“Reconhecer a Cidadania Italiana sempre significou liberdade”, veja relato de estudante

Estamos trazendo alguns relatos sobre o processo de reconhecimento da Cidadania Italiana aqui no blog, você já viu o primeiro? A ideia é dar continuidade à série sobre o nosso processo que aconteceu diretamente aqui na Itáliaque despertou bastante interesse de quem, assim como nós lá no começo de tudo, está na fase de ler bastante sobre os processos de outras pessoas e de estudar como fazer o reconhecimento. A nossa ideia desde o começo é inspirar e trazer modos de realizar esse que, para muitos, é um sonho. Um sonho que também pode significar liberdade. E hoje vamos ver o relato da brasileira Maria Clara Rodrigues da Silveira, de 20 anos. A estudante realizou o seu reconhecimento da cidadania italiana em 2020 e contou para gente quais foram os seus principais desafios e como foi cada uma das etapas do processo.


Por que você quis reconhecer a sua cidadania italiana?
Reconhecer a cidadania italiana para mim sempre significou “liberdade”. Liberdade de estar no Brasil, mas saber que poderia mudar a qualquer momento; liberdade para permanecer na Europa o tempo que eu quisesse e ter os mesmo direitos que um europeu; liberdade para escolher estudar em uma universidade com um alto nível educacional. Hoje posso dizer que muitas portas se abriram para mim desde que reconheci a minha cidadania.

Quando você soube que tinha direito ao reconhecimento da sua cidadania italiana?
Três anos atrás, meu irmão começou a pesquisar nossas raizes. Sabíamos que nossos trisavós por parte paterna eram da Itália e também tínhamos certeza dos nomes, mas era só isso. Depois de algum tempo de pesquisa, muitos emails enviados aos Comunes descobrimos de onde eles eram, data de nascimento, enfim, um mundo foi se abrindo. No Brasil também contatamos o Museu da Imigração e ai ficamos sabendo que eles chegaram no Porto de Santos em 1897, em um navio chamado Rio de Janeiro.

Como foi a sua “parte Brasil” do processo?
A parte Brasil do processo digamos que foi bem cansativa. Tivemos que fazer a correção dos documentos de praticamente todos os nossos ascendentes, os nomes e o sobrenome estavam diferentes, algumas datas erradas e para não ter nenhum tipo de problema, decidimos fazer o certo. O processo de retificação foi demorado, mas no final deu tudo certo. Já com a tradução e apostilamento foi tudo bem mais tranquilo.

Como foi a sua “parte Itália”?
O primeiro da minha família a reconhecer a cidadania foi o meu irmão em 2018, ele já morava na Europa, então foi mais fácil. Já eu fui a segunda e comecei o meu processo de reconhecimento em Julho de 2020. O meu maior medo era a pandemia, sem dúvida alguma. Na época eu morava na Irlanda e assim que abriram as fronteiras comprei minha passagem para Itália. Eu fiz o meu processo em um Comune bem pequena, então passei alguns perrengues, perdi alguns ônibus, pedi algumas caronas no meio da estrada e sofri com o meu Italiano que não era nada fluente. Tive a sorte de ter meu irmão comigo, então sempre riamos muito das dificuldades e tentávamos levar com mais leveza. A certeza que todos os meus documentos estavam corretos eu já tinha, mas sempre da um medo, porém acho que a parte mais tensa foi esperar o vigile que demorou 45 dias para passar em casa. Mas fora isso, tudo correu muito bem e em um curto prazo de tempo. Detalhe importante é que tanto a parte Brasil do processo, quanto a italiana fizemos sozinhos, ou seja, sem ajuda de agência alguma.

Quais foram as suas principais dificuldades durante o processo?
Eu diria que foi o idioma. Por mais que eu soubesse algumas palavras em Italiano, a comunicação foi bem complicada, além do quê, até mesmo os funcionários do Comune se perdiam no meio de tanto papel e ficava um pouco complicado entender qual era o próximo passo.

O que você diria para você mesma lá no início do processo?
“Isso é só o começo”! Reconhecer a cidadania é o primeiro passo de um mundo novo que te espera. Não é só ter documentos que provam a sua origem, mas é também se reconhecer como parte do país, da história. Pra mim foi um processo de pertencimento.

Qual a principal dica que você daria para quem está pensando em reconhecer ou começando agora?
Pesquise muito, sobre TUDO! Não importa se você vai fechar com uma agência ou se vai fazer sozinho. Saiba cada parte do processo, os próximos passos, documentos necessários, não economize nas informações, acredite, nunca é demais. Certifique-se sempre de estar no cominho certo e sempre confira mais de uma vez para não ter erro. E estude o idioma, isso vai resolver quase 80% dos seus problemas, a comunicação é essencial.

Aproveite cada momento. Reconhecer a cidadania é um privilégio que poucos tem, ainda mais se você vier para Itália. Conheça as cidades, faça amizade com os italianos, viva a cultura, a história, experimente a culinária. Tenho certeza que será uma experiência incrível.


Nós por aqui adoramos o relato da Maria Clara e gostaríamos muito de agradecê-la por contar para nós como foi viver esse processo na Itália. Muito obrigada Maria Clara! Que esse reconhecimento lhe traga muita liberdade!

Conforme já falamos nos outros posts – inclusive sobre o nosso reconhecimento cada processo é único e muitas coisas mudam no meio do caminho, por isso é tão importante ler e se informar bastante, inclusive com relatos de outras pessoas que já passaram pelo reconhecimento. Se você gostou desse post, não esquece de compartilhar com aquela pessoa que também sonha em fazer o reconhecimento da cidadania italiana, você pode estar ajudando ela e nem sabe. Ah, e tem mais relatos vindo por aí, até o próximo!

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