Roteiro Budapeste: o que fazer em quatro dias na cidade?

Desde que a Jeanine visitou Budapeste lá em 2018, estava nos nossos planos conhecer a cidade. Lendo o post dela, na época, fiquei encantada com a história de Buda e de Peste, e sobre como a capital húngara é sempre citada entre as viagens mais bonitas que o pessoal faz lá para o Leste Europeu. Portanto, se você tem cerca de quatro dias na cidade e quer uma listinha completa do que fazer por lá, acaba de chegar à matéria certa. Vem com a gente desbravar nosso Roteiro Budapeste e chegar com essa viagem planejadinha para curtir a vontade.

Budapeste é uma daquelas cidades que ficam grudadas na memória, não só pelas águas termais fumegantes em pleno inverno ou pelo Parlamento iluminado refletindo no Danúbio, mas principalmente pela sensação de estar em um lugar onde história, beleza e agitação convivem em harmonia. Pelo menos foi essa a sensação que tivemos em uma viagem que fizemos pela chamada Pérola do Danúbio em março de 2024.

Roteiro Budapeste

Como chegar a Budapeste?

Em uma pesquisa rápida, descobrimos que não existem voos diretos do Brasil para Budapeste, mas a cidade recebe conexões de praticamente todas as principais cidades europeiasideal para emendar a sua Eurotrip. Nós chegamos pelo aeroporto Ferenc Liszt (BUD), que fica a apenas 17 km do centro e, de lá, pegamos um ônibus que nos levou ao centro da cidade – mas você também pode pegar um transfer ou ir de taxi.

Se você já estiver na Europa, existe ainda a possibilidade de chegar em Budapeste de trem, ônibus ou carro, reforçando o argumento de encaixá-la em uma eurotrip maior. De trem e de ônibus, por exemplo, a cidade se conecta a lugares como Viena (2h30 de viagem), Praga, Bratislava e Zagreb. Se estiver em uma dessas cidades próximas, vale dar uma olhadinha nas alternativas e preços para entender qual a melhor opção para você. A Jeanine, por exemplo, chegou de ônibus na cidade na primeira vez que a visitou, saindo da Cracóvia.

Já se você estiver em uma viagem de carro, a road trip mais comum é usar a rodovia M1 para ir de Viena a Budapeste – percorrendo cerca de 243 km. Já Bratislava fica a 200km e Praga, a mais longe, fica a 530km dali. Fique atento apenas às questões de pedágios que mudam de país para país – na Hungria, existem aqueles pedágios eletrônicos que precisam ser adquiridos com antecedência online.

História de Budapeste

A Jeanine contou um pouco lá no post dela, mas vamos trazer para cá também e assim você chega sabendo do rolê todo na sua viagem. A história de Budapeste está literalmente estampada no nome da cidade. Ela só passou a existir oficialmente em 17 de novembro de 1873, quando três cidades independentes foram unificadas: Buda e Óbuda (que significa “Antiga Buda”), na margem direita do Danúbio, e Peste, na margem esquerda.

E os nomes, o que significam? Bom… aqui entra um pouco de história e um pouco de teoria: alguns historiadores acreditam que “Peste” venha de uma palavra de origem eslava ligada a “forno” ou “fornalha”, possivelmente associada a cavernas e atividades de queima de cal na região.

“Buda” tem origem mais incerta: algumas versões apontam ligação com termos eslavos para “água”, por causa das fontes termais; outras dizem que o nome viria de Bleda (ou Buda), irmão de Átila — pelo menos segundo as lendas. Ou seja: o que sabemos mesmo é que o significado exato se perdeu no tempo… mas a ideia de unir as duas cidades e manter seus nomes, isso é real e muito legal de saber, né?

Voltando um pouco no tempo, a região onde hoje está Budapeste já foi habitada por celtas e romanos, e foi justamente o Império Romano que fundou Aquincum, cidade que ficava na área de Óbuda e que se tornou um importante centro administrativo. Depois, no final do século IX, chegaram algumas tribos vindas das estepes da Ásia, que deram origem ao povo húngaro. O primeiro rei da Hungria foi Santo Estevão I, coroado por volta do ano 1000, e é a ele que se atribui a consolidação do cristianismo no país. Sua famosa relíquia — conhecida como “Mão Sagrada” — está preservada na Basílica de São Estevão, em Budapeste.

A história, porém, nunca foi exatamente tranquila por aqui. A cidade sofreu com as invasões mongóis em 1241, viveu mais de 140 anos sob domínio otomano (1541–1686) e depois passou para o controle dos Habsburgos, do Império Austríaco.

O grande período de prosperidade veio apenas com a criação do Império Austro-Húngaro em 1867. Nessa época, Budapeste se tornou um dos grandes centros dessa monarquia e viveu uma verdadeira era dourada. Inclusive, é dessa época que vêm muitos dos edifícios que vemos hoje, como o Parlamento, a Ópera e várias das pontes que atravessam o Danúbio.

Já a Primeira Guerra Mundial vem para marcar o fim do Império Austro-Húngaro e, com o Tratado de Trianon (1920), a Hungria perdeu cerca de dois terços de seu território. Mais tarde, a Segunda Guerra Mundial foi ainda mais devastadora. Budapeste sofreu bombardeios intensos e o cerco da cidade deixou marcas profundas. E depois da guerra, ainda veio o período de domínio soviético e regime comunista.

Em 1956, aconteceu a famosa Revolução Húngara, quando a população foi às ruas contra o regime — uma revolta que acabou sendo brutalmente reprimida. E, assim como aconteceu em Bucareste e já contamos aqui, a liberdade só chegou de verdade no final dos anos 1980, com o fim do comunismo, e a Hungria passou a integrar a União Europeia em 2004.

Roteiro Budapeste: o que fizemos em 4 dias na cidade?

Nos hospedamos relativamente próximos ao centro da cidade e acabamos fazendo quase tudo a pé por ali. Como estávamos em seis pessoas, pegamos um apartamento no nosso parceiro Booking (link afiliado), e tivemos sorte de ficarmos bem localizados o que acabou facilitando bastante o nosso ir e vir nesse roteiro.

Ficamos quatro dias por ali e conseguimos conhecer boa parte dos principais pontos turísticos com calma, sem aquela correria de tentar encaixar tudo – inclusive essa era uma demanda do aniversariante da vez, meu marido Bruno, que queria curtir seu aniversário com calma, rs. E nesse ponto, a cidade tem uma vantagem: muitas atrações estão concentradas e dá para fazer boa parte a pé, especialmente no lado de Peste, que é por onde começaremos.

Aliás, falando sobre isso, você vai perceber, voyajante, que geralmente os roteiros dividem, mesmo, a cidade em lado Buda e lado Peste, principalmente porque fica mais fácil conhecê-la dessa forma. Mas nós, por exemplo, atravessemos o rio mais de uma vez ao longo dos dias porque o nosso planejamento acabou envolvendo os dois lados da cidade principalmente por conta dos horários marcados – especialmente o do Parlamento e do Balneário. Por isso, por mais que tenhamos dividido as informações em dois blocos, como você vai ver já já, recomendaria que você montasse o seu roteiro, como sempre fazemos por aqui, com o mapa da cidade às mãos e sem enxergar o rio como, necessariamente, um obstáculo.

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Lado Peste: o coração moderno da cidade

Parlamento de Budapeste

Não tem como não começar por ele. O Parlamento Húngaro é lindo de se ver tanto de longe – e as fotos ao longo do post demonstram isso – quanto de perto, na visita que fizemos lá dentro. Esse é um dos maiores parlamentos do mundo, com 691 salas, 268 metros de comprimento e 118 de largura. Foi construído entre 1884 e 1902 e é um símbolo do poder econômico que a Hungria tinha no início do século XX.

Foi bem legal visitar o famoso prédio por dentro, a gente recomenda demais. Os destaques vão para a escadaria principal, a Sala da Cúpula (onde está guardada a Coroa de Santo Estevão) e a antiga Câmara Alta. E a arquitetura neogótica é um dos pontos altos por ali, com detalhes em ouro e vitrais coloridos. A dica aqui, claro, é comprar com antecedência os ingressos para a visita guiada e não arriscar perder a chance de vê-lo por dentro. Vale muito a pena!

Memorial dos Sapatos no Danúbio

Às margens do rio Danúbio, entre o Parlamento e a Ponte das Correntes, está um dos memoriais mais emocionantes e impactantes da cidade. São 60 pares de sapatos de ferro deixados ali, ao ar livre, em variados tamanhos – de homens, mulheres e até crianças – enfileirados na beira do rio, como se seus donos tivessem acabado de tirá-los.

O memorial, criado pelo cineasta Can Togay e pelo escultor Gyula Pauer em 2005, homenageia os judeus que foram fuzilados ali mesmo, nas margens do Danúbio, durante o inverno de 1944-45 pela milícia fascista húngara Cruz Flechada. As vítimas eram forçadas a tirar os sapatos (que eram valiosos na época) antes de serem executadas, e seus corpos caíam no rio gelado.

É um monumento triste mas bem simbólico. São sapatos vazios que contam toda essa história de vidas interrompidas por esse momento cruel da história mundial. Muitos visitantes deixam homenagens próximas aos sapatos, como flores e velas.

Basílica de São Estevão

A Basílica de São Estevão (Szent István-bazilika) é o maior edifício religioso da Hungria e pode abrigar mais de 8.500 pessoas. Junto com o Parlamento, divide o título de construção mais alta da cidade, com 96 metros de altura – um número proposital que marca o ano 896, quando os magiares (povo que deu origem aos húngaros) chegaram à região.

A construção levou mais de meio século (terminada em 1905), incluindo um hiato dramático em 1868 quando a cúpula desabou. A relíquia mais importante guardada ali é a mão mumificada de Santo Estevão I, o primeiro rei da Hungria.

A entrada na basílica é gratuita (sugerem uma doação de Ft200/€0,60). Mas, se você animar, existe também a possibilidade de pagar um valor a mais (cerca de €1,40) para subir à cúpula e ter uma vista panorâmica da cidade – tava frio e a gente não quis subir, não, rs.

Avenida Andrássy

Declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO em 2002, a Avenida Andrássy é uma das vias mais bonitas de Budapeste. Construída em 1872, ela conecta o centro da cidade à Praça dos Heróis e ao Parque da Cidade, num traçado de 2,5 km repleto de mansões e palácios renascentistas. Estávamos hospedados ali pertinho e passamos por ela mais de uma vez. Um dos destaques que entramos para conhecer é a Ópera de Budapeste, um dos edifícios emblemáticos da cidade.

Váci Utca

A Váci Utca é a rua comercial mais elegante de Budapeste, cheia de lojas, cafeterias e restaurantes. É um centrinho nervoso e, de dia, é perfeita para fazer compras e observar o movimento. E à noite ela fica toda iluminada, bem bonita de ver. A rua existe desde o século XVIII, com mansões dessa época, mas a maioria dos edifícios atuais é dos séculos XIX e XX. Ela leva até a Praça Vörösmarty, onde fica a famosa Confeitaria Gerbeaud, a próxima da nossa lista.

Confeitaria Gerbeaud

A Gerbeaud é a confeitaria mais famosa da Hungria, fundada em 1858 por Henrik Kugler. Com mais de 300 cadeiras no interior e um terraço igualmente grande, é o lugar perfeito para uma pausa doce, que foi o que fizemos para fugirmos um pouco do friozinho do inverno. Os preços são razoáveis, e vale a visita para um café ou chocolate quente e um pedaço de bolo no meio da tarde. O lugar faz a gente se sentir na Budapeste do século XIX.

Mercado Central

Inaugurado em 1897, o Mercado Central (Nagy Vásárcsarnok) é o maior mercado coberto de Budapeste e tem uma história interessante. No final do século XIX, a cidade enfrentava problemas sanitários sérios, então foram construídos cinco mercados para controlar a qualidade e conservação dos alimentos.

O prédio foi gravemente danificado na Segunda Guerra e chegou a ser declarado em ruínas em 1991, sendo fechado. Três anos depois, foi restaurado e hoje é um dos edifícios mais icônicos da cidade. No térreo você encontra frutas, verduras, carnes e o famoso pimentão húngaro (paprika). No segundo andar ficam as barraquinhas de souvenirs e alguns restaurantes que servem comida típica.

No dia que fomos, estava simplesmente lotado, mas foi legal de conhecer. Vale demais a visita com calma e, se você tiver paciência, até vale arriscar comer por ali mesmo. Como estávamos em um grupo grande, nós desistimos, e fomos para um restaurante ali nas redondezas.

A única coisa que vale ter atenção aos dias e horários de abertura pois aos finais de semana – no momento em que escrevemos esse texto – o funcionamento é limitado.

Praça dos Heróis

Localizada no final da Avenida Andrássy, a Praça dos Heróis (Hősök tere) é uma das mais importantes de Budapeste. O conjunto monumental central foi erguido em 1896 para celebrar o milênio da chegada dos magiares à Hungria. As estátuas prestam homenagem aos líderes das sete tribos fundadoras da Hungria e a importantes reis e governantes ao longo dos séculos. A praça toda, junto com a Avenida Andrássy, é Patrimônio da Humanidade pela UNESCO.

O lugar é enorme, e investimos alguns minutinhos ali para admirá-la antes de seguir para os nossos próximos “compromissos” que eram ali pertinho mesmo.

Parque da Cidade e Castelo Vajdahunyad

Logo atrás da Praça dos Heróis fica o Városliget (Parque da Cidade), um dos primeiros parques públicos do mundo. Originalmente era área de caça da nobreza, mas nos séculos XVIII e XIX foi transformado em parque público.

O Castelo Vajdahunyad é peculiar: foi construído inicialmente de madeira para a Exposição do Milênio de 1896 e, como fez tanto sucesso, foi reconstruído em pedra. Sua arquitetura é uma colagem de diferentes estilos, copiando edifícios existentes na Hungria. Dentro há um museu de agricultura e uma igrejinha.

Balneário Széchenyi

Encerramos nossa viagem ali pertinho da Praça dos Herois e do Parque da Cidade, no Balneário Széchenyi. É um dos parques termais mais famosos de Budapeste, ao lado do Gellert Spa, que a Jeanine visitou em 2018 (e tem o relato completo aqui). O Balneário é enorme, frequentado tanto por turistas quanto por locais e foi inaugurado em 1913 (!). Tem 15 piscinas no total, com 3 grandes ao ar livre e 12 pequenas internas, além de diversas saunas – algumas super quentes, não aguentávamos ficar lá dentro! Hahaha

O lugar abre super cedo, por volta das 6h, e vai até às 22h, então foi perfeito para o nosso último dia de viagem. Pegamos uma cabine fechada onde pudemos deixar nossas coisas – estávamos com mochilas e malas pequenas – e aproveitamos o dia todo para no fim tomarmos um banho e voltarmos para casa.

Lado Buda: História nas Alturas

Ponte das Correntes (Széchenyi Lánchíd)

Foi um dos primeiros lugares que visitamos na nossa viagem. Também, pudera, é simplesmente um dos lugares mais fotografados da cidade. A Ponte das Correntes foi a primeira ponte permanente sobre o Danúbio em Budapeste, construída em 1849. Ela simboliza a união das duas cidades que formam a capital e é um dos cartões-postais mais famosos.

A ponte original foi completamente destruída na Segunda Guerra Mundial e reconstruída em 1949, exatamente 100 anos depois da inauguração. Vale atravessá-la a pé, e muitas vezes, como fizemos – a vista do Danúbio e dos dois lados da cidade é maravilhosa.

Castelo de Buda

Também conhecido como Palácio Real, o gigantesco Castelo de Buda foi residência dos reis húngaros e hoje abriga a Biblioteca Széchenyi, a Galeria Nacional Húngara e o Museu de História de Budapeste.

Passear pelos jardins e arredores é gratuito, e já vale muito a pena pela vista! Infelizmente, quando chegamos, a noite já tinha caído (o inverno tem dessas, já escurece muito mais cedo) e, por isso, não havia mais a possibilidade de visitarmos o interior dos museus – mas dizem que é bacana escolher pelo menos um deles – quem sabe em uma próxima?

A subida – que fizemos a pé – é um pouco ingrata, rs. Por isso já te digo que existe também a possibilidade de subir de ônibus, táxi, uber ou pelo funicular que sai da região próxima à Ponte das Correntes.

Igreja de Matias

Chegando na nossa próxima atração durante nossas andanças pelo lado Buda, passamos por fora também da Igreja de Matias, que é a igreja católica mais famosa de Budapeste. Seu nome oficial é Igreja de Nossa Senhora, mas ficou conhecida como Igreja de Matias em homenagem ao rei Matias Corvino. A gente não entrou, mas por fora ela já é bem bonita e vale dar uma passadinha e admirá-la.

A igreja foi construída entre os séculos XIII e XV e passou por uma grande reforma no final do século XIX que lhe deu o estilo neogótico. O telhado colorido em mosaico é inconfundível e dizem que a acústica interna é tão boa que por ali acontecem frequentemente concertos de órgão e música clássica.

Bastião dos Pescadores

Sei que já falei bem de outros pontos turísticos aqui (Budapeste realmente arrasa) mas o Bastião dos Pescadores (Halászbástya) é, sem dúvida, um dos lugares inesquecíveis Budapeste. É um mirante situado na colina de Buda, de onde se tem a mais espetacular vista do Parlamento e do lado Peste da cidade.

Chegamos no finzinho da tarde e, mesmo lotado, é um lugar lindo – e estou consciente da quantidade de adjetivos nessa parte do texto, rs. O mirante é formado por sete torres que representam as sete tribos magiares fundadoras da Hungria. Na praça, em frente à Igreja de Matias, fica a estátua equestre do Rei Santo Estevão.

Dizem mesmo que a melhor hora para visitar é ao entardecer, e eu concordo. Conseguimos pegar os dois “cenário”, de dia, quando é possível ver a cidade e, também a noite, quando o Parlamento se ilumina do outro lado do rio. É também, provavelmente, o horário mais cheio, mas vale se programar afinal, a entrada é gratuita e temos ótimas lembranças dessa visita.

Subimos a pé e é um morrinho e tanto mas, por ali, você vai achar também lojinhas de souvenirs e restaurantes para passar o tempo e se preparar para a descida.

Citadella e Estátua da Liberdade

Já do outro lado, do alto do Monte Gellért, a Citadella oferece outra vista panorâmica bem bonita de Budapeste. A fortaleza foi construída pelos Habsburgos em 1854, logo após a Revolução Húngara de 1848-49, como um símbolo de poder e controle sobre a cidade rebelde. De lá de cima, você tem uma visão 360° que abrange os dois lados da cidade, o Danúbio serpenteando no meio e todas as pontes se estendendo de uma margem à outra.

E, pasme, por ali existe também uma Estátua da Liberdade! Com seus 14 metros de altura, foi erguida em 1947 em memória da “libertação” soviética durante a Segunda Guerra Mundial. Originalmente, a estátua trazia símbolos soviéticos, mas após a queda do comunismo em 1989, esses elementos foram removidos e ela passou a representar a liberdade em um sentido mais amplo.

A subida até lá pode ser feita a pé (é mais uma caminhada íngreme), de táxi ou ônibus. Dizem que o pôr do sol visto dali é também espetacular, com toda a cidade se banhando em tons dourados antes das luzes se acenderem. Mas esse, nós perdemos. É também nessa colina que fica o Gellert Spa, que a Jeanine visitou em 2018. Se for essa a sua escolha de balneário, dá para aproveitar e colocar os dois juntos no roteiro.

Outras experiências que valem entrar no roteiro

Balneários Termais

Quando falamos em Budapeste, estamos falando de pontos turísticos lindíssimos mas também de banhos termais. Também, pudera, a cidade tem mais de 125 nascentes que produzem 70 milhões de litros de água termal por dia! Tá bom para você? Essas águas têm origem vulcânica e temperaturas que chegam a 58°C, com propriedades medicinais reconhecidas há séculos.

E toda essa água, claro, deve ser aproveitada e, por isso, escolhemos um dos balneários da cidade para passar o nosso último dia – nosso voo era a noite – e relaxar após andar muitos quilômetros para cima e para baixo em Budapeste. O nosso escolhido, você já sabe, foi o Széchenyi mas também já citamos outro dos mais famosos, o Gellért Spa aqui no texto.

O legal desses espaços é que eles abrem super cedo e fecham tarde, então mesmo que você não tenha um período inteiro para aproveitá-los, pode encaixá-los no seu roteiro e ficar algumas horinhas por ali. Achei interessante ver que, além de nós turistas, os locais também parecem frequentar e se apropriar desses espaços.

Szimpla Kert

Outro lugar que vale inserir na sua visita é o Szimpla Kert. Dizem que é o ruin pub mais famoso do mundo – literalmente um bar montado em um prédio abandonado. O conceito dos ruin pubs nasceu em Budapeste nos anos 2000: jovens começaram a ocupar edifícios em ruínas do bairro judeu e transformá-los em bares ecléticos e criativos.

E, acredite em mim, nós não somos essa galera do rolê noturno. Se você acompanha o blog há um pouco mais de tempo vai ver que nosso tipo de viagem é aquele de bater perna o dia todo pelas cidades, chegar no hotel muitas vezes depois do jantar e ir direto tomar banho e dormir para, no dia seguinte, andar mais de 15km de novo. Por isso mesmo, ir ao Szimpla Kert foi uma surpresa até para mim.

A questão é que vale a visita. Nós, claro, chegamos cedo porque estávamos super cansados de andar o dia todo e foi uma ótima ideia, já que entramos direto. Conforme vai ficando mais tarde, a fila para entrar no recinto vai aumentando potencialmente, o que fica quase impossível de entrar depois de um certo horário.

Se você ainda não está convencido, eu explico: o Szimpla é um labirinto de salas com paredes descascadas cobertas de grafite, móveis desconjuntados, carros velhos transformados em sofás, plantas trepadeiras, luzes de natal… É caótico, vibrante e absolutamente único. Cada sala tem uma “vibe” diferente e percorre-lo (enquanto não estava lotado) foi uma experiência bem singular.

Pesquisando para o post descobri também que aos domingos pela manhã rola uma feira de produtos orgânicos no mesmo espaço, num clima completamente diferente. Fiquei curiosa para ver como um espaço de “balada” poderia se transformar em uma feirinha de produtos orgânicos, quem sabe na próxima passo também nesse dia e horário para ver (e se você for antes de nós, me conta como é).

Onde comer em Budapeste?

Esse post já está gigante, eu sei, mas, já há algum tempo, a gente se preocupa também com a gastronomia ou com o “onde comer” nas viagens. Principalmente se estivermos viajando em grupo (nessa viagem, estávamos em seis pessoas). Somado à isso, temos o fato de a gastronomia húngara ser super variada e saborosa, faço questão de compartilhar com você alguns dos lugares que fomos e aprovamos nessa viagem.

Lánchíd Söröző

O Lánchíd Söröző foi uma das nossas descobertas mais felizes em Budapeste e já começamos por ele no primeiro jantar na cidade. Localizado pertinho da Ponte das Correntes e do funicular, o restaurante tem uma atmosfera acolhedora com decoração bem moderninha, fotos vintage, pôsteres de bandas rock e música ambiente que vai de jazz durante o dia a rock e blues à noite.

A comida é comida húngara tradicional e claro que eu fui de goulash húngaro (eu sempre peço goulash nos lugares onde tem, rs). Outra pedido da mesa foi o joelho de porco crocante (pork knuckle) que o pessoal também amou e a gente recomenda!

O restaurante não é super grande então foi importante fazer a reserva. Indicaria que você também a fizesse para garantir.

Mais informações:
Site do restaurante: https://lanchidsorozo.hu/en/
E-mail para reservas: [email protected]

Retek Bisztró

Esse foi outro que fomos super bem atendidos, gostamos muito da comida e foi uma janta especial: de aniversário do Bruno. O Retek Bisztró se propõe a ser um restaurante familiar pequeno e intimista que serve comida tradicional húngara mas com uma decoração mais sofisticadinha.

O ambiente é aconchegante, com iluminação suave, e muitas vezes rola música ao vivo de piano. O cardápio também inclui todos os clássicos húngaros: goulash, repolho recheado, perna de pato crocante, almôndegas fritas estilo húngaro (fasírozott), aconselho dar uma olhadinha nas opções do menu antes de ir e, claro, reservar com antecedência.

Mais informações:
Site do restaurante: https://retekbisztro.hu/en/retek-eng/
E-mail para reservas acima de 10 pessoas: [email protected]

Karavan Street Food

Pertinho do ruin pub que citamos ali em cima (inclusive fomos no mesmo dia), o Karavan é um street food court localizado no coração do bairro judeu (distrito VII), na rua Kazinczy. São cerca de 8-10 food trucks diferentes oferecendo de tudo: lángos (o pão frito húngaro), goulash servido em pão, hambúrgueres, comida vegana, mexicana, asiática. Para nós que estávamos me muitas pessoas foi uma ótima pedida para cada um escolher o que comer e sentarmos todos juntos.

O lugar é bem animado, com mesas comunitárias ao ar livre, música e bebidas. A única ressalva é que, no dia, choveu, e são poucos lugares cobertos então a logística foi meio complicada de conseguir uma mesa e sair para comprar as comidas – já que o grupo era relativamente grande. Mas deu tudo certo.

Vale deixar para experimentar aqui outra das comidas típicas húngaras, o lángos, uma espécie de pão frito enorme coberto com creme azedo (sour cream) e queijo ralado. Eu não amei, mas também não odiei – o Bruno, por exemplo, já gostou muito. Acho que de qualquer forma vale pela experiência da comida típica.

O Karavan fica aberto até meia-noite na maioria dos dias, e a localização é super conveniente: a poucos metros do Szimpla Kert e outros ruin pubs.

Confeitaria Gerbeaud

Já mencionei a Gerbeaud antes, mas merece destaque também na seção gastronômica. É o lugar perfeito para um café da tarde ao estilo austro-húngaro, com doces tradicionais húngaros e uma atmosfera que te transporta para outra época. Pelo que pesquisamos, os melhores pedidos para acompanhar o café húngaro forte são: o Dobos torta (bolo de camadas com chocolate e caramelo) ou o Krémes (folhado com creme).

New York Café

E claro que ele tinha que estar aqui. Difícil falar de cafés em Budapeste sem mencionar o New York Café, considerado por muitos o café mais bonito do mundo. A gente não chegou a comer lá, infelizmente, mas demos uma espiadinha e faz jus à sua fama. Construído em 1894 como parte do New York Palace, o café tem tetos altíssimos com afrescos dourados, colunas de mármore com detalhes retorcidos, lustres de cristal gigantescos, decoração em estilo neo-barroco e renascentista que faz a gente se sentir em outra época, dentro um palácio.

Durante a Belle Époque, inclusive, o New York Café foi o ponto de encontro da elite intelectual húngara – poetas, escritores, jornalistas e artistas passavam horas ali. Já na Segunda Guerra Mundial, o café foi gravemente danificado e, no período comunista, chegou a ser usado como loja de artigos esportivos e até açougue. Foi restaurado e reaberto apenas em 2006, recuperando todo o esplendor original.

A grande questão aqui é a fila na porta, que estava enorme – é um dos lugares mais turísticos de Budapeste – e os preços, que são bem salgadinhos em relação aos outros lugares (por exemplo, a Confeitaria Gerbeaud tem preços mais amigos). Mas confesso que me arrependi um pouco de não ter sentado e tomado pelo menos um cafezinho e experimentado uma de suas tortas, quem sabe na próxima?


O que mais fazer em Budapeste?

Por mais que a gente tente, sempre fica alguma coisa de fora, né? Aqui vai a nossa tradicional lista do que não conseguimos encaixar no roteiro, mas que ficam de sugestão para você caso tenha mais tempo ou flexibilidade no roteiro que nós.

Grande Sinagoga: a Grande Sinagoga de Budapeste é a segunda maior do mundo, superada apenas pela de Jerusalém. Mede 53 metros de comprimento, 26 de largura e tem capacidade para 2.964 pessoas. Construída entre 1854 e 1859 em estilo mourisco, ela guarda uma história dolorosa.

Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas transformaram os arredores da sinagoga em um gueto judeu que depois virou campo de concentração. Dali, muitos judeus foram enviados aos campos de extermínio. Mais de 2.000 que sobreviveram aos campos morreram de fome e frio, e estão enterrados no cemitério da Grande Sinagoga.

Infelizmente ela estava na nossa lista de visita mas não nos atentamos aos dias de funcionamento e tentamos entrar lá, veja você, no dia que estava fechada. Em casa de ferreiro o espeto é de pau, não é mesmo kkk, vai ter que ficar para a próxima visita.

Ilha Margarida: uma ilha no meio do Danúbio com jardins, fontes musicais, ruínas de conventos medievais e até um pequeno zoológico. Dizem que é perfeita para um dia relaxante longe do burburinho turístico.

Casa do Terror (Terror Háza): museu dedicado às atrocidades cometidas pelos regimes nazista e comunista na Hungria. Pelo que ouvimos falar, é uma visita pesada, mas importante para entender a história recente do país.

Passeio de barco no Danúbio: clássico, mas não menos especial. Ver a cidade iluminada do rio deve ser mágico. (Compre aqui seus ingressos)

Ópera de Budapeste: assistir a uma apresentação ou pelo menos fazer o tour guiado pelo prédio.

Mais balneários: a experiência foi tão legal que queremos mais! Fica a promessa de conhecer algum outro balneário na próxima visita.


E, ufa, chegamos ao fim de mais um roteiro preparado com muito carinho para você, voyajante. Amamos compartilhar nossas viagens e dicas com vocês e só o que pedimos é que continue nos acompanhando por aqui e no nosso canal. Essa audiência nos ajuda bastante a continuar trazendo os conteúdos para cá, além de aumentar a probabilidade de mais gente usar nossos links afiliados ao longo do texto para comprar passeios e reservar hoteis – isso ajuda a manter nosso projeto sem gerar custos a mais para o viajante.

Ficamos por aqui então com essas lembranças de Budapeste que, espero, tenha inspirado você a realizar uma viagem lindíssima por lá também. Se for, não esquece de nos contar e nos marcar nas redes sociais para viajarmos com você, vamos amar!

Até a próxima!


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