O que fazer em Aveiro: 1 dia entre canais, ovos moles e Arte Nova

Assim como Óbidos, Aveiro ganhou o meu coração e foi uma das minhas cidades preferidas na road trip por Portugal. Apesar da sua comparação com Veneza, na Itália, ela é única – e bastante diferente da cidade italiana, diga-se de passagem. Vale separar pelo menos 1 dia para passear (e comer por lá). E nesta matéria você vai ver o que fazer em Aveiro quando estiver por lá.

Mas, por que a comparação com Veneza? Eu explico. É simplesmente por conta dos canais que cortam o centro histórico da cidade, e que ligam o Ria de Aveiro ao mar. Sim, Ria. Com A. Mas já falemos disso, vamos continuar as similaridades. A segunda é que, aassim como Veneza tem suas gôndolas, a versão portuguesa possui os chamados moliceiros. As embarcações coloridas recebem esse nome porque antigamente eram usadas para pegar moliço, uma alga utilizada como fertilizante na produção agrícola. Hoje, é para o turismo mesmo – e as bichinhas são fotogênicas que só (e cheias de gracinhas)!

Agora, deixa eu abrir o parêntese bem breve para explicar o que é uma Ria (porque eu fiquei achando que era erro de digitação durante um bom tempo e eu não quero que você tenha a mesma percepção deste roteiro, haha). Enquanto a versão com O (rio) é caracterizado como um fluxo de água que corre para o mar, a ria (com A) é o resultado do recuo do mar, uma laguna que constitui um importante (e bonito) acidente geográfico na costa portuguesa.

Chegada a Aveiro

Saímos de Coimbra rumo a Aveiro, e chegamos no novo destino da nossa road trip em menos de uma hora. A estrada é tranquila, e bonita, já que é cercada por campos verdes. O cenário vai mudando também, porque vamos nos aproximando do litoral de Portugal – sim, Aveiro tem praia.

É possível um bate e volta a partir de Lisboa? É – considerando que Portugal é um país pequeno. Recomendo? Não, já que eu sinceramente adorei a experiência de pernoitar na cidade, ver o anoitecer e comer dois ou três (quem está contando?) ovos moles de sobremesa… A cidade é um charme e andar pelo centrinho foi o nosso roteiro todinho.

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Nosso roteiro por Aveiro

Mentira, voyajante, a gente fez um pouco mais do que andar nas ruas de Aveiro e comer ovos moles enquanto na cidade. Mas não muito mais, hahahaha. Vamos lá? O que fazer em Aveiro:

As plantações de sal

Nosso roteiro pela cidade começou pela plantação de sal. E visita-la foi uma experiência e tanto, devo confessar. Até porque, na minha concepção, a extração do sal era feita apenas como eu vi e aprendi lá nas Minas de Sal de Waliska, na Polônia. Aí está uma das belezas de viajar: a gente aprende tanto! 

Muitas pessoas recomendam o passeio pelas plantações no final da tarde, para pegar o pôr do sol. Já falei em alguns textos que viajamos em junho por Portugal, ou seja, o horário de verão presente para nos ajudar – já que é dia até umas 21h. Como a gente é velho, e as plantações não eram assim tão perto hotel, não tivemos o prazer de finalizar o dia por ali.

Ah, e se o assunto ou as plantações de sal chamam a sua atenção, você pode visitar o museu (Ecomuseu Marinha da Troncalhada) que tem por ali. A gente não entrou – mas deve ser super interessante ler mais sobre a extração do minério, com indícios que remontam à ocupação romana que teve por ali. 

E digo mais, vale dizer que o fim de junho é a época da colheita do sal. Você pode ainda fazer reserva para tour guiados por lá direto no site do núcleo de Museus de Aveiros. 

As pontes de Aveiro

Depois da plantação de sal, deixamos o carro no estacionamento público (Parque de Estacionamento – Canal de São Roque) já que o anfitrião do apartamento que alugamos na cidade decidiu nos avisar no dia que não poderíamos parar dentro do prédio. Fiquei um pouco chateada – já que filtramos apenas acomodações com a facilidade do estacionamento na nossa road trip por Portugal. Fizemos dos limões, uma limonada. Abrimos as malas no estacionamento mesmo e colocamos nas mochilas o que seria necessário para a pernoite, rezando para que o estacionamento fosse seguro o bastante para deixar o restante da bagagem por lá. 

No caminho até o hotel, localizado no Largo da Apresentação, já passamos por algumas atrações da cidade. Cruzamos primeiro a Ponte dos Botirões, também conhecida como Ponte do Laço e Ponte Circular de Pedestres, hahaha – esta última bem literal. E ela é bem curiosa, já que fica na junção entre o Canal de São Roque e dos Botirões, e une as três margens para pedestres, o que é muito prático. A gente cruzou ela para poder chegar no centrinho histórico, e aproveitamos que já estávamos por ali para irmos direto para a Ponte dos Carcavelos, uma das mais antigas da cidade, estampada com o brasão da cidade.

Largo da Apresentação e Igreja da Vera Cruz

E aí chegamos ao hotel da vez. Se você quiser mais detalhes sobre a estadia e valores, eu coloquei as informações no roteiro geral da road trip por Portugal. A primeira parada e ponto de partida para o centro de Aveiro foi o Largo da Apresentação, onde a nossa acomodação da vez estava localizada. É em uma das suas margens que está a Igreja da Vera Cruz (Igreja de Nossa Senhora da Apresentação), que tem a fachada adornada por azulejos portugueses e altares talhados em dourado. É uma sombra muito bem vinda bem bonita. 

Por falar em azulejos portugueses, tem uma outra igreja ali em Aveiro que tem a fachada coberta por eles – nós não entramos porque precisava pagar. Mas por fora já vale a pena. Dá uma olhadinha que graça – e se for colocar no seu roteiro, o nome é Igreja da Misericórdia. Foi ali do ladinho dela que comemos o nosso primeiro Ovos Moles de Aveiro. 

E, seguimos. 

Museu do Aveiro

Andando pela cidade, passamos em frente ao Museu do Aveiro, instalado dentro de dois prédios históricos: Convento e a Igreja de Jesus, ambos do século XV. Ali dentro, a promessa é de se embasbacar mais um pouquinho com azulejos portugueses e a arquitetura barroca. O destaque por lá é o túmulo de Santa Joana, filha de Afonso V, canonizada em 1693. 

Nós não entramos, já que ficaríamos pouco tempo em Aveiro e a cidade, em tão pouco tempo, já tinha nos conquistado. Queríamos explorar mais de suas ruas coloridas e canais, e sua celebrada arquitetura Art Noveau. Julguem-me, mas eu sempre deixo coisa para trás para poder voltar sem peso na consciência mesmo. 

Aveiro Art Noveau (Arte Nova, em pt-pt)

Aveiro é considerada uma cidade-museu pela quantidade de prédios e edifícios de estilo Art Nouveau, que dominaram a cidade durante o Estado Novo. A contextualização histórica você acha lá no roteiro geral da road trip. Se você gosta de arte, pode visitar o Museu da Arte Nova, em uma das margens do Canal Central.

Do lado do museu está o nosso Ovos Moles preferido de toda a viagem – e foi ali que a moça me explicou que a parte branca que embrulha a gema do doce é feita de óstia. Achei bem interessante – não é à toa que é um dos doces conventuais de Portugal, ao lado do amado pastel de Belém.  

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Catedral de Aveiro (ou Igreja de São Domingos)

A gente deu uma passadinha rápida, no maior estilo espiadinha, na Sé de Aveiro – ou melhor, na Catedral de Aveiro. Fundada no século XV como parte do antigo convento dominicano, ela é considerada a primeira construção de pedra de Aveiro, numa época em que a cidade ainda se estruturava como porto e vila marítima. 

A fachada atual, bem sóbria se comparada aos azulejos que adornam os outros templos visitados até então, é um exemplo do estilo maneirista português. Seu altar-mor estava com uns andaimes, em processo de revitalização. Porém, deu para ver o quão lindo o lugar é. Se estiver por lá, vale entrar. 

Ponte Laços da Amizade

Nossa próxima parada foi a fotogênica Ponte Laços da Amizade, toda coloridinha graças às fitas que os passantes deixam ali para celebrar, homenagear ou explicitar, seus amores. Achei engraçado que fiquei uns bons minutos fotografando a ponte errada, já que as fitinhas coloridas foram se espalhando e hoje tomam conta de toda a região. É uma graça! Principalmente porque elas cruzam um canal que é rota dos moliceiros, então suas melhores fotos vão ser por ali. 

Aliás, se você estiver nos arredores mais cedo do que a gente, pode visitar o Mercado Manuel Firmino, uma espécie de mercadão da cidade onde você encontra frutas, verduras e flores. Nós entramos, mas estava naquele clima da xepa já. 

Cais dos Moliceiros

E então fomos margeando o canal até chegar no Cais dos Moliceiros, as embarcações coloridas que já comentamos aqui no texto – na comparação com as gôndolas de Veneza. É dali que saem os passeios de, bem, moliceiros. Mesmo se você não quiser contratar um passeio – lá mesmo – ou com antecedência pelo nosso parceiro GetYourGuide (link aqui), não deixe de reparar na pintura de cada uma das embarcações. Elas não são somente coloridas, elas possuem desenhos únicos na parte de trás. Alguns poéticos, alguns cômicos, algumas sátiras – e até de cunho sexual. Então fica a dica antes de sair apontando para as crianças! 

E se tiver afim de passear de barco – o que eu não estava, depois do meu fiasco no Arquipélago de Berlengas (que você lê o perrengue aqui) – saiba que o trajeto dura cerca de 45 minutos e percorre os principais canais urbanos: o Canal Central, o Canal do Côjo, o Canal das Pirâmides e o Canal de São Roque. Durante o trajeto, os guias contam curiosidades sobre a história da cidade e os edifícios à beira da Ria, como o antigo mercado do peixe e o edifício da antiga Capitania do Porto. Os bilhetes variam entre €13 e €15 por adulto, dependendo da empresa e da época do ano.

(O lado bom de fechar seu passeio com o GetYourGuide é poder cancelar de graça até 24 horas antes. Então dá para ficar de olho no clima tempo e, se ele não for favorável, recalcular a sua rota sem qualquer ônus).

Praça General Humberto Delgado

Nossa próxima parada, agora margeando o Canal Central de Aveiro, foi a Praça General Humberto Delgado. Eu geralmente não vejo muito graça em praças, mas o que eu achei curioso ali é o prédio da Capitania do Porto de Aveiro, que fica em uma das suas margens. Margens? Sim. A estrutura está em cima da água. A praça, na real, tem essa característica. Andando por lá você acaba não sentindo, mas é interessante.

O que fazer em Aveiro

(Pelo menos em Veneza – que você por ler a nossa experiência pela cidade aqui, eu não reparei em algo do tipo. Olha eu comparando – shame on me – as duas cidades. #hipocrisia

Capela de São Gonçalinho

Por fim, antes do jantar, fomos caminhando até a Capela de São Gonçalinho, dedicada a São Gonçalo, o padroeiro da cidade. Legal ressaltar aqui que eles possuem uma celebração em janeiro que consiste em atirar cavacas para a multidão. Cavacas são bolos secos, redondos e côncavos, tipicamente cobertos com uma calda de açúcar e claras. Então, se estiver por lá, deve ser no mínimo divertido de assistir (ou fazer parte, vai de você).

O que mais ver em Aveiro?

Nós deixamos de incluir no nosso roteiro a Estação de Comboios de Aveiro, que chama atenção pelo prédio. Então mesmo se você visitar a cidade chegando e partindo de carro, talvez vale dar aquela passada ali. Parece especial. Outro lugar que não conseguimos chegar foi a Praça Marques de Pombal, onde está o antigo Convento Carmelita. Na praça tem ainda um mosaico que representa os signos do zodíaco.

O que comemos em Aveiro?

Além de uma quantidade indecente de Ovos Moles – saudades, inclusive – tivemos um jantar muito gostoso em um restaurante chamado Solar do Bacalhau. Descobrimos o lugar no The Fork (aquele aplicativo de reservas que, vira e mexe, oferece bons descontos), reservamos um horário e só fomos (para o desespero do Ed, que não é um fã de peixes e frutos do mar). 

O lugar foi uma delícia – não só na comida (super farta) mas também no atendimento. Eu pedi um Bacalhau à Brás e o Gian foi de espetada. Os valores da janta você vai ver no vídeo. Então, já segue a gente no canal.

As casas coloridas da Costa Nova

No dia seguinte, fizemos o check-out e pegamos o carro para a nossa última atração de Aveiro: a praia da Costa Nova. Trata-se de uma antiga zona de pescadores, e o bairro é formado por ruelas estreitas, canais e pontes. A fama do lugar se dá pelas casas listradas em vermelho, azul e amarelo. Essas casas, chamadas de palheiros, eram originalmente armazéns de pescadores e foram convertidas em residências de veraneio no século XIX. Hoje, são um dos cartões-postais mais fotografados de Portugal. Tudo fechado durante a nossa visita. 

Aliás, li em vários roteiros que o bom era visitar o lugar pela manhã para fotos, já que o sol estaria na posição certa para as casas. Porém, como você pode ver nas minhas fotinhos, eu estava toda verão para fotografar, mas o verão não deu as caras tão cedinho no dia. Hahaha, história da nossa vida. Tempo estava bem cinza, a la Dublin, e eu estava com frio! Logo, o bom humor também não era reinante. 

Mas, logo ficou. Afinal, o próximo grande destino do dia era – nada mais, nada menos – que Porto. Mas, fizemos uma paradinha antes de chegarmos na cidade, muito por conta do horário do check-in do hotel para largar o carro e as malas. Mas, são cenas do próximo capítulo.

Fica aqui, novamente, o nosso convite para se inscrever no canal do Voyajando no YouTube e dar aquele follow para a gente no Instagram. Ele não é lá muito atualizado, e a gente sabe disso, mas vamos alimentando principalmente quando em viagem. Se esse roteiro de ajudar de alguma forma, vai lá dar um alô – e considere comprar seus ticket ou reservar a sua acomodação com nossos links afiliados. Ele ajuda muito a gente a manter o Voyajando no ar. 

Obrigada – e até a próxima! 


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