Natal em Paris: roteiro completo de 4 dias na capital da França

Passar o Natal em Paris sempre parece uma boa ideia. E é. Mas é preciso de planejamento para evitar frustrações. Entre luzes, mercados, igrejas e museus, a cidade revela uma atmosfera diferente. E, ao contrário do que se imagina, não é silenciosa. É cheia. Bem cheia. E fria. Bem fria. 

E eu venho escrever essa matéria alguns meses depois da viagem e o veredito é: simplesmente passem o seu Natal em Paris. Hoje eu olho para trás com muito carinho dessa experiência. Como é de praxe do Voyajando, aqui a gente compartilha tudo. O que fez sentido e o que não fez. Os perrengues e os acertos. Para você fazer (ou não) como a gente quando em Paris.

Foram  4 dias em Paris durante o Natal – e mesmo com uma pesquisa prévia e extensa pesquisa – algumas coisas fizeram muito sentido fechar com bastante antecedência. Outras, nem tanto. Para fins de contextualização, chegamos em Paris no dia 24 de dezembro e fomos embora no dia 28. A viagem em si (avião e hotel) foram reservados com quase 6 meses de antecedência – o que eu recomendo fortemente de você fazer. 

Mas, vamos por partes. Antes, vale dizer que se você chegou aqui pesquisando por Paris, mas não vai passar o seu Natal por lá – tem outras duas matérias que fazem mais sentido para você aqui no blog. Porém, por se tratar da minha privilegiada quarta vez na cidade luz, os pontos turísticos e restaurantes sugeridos por aqui vão ser diferentes das passagens anteriores. Então, fica por aqui sim… Só ignora as especificidades das datas festivas. 

Chegada em Paris: como sair do aeroporto

Saindo do aeroporto Paris Charles de Gaulle (ou CDG), fomos direto para o transporte público. Pegamos o trem RER B sentido Paris por €13 e descemos em Châtelet–Les Halles. De lá, seguimos de metrô pela linha 7 até Crimée, já praticamente ao lado do hotel da vez, que falaremos mais a seguir. Foi tudo muito tranquilo e sem erro. Você pode comprar o seu bilhete na bilheteria, nas máquinas ou direto no aplicativo “carteira” do seu iPhone (não sei se existe um equivalente para os celulares de sistema operacional Android, gente. Desculpe). 

É um trajeto simples, relativamente rápido e bem sinalizado. Para quem está com pouca bagagem, funciona perfeitamente.

Bom dizer que nossa primeira passagem para Paris era da Ryanair – ou seja, desceríamos no aeroporto de Paris Beauvais. Assim que compramos o voo, entrei em contato com a companhia de ônibus que opera o trecho entre aeroporto e centro de Paris, e eles me falaram que estava muito cedo para ter os horários para o Natal de 2025. O plano B seria pegar um táxi ou um Uber (existem pessoas que não celebram Natal, né, gente? Sabíamos que os valores seriam mais altos, mas eu estava determinada a passar o Natal em Paris. 

Alguns dias depois, a Ryanair cancelou a passagem e nos deu o reembolso. Não teve justificativa, apenas que o voo estava cancelado. Fiquei triste, mas por pouco tempo. O universo se alinhou e as passagens da Aer Lingus entraram em promoção. Ou seja, com a malinha de bordo de 10 kg despachada inclusa no bilhete, pagamos ainda mais barato e descemos no aeroporto Paris Charles de Gaulle.

Outra opção é o táxi, com tarifa fixa a partir de €56, variando conforme o lado do rio Sena. Se você estiver em grupo ou com muitas malas (o que é uma possibilidade no inverno) pode acabar sendo uma escolha mais confortável e até competitiva no preço.

O bilhete: Navigo Pass & pagamento por aproximação

Antes, era possível comprar os bilhetes de papel na bilheteria de qualquer estação e sair usando. Porém, foi algo que mudou recentemente e apenas descobrimos porque a bateria do celular do Gian acabou. Ele teve que comprar um Navigo Pass – tipo o Bilhete Único de São Paulo, ou o Rio Card do Rio de Janeiro – por €2, e fazer uma recarga para poder passar na catraca. Cada trecho no metrô em Paris custou-nos €2,50 cada. Dessa forma, é válido dizer que seja com o seu Navigo Pass ou com o seu iPhone, a única forma de pagar passagem em Paris é por aproximação. 

Tanto nas máquinas como no aplicativo da carteira da Apple, você consegue escolher entre as diversas opções de tickets disponíveis. Mas, se atente. O valor muda de acordo com o tipo de transporte e o quanto você vai utilizá-lo (e eu aprendi isso de uma maneira meio traumática em uma outra vez que estive em Paris – a gente não conseguia sair da estação hahaha). Bom dizer também que em algumas estações você precisa passar o seu mesmo bilhete para sair. É assim que eles verificam se você não está pagando menos do que deveria.

Onde se hospedar em Paris no Natal

Ficamos no Hotel Maison Urbaine, no 19º arrondissement, entre os dias 24 e 28 de dezembro. Escolhemos o hotel por alguns motivos um tanto quanto estratégicos como: cancelamento gratuito (o que salvou a viagem quando a Ryanair cancelou nossos voos), recepção 24h (já que o voo da Ryanair que foi cancelado era mais tarde no dia 24 de dezembro, ficamos com medo de passarmos a véspera na rua) e, por fim, tinha opção de café da manhã no local. Geralmente a gente não fecha hotel com café da manhã, mas achamos necessário dessa vez porque não tinha muita certeza se os estabelecimentos estariam abertos no dia 25 de dezembro, principalmente. Então, pelo menos o café da manhã já estava garantido. 

Quanto pagamos? €423,58 para as quatro diárias com o café da manhã incluso. 

Dia 1 — 24 de dezembro: chegada e ceia de Natal em Paris

Chegamos por volta das 19h, deixamos as malas e saímos para sentir o clima da véspera de Natal. Todo mundo correndo, os comércios no apagar das luzes… Só deu tempo de entrarmos em uma padaria e pegarmos alguns quitutes para comermos e forrarmos o estômago até a hora da ceia. E, nossa, estávamos com muita fome – mas é válido dizer que estava tudo uma delícia. 

Por falar em ceia, aqui vai um conselho direto: reserve a sua com antecedência. Um mês antes não foi suficiente. 

Ué, Jeanine, você não fechou com antecedência? Sim – o voo e o hotel. Eu até cheguei a ver algumas opções de restaurantes para a ceia, mas nenhum estabelecimento divulga muito antes o que farão. Aí me enrolei e quando fui ver, entrei um pouco em desespero pelos valores praticados, confesso. Eu sei que é Natal, que é ceia, mas o céu era realmente o limite para alguns lugares. 

Apesar de plataformas como The Fork e GetYourGuide ajudarem bastante, a oferta de restaurantes com menu especial de Natal é menor do que parece. Quer dizer, haviam várias opções – mas não tantas para uma cidade como Paris. A maioria dos restaurantes que ofertavam ceia eram de hotéis – mas aí você já sabe o preço.

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Mas, se o preço não for um problema para você, você deveria ir assistir um show do Moulin Rouge ou ir comer na Torre Eiffell. Ambos você consegue comprar até no GetYourGuide e já une o útil ao agradável. O turismo e a gastronomia. E vai ser um Natal inesquecível, com toda a certeza. Parecem ser experiências muito legais. 

Você também pode fechar sua ceia no barco, navegando pelo Rio Sena. E sim, até isso eu cogitei, apesar de já ter deixado bastante claro para você, voyajante, que eu e o balançar dos barcos não somos muito amigos. Deu bastante ruim no dia de conhecermos o Arquipélago de Berlengas em Portugal, por exemplo. 

E eis que encontramos o Bouillon Julien em uma busca na internet. Uma recomendação de blog de viagem gringo por sinal. Essa brasserie histórica, com interior Art Nouveau, é famosa por servir pratos clássicos da culinária francesa a preços muito convidativos em um cenário que parece voltar ao início do século XX. Aliás, quer comer bem e com preço justo em Paris? Procure pelos “bouillon”, você não vai se arrepender 

No jantar de Natal, eles ofereceram um menu especial fechado com entrada, prato principal e sobremesa por €41 por pessoa. Reservamos com mais de 1 mês de antecedência e só conseguimos horário para as 23h – e tudo bem (embora lá em casa a gente nunca tenha demorado tanto para comer não hahaha). 

Nós fomos sem saber exatamente o que esperar e acabamos impressionados: o ambiente é bonito que nem nas fotos, o serviço foi super rápido e tava tudo bem gostoso. Nas fotos vocês vão ver que eu e o Gian pedimos pratos diferentes para cada etapa da ceia – então experimentamos um pouco de tudo. 

A sugestão do Bouillon Julien vale para Paris mesmo se você não estiver por lá em época festiva. É um lugar bonito, gostoso e com preço atrativo. Não é publi não.

Dia 2 — 25 de dezembro: Paris mais “vazia” 

Se eu não falei até aqui, é bom dizer agora que esse é o nosso primeiro Natal em Paris, mas não é a nossa primeira vez na cidade. Já fizemos tudo na correria quando a visitamos pela primeira vez – logo depois de passear um final de semana incrível na Disney Paris. Depois, conhecemos a cidade com mais calma no aniversário da Jenifer – que rolou até visita ao Palácio de Versalhes… Enfim, a cada visita, um novo ponto turístico a ser desbravado. Essa é uma das tantas belezas de Paris, não é mesmo? E desta vez foi colocar no roteiro experiências e lugares nos quais ainda não tínhamos tido a oportunidade de ir. 

Mas, não no dia 25. O dia 25 de dezembro não teve um roteiro definido – sem pressa. Até para sentir o que a cidade tinha a nos oferecer. 

Manhã

Começamos por Montmartre e a Basílica de Sacré-Cœur. Construída no final do século XIX, após a Guerra Franco-Prussiana, a igreja tem uma das vistas mais bonitas de Paris. E que vista. O dia estava ensolarado – apesar de frio, então conseguimos aproveitar os arredores com sossego e beber vinho quente.

Não entramos na Basílica porém – a fila estava gigantesca. E, de novo, por não ser a nossa primeira vez em Paris, decidimos não perder tempo esperando. Apesar de também não estarmos com pressa para fazer mais nada. Seguimos andando pelo bairro de Montmartre sentido o Moulin Rouge, onde paramos para fotos. 

Depois, seguimos para a Champs-Élysées, que nessa época do ano costuma estar decorada com iluminação especial. A grande maioria das lojas estavam fechadas, assim como as Galerias Lafayette e as Printemps. Mas passeamos pelas regiões para ver as vitrines e as decorações de Natal – muito, muito bonitas. 

Onde comer: La Taverne de l’Olympia

Por ser 25 de dezembro, eu não esperava comer algo muito elaborado na hora do almoço e aceitaria tranquilamente um crepe, só para ser rápido e fácil. Enquanto caminhávamos, o Gian deu uma olhadinha no The Fork, na região que estávamos, e encontramos o La Taverne de l’Olympia com uma boa avaliação (e desconto extra nos pratos). Estava bem cedo para almoço ainda, mas a minha fome já estava me transformando, então agimos rápido para assegurar um dia de paz. 

O lugar parece um pub, todo decorado com notas (papel moeda) de diferentes partes do mundo. Ficamos entretidos por ali procurando as notas de real do lugar enquanto esperávamos os pratos chegarem. O Gian pediu um escargot para provar – ele estava morrendo de vontade, já que da última vez o restaurante servia uma versão com molho de tomate que ele não é muito fã.

Eu pedi o meu tartare de sempre e, nossa, estava muito gostoso – apesar da apresentação ser bem diferente de todos os outros que eu pedi por Paris. Fiquei meio ressabiada, confesso. Mas, provei e estava sensacional. Por fim, fechamos com um creme brulee e café, ambos de lei. O total da conta foi de €56,10 para duas pessoas.

Tarde

Depois do almoço, continuamos a nossa bateção de perna. E não, não pegamos metrô em nenhum trecho do nosso dia ainda – e a fadiga bateu depois. No caminho sentido a Torre Eiffel, passamos pela Igreja La Madeleine e, tal qual cachorros sem dono, vimos a porta aberta e entramos para dar aquela olhadinha. E nossa. Que linda! 

Ela é toda diferentona, com um jeitão meio de templo greco-romano que podemos chamar de arquitetura neoclássica (desculpem-me, arquitetos de plantão). Isso porque ela foi idealizada durante o reinado de Luis XV, momento em que referências aos clássicos estava na moda na cidade. Porém, ele não viu o projeto se concretizar – nem o seu arquiteto inicial. As obras ficaram paradas por anos e anos, até a Revolução Francesa foi um impeditivo. Já Napoleão, quase converteu a igreja em outra coisa. Foi concluída apenas em 1842, ano em que foi consagrada. 

Tiramos nossas fotinhos depois com o Arco do Triunfo – que estava quase explodindo de tanta gente, com alguns malucos tentando atravessar aquela rotatória ao redor do monumento (sendo que tem passagem segura e subterrânea para lá – não precisa arriscar a sua vida e deixar os franceses pistolas no processo). E encerramos o dia na Torre Eiffel. Não subimos – mas ficamos por ali esperando ela piscar. O seu entorno estava lotado porque tanto ela como os passeios de barco pelo rio Sena estavam operando normalmente. 

A gente até tinha comprado um ticket para fazer o barco no final do dia, mas ao ver a fila, super desanimamos. Só comemos o nosso crepe mesmo e fomos sentido hotel. Reservamos um restaurante bem próximo para o jantar da vez, então não tinha muito porque ficamos por ali pegando friagem (que me exigiu duas caixas de remédio quando voltei para Dublin depois, hahaha).

Bom dizer que a gente não perdeu o ticket do barco, viu? Eles tem uma politica bem bacana de poder usar em até um mês da compra. Então a gente andou de barco nessa viagem sim, só não no dia 25 de dezembro. 

Vale ainda ressaltar que ali na região tem um mercadinho de Natal. Eu achei ele muito pequenino para a quantidade de pessoas tentando acesso – então os seguranças acabavam segurando as pessoas. Mas era uma bela loucura, pessoas se esbarrando e aquele ritmo de caminhar a la baldeação de metrô em São Paulo no horário do pico. Então, sei lá, não foi uma experiência bacana não. 

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Onde comer: Chez Sofia

Chegamos lá na hora da nossa reserva pelo The Fork (que tinha um desconto extra nos pratos – já falamos demais sobre isso por aqui e no Youtube). E com essa mania feia que a gente tem de reservar bem próximo da hora atual, chegamos lá e o moço parecia perdido quando dissemos que tínhamos reserva. Ele perguntou se gostaríamos de sentar dentro ou fora e, por conta do frio, dissemos que dentro. Porém, as mesas estavam todas cheias e acabou que ele expulsou uns rapazes que estavam em happy hour. Fiquei um pouco constrangida, confesso. 

Todo o atendimento foi impecável. Apesar da nossa dificuldade com o francês (leia: não falamos francês) e do nosso garçom com o inglês, a gente se entendeu e eu comi um delicioso tartare com fritas. E, de sobremesa, claro que foi um crème brûlée. Com vinho e cerveja, a conta total foi de €50.

Só de lembrar enquanto eu escrevo, já me faz querer voltar lá. 

Dia 3 — 26 de dezembro: museus, vinho e descobertas

Esse foi o dia mais Voyajando da viagem. Voltamos à programação normal de baterão de perna, e fomos visitar novas atrações de Paris – uma das vantagens de se voltar várias vezes à mesma cidade: incluir atrações que passam despercebidas nos roteiros iniciais de cada lugar. 

Saímos cedo e seguimos de metrô até a região central. Eu, como sempre, olhei o horário de funcionamento errado da atração e chegamos nela 1 hora antes dos portões abrirem. A nossa sorte é que o Petit Palais está localizado em uma das áreas mais bonitas de Paris – e dá para gastar uma hora tranquilo apenas olhando as pessoas nas margens do Sena, fotografando a ponte Alexandre III e vendo os detalhes da fachada do Grand Palais, do outro lado da rua. 

Petit Palais: arte gratuita em um dos prédios mais bonitos de Paris

Talvez bonito seja muito básico para o Petit Palais – um prédio magnifico (eu odeio ficar adjetivando os prédios que eu conheço durante a viagem porque, ultimamente, isso tem se tornado sinônimo de IA. Mas, neste caso, não tem como)  construído para a Exposição Universal de 1900, a mesma que ocasionou a Torrei Eiffel e o Grand Palais, centro de exposições que fica de frente ao Petit Palais. Daí os nomes. O Grand é o grande, e o Petit é o pequeno. Apesar de eu discordar um pouco, já que o lugar é grandioso. De tamanho, de acervo e de beleza. E o melhor? Sua mostra permanente tem visitação gratuita. 

E o que você encontra por lá? Um panorama de arte ocidental, desde a Antiguidade até a Primeira Guerra Mundial. Ao todo, são 43 mil obras em seu acervo, entre pinturas, esculturas, objetos decorativos, móveis antigos e arte gráfica. Entre os destaques estão “The Three Bathers” de Paul Cézanne, “The Nativity” (Natividade), “The Little Alms Collector” de Jan Steen, “Le triomphe de la République” de Aimé Jules Dalou, e o curioso “The Gourmet Pelican”, uma escultura de Emmanuel Frémiet (final do século XIX), feita em bronze patinado com detalhes dourados, representa um pelicano pronto para se alimentar.

Além disso, o museu abriga trabalhos de grandes mestres da pintura francesa dos séculos XVIII e XIX, como Fragonard, Géricault, Delacroix, Courbet, além de peças impressionistas e pós-impressionistas de Monet, Sisley, Cézanne, entre outros. 

Vimos tudo isso? Não. Hahahaha visitar cidades europeias durante o inverno é correr o alto risco de topar com uma revitalização ou reforma – e foi exatamente o que aconteceu. Porém, valeu muito a visita, sinceramente. Pelo prédio em si – e pelo café lá dentro, que é muito gostoso (não falei barato, hein?). O bolo de limão foi necessário para dar aquela torradinha no estômago antes da nossa próxima atração, do outro lado do Jardin des Tuileries.

Aliás, abrindo um adendo aqui para falar so Jardin des Tuileries e do seu gigantesco mercadinho de Natal. Que lugar mais mágico, mais incrível. Ao contrario daquele perto da Torre Eiffel, esse é tão grande que além de opções de comida e presentinhos, tem também uns brinquedos super legais. A gente foi para a próxima atração por dentro dele, já escolhendo o que almoçaríamos quando saíssemos. Somos desses. 

Cave do Louvre: vinho no subsolo mais famoso de Paris

Sim, voyajante, existe uma cave ali na região do Louvre. Eu não sabia – acabei descobrindo quando dei aquela olhadinha básica no GetYourGuide (que é também parceiro aqui do blog) de coisas para se fazer no Natal em Paris. Embora o rolê não seja exatamente festivo, ele é indoors, ou seja, você não fica na rua passando frio e aí ainda esquenta tomando um vinhozinho. Unimos o útil ao agradável. 

Achei uma experiência diferente de degustação quando comparada as outras que fiz por esse mundão grande – de vinho, cerveja, whiskey… Principalmente porque o tour não é de uma marca em si, mas de vinhos franceses no geral. Então no áudio guia (que é você escutando a gravação no seu próprio celular depois de escanear um QR code), você vai visitando cada sala e aprendendo mais sobre as especificidades da produção da França. As regiões, os tipos de uva, as notas da bebida, as garrafas, os rótulos…. E eu achei muito interessante. 

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No fim, a degustação acaba em uma sala com um sommelier que te dá uma (generosa) taça por vez para degustação. Ao todo, foram quatro taças, e fomos experimentando e aprendendo sobre suas notas e regiões. Fica ali um clima bem gostosinho, e bem privativo também. Válido dizer que sai bem alegre e recomendando muitíssimo. 

Válido também dizer que a gente pegou o tour com áudio guia, mas que você pode fazer também o tour guiado. Existem, obviamente, uma diferença de valores – mas deve ser uma experiencia muito mais bacana, com toda a certeza. 

Onde comer: Mercadinho de Natal

Lembra que passamos escolhendo o que iríamos comer no mercadinho antes de tomar nosso vinho? Pois bem, depois da degustação de vinho, voltamos para o Mercadinho de Natal do Jardim des Tuileries e chegou o momento de almoçar. Aqui, optamos por pegar apenas 1 de cada coisa que gostaríamos de experimentar e dividir. Assim, conseguiríamos provar diferentes pratos. A gente começou com um sanduíche de raclette que estava MUITO gostoso, e depois pegamos um hot dog de salsicha, bem parecido com o que comemos em Munique, que também conhecemos sob as luzes de Natal. Por fim, fechamos com um vinho quente (que tava mais doce do que alcoólico) e seguimos nossa jornada para as próximas atrações. 

Biblioteca Nacional da França (BnF)

Ali pertinho do Louvre, fica a Biblioteca Nacional da França (ou BnF). Originalmente, o conjunto era o palácio do Cardeal Mazarin, construído no século XVII. Alguns anos mais tarde, em 1721, a “Bibliothèque du Roi”  foi instalada por ali, marcando um passo fundamental na formação do que hoje e a Biblioteca Nacional da França – que além de biblioteca de pesquisa, é um museu, espaço de exposição, jardim e café. A gente deu uma passada rápida para conhecer a Sala Oval, um dos grandes destaques do lugar. 

Inaugurada no início do século XX, ela foi pensada como uma grande sala de leitura pública. Hoje, o espaço abriga milhares de obras de acesso livre e ainda utilizada para a finalidade original. Até me arrependi um pouco de ir lá incomodar as pessoas – mas queria ver o lugar com meus próprios olhos. Ficamos menos de cinco minutos, mas deu para fazer algumas fotinhos. É belíssima. 

Musée de l’Orangerie

Nossa ultima atração do dia foi o Musée de l’Orangerie que, como o nome faz parecer, tem sim relação com orange, laranjas em português. A gente reservou os nossos tickets pelo GetYouGuide e eles possuem faixa de horário – a gente chegou mais cedo (porque, né, frio) e eles não deixaram a gente entrar não hahaha. Mas, mesmo assim, eu ainda recomendo comprar seu bilhete com antecedência – a fila para quem não tinha reserva estava muito maior. Isso que o museu fecha bem tarde – o nosso horário de entrada, por exemplo, era 18h. 

O Orangerie foi construído em 1852 a mando de Napoleão Bonaparte. E, sim, o fizeram exatamente para o que você está pensando – proteger as laranjeiras do Jardin des Tuileries durante o inverno. Assim como as árvores, eu estava sofrendo com as baixas temperaturas parisienses e doida para entrar logo no quentinho. 

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E aí veio Claude Monet e as suas Nymphéas (Ninfeias ou Nerúferas, em português).

Um conjunto de obras pintadas ao longo de décadas. Monet se inspirou nos lagos do seu próprio jardim, em Giverny, sempre observando luz, reflexos e mudanças do tempo. Além das suas obras, para o Orangerie, Monet participou diretamente do desenho das salas ovais, pensadas para receber luz natural. A ideia dele era criar um espaço de contemplação depois da Primeira Guerra Mundial.

A ideia de Monet (que faleceu alguns meses antes da inauguração do Ornareis) era uma completa imersão nos nenúfares. Os painéis acompanham as paredes ovaladas do espaço onde foram instalados, e existem dizeres que pedem completo silêncio para a contemplação total das obras. 

No andar debaixo, o museu conta com acervo de peso, com obras de Renoir, Cézanne, Matisse, Picasso… Vale conferir, apesar da cereja do bolo ser sim as Nymphéas de Monet. 

Onde comer: Bouillon Pigalle

Outro bouillon para essa viagem em Paris – e, sinceramente, um tem que ter no seu roteiro. 

O Bouillon Pigalle replica a idea de comida boa, rápida e barata que falei lá em cima. E, realmente, fiquei chocada com os preços praticados ali dentro. Não é à toa que tinha uma fila quilométrica de espera. A gente não teve que enfrentar, porque reservamos uma mesa com antecedência – o que eu realmente recomendo muito. 

Mas, e sério, gente. Ali não tinha o meu tartare, mas tinham outros pratos deliciosos que vieram super bem servidos. Os preços ali são tão convidativos que eu e o Gian comemos demais. Mais do que deveríamos. O valor total, com entrada, prato principal e sobremesa (e vinho!) para os dois foi de €60. Se programem para ir lá – é cheio, mas bem gostoso e com um atendimento bem bacana. Super valeu. Só não precisam estourar a boca do trombone que nem a gente… Ou precisa. Não sei hahahaha.

Dia 4 — 27 de dezembro: história, literatura e Revolução Francesa

Último dia, mas ainda com bastante coisa pela frente.

Notre-Dame

Começando com a cereja do bolo da nossa viagem de Natal: a Notre-Dame, finalmente reaberta após o incêndio de 2019. Como já disse, não é a nossa primeira vez em Paris, mas foi a nossa primeira vez visitando este que é um dos maiores símbolos do gótico francês que, desde 1163, presenciou coroações, revoluções e guerras. 

Deixa eu deixar ainda mais claro: Idade Média, Revolução Francesa, Primeira Guerra Mundial, Segunda Guerra Mundial (e ocupação nazista na França), Guerra Fria e, tantos outros acontecimentos que abalaram as estruturas do mundo. Quando eu vi as imagens do incêndio, meu coração ficou partido, com um sentimento de arrependimento – já que eu e o Gian desbravamos algumas cidades europeias durante a nossa Eurotrip em 2018. Não havíamos incluído Paris na época porque precisaríamos de muitos dias para a cidade – e ela não era, e continua não sendo, das mais baratas para dois estudantes que trabalhavam meio período. 

Mas, voltemos. 

Visitando a Notre-Dame

Aos sábados, a Notre-Dame abre às 8h15 da manhã. E a gente se planejou para chegar lá mais ou menos nessa hora. Eu sabia que seria cheio – principalmente por ser uma atração gratuita. Você pode reservar tickets? Reza a lenda que sim – pelo site oficial deles. Eu não consegui, então eu iria para a fila. E, Deus ajuda quem cedo madruga, entramos rapidinho e sem grandes problemas. 

Sinceramente, aproveite que é uma das poucas atrações de Paris que abre cedinho, e vá logo de manhãzinha para aproveitar.

((Vou abrir um parênteses para dizer a Notre-Dame também abria no dia de Natal, 25 de dezembro, mas preferi não ir para lá para meus motivos turísticos em respeito às celebrações religiosas que marcam o nascimento de Cristo)).

((O segundo parênteses é para dizer que se interessar por um tour guiado – você encontra algumas opções no nosso parceiro, o GetYourGuide))

Por falar em tour guiado, chegando por lá eu escaneei um QR Code e tive acesso ao áudio guia da Notre-Dame no meu celular. A dica é: leve seu fone de ouvido para ficar mais confortável – eu e o Gian ficamos por cerca de duas horas lá dentro escutando cada uma das gravações. Foi emocionante. Você também pode pegar um audio-guia por lá – acho que é €6. Não sei se as explicações são as mesmas, mas eu aprendi muito. 

E quais os destaques da Notre-dame?

Vixi, voyajante, são tantos. Mas podemos destacar os vitrais circulares, também chamados de rosáceas, datados do século XIII (e sobreviventes do incêndio de 2019). Além de belíssimos de se olhar, transformam a luz do sol em um jogo de cores dentro da catedral gótica, deixando a visita muito mais especial. Por fim, possuem função educativa – já que a maioria dos fiéis do século XIII eram analfabetos, então os vitrais tinham papel importante no quesito contar histórias.

Outro ponto alto é a Coroa de Espinhos – sim, a Coroa de Espinhos associada à crucificação de Jesus Cristo se encontra dentro da Notre-Dame, mais especificamente dentro de um peça dourada especialmente feita para essa finalidade. Ela fica atrás do altar principal e, apesar de não podemos ver-ver a coroa em si, emociona. 

Fiquei feliz que ela fica ali no acesso geral – achei que teria que investir no ingresso para o Tesouro para poder ver, mas não precisou. 

Shakespeare and Company

Logo ao lado da Notre-Dame, encontra-se a famosa livraria Shakespeare and Company. O espaço tem uma forte ligação com escritores como Ernest Hemingway e a chamada “Geração Perdida”. Reza a lenda que até os dias de hoje eles possuem uma política de hospedar escritores ali em troca de ajuda no loja. 

Eu amo visitar livrarias – se você acompanha o Voyajando a algum tempo, já deve ter reparado. Teve no roteiro de Buenos Aires, no de Veneza… Até em Bucareste! Mas, ali, não entrei. A livraria ficou bastante popular devido a alguns virais nas redes sociais – então tava com uma super fila para entrar. 

Aí me deu preguiça. Quer dizer, eu já não estava me sentindo 100%. Lembra que eu falei que a andança do dia anterior e o frio iam cobrar o preço? Pois bem. Foi da Notre-Dame direto para uma farmácia começar a tomar anti-inflamatório para a garganta hahahaha. Quem nunca?

Museu Carnavalet: a história de Paris

Por fim, decidimos entrar no Museu Carnavalet. Já ouviu falar nele? É um museu gratuito mais próximo a Notre-Dame e não muito incluído nos roteiros turísticos. Em uma cidade que abriga Louvre, Orangerie e Dorsay, o fato é um tanto quando entendível. Mas, se tiver tempo e rolê de museu for seu rolê, recomendo.

Primeiro, porque é na faixa. Segundo, ali você tem andares e andares sobre a história de Paris. E convenhamos que a capital da França foi epicentro de muitos acontecimentos históricos – palco de diversos acontecimentos históricos importantes, daqueles que chegam até a gente na aula de história de uma escola pública na região do Alto Tietê em São Paulo. Nesse nível. 

O grande destaque, na minha humilde opinião, é a área destinada à Revolução Francesa uma das mostras mais legais que já vivenciei dentro de um museu. É muito legal! Eles apresentam as relíquias de forma cronológica, pontuando os principais acontecimentos e personagens. Tem também, logo depois, a ascensão de Napoleão Bonaparte. Tá bom para você?

Saímos do museu e fomos almoçar em um restaurante que eu não recomendo, então não vai ganhar destaque por aqui. Depois que terminamos a nossa refeição, fomos informados que não aceitavam cartão (sendo que haviam adesivos de todas as operadoras de cartão de credito existentes no vidro do estabelecimento). A gente não carrega dinheiro, então o Gian teve que sair andando para procurar um caixa eletrônico para podemos acertar a conta. Fiquei bastante chateada com a experiência porque, sinceramente, se o Gian não estivesse junto eu estaria lascada – já que eu não carrego (e talvez que devesse rever isso, hahaha) cartões físicos comigo. 

Passeio de Barco pelo Rio Sena

Passamos pelas pirâmides do Louvre para tirar uma fotos dali e seguimos para a região da Torre Eiffel novamente para tentarmos o barco. Era nosso último – ou iríamos, ou perderíamos o ingresso. A fila estava bem menos e foram apenas 20 minutos de espera entre entrar na fila e embarcar. Como o corpo já estava capengando, ficamos no interior do barco – quase que sentados em cima de um aquecedor. E que passeio gostoso. Fomos vendo todas as atrações ao longo do Rio Sena iluminados porque, né, já estava escuro. Alguns bravos viajantes foram para a parte externa para tirarem foto – e eu não julgo não. Estão mais do que certos. 

E aí, Jeanine, vale a pena passar o Natal em Paris?

Vale. E muito. Só invista mais do que eu no seus lookinhos de inverno. Eu queria ir bonitinha e passei bastante frio. Então, é uma viagem que exige planejamento não só de roteiro, mas de mala. Considere fazer suas reservas com antecedência e tenha atenção aos horários reduzidos (ou fechamentos) das atrações que você quer conhecer. 

Vai ser meio clichê, mas vou escrever mesmo assim. Passar o Natal por Paris foi um presente. 

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