Viagens em família tem tudo para serem incríveis e, principalmente por isso, a gente aqui no blog fala muito de planejamento. Qualquer informação a mais que pode nos ajudar a desfrutar do passeio e voltar com as melhores lembranças é válida e, por isso, achei interessante abordarmos o tema de “como viajar com crianças neurodivergentes?” aqui no blog. Recebemos essa sugestão de pauta da Genial Care, uma rede de cuidado de saúde atípica na América Latina, especializada no cuidado e desenvolvimento de crianças com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e suas famílias, e agora vamos aprender juntos como se planejar e proporcionar os melhores momentos também para as crianças, bora?
As viagens proporcionam um momento único para as famílias desfrutarem de momentos juntos. Para crianças neurodivergentes com TEA (Transtorno do Espectro Autista), TDAH, Dislexia, etc, algumas estratégias específicas ajudam a garantir que esse momento seja tranquilo e prazeroso. Neste cenário, é essencial que as famílias de crianças com TEA se preparem com antecedência para minimizar imprevistos e proporcionar uma experiência confortável e divertida para todos.
“Muitas pessoas cuidadoras ainda se preocupam ao viajar com crianças autistas, especialmente durante as férias, quando é comum visitar lugares novos e mais movimentados. Porém, ao planejar a viagem, é fundamental oferecer previsibilidade, fazer combinados com todos os envolvidos e incluir esses cuidados no planejamento para garantir uma experiência mais agradável e memorável para a criança e a família”, explica a psicóloga e Orientadora da Genial Care, Caroline Rorato.
A importância da rotina para viajar com crianças neurodivergentes
É comum que as pessoas autistas se apeguem à rotina, já que ela proporciona previsibilidade e evita surpresas, ajudando a lidar com o mundo ao seu redor. Alterações na rotina, como mudanças de casa ou ajustes em atividades diárias, podem gerar desconforto e até mesmo sobrecarga sensorial, levando a crises, por exemplo.
Caroline ressalta a importância de os cuidadores reconhecerem que a interrupção nas atividades escolares e a alteração na rotina podem causar desconforto à criança. “As interações com a criança devem ser cuidadosamente planejadas e executadas neste período, em que são comuns situações em que a criança pode se expor a diferentes estímulos”, destaca.

Como planejar uma viagem sendo uma família atípica?
Para auxiliar as famílias que planejam viajar com crianças neurodivergentes o pessoal da Genial Care elencou sete dicas práticas que podem tornar a experiência mais tranquila e agradável:
1) Proporcione previsibilidade durante a viagem
É essencial disponibilizar com antecedência todas as informações importantes para a criança, mantendo contato com a equipe multidisciplinar que a acompanha. Desenvolva um roteiro detalhado para ajudar a criança a entender e se preparar para o momento.
Explique o destino da viagem, o meio de transporte utilizado, a duração do percurso e detalhe, de forma clara e objetiva, o que é permitido ou não. Conte histórias relacionadas ao lugar, como memórias afetivas divertidas sobre os avós, por exemplo.
Leve brinquedos favoritos ou objetos que auxiliam a criança a se autorregular e descreva sempre o que está acontecendo, principalmente em situações inéditas. Evite forçar experiências ou situações que a criança não deseja vivenciar, para não provocar desconforto ou aversão.
2) Utilize recursos visuais
Os recursos visuais são ferramentas eficazes na comunicação alternativa com pessoas no espectro autista. Antes da viagem, elabore uma rotina visual personalizada, utilizando ilustrações que representem as atividades programadas ou desenhos que detalham o passo a passo da jornada.
Apresente fotos do destino, do local de hospedagem, das paisagens e de pontos de interesse que atraiam a atenção da criança. Criar um quadro visual com as etapas do dia ou da viagem pode ajudar a criança a se situar melhor, principalmente se o planejamento for revisto previamente. Histórias sociais também são úteis para prepará-la para possíveis desconfortos ou situações inesperadas.
3) Faça pequenos passeios antes de viajar com crianças neurodivergentes
Use passeios curtos, como idas a praças ou parques, como uma forma de treino. Intercale momentos em locais mais movimentados com períodos em áreas mais calmas, para a criança poder se regular. Preste atenção aos sinais de desconforto ou sobrecarga sensorial.
Observar como a criança reage a novos estímulos nesses pequenos passeios pode fornecer insights valiosos sobre como lidar com situações semelhantes durante a viagem.
4) Comunique-se com as pessoas envolvidas
Além de preparar a criança autista, é igualmente importante conversar com todos os participantes da viagem. Ao visitar familiares ou amigos, informe sobre as necessidades específicas da criança, estabeleça limites e compartilhe informações sobre a rotina, preferências e possíveis sensibilidades.
Hotéis e empresas de transporte também devem ser comunicados sobre as necessidades especiais da criança, garantindo que os direitos legais sejam respeitados para evitar contratempos. O uso do cordão com estampa de quebra-cabeça, símbolo internacional para o Transtorno do Espectro Autista (TEA), por exemplo, ajuda a identificar e facilitar o acesso aos direitos em diferentes ambientes.
5) Planeje pausas e momentos de descanso
Durante a viagem, é fundamental programar intervalos regulares para a criança poder descansar e se recompor. Evite longos períodos seguidos de atividades intensas, pois isso pode levar à sobrecarga sensorial. Escolha lugares tranquilos para essas pausas, onde a criança possa relaxar, se acalmar e se reequilibrar.
Considere também o uso de fones de ouvido com cancelamento de ruído ou outros dispositivos que ajudem a bloquear sons excessivos, caso a criança tenha sensibilidade auditiva. Lembre-se de que uma viagem agradável depende de momentos de descanso adequados, permitindo que a criança aproveite melhor cada etapa do percurso.
6) Esteja atento aos sinais da criança
Preste atenção aos sinais de estresse ou desconforto que a criança possa apresentar durante a viagem. Mudanças de comportamento, como agitação, irritabilidade ou inquietação, podem ser indicadores que a criança está sentindo algum tipo de sobrecarga.
Observe também reações físicas, como a necessidade de evitar estímulos sensoriais excessivos ou buscar espaços mais tranquilos. Ao notar esses sinais, tenha um plano de ação preparado para ajudar a criança a se autorregular, seja oferecendo um objeto calmante, diminuindo a intensidade dos estímulos ao redor ou alterando a programação da viagem. A flexibilidade é essencial para garantir o bem-estar da criança.
7) Assegure os direitos de viagem
Além da identificação e da comunicação com os meios de transporte, é importante conhecer os direitos específicos de viagem para pessoas com autismo. No transporte aéreo, por exemplo, a legislação prevê benefícios para o acompanhante.
Conforme a Resolução n.º 280, de 11 de julho de 2013, da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), a pessoa com autismo paga a tarifa integral da passagem, enquanto o acompanhante tem direito a pagar apenas 20% do valor original, acrescido da taxa de embarque.
Essa regulamentação se aplica a passageiros com deficiência que precisam de apoio durante a viagem. Como o autismo é considerado uma deficiência pela lei, os direitos destinados às Pessoas com Deficiência (PCDs) também abrangem pessoas no espectro autista.
“Viajar com uma criança autista exige cuidados especiais, como oferecer previsibilidade, respeitar a rotina e utilizar estratégias visuais, garantindo uma experiência mais tranquila e agradável para todos. Além disso, estar atento aos sinais da criança e buscar ambientes mais calmos quando necessário é fundamental para proporcionar o máximo de conforto e bem-estar durante a experiência”, conclui a Orientadora Genial da Genial Care, Caroline Rorato.
Em resumo, viajar com crianças neurodivergentes pode ser uma experiência enriquecedora para a interação social, mas é fundamental respeitar os limites dos pequenos e estar preparado para adaptar as atividades das férias conforme necessário.
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