Portugal: roteiro de 2 dias em Porto (com Vila Nova de Gaia)

Devo confessar, voyajante, a cidade do Porto era uma das mais aguardadas da road trip por Portugal. Se você chegou por aqui agora, deixa eu explicar. Em junho de 2025, fizemos uma viagem de carro pela Terra de Camões de Lisboa a Porto, e de volta até a capital portuguesa. E se você que um geral de como foi essa experiência, o seu post é outro. Aqui, vamos falar de tudo o que você vai poder ver no seu roteiro de 2 dias em Porto (com Vila Nova de Gaia para o Vinho do Porto). Pelo menos isso, viu? 

Como chegamos (e como chegar) até Porto?

A nossa viagem até Porto durou menos de 1 hora de carro. Nossa pernoite foi em Aveiro e, de lá, passamos no Castelo Santa Maria da Feira. Queríamos enrolar um pouquinho para chegar em Porto por causa do estacionamento – afinal, só poderíamos parar o carro na acomodação da vez depois de fazer o check-in, no período da tarde. 

Do aeroporto 

Para quem opta por ir de avião até o Porto, o destino é o Aeroporto Francisco Sá Carneiro (OPO), que fica cerca de 12 km do centro da cidade do Porto. Ele recebe voos nacionais e internacionais, inclusive vindos do Brasil. Do aeroporto, você chega no centro de transporte público ou privado. A principal sugestão é pegar o metrô da Linha E (violeta) que vai para a cidade. Dependendo de onde você estiver hospedado, há também opção de ônibus, e claro, táxis e carros de aplicativo. 

De transporte público

Devo confessar, voyajante, a ideia inicial da viagem por Portugal era fazer de Porto para Lisboa, ou Lisboa para Porto. Porém, as passagens de avião não estavam amigáveis para o Porto porque viajamos muito próximos ao São João, uma festa típica que movimenta (e bastante) a cidade. Apesar de achar a festa muito bacana, ao pesquisar sobre percebi que não é muito do meu estilo (em sua maioria), então não fiz questão de ficar. Quem sabe uma próxima quando eu for menos ranzinza?

Se você estiver por lá nesse período e for mais animado que eu (o que não é difícil), vale considerar presenciar a festa, que envolve desde martelinhos de plástico até fogos de artifício sobre o Douro – essa parte eu já vi vídeos e é sensacional. Nós não vivenciamos a celebração em si, mas de certa forma a energia já estava no ar. 

Voltando aos transportes públicos. Se você estiver em Lisboa e afim de mudar de ares, dá para chegar em Porto de trem (comboio em pt-pt) e de autocarro (ou ônibus, em brasileiro hahahaha). Para o trem, a operadora oficial é a Comboios de Portugal (CP), que oferece um trajeto mais rápido chamado de Alfa Pendular, ou AP (de 2h40 a 3h de viagem), e um mais devagar – porém mais barato, chamado de Intercidades (IC), e leva aproximadamente 3h30 de duração. Já de autocarro, existem várias companhias de ônibus que cobrem a linha e o percurso leva por volta de 3h. 

O que fazer em Porto?

Dia 1 – Capela das Almas, Mercado do Bolhão, Livraria Lello

Capela das Almas de Santa Catarina

Nossa primeira parada ao chegar no Porto foi a Capela das Almas de Santa Catarina, datada de 1733. Lembra aquela história de chegar mais tarde em Porto para poder já estacionar na acomodação da vez? Não rolou, fomos muito rápidos em Santa Maria da Feira. Então estacionamos o carro no Estacionamento Trindade (público, mas pago) e fomos andar na região. E a primeira parada na capela teve motivo SIM. Eu simplesmente não poderia deixar de ver a fachada coberta por azulejos azuis e brancos que retratam a vida de São Francisco de Assis e de Santa Catarina. Ela é muito fotogênica. 

Era por volta do horário do almoço e nossa senhorinha, tava MUITO cheio. As fotos que temos por ali foi graças a paciência do Ed e de uma moça que queria que a gente saísse logo de perto dos azulejos para ela poder tirar a foto dela. Ou falta de paciência, na real. O importante é que ficaram bonitas, haha

Vale dizer que demos uma espiadinha dentro da igreja também, mas como estava no horário da missa, a gente saiu na mesma velocidade. Jamais faria visitação turísticas onde as pessoas estão rezando

Mercado do Bolhão 

Ali perto está o Mercado do Bolhão, que reúne frutas, flores e uma boa área de comes e bebes. A gente viu? Não viu. Quer dizer, entramos, mas não teve o fervo característico de um mercadão porque além da proximidade com o São João, era também feriado. Ou seja, a cidade estava lotada e o mercado fechado (com exceção dos restaurantes). Foi uma passada rápida já que não tinha muito o que fazer. 

Rua de Santa Catarina

Seguimos na Rua de Santa Catarina, uma das principais de comércio na região, e aproveitamos para almoçar por ali, em um restaurante chamado Honest Greens. A ideia era pegar algo rapidinho para comer e seguir o roteiro, mas acabou que demorou um pouco – a pegada do lugar era de comida de verdade, sabe? Então faz sentido e tudo mais a demora. E o lugar estava bem cheio. Apesar de todos os pesares, estava uma delícia e eu recomendo super. Queria um lugar desses aqui em Dublin.

Depois seguimos para tomar um café. A ideia era ir até o Café Majestic, inaugurado em 1921, considerado um ícone do estilo Belle Époque e um dos cafés mais elegantes da cidade. Reza a lenda que a autora de Harry Potter, aquela que não deve ser nomeada, escreveu parte da saga por ali. É caro? É. Um espresso estava €6 (contra a média local de €1,20). A gente tomou? Não. Não tive coragem não. Mas o Gian tirou foto, haha.

Porto

Igreja de São Ildefonso 

Fiquei bastante curiosa sobre a Igreja de São Ildefonso, de 1739, cuja fachada é revestida com cerca de 11 mil azulejos pintados pelo artista Jorge Colaço – o mesmo da Estação São Bento, que falaremos mais a seguir. Porém o lugar não fica aberto para visitação, infelizmente. A foto foi de longe mesmo, dos portões. Então foi só com o zoom do celular – que eu e você (lá no canal do Voyajando no YouTube, fica aqui o convite), vamos conseguir ver mais de perto as cenas que retratam passagens da vida do santo e do Evangelho. Trata-se de num belo exemplo do barroco português.

Livraria Lello

É considerada uma das mais belas livrarias do mundo. Inaugurada em 1906 pelos irmãos José e António Lello, grandes impulsionadores das artes em Portugal, a loja combina elementos neogóticos e art nouveau. A estrela do interior é a famosa escadaria vermelha em curva, que se tornou um dos cenários mais fotografados da cidade. É realmente muito bonito. Os olhos focam ainda direto nos vitrais, madeiras entalhadas e, obviamente, para esta ávida leitora que vos escreve, livros. 

Lá na matéria da road trip eu falei muito sobre entrar ou não entrar na livraria, já que mesmo sendo uma loja, trata-se de uma atração paga. Eu não vou me estender no tópico novamente, aqui o meu enfoque vai ser mais na experiência da visita – que é o que eu acredito que você esteja procurando por aqui. Embora o valor do ingresso possa ser descontado na compra de um livro, o lugar é cheio. Muito cheio. 

Powered by GetYourGuide

E eu entendo. Eu realmente não visitei a cidade em qualquer época. Era um feriado, Porto é uma cidade popular e atrativa na Europa, era final de semana, era alta temporada, estava muito perto de são João, uma das suas principais festas. Mas, mesmo assim, o lugar estava tão cheio que afetou, para mim, a beleza do lugar. Os ingressos são comprados com faixa de horário, e eu sei que é um tanto quanto impossível controlar o quanto de tempo cada um visita a livraria. Mas além das fotos, até olhar as gôndolas para escolher qual o livro eu compraria (Fernando Pessoa, aliás) estava desafiador. 

É de se pensar. Se um dia eu tentar de novo, acho que buscaria o primeiro horário do dia. Mas, sinceramente, não sei se resolve. Se alguém tentou, eu convido a deixar um comentário neste post ou me mandar lá no nosso Instagram (@voyajandoblog) que eu venho atualizar aqui. Queremos saber. 

Onde comer no Porto: O Afonso restaurante

Terminamos o dia jantando no O Afonso restaurante, famoso por suas francesinhas. A indicação foi do Ed, nosso amigo de Portugal, que você já ouviu falar algumas vezes por aqui – principalmente nas matérias do país. Ele morou alguns meses em Porto antes de fazer de Lisboa a sua morada. Logo, a gente não podia deixar de conhecer (até porque sou bastante preguiçosa para procurar recomendação de restaurante e bar). 

Além da indicação do Ed, o lugar me deu um quentinho instantâneo no coração por ser todo decorado com fotos e itens relacionados com o Ayrton Senna – que eu não vi correr em vida, mas por quem meu pai sempre teve uma admiração muito grande, então que foi um assunto recorrente em casa durante toda a minha vida. De forma subconsciente, se eles gostam do Ayrton Senna, gente boa eles devem ser hahahaha

Eu confesso que não estava com muita fome quando chegamos no restaurante (o calor faz isso comigo, estranhamente), então ao invés de pedir a clássica Francesinha, escolhi o cachorro. Mas isso não quer dizer que eu escolhi um prato menor, para o meu desespero. As porções d’O Afonso são muito generosas.

O que é Francesinha? E cachorro?

A Francesinha surgiu como uma adaptação portuguesa do croque-monsieur francês por volta dos anos 1950. O prato é tipo um sanduíche, caso você também não esteja familiarizado com um croque-monsieur. O diferencial da versão portuguesa é o recheio – que normalmente incluem camadas de bife de vaca, linguiça fresca, salsicha e fiambre (presunto) – e o molho da Francesinha. Servido bem quente por cima do sanduíche (ou separado, para você colocar a quantidade que você quer), leva tomate, cerveja, vinho do Porto ou vinho branco e uma combinação de temperos que varia de restaurante para restaurante – sendo um tanto quanto quente (apimentado) para o meu paladar. 

Geralmente, é acompanhada por batatinhas fritas. 

Já o cachorro é a versão lanche com salsicha. Mentira, o pão também é diferente e é acompanhado de queijo. Pelo que eu entendi, cada casa tem a sua especialidade. Na versão que eu experimentei nO Afonso, também vinha com uma cumbuca de molho para chuchar ou despejar por cima. O mesmo molho da Francesinha. 

Dia 2 – Torre dos Clérigos, Igreja do Carmo, Igreja das Carmelitas, Estação São Bento, Sé, Cais da Ribeira, Ponte Luis I, Vila Nova de Gaia e Cave de Vinho do Porto

Torre dos Clérigos

Começamos o dia na Rua dos Clérigos, onde fica um dos maiores ícones da cidade: a Igreja e Torre dos Clérigos. De estilo barroco, o conjunto foi construído entre 1735 e 1748, sobre o antigo local conhecido como Colina dos Enforcados(sim, era o local de sepultamento de condenados à forca). A subida à Torre dos Clérigos é quase obrigatória. Dez entre dez roteiros indicam as vistas. Então, fomos, não é mesmo?

Compramos os tickets pelo nosso parceiro, o GetYourGuide para o primeiro horário do dia, e ao vermos as pessoas que estavam com a gente correndo para pegar a torre apenas para elas, demos uma estremecida. Devemos correr também? No percurso até a torre você circunda a igreja e é tão legal ver os detalhes de pertinho assim, que a gente não quis apressar muito. Há também uma mostra com várias obras de temas religiosos. Passamos rápido, mas não tão rápido. 

São cerca de 200 degraus até o topo da Torre dos Cléricos e, quando chegamos, foi chatinho de circular porque tinha um grupo grande por lá (estudantes que devem ter cortado a visita tradicional). Apesar de tudo, fomos recompensados por uma vista panorâmica incrível. É legal que lá em cima existem algumas placas de bronze que exemplificam e comparam os monumentos de Porto com outros ao redor do mundo, então por mais que você fique em uma filinha, você se entretém. Eu recomendo bastante.

Ao descermos, visitamos a Igreja dos Clérigos agora por baixo. E pelo lado de fora você tem o vislumbre da Capela de Nossa Senhora da Lapa, que só pode ser vista por meio de um vidro, mas é linda e vale a visita.

Igreja do Carmo e Igreja das Carmelitas

Bem pertinho da Igreja e Torre dos Clérigos estão nossas próximas atrações: as vizinhas Igreja do Carmo e Igreja das Carmelitas, separadas apenas por uma casinha estreita de 1,5 metro de largura. De acordo com as más línguas, ela foi construída para evitar “interações indevidas” entre freiras e monges. Hoje, a casinha é aberta à visitação, e serve de anexo às igrejas.

A Igreja dos Carmelitas, datada de 1628, é mais antiga, enquanto a Igreja do Carmo, inaugurada em 1768, impressiona pelo estilo barroco-rococó e pelos famosos azulejos em sua fachada lateral. A entrada na Carmelitas é gratuita (e estava em reforma em Junho 2025), mas para visitar o Carmo (e a casinha) é cobrada uma taxa de €7. Mesmo que você não seja fã de visitar igrejas, vale a pena dar uma passadinha – a arquitetura fala por si, e o acesso à igreja e aos seus tesouros dado aos turistas é grande.

Foi super interessante ver de pertinho uma lasca da cruz onde Jesus foi pregado (e a certidão que comprova a autenticidade logo ao lado). Fora as pratarias, vestimentas… Tudo super explicadinho com referências à história de Portugal. O tour é tão completinho que até um pedaço do telhado é acessível, e ver a loucurinha do centrinho nervoso de Porto é bem legal. 

A casinha anexa foi uma visita rápida. É bem curiosa por ser muito estreitinha, e ao mesmo tempo, um aprendizado sobre o uso do espaço já que cada cômoda era basicamente em um andar. Apesar da lenda das interações indevidas entre os moradores das igrejas, o espaço era realmente utilizado por trabalhadores como carpinteiros, pintores e etc que prestavam serviços por ali. Essa história faz mais sentido, né não?

Estação São Bento, Praça da Liberdade e Time Out Market Porto

E colocamos as pernas para jogo e seguimos rumo ao coração de Porto. Mas, antes, demos uma paradinha na – um tanto quanto obrigatória – na Estação São Bento. Inaugurada em 1916, ela ainda funciona como estação de trem – mas é muito mais do que isso. E é por isso que decidimos ir lá, haha, já que não iriamos pegar o comboio para lugar nenhum. 

Suas paredes internas são cobertas por azulejos que contam a história de Portugal, desde batalhas até cenas do cotidiano. E como todo mundo quer fotografar – e com razão, o lugar vira um furdunço. Mas a gente acabou achando umas paredes mais vazias para poder admirar e fotografar. Aliás, como o exterior da estação estava em obras (desde a Praça da Liberdade, onde fica a estátua de Dom Pedro IV – o Dom Pedro I do Brasil-il-il), os azulejos estavam cobertos por umas mantas transparentes… Não vou dizer que não atrapalhou o impacto da beleza. Mas, é lindo. 

Se bater a fome (de novo), bom dizer que o Time Out Market Porto é fica ali do ladinho da Estação São Bento. A gente deu uma passadinha, mas não comemos. Se você já leu o post de Lisboa ou esteve por lá, já sabe que em Lisboa eles também possuem um Time Out Market. E o de Porto é inspirado no espaço lisboeta, e reúne restaurantes e bares de chefs renomados.

Miradouros e Sé do Porto

O nosso próximo destino foi Sé do Porto, um dos monumentos mais antigos da cidade. Construída originalmente no século XII, É uma mistura de estilos — do românico ao barroco— e foi cenário de diversos eventos históricos, inclusive o casamento de Dom João I com Filipa de Lencastre, no século XIV. A gente não entrou, mas temos um rolê por fora. E dessa vez, nem foi pelo valor, mas porque tanto o Gian quanto o Ed já não aguentavam mais entrar em igrejas… Foram algumas até então na nossa road trip por Portugal. Como eu não fazia tanta questão dessa, deixei passar. Spoiler: ainda tiveram muitas outras nos outros destinos, eles não sabiam de nada. 

roteiro de 2 dias em Porto

Mas, seguimos. É bom ressaltar ainda que ali do ladinho da igreja você encontra alguns miradouros, como o Miradouro da Vitória. E, sério, gente. Eu senti isso em Lisboa e na Ilha da Madeira – acho que Portugal gosta muito das vistas que um miradouro proporciona. Se a gente tentasse visitar todos, seria um roteiro de Miradouros em Porto. Então tivemos que fazer algumas escolhas, hahaha

Ah, também é bom dizer que ali ao lado da Sé do Porto fica também o Paço Episcopal do Porto, antiga residência oficial dos bispos da cidade. Localizada estrategicamente do lado da catedral e em um dos pontos mais altos do centro da cidade, tem uma vista ampla do rio Douro e da zona ribeirinha. Sua construção teve origem na Idade Média, mas o prédio foi revitalizado nos séculos XVII e XIX – que foram as obras que deram a carinha que ele tem hoje, meio Barroco, meio Neoclássico. 

Onde comer em Porto: Conte D’Rei

Saímos na região da e fomos caminhando pelas ruazinhas e vielas em direção ao Cais da Ribeira. No caminho, tem muitas opções de bares e restaurantes. Nós paramos logo no início da descida até o Rio Douro, em um restaurante chamado Conte D’Rei. Todas as vezes que a gente pára para comer em algum lugar, a gente faz uma rápida pesquisa no Google para dar uma olhadinha nas avaliações do lugar – quando não foi uma recomendação de amigo ou uma reserva no The Fork. Só para ver se não é uma cilada, Bino. 

Uma das avaliações deste lugar dizia que era ali o local onde o avaliador tinha comido as melhores bochechas de porco de sua vida. E o Gian decidiu que seria uma ótima oportunidade para ele experimentar o prato. Eu, Jeanine, achei que estava MUITO calor para tal feito, mas o inabalável Gian não viu problemas e se jogou. E amou. Então fica aqui a dica. Eu peguei um Chouriço Assado (que era uma entradinha) e uma salada – e amei. Principalmente o chouriço. Se você come carne, eu não poderia recomendar o suficiente. 

Cais da Ribeira

A partir dali, seguimos para a Vila Nova de Gaia, atravessando a famosa Ponte Luís I. Não sem antes tirarmos umas fotinhos no Cais da Ribeira. Ali também é um reduto de restaurantes e bares. Logo, você pode concluir que a cidade do Porto leva sua gastronomia muito à sério. A gente não teve dificuldade, sinceramente. A vista da Ponte Luís I  é um espetáculo à parte. Contei a história da atração no post da road trip. Mas acho que vale repetir aqui. Afinal, não é apenas um cartão-postal de Porto, mas de toda Portugal

Ponte Luis I

Inaugurada em 1886, recebeu o nome do rei que governava na época, D. Luis I. Foi idealizada pelo engenheiro belga Théophile Seyrig, que já havia trabalhado com Gustave Eiffel – o que explica a semelhança estrutural entre a ponte e aquela torre famosinha localizada em Paris. Construída em ferro, a Ponte Luis I foi, na época, uma das maiores em arco do mundo. O que mais chama atenção, além da sua grandiosidade, é que ela possui dois níveis – e a gente utilizou os dois porque somos desses que tem que aproveitar todas as oportunidades.

O tabuleiro inferior, mais próximo do rio, liga a Ribeira, no Porto, ao Cais de Gaia e é utilizado por carros e pedestres. Já o tabuleiro superior conecta a zona da Sé e do centro histórico do Porto ao Jardim do Morro, em Gaia, e hoje é utilizado pelo metrô do Porto e por pedestres. Fomos por baixo e voltamos para Porto por cima e, sinceramente, foi uma experiência super bacana – já que o fizemos bem proximo ao por-do-sol. Mas, vamos com calma. 

Vila Nova de Gaia

Nossa primeira parada foi o Mercado Beira-Rio, no Cais de Gaia. E não, voyajante, não foi para comer – mas para usar o banheiro. Então fica a dica, apesar de termos sim comprado um sorvetinho para ajudar com o calor por ali. Isso porque o local já teve várias funções, mas desde 2017 ganhou a de gastronomia, com bares e restaurantes.

Na fachada, o antigo brasão da cidade traz a lenda do Rei Ramiro, que teria sido capturado por mouros ao tentar resgatar sua rainha. Antes de morrer, ele pediu para tocar sua corneta – o sinal para que suas tropas atacassem e o libertassem. Dei mais detalhes lá no post da road trip por Portugal – melhor não ficar repetindo as informações em ambos posts, né não? 

Daí seguimos para o WOW Porto, um complexo cultural e gastronômico que abriga museus, lojas e cafés com vista para o Douro. Tem até degustação por lá também. Foi uma passadinha rápida mesmo, porque com o calor, estava muito complicado passear por ali. E, para ser bem sincera, não há muito o que fazer naquela margem do rio, ainda que tenhamos entrado também na Igreja Paroquial de Santa Marinha – mais pela sombra que por qualquer outra coisa. 

Vila Nova de Gaia

E então chegou a hora da nossa visitação a uma das caves de vinho do Porto e escolhemos a Real Companhia Velha. A minha dica? Compre com antecedência, principalmente se você estiver em Porto na alta temporada, como era o nosso caso. Eu me enrolei (simplesmente não conseguia decidir qual visitar – são muitas opções) e quando chegou a hora de marcar, a grande maioria só tinha horário pela manhã. E eu não queria começar os trabalhos (beber alcoólicos) tão cedo. 

No fim, deu muito certo. A minha única questão com a Real Companhia Velha é que a sua cave é longe do centro histórico – e então pegamos um Uber para chegarmos no local na hora correta. Lembra que eu falei que ficamos enrolando? Pois. Não olhamos o endereço da atração como deveríamos. Foi menos de €5 no fim e valeu cada centavo, já que era uma senhora subida até a cave, hahahaha. E estava calor.

Powered by GetYourGuide

A visita à cave

Quando chegamos a atendente nos perguntou em que idioma seria o nosso tour. Quando em Portugal, respondemos “português”. Foi então que nos perguntaram se tudo bem para a gente assistir o vídeo introdutório em inglês e com legenda em espanhol para acomodar todos os visitantes do horário. E devo dizer que foi uma experiência bastante interessante – e confesso que o meu cérebro deu uma bela de uma bugada, com perdão do bom (ironicamente) português. 

Depois que o vídeo que conta a história da vinícola, da sua fundação (por ordem do rei José I em 1756) até os dias de hoje (sendo a mais antiga em atividade em Portugal), três guias entraram na sala e chamaram: 1) o grupo espanhol, 2) o grupo inglês e, por fim, 3) o grupo em português. Ficamos meio sem graças e explicamos que tudo bem a gente se juntar ao grupo em inglês – mas eles foram muito queridos e, bem, tivemos um tour privado (apenas Gian, Ed e eu) pela cave da Real Companhia Velha. 

Primeiro, passamos pelo galpão onde ficam os barris de envelhecimento do vinho do Porto. No caminho, fomos aprendendo mais sobre a história da companhia, com origens que remontam ao Marquês de Pombal – em 1756. Sim, aquele mesmo das Leis Pombalinas caso você se lembre de alguma coisa das suas aulas de história. Também ouvimos do guia sobre as uvas usadas para o vinho do Porto em específico e a diferença na produção de cada variedade – nem sei se esse é o termo correto. Foi ali que soube da existência de vinho do Porto branco e rosé. Vivendo e aprendendo. 

A segunda parada foi na adega das garrafas caras – hahahaha e tem jeito melhor de dizer isso. São as garrafas vintage vendidas para colecionadores. A cada safra, eles salvam algumas garrafas e colocam ali para continuar o envelhecimento (enriquecimento). Tanto que a gente consegue ver a diferença na poeira e mofo que se cria ao redor de cada garrafa, sendo perceptível quais as mais recentes. Eu fiquei bem aflita, mas achei tão interessante.  

No fim, fomos para a degustação. Teve vinho branco (também chamado de lágrima), vinho rosé, o Ruby e o Tawny 10 anos. Os dois primeiros são BEM doces. Valeu para experimentar. 

vinho do porto

Como éramos o último grupo (último horário do dia), bebemos nosso vinhozinho e pegamos o caminho de volta ao Porto. Já que já estamos “em cima”, fomos caminhando até o Jardim do Morro, considerado um dos pôr do sol mais bonitos de Portugal. É ali que fica também o Monastério Serra do Pilar, que já estava fechado para visitação. Ficamos ali um momentinho apenas apreciando – porque ver a Ponte Luis I dali também é muito legal. Sinceramente? Se possível, adicione no seu roteiro. 

Agora sim vale dizer que nossa volta pela Ponte Luis I para o Porto foi pelo andar de cima, ao lado da linha do metrô que vai para aqueles lados. 

Onde comer no Porto: Tasquinha do Porto 

Sabe aquele lugar bem pequenininho – com carinha de confortável e intimista? Pois então. A Tasquinha do Porto estava convidativa e simplesmente entramos, para descobrir um estabelecimento com mais de 40 anos de história. A gente almoçou bem e não estávamos com tanta fome, então todos foram de bruschetta. O Gian pediu de sardinhas. Finalizando tudo com uma torta de limão. O preço de tudo (teve entradinha, vinho e cerveja também) para os três foi de €63. 

Miradouro Passeio das Virtudes 

Encerramos o dia com um pôr do sol no Miradouro do Passeio das Virtudes, acompanhado de bons drinks no bar Musa das Virtudes. O visual do Douro ao entardecer é, sem exagero, um dos mais bonitos de Portugal. E dali deste miradouro em específico, tem-se uma vista ampla e desimpedida sobre o rio Douro, a zona ribeirinha e a cidade em direção à sua foz no Atlântico.

E o lugar bomba, viu? Todo mundo procura uma muretinha, a grama ou um banco para apreciar as vistas. E não há jeito melhor de encerrar sua viagem por Porto, viu?

Onde comer no Porto: Baco Coffee Lab

Uai, Jeanine, não tinha acabado a viagem? Em tese. Nosso último dia se hospedando em Porto foi para um bate e volta em Guimarães e Braga – cenas do próximo capitulo da road trip por Portugal. Quando voltamos do bate e volta, decidimos jantar do lado da nossa hospedagem da vez. O Baco Coffee Lab pareceu apetitoso e cool desde a primeira noite que passamos por ele. Mas como temos como mania voltar para o hotel apenas para tomar banho e dormir, a gente sempre chegava já jantado do dia. Como estacionamos o carro novamente na garagem, já estávamos nas redondezas (e com fome) na nossa terceira noite em Porto. E que bom que conseguimos visitar o Baco Coffee Lab

E não, o lugar não é apesar uma cafeteria. Ele também serve lanches (chamadas de tostas) e vinhos naturais. O Gian estava paquerando o lanche de pastrami deles desde a primeira noite e não teve dúvidas – foi direto na tosta clássica da casa. Eu peguei a tosta Baco porque sempre quero uns verdinhos na minha comida – e deu muito certo. O lugar não é tão central, mas se você estiver como nós nas redondezas, vale demais a visita. 


E se esse roteiro de Porto ou qualquer outro do Voyajando.com te ajudar ou te ajudou de alguma forma a montar os seus roteiros por esse mundão grande de meu Deus, considere fechar os seus passeios ou a sua acomodação da vez com os nossos links afiliados. Na maioria das vezes, você não paga nada a mais por isso e uma pequena porcentagem volta para a gente (e nos ajuda a manter os custos do blog no ar). Seu apoio também vale muito seguindo o nosso Instagram e o nosso canal no Youtube. Até a próxima e muito obrigada! 

VISITA AO COLISEU

Powered by GetYourGuide

SOBRE NÓS

O Voyajando surgiu do sonho de criar um espaço para trocar dicas de passeios, restaurantes, hotéis e tudo o mais que envolve os pequenos períodos maravilhosos da vida que chamamos de viagens. São elas que nos proporcionam a possibilidade de descobrir novos universos, ter contato com outras culturas e outros jeitos de ver a vida. O Brasil e o mundo estão cheios de lugares incríveis. Vamos conhecê-los juntos?

VISITE O DUOMO DE MILÃO

Posts  Relacionados

Deixe  um  comentário

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *