Dicas do que fazer na Cracóvia, na Polônia

Considerada a segunda maior cidade da Polônia e a capital cultural do país, a Cracóvia foi escolhida como nosso ponto de parada para conhecermos Auschwitz-Birkenau. Mas, ao pesquisar mais sobre o local, vimos que seriam necessários pelos menos três dias para fazermos tudo o que queríamos ali e nas redondezas. E não nos arrependemos. A Cracóvia é linda, cheia de histórias e merece entrar no seu próximo roteiro de viagem. No primeiro dia, fomos às Minas de Sal de Wieliczka; no segundo, andamos pelo centro histórico da cidade e, por fim, visitamos os campos de concentração nazistas.

A praça principal da Cracóvia ❤

O centro histórico

Chamada de stare miasto, a Cidade Velha da Cracóvia está na lista de Patrimônio Mundial da UNESCO. Entre os seus destaques estão o Castelo de Wawel, a Basílica de Santa Maria e o Mercado Principal, cada um com o seu charme. Confesso que gostaria de ter estudado melhor a história da Polônia para poder visitar cada uma de suas atrações com mais propriedade. Mas, infelizmente, das aulas da escola, o que ficou gravado para mim foi a invasão do país pelos nazistas, no início da Segunda Guerra Mundial. Por isso, espero que goste deste post e que ele te ajude a ter uma visão melhor das atrações bem como do que é a Cracóvia e a Polônia.

Castelo de Wawel

Durante séculos, o Castelo de Wawel foi residência de reis da Polônia e símbolo do poder da Coroa. Há evidencias que o monte onde está localizado, o Wawel Hill, tenha sido escolhido como residência oficial por Mieszko I (960-992), o primeiro líder e fundador do Estado Polaco. A Era de Ouro de Wawel aconteceu entre os séculos XIV e XVI, sob a dinastia Jagiellon. Neste período, o castelo tornou-se de pequeno e medieval para um dos mais sofisticados da Europa Central, com obras de artistas italianos do Renascentismo. Quando o rei Sigismund III Vasa (1587-1632) mudou a corte para Varsóvia, Wawel começou a declinar. Daí em diante, foi saqueado e até virou, em 1796, quartel das forças austríacas.

Dentro do Castelo Wawel

Dragons’s Den (Caverna do Dragão)

Embora conte com diversas exibições internas (programação completa pode ser vista no site), um dos destaques do Castelo Wawel é a Dragon’s Den, localizada na zona oeste do Wawel Hill (entrada pelos jardins). Reza a lenda que um dragão cruel, que aterrorizava os cidadãos da Cracóvia, vivia em uma caverna ali. Para resolver o problema, o rei ofereceu a mão de sua filha para aquele que derrotasse o monstro e salvasse a cidade. Um esperto sapateiro foi o vencedor. Ele criou uma armadilha para o dragão ao rechear um “cordeiro” com enxofre. Assim que comeu, o monstro explodiu.

Ao sair da caverna, existe uma representação do Dragão Wawel que expele fogo de tempo em tempo. Isso mesmo, ela solta fogo! Criada pelo escultor polonês Bronislaw Chromy, a estátua é feita de bronze e conta com 6 metros de altura. É muito legal!

Meu marido, o fogo e o dragão

Basílica de Santa Maria

Localizada na Praça Central da Cracóvia, a Kosciól Mariacki foi reconstruída no século XIV após a destruição do templo original pelos povos tártaros no século anterior. Até hoje é possível vivenciar um pouquinho dessa história. A cada hora cheia é feita uma homenagem a um trompetista que usou a sua música para alertar a população das invasões que estavam acontecendo. Na janela da torre mais alta, um músico começa a tocar um trompete. A praça inteira para para ouvir. Mas ele não termina a música. As notas são interrompidas abruptamente para relembrar como foi pela primeira vez. Reza a lenda que o homem que tocava teve sua garganta atravessada por uma flecha de um arqueiro experiente.

A Basílica de Santa Maria

 De estilo gótico, a Basílica de Santa Maria tem outra história relacionada a suas torres, que explica o motivo de serem assimétricas. Dois irmãos arquitetos foram contratados para construir as torres da Igreja. Cada um ficou responsável por uma. Logo, surgiu uma rivalidade entre eles, de quem construiria a torre mais alta. Existem diferentes versões da lenda. Em algumas, o irmão mais novo mata o mais velho, e em outras, o mais velho assassina o mais novo. Essa é a razão pelo qual um lado é mais baixo que o outro.

Mercado Principal

Do outro lado da praça está o Mercado Principal, o melhor lugar para encontrar as lembrancinhas da viagem. São diversas lojinhas que vendem de tudo! Na porta principal tem também uma faca pendurada e, novamente, existem duas lendas que explicam o motivo de tal exposição. A primeira é que esta seja a arma do crime utilizada por um dos irmãos para matar o outro. A segunda é que trata-se de um aviso para aqueles que forem pegos roubando ou praticando comércio abusivo.

Minas de Sal de Wieliczka

Consideradas Patrimônio Mundial da UNESCO, as Minas de Sal de Wieliczka começaram a ser exploradas no século XIII e são hoje uma das principais atrações turísticas da Polônia. Alguns as chamam de labirinto. Outros, de cidade subterrânea. Não é à toa que elas tenham tomado tal proporção. Embora seja extremamente acessível nos dias de hoje, o sal já foi – séculos atrás – sinônimo de riqueza, inclusive considerado o “ouro branco”. A palavra “salário” deriva daí. Outro exemplo seria a expressão “preço salgado”.

Marido e eu na Kinga’s Chapel, dentro na Mina de Sal

Existem dois tours disponíveis nas Minas de Sal de Wieliczka: a Rota Turistas e a Rota Mineiros. Fizemos a primeira, que tem duração de 3 horas. Atingimos 135 metros de profundidade e percorremos o equivalente a 3,5 km no subterrâneo. Vale ressaltar que a mina, em si, tem cerca de 245 km. Nós só visitamos 2% de sua totalidade. Loucura, né? Enfim, entre os destaques estão as câmaras, espaços que ficaram “vazios” após a extração do sal. Em algumas delas, foram construídas estátuas de sal de figuras importantes da cultura polaca, como reis e santos. Em especial, a St. Kinga’s Chapel. Todas elas, cheias de histórias e lendas, é claro. Nas fotos, é possível entender melhor a dimensão de cada uma.

Informações importantes

Localizada a cerca de 15 km da Cracóvia, é possível achegar às Minas de Sal de Wieliczka de transporte público (ônibus e trem). Em alguns fóruns da internet, vi pessoas comentando que a Uber lá é bem em conta. No nosso caso, meu marido e eu fomos de trem e voltamos de ônibus. Vale ressaltar que a entrada muda de acordo com o tour que você vai fazer. Para as localizações exatas, nossa recomendação é acessar o site da atração. Aí não tem erro!

Lá embaixo, na mina, a temperatura gira em torno de 17ºC e 18ºC. Ou seja, para nós, brasileiros, é bem fresquinho. Mas, é preciso levar em consideração que tem muitas escadas envolvidas. Só na Rota Turistas são cerca de 800 degraus. A recomendação da atração (e a nossa!) é: vá com roupas confortáveis. Outro ponto a destacar é que eles possuem banheiros e uma lanchonete dentro da mina.

Auschwitz-Birkenau

A 70 quilômetros da Cracóvia estão localizados os campos nazistas de concentração de Auschwitz e de extermínio de Birkenau. Muita gente me perguntou: “por que visitar um lugar assim?”. Por que, como disse Edmund Burke, “um povo que não conhece sua História está fadada a repeti-la”. Não existem palavras que descrevam a sensação de visitar os campos. E nenhuma frase pode definir as monstruosidades praticadas por lá. É frio, é cruel e em cada exibição a pergunta que fica na cabeça é “como pode?”. Durante toda a visita, o silêncio no local é palpável, o coração fica apertado e os olhos querendo desviar. Estima-se que mais de 1 milhão de homens, mulheres e crianças perderam suas vidas em Auschwitz-Birkenau.

A entrada de Auschwitz

Existem diferentes mostras e exibições espalhadas por Auschwitz que conta como era a vida nos campos antes do extermínio, como era feita a divisão entre os prisioneiros e como eram os discursos de ódio em voga naquele período. E para acessar Birkenau, o próprio museu disponibiliza um ônibus shuttle (vai e volta) entre os campos. Lá estão as câmaras de gás construídas para exterminação. É recomendável separar um dia inteiro do seu roteiro para Auschwitz-Birkenau. No site, o museu aconselha reservar pelo menos três horas e meia. Mas, sinceramente, a energia é tão pesada que, pelo menos eu, não tive pique para fazer qualquer outra coisa depois.

Informações importantes

A visita aos campos de Auschwitz-Birkenau é de graça, mas as entradas devem ser adquiridas com antecedência pela internet. É possível contratar visitadas guiadas também, com diferentes períodos de duração. Para chegar lá partindo de Cracóvia, existem ônibus e trem disponíveis, bem como um estacionamento para quem estiver de carro. Mas, por conta do horário dos nossos tickets (às 8h), meu marido e eu contratamos um traslado da Discover Cracow para ir e voltar.

E aí, convenci você a adicionar a cidade no seu próximo roteiro? Espero que tenha gostado! Ah! E não esquece de seguir a gente no Instagram no @voyajandoblog. Vai ser um prazer ter a sua companhia!

Beijo,
Jeanine

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