Diario da Cidadania italiana: reconhecimento em 50 dias? Sim, existe!

O reconhecimento da cidadania italiana tem sido um tema recorrente aqui no Voyajando.com. Como a @jenifercarpani disse lá no primeiro post do assunto, que conta como foi a “parte Brasil” do nosso processo, nós realmente pensamos muito se escreveríamos ou não sobre isso aqui no blog. E faço das minhas as palavras dela: “se pudermos ajudar pelo menos uma pessoa que sonha em reconhecer sua cidadania, já terá valido o relato”.

E não vamos parar por aí. Assim como fizemos na #serieintercambio, vamos dar espaço aqui no blog para compartilhar com você, leitor, depoimentos de pessoas que reconheceram suas cidadanias italianas. Por quê? Primeiro porque eles são inspiradores, uma espécie de “vi, vim e venci”. Depois porque um “processo” nunca é igual a outro. Afinal, envolvem histórias, gerações e indivíduos. Os desafios que nós duas encontramos na família Carpani podem não ter aparecido para a família x que teve, por sua vez, outros problemas. E é interessante ver como essas pessoas se saíram… Vai que sua pasta tem alguma coisa parecida, não é mesmo?

Quando começamos a pesquisa dos nossos documentos lá atrás e a estudar como funcionava o reconhecimento, a gente leu muito. Entramos em inúmeros grupos de Facebook, seguíamos blogs, celebrávamos as vitórias de outras pessoas, aprendíamos com os erros, com os acertos, e assim vai. O senso de comunidade e a busca de um objetivo comum move montanhas. É nisso que eu acredito e acho bonito. Então, esperamos do fundo do nosso cuore que os relatos que trouxermos aqui auxiliem você de alguma forma. Vamos lá?



E para estreiar nosso Diário da Cidadania Italiana, não tinha como não ser a Gleice Ferreira (@gleiceferreiraa). A menina dos olhos Dele (vou explicar hahahaha). A Gleice foi nossa vizinha de porta aqui no comune, mas o contato com ela começou muito antes de chegarmos na Itália. A @jenifercarpani falou com ela pelo Facebook após um post em que ela contou como entrou no país pela Croácia. O mesmo caminho que faríamos – e você pode ver como foi aqui – em algumas semanas. Quando chegamos e vimos o nome dela lá no interfone do prédio onde vivemos que caiu a ficha: era a mesma pessoa.

O termo “a menina dos olhos Dele” surgiu depois da Gleice compartilhar em um dos grupos que ela tinha sido reconhecida cidadã italiana em menos de dois meses. Foram 50 dias, para ser mais exata. E isso é MUITO rápido. Um dos comentários da publicação era esse: “como é ser a menina dos olhos Dele?”. Hahahaha. Foi incrível fazer parte das comemorações de “io sono italiana” que ocorreram por aqui. Bom, é isso. Agora chega de falar, Jeanine. As palavras são da Gleice.


Por que você quis reconhecer a sua cidadania italiana?
Primeiro que é um direito meu, segundo que tem um valor sentimental já que também significa voltar às raízes, terceiro que com a cidadania italiana eu posso morar em mais de 20 países legalmente e manter meus direitos e, por último, que ser italiana reconhecida me permite sonhar ainda mais alto.

Quando você soube que tinha direito ao reconhecimento da sua cidadania italiana?
Sempre soube, desde pequena. Minha família sempre comentava, mas confesso que até setembro de 2019 eu nunca tinha ido atrás pra ver exatamente como funcionava e o que precisaria fazer.

Como foi a sua “parte Brasil” do processo?
Foi rápida e intensa. Como minha família já havia reconhecido via consulado eu tive apenas que retificar os documentos da minha avó, mãe e os meus. Fiz todas as retificações administrativamente. Decidi que iria reconhecer a minha cidadania em setembro de 2019 e em janeiro de 2020 estava com todos os documentos retificados, traduzidos e apostilados.

Como foi a sua “parte Itália”?
Foi muito mais rápida do que eu poderia imaginar e ao mesmo tempo demorou quase mais do que eu poderia suportar. A parte que diz respeito ao processo foi muito rápida e tranquila, desde a entrada da residência no comune o recebimento da cartinha dizendo que eu sou cidadã italiana desde o meu nascimento (momento mais louco da minha vida, um alívio gigante) foram exatos 50 dias.

Mas confesso que emocionalmente foi bem difícil o processo, claro que as circunstâncias não ajudaram, afinal o plano sempre foi reconhecer a cidadania para morar na Inglaterra, ou seja o tempo era curto, o dinheiro também era curto afinal quando resolvi que iria para a Itália o real era bem mais valorizado que quando eu realmente fui. Tudo o que vivi nos exatos 3 meses que morei na Itália foi intensificado por pelo menos mil
vezes, as alegrias, as preocupações, os medos, os imprevistos, as ansiedades, enfim toda emoção ficou à flor da pele.

Quais foram as suas principais dificuldades durante o processo?
Com toda a certeza foi lidar com o tempo apertado para o objetivo final e todas as dificuldades que a pandemia trouxe para o processo e para a minha vida (para o mundo todo né?)

O que você diria para você mesma lá no início do processo?
Nada, eu não me escutaria, estava eufórica demais e acredito que tudo aconteceu como tinha que acontecer. Mas tentaria dizer para eu aproveitar mais os momentos que tive na Itália que foram únicos e sinto saudades.

Qual a principal dica que você daria para quem está pensando em reconhecer ou começando agora?
Planejamento em absolutamente tudo e estar preparado para todos os imprevistos porque sim, eles acontecem e muito.


Em tempo, muito obrigada por compartilhar a sua experiência com a gente, Gleice! Em breve nos veremos por esse mundão, mesmo que não seja brindando com Tavernellos. Você fez nossa estadia no prédinho amarelo muito mais animado e acolhedor.

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