Vou ser bem sincera, voyajante. Eu quase não abri uma matéria sobre o Castelo de Santa Maria da Feira – igual eu não abri para Nazaré. Foi uma das paradas rápidas da nossa road trip por Portugal, e acabamos escolhendo para por ali no nosso caminho até Porto por motivos de: horário de check-in do hotel da vez (que era necessário para podermos estacionar o carro de vez).
Dito tudo isso, é bom dizer que nós não estávamos em Porto para este passeio em si – mas em Aveiro. A gente gosta de deixar tudo às claras por aqui, hahaha.
Santa Maria da Feira está a cerca de 30 quilômetros de Porto, então é um destino e tanto para um bate e volta a partir da cidade localizada no norte de Portugal. Não posso falar muito sobre a cidade em si, já que passamos muito rapidamente por ela, e o nosso destino foi um só: o Castelo de Santa Maria da Feira, uma visita que parece transportar a gente para um outro século. É ainda uma das fortalezas mais bem preservadas do país e um verdadeiro marco da origem do reino português. Já convenci você?

Castelo de Santa Maria da Feira: a história
Eu não quero me extender muito no contexto histórico, já que fiz um breve resumo lá na matéria da road trip (se não quer ler o babado inteiro, você acha as informações no final do texto). Mas, é impossível falarmos da visita ao Castelo de Santa Maria da Feira sem falar um pouco da sua história. Então, peço perdão de antemão – mas juro que vou resumir bastante.
O que você precisa ter em mente é que o norte de Portugal teve um papel importante durante o período que estudamos como Reconquista. Lembra-se dele? A Península Ibérica, no qual Portugal faz parte, foi dominada pelos muçulmanos, e ali na região, mais especificamente em Guimarães (que visitaremos na road trip pela terra de Camões) que nasceu o primeiro rei de Portugal, D Afonso Henriques – o responsável por “retomar” a península para os cristãos.
O Castelo de Santa Maria da Feira, inicialmente erguido lá no século IX em madeira quando Portugal ainda era um sonho. Foi somente no século XI, sob domínio de D. Henrique e D. Teresa – os pais de D. Afonso Henriques – que a estrutura foi fortificada, tornando-se uma fortaleza em pedra estratégica para a formação do Condado Portucalense, que um tempo depois, tornaria-se Portugal.
Durante os séculos XII e XIII, o castelo foi palco de batalhas decisivas contra as forças de Leão e Castela – caso você não tenha se dignado a ir lá dar uma olhadinha do contexto histórico, eu vou dar uma brecha porque sou legal. Leão e Castela era, sem mais nem menos, os sogros de D. Henrique (os pais de D. Teresa). Ele lutou pela independência do mesmo chão que ele recebeu ao se casar com sua esposa. Mas foi seu filho (neto dos Leão e Castela) que fundou enfim Portugal. É, voyajante, o jogo dos tronos não é só na ficção com final ruim.
Ao longo dos séculos seguintes, o castelo passou para o controle da Casa de Bragança, que introduziu elementos residenciais, como o paço nobre e a capela, transformando-o de fortaleza militar em símbolo de prestígio aristocrático. Com a pacificação do território, o castelo perdeu gradualmente a sua função defensiva, caindo em abandono até o século XIX, quando começaram as primeiras obras de restauro. Entre as décadas de 1930 e 1940, o monumento foi enfim integralmente recuperado.
Visitando o Castelo de Santa Maria da Feira
Hoje, o Castelo de Santa Maria da Feira é um exemplo de arquitetura militar medieval portuguesa, com muralhas robustas, torres ameadas e um pátio de armas que revela o esplendor e a força da época. É bem impressionante pelo tamanho e pelo acesso que nos dão por todo o terreno.




Da torre de menagem, é possível ter uma vista panorâmica sobre a cidade (até porque o castelo já está mais elevado em comparação ao restante da cidade). Já a Capela de Nossa Senhora da Encarnação, a nossa primeira parada logo ao lado da bilheteria, é bem pequenina – mas guarda guarda relíquias que testemunham a devoção religiosa que acompanhava o poder militar na época. E vimos alguns exemplos disso nessa road trip por Portugal – lembra da Sé Velha de Coimbra que mais parecia uma fortaleza? Pois bem.
A entrada foi €3 (Junho 2025) e compramos diretamente por lá. O monumento funciona normalmente entre as 10h e as 17h30 (até às 19h durante o verão) e chegamos com o carro mesmo, bem pertinho, já que o estacionamento nas redondezas era gratuito.
A Viagem Medieval
Como mencionado, visitamos o lugar em junho de 2025 – e já foi uma viagem no tempo digna de nota (e de post no Voyajando.com). Acredite, caro leitor, não é tudo que ganha espaço por aqui não.
Porém, gostaria de dar um destaque para o Viagem Medieval em Terra de Santa Maria, um evento que acontece todo ano entre o fim de julho e o início de agosto. Trata-se da maior recriação histórica da Península Ibérica – e considerado um dos mais autênticos da Europa. Que que isso, Jeanine? É quando o centro histórico de Santa Maria da Feira transforma-se num verdadeiro cenário medieval, com mercados, cavaleiros, músicos, artesãos e banquetes à luz de tochas.




Fazem parte da programação batalhas encenadas, torneios de cavaleiros, teatros de rua e procissões religiosas, tudo cuidadosamente ambientado e baseado em fatos e costumes da época. Cada edição foca um período histórico diferente da história portuguesa, deixando o evento com aquela carinha de aula de história viva.
O Ed, que nos acompanhou pela road trip em Portugal, teve a oportunidade de participar do evento uma vez e amou:
A cada ano tem um programa diferente, eu fui em 2022 na 25º edição, teve uma encenação começando na coroação do Afonso Henrique, passando pela batalha de reconquista do algarve e terminando na peste negra.
Seguem aqui umas senhoras fotos dele para você ter o gostinho, e saber se vai fazer parte ou não. A gente acabou tendo uma rápida imersão no evento em Guimarães e devo dizer que eu gostei muito. Imagina como é a maior de Portugal?







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É isso! O próximo post vai ser de Porto.
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