especialmente sentida pela população. Era o caldo perfeito para o que viria a seguir.

O período entre guerras e a ascensão do nazismo

A República de Weimar, que governou a Alemanha entre 1919 e 1933, foi marcada por instabilidade política e uma crise econômica brutal. A hiperinflação dos anos 1920 destruiu a poupança de famílias inteiras — conta a história que as pessoas carregavam dinheiro em carrinhos de mão para comprar pão. A Grande Depressão de 1929 piorou tudo.

Foi nesse contexto de humilhação, pobreza e desespero que Adolf Hitler e o Partido Nacional-Socialista ganharam força. Em 1933, Hitler foi nomeado Chanceler da Alemanha. Em pouco tempo, desmantelou as instituições democráticas e instaurou o que ficou conhecido como o Terceiro Reich — o regime nazista que duraria até 1945.

A Segunda Guerra Mundial e Berlim

Não preciso te contar o que foi a Segunda Guerra Mundial — mas preciso te dizer o que ela fez com Berlim. A cidade foi bombardeada pelos Aliados (e escutamos muito sobre isso na nossa visita ao bunker) e, nos momentos finais da guerra, palco de uma das batalhas mais sangrentas do conflito: a Batalha de Berlim, em 1945. O que sobrou foi uma cidade em ruínas, dividida em quatro zonas de ocupação entre os vencedores: Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética.

Essa divisão não demorou a se tornar uma divisão de verdade. Era o auge da Guerra Fria. Em 1961, a Alemanha Oriental construiu o Muro de Berlim — literalmente um muro de concreto que separava famílias, vizinhos, a cidade ao meio. Ele existiu por 28 anos. Caiu em 9 de novembro de 1989, em uma das cenas mais emocionantes do século XX. Também visitamos diferentes trechos dos muros nesse roteiro de 3 dias em Berlim.


É por isso que Berlim respira história em cada esquina. Não é exagero. Acho que nunca fiz uma contextualização histórica tão grande em um texto do Voyajando. Então, já fica aqui o convite que se você aprendeu algo ou conseguiu se inspirar em algumas coisa desse roteiro, eu te convido a espalhar a palavra do blog por aí e, quem sabe, ir dar uma moral para a gente nas outras plataformas (a gente tem nosso Instagram e nosso canal no Youtube). Pode inclusive reservar o seu hotel, comprar seus tickets ou alugar o seu carro usando um dos nossos links afiliados. Na maioria das vezes, você não paga nada a mais por isso e ajuda a gente a manter o site no ar.

Também vou deixar claro que fiz uma checagem de fatos na contextualização histórica na inteligência artificial – então eu espero que não tenha erros. Mas se você encontrou algo que tá muito torto – avisa aí nos comentários do blog mesmo, por favor. Um beijo para vocês e até a próxima.

VISITA AO COLISEU

Powered by GetYourGuide

SOBRE NÓS

O Voyajando surgiu do sonho de criar um espaço para trocar dicas de passeios, restaurantes, hotéis e tudo o mais que envolve os pequenos períodos maravilhosos da vida que chamamos de viagens. São elas que nos proporcionam a possibilidade de descobrir novos universos, ter contato com outras culturas e outros jeitos de ver a vida. O Brasil e o mundo estão cheios de lugares incríveis. Vamos conhecê-los juntos?

VISITE O DUOMO DE MILÃO

Posts  Relacionados

Deixe  um  comentário

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *